sábado, 30 de julho de 2005

quando os drafts são mais que os posts...

-acho que já não sei escrever aqui...

-"aqui"?
-"já"?

desperdícios #3

estou a esbanjar sentimentos... como quem compra a crédito sem ter um tostão.

desperdícios #2

as coisas não partilhadas que sinto são desperdícios que se dissipam no ar fresco e leve da noite, como restos inaproveitáveis de luz

desperdícios #1

trago um frasco destapado no peito, de onde sinto todos os dias evaporar-se um pouco da capacidade de olhar com este vidro fosco chamado coração

quinta-feira, 28 de julho de 2005

Nem eu.

Todos os meus relógios marcam horas diferentes.
Tudo o que eu digo parece triste depois de escrito.

Há horas díspares pelo mundo fora e as pessoas não são menos felizes por isso.

disfagia

sempre que estou contigo, esta sensação de despedida que não consigo expulsar...

terça-feira, 26 de julho de 2005

Tenho tanto para dizer e não consigo...

Gaguejo em frente ao espaço branco, vazio, aberto, sentindo de novo as vertigens que me impedem de ver com clareza o fio condutor de futuro à minha frente...

$2

pesam-me ainda na consciência....

segunda-feira, 25 de julho de 2005

Defeito V

Os exageros.
Aqui como em tudo na vida.

domingo, 24 de julho de 2005

"Que pena não poder ficar no sítio onde as mãos se dão"*



O sol desfez-se em nuvens, caindo sobre a estrada um escuro que me ofusca.
A tua voz doce queima-me as saudades, e olho à volta julgando ver-te nas sombras que se escoam velozes.
O nó apertado parece estar a perder esperança...
Tenho dificuldade em dar-lhe força com a mão direita, mas a esquerda, menos destra, mais institiva, faz o trabalho melhor.
Tenho a certeza de querer este fio consistente, forte, apertado em nós?
Não, não tenho. E ainda assim faço todos os esforços para que resista...
No fim talvez sobre mesmo isso: o nó.
Só o nó.
Sem fio.
Sem nós.

18.07.2005

*Toranja, numa música cujo título ainda não descobri, do Segundo.

Nem sei porque me queixo.

Afinal... fui eu que o pedi.
Várias vezes.......

A new beginning

para variar apetece-me encher isto de letras, mesmo que vazias, sem formar frases, sem dar forma a pensamentos.... ainda menos a sentimentos...

ainda....

depois de um ano de conversas incompletas e adiadas, quando finalmente me sinto preparada para ir ao teu encontro descubro que não era altura...

Privilégios

Ao contrário do que seria de esperar em mim, o regresso a este espaço está a ser mais difícil do que o esperado, embora tenha noção de que não o demonstro minimamente.
Sinto-me um pouco como se não tivesse ainda chegado, as coisas parecem distantes, as pessoas estranhas, as letras enferrujadas...
Sei que a escrita é um hábito que voltará, e os retalhos do que foi passando vão juntar-se aqui, como sempre aconteceu.

Foi bom ter ido logo a seguir.
Foi bom ter ficado tanto tempo.
Foi bom ter vivido um mundo diferente.
Nesta altura da minha vida tive o privilégio de poder fazer uma das minhas viagens de sonho. Que é preciso mais?...
Sinto-me calma, em paz, um bocadinho maior.

Aos poucos far-se-à o regresso.
Sem pressas.
Voltando lentamente à superfície, às decisões, às rotinas...

Provar a terra

É bom mergulhar os pés no solo firme.
O corpo dobrado para a frente, os braços estendendo-se em direcção à terra. Tocá-la. Sentir como é fresca e nova. Provar as ervas e os sabores que temperam o que se cozinha, saber o que gostam de beber os que daqui se alimentam. Aprender as danças, aprender as palavras. O olhar. Ver um pouco mais de vida. Crescer uns milímetros mais na alma.

Do mundo nos fazemos maiores.

13.07.2005

Ali...

E de repente, o mar ali...
À minha frente os degraus que preciso de trepar para chegar ao cimo, um patamar mais, um nível que me eleve até ti.



Se eu entrasse, se separasse esta distância, este medo do oceano que desconheço...
Se eu entrasse e tivesse força, a força para caminhar, os futuros atravessados estariam muito mais sóbrios, concretos, definidos.

Hoje o sal que me fere a pele é novo, forte de sol, e na areia os pés encontram pegadas desconhecidas. São as minhas?
O calor dissolve os contornos, e mais uma vez me perco do que procurei.

Tenho saudades tuas.

13.07.2005

sábado, 23 de julho de 2005

Mãos cheias



"Fabrico um elefante de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira tirado a velhos móveis talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão, de paina, de doçura.

A cola vai fixar suas orelhas pensas.
A tromba se enovela, é a parte mais feliz de sua arquitetura.

Mas há também as presas, dessa matéria pura que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza a espojar-se nos circos sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos, onde se deposita a parte do elefante mais fluida e permanente, alheia a toda fraude.

Eis o meu pobre elefante pronto para sair à procura de amigos num mundo enfastiado que já não crê em bichos e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente e frágil, que se abana e move lentamente a pele costurada onde há flores de pano e nuvens, alusões a um mundo mais poético onde o amor reagrupa as formas naturais.

Vai o meu elefante pela rua povoada, mas não o querem ver nem mesmo para rir da cauda que ameaça deixá-lo ir sozinho.

É todo graça, embora as pernas não ajudem e seu ventre balofo se arrisque a desabar ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância sua mínima vida, e não há cidade alma que se disponha a recolher em si desse corpo sensível a fugitiva imagem, o passo desastrado mas faminto e tocante.

Mas faminto de seres e situações patéticas, de encontros ao luar no mais profundo oceano, sob a raiz das árvores ou no seio das conchas, de luzes que não cegam e brilham através dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai sem esmagar as plantas no campo de batalha, à procura de sítios, segredos, episódios não contados em livro, de que apenas o vento, as folhas, a formiga reconhecem o talhe, mas que os homens ignoram, pois só ousam mostrar-se sob a paz das cortinas à pálpebra cerrada.

E já tarde da noite volta meu elefante, mas volta fatigado, as patas vacilantes se desmancham no pó.
Ele não encontrou o de que carecia, o de que carecemos, eu e meu elefante, em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa, caiu-lhe o vasto engenho como simples papel.
A cola se dissolve e todo o seu conteúdo de perdão, de carícia, de pluma, de algodão, jorra sobre o tapete, qual muito desmontado.

Amanhã recomeço."

O Elefante, Carlos Drummond de Andrade

Às vezes, quando se sai à procura, volta-se de mãos e coração cheios.
Obrigada por tudo o que não cabe em palavras e que no conjunto faz a nossa amizade...

sexta-feira, 22 de julho de 2005

De volta...

Depois de tanto tempo tudo me parece correr numa realidade paralela.
Aos poucos vou chegando... também aqui.

terça-feira, 21 de junho de 2005

IUPIIII!!!!

Breve

Porque o tempo aperta, e pensei que fosse dar para qualquer coisa mais "pensada"...
Nunca dá!
Não queria "desaparecer" sem agradecer o carinho e a força a quem cá vem!
Vou tentar comunicar, mas o mais certo é as minhas lembranças só regressarem depois do dia 20 de Julho.
Até já! :)

sábado, 18 de junho de 2005

Porque hoje é um dia especial...

Uma prenda:




Outra prenda:



Os dias são especiais pelas pessoas que nos trazem, por isso este será sempre um dia de festa para mim!
Parabéns, Cariño!

Notinha: Sabes como estou enrascada, por isso te deixo duas prendas: para tentar compensar a falta de originalidade... Para o ano será melhor! (pois, dois Brads!!!)

quarta-feira, 15 de junho de 2005

Curiosity killed the cat

Fico aqui a olhar.....
Não tenho muitas palavras para explicar tudo isto: há coisas que simplesmente não cabem no universo que compreendemos como real, e por isso mesmo não podem ser trazidas até ele.

Fui eu que alimentei o monstro.
Dei demasiada importância a coisas que nunca a tiveram.

Acho que queria saber como era...
É isso: eu só queria saber como era.

(Estou há demasiado tempo fechada, afastada da realidade. Felizmente tudo se aproxima do fim...)

terça-feira, 14 de junho de 2005

1923-2005


"É outono, desprende-te de mim.

Solta-me os cabelos, potros indomáveis
Sem nenhuma melancolia,
Sem encontros marcados,
Sem cartas a responder.

Deixa-me o braço direito
O mais ardente dos meus braços,
O mais azul
O mais feito para voar.

Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálperas acessas.

Deixa-me só, vegetal e só,
Correndo como rio de folhas
Para a noite onde a mais bela aventura
Se escreve exactamente sem nenhuma letra."

Eugénio de Andrade, Vegetal e só

domingo, 12 de junho de 2005

Insónias #2

A distância, os quilómetros entre nós.
Os cabelos que não se sentiram nos dedos, os beijos que não se deram, os abraços que se afastaram.
O mesmo ar que não se respira, um coração que não se sente no peito.
As palavras que ficam por dizer, as músicas que não se ouviram, uma voz que é só ausência.
O luar que não se vê, o mar em que não se entrou, o chão que não se sente nos pés.
As pessoas certas e as horas erradas.
A falta de uns segundos mais, uns milímetros mais de pele.
A vontade alheia que se serve da imaginação.
As mãos que não se tocaram, os olhos que não se viram, o espaço de ar que ficou suspenso entre esses dois gestos adiados, mudo, pesado, dorido...

E o calor?
Este calor...
É este calor que não me deixa dormir.

É a falta dele que me mantém acordada.

sábado, 11 de junho de 2005

Bingo!

Não deve ser difícil adivinhar onde tenho ouvido coisas "de passagem"...

Ouvido de passagem #5

- Have you ever been alone?
- Of course!
- I mean truly alone. Doesn't mean between relationships.
Loneliness is the feeling that there might never be anybody. Ever again.

Não deixa de ser curioso que eu tenha falado nisto imediatamente antes de ouvir...

Eu sabia que isto estava nalgum sítio!

(o teste, não propriamente o facto de eu ser o John Cage)

John Cage
You are John Cage! you're a little weird, you're
obsessed with cleanliness, you don't have much
self esteem, and you need to pump yourself to
get it. Just a hint, stay away from hair
brushes.

which Ally Mcbeal Character are you?
brought to you by Quizilla


Adenda: Na sua primeira versão, este post acabava assim:

Ainda estive vai-não-vai para fazer batota e ser a Ally, sempre era mais bonitinha... Mas vou deixá-la para ti! ;)

(depois de uma justa reclamação, devolvi-lhe a forma original!)

sexta-feira, 10 de junho de 2005

Aviso à navegação

Até dia 22 de Julho isto estará em serviços mínimos (o que quer que isso signifique).

O que me impede de postar é mais a falta de disponibilidade mental, do que propriamente o tempo. O tempo raramente é motivo de falta de posts para uma pessoa que, como eu, chega aqui, escreve e carrega no publish, sem contemplações, sem pena nenhuma do blog (muito menos de quem o lê)...

Enfim... Espero depois voltar eu novamente, com uma cabeça arrumada, uma confiança nova, e (principalmente!) um coração limpo.
Preciso desesperadamente de me livrar de tudo o que me ocupa no presente.

Já era altura...

"You’ve got your ball
You’ve got your chain
Tied to me tight tie me up again
Who’s got their claws
In you my friend
Into your heart I’ll beat again
Sweet like candy to my soul
Sweet you rock
And sweet you roll
Lost for you I’m so lost for you
You come crash into me
And I come into you
I come into you
In a boys dream
In a boys dream
Touch your lips just so I know
In your eyes, love, it glows so
I’m bare boned and crazy for you
When you come crash
Into me, baby
And I come into you
In a boys dream
In a boys dream
If I’ve gone overboard
Then I’m begging you
To forgive me
In my haste
When I’m holding you so girl
Close to me
Oh and you come crash
Into me, baby
And I come into you
Hike up your skirt a little more
And show the world to me
Hike up your skirt a little more
And show your world to me
In a boys dream.. in a boys dream
Oh I watch you there
Through the window
And I stare at you
You wear nothing but you
Wear it so well
Tied up and twisted
The way I’d like to be
For you, for me, come crash
Into me"
Dave Matthews - Crash into me

Já estive triste, já estive alegre.
Hoje estou só furiosa.

Isto é diferente.
É diferente em tudo, e tu não sabes.
Na realidade acho que não queres saber, e isso não me deixa triste, deixa-me furiosa.



O motivo é simples: não há nada a fazer, excepto lutar contra a minha vontade.
E isso eu nunca aprendi a fazer muito bem...
É pena, porque nunca tive grandes dificuldades em aprender tudo o resto.
Às vezes acho que prefiro a tristeza: é mais calma, e permite-me uma concentração maior nas outras coisas, que reclamam a minha atenção e não conseguem metade da que precisavam.

Seja como for, se puder escolher (e em certa medida posso), escolho a alegria.
O resto irá com o tempo, como tudo vai, e amanhã, quando acordar, já nada disto fará sentido.

segunda-feira, 6 de junho de 2005

Diz o ditado: quem escorrega também cai

Escorregadio: adjectivo (De escorregar+-dio) (daqui)

1. que faz deslizar ou escorregar;

2. (sítio ) onde se escorrega facilmente;

3. que desliza lentamente;

4. que tem deslizes frequentes;

5. (situação, assunto ) que é arriscado ou de resolução delicada; complexo; melindroso;

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Duplamente agradável

Tenho estado um bocado distraída com este post, e estava a preparar umas linhas sobre ele, mas hoje reparei que estava escrito um mais recente. Ao lê-lo, confesso que me senti dividida: prefiro lavar os olhinhos ou ler os teus posts?

Acabei por perceber que é uma dúvida estúpida.
A única coisa que ele vai fazer é ficar um bocadinho mais para baixo à medida que fores escrevendo... A isso eu chamo juntar o útil ao agradável.

quarta-feira, 1 de junho de 2005

O melhor do mundo!


(daqui)

Porque neste dia se celebram as crianças, as pequenas e as grandes.



A minha vida não é diferente das outras vidas.
Ou melhor, é diferente num pormenor, que não me parece insignificante: é a minha vida.

Felizmente a minha vida é uma comédia, que, infelizmente, as palavras transformam em drama...

[suspiro]

Não estou minimamente satisfeita com a minha prestação actual.
O problema é que não consigo ter mais rendimento no tempo presente, esse rendimento devia ter existido nos meses que se foram, e não existiu por mil motivos que nem interessa discutir.

Foram criadas as melhores condições por todas as pessoas que me rodeiam, neste universo muito meu e real.
Fui poupada a trabalhos domésticos e aos outros.
Tive mais (infinitamente mais!) mimo do que mereci.

Falhar não é só falhar no meu futuro.
É não estar à altura do que os meus fizeram por mim.

terça-feira, 31 de maio de 2005

Ouvido de passagem... #4

-Costumas sonhar?
-Claro! Desde que acordo até adormecer.

sábado, 28 de maio de 2005

O nome dele

Quando ele lhe foi apresentado, havia duas ou três pessoas no seu universo com o mesmo nome.
Todos temos nomes que, de uma forma ou de outra, soam mais fortes quando pronunciados.
O dele não era um desses nomes.
Quando o ouviu a primeira vez não lhe despertou nenhum sentimento, não soou nenhuma campaínha, não estalaram foguetes no ar...
Apesar disso, aos poucos o nome foi vencendo.
Adquiriu consistência própria, e um sabor espesso e quente sempre que era pronunciado, enrolando-se devagar na língua.
Tinha um som diferente, com as suas consoantes e vogais alternando de forma harmoniosa, quase perfeita, como música a irromper do silêncio e fazendo estremecer as estruturas mais seguras que trazia dentro de si.

A partir daí começou a segui-lo.
(ou seria ele a segui-la a ela?)
Se o via assinado num jornal lia o artigo todo, e se por acaso um cantor assinava como ele, comprava o álbum, se houvesse imagens de outros homens chamados assim, ela recortava-as para as guardar...
O nome deixou de ser nome: era ele.
Como se todos aqueles homens pudessem formar uma massa, fundir-se, misturar-se, e fazer um só...

quinta-feira, 26 de maio de 2005

Naquele dia, quando voaste, preferi ficar contigo, mesmo quando já não eras tu, porque a minha dor era mais suportável do que a dos que te tinham perdido.
E ainda hoje, a deles é a que me dói mais, não é a minha...

Seis meses

Seis meses.
Metade de uma ano.
Às vezes não entendo o que foi feito dos dias e das horas que se viveram.
Ao olhar para trás é tudo uma grande e gigantesca nuvem, às vezes mais branca, às vezes mais negra.

Não passa um dia em que não me lembre de ti.
Em que não me suba aos lábios a eterna interrogação sem resposta.
Sei que há coisas que não a têm, e sei que com o tempo vou ser capaz de deixar de sentir a dúvida como uma dor.


Xiça!!! Tenho saudades tuas...

terça-feira, 24 de maio de 2005

Fugas

Acabara, no entanto, por me render ao fim de tudo.
Como, se era tanto o vento lá fora?
Não poderia ser assim.
Não poderia ser em vão...
Sorri uma última vez ao velho retrato pendurado na parede e parti.

Só queria saber se foi para sempre...

domingo, 22 de maio de 2005

Ainda sobre os olhos....



...e mais não digo...

sábado, 21 de maio de 2005

No use...

"Doctor says it's all fine,
vertigo is all fine
when you are sitting on top of your childhood dreams,
'cause who would't be scared at the top of the stair,
who would't stare before they dare.

Doctor says it's all right,
feeling shit when it's all light,
when luck hits you like a truck,
I keep on walking in the street with luck
and climb over your arms and step on to your charms
and tread over the dreams I had one night.

But there's no use 'cause I can't find you."
Marlango

Este, gostava de o dar pessoalmente...



Por mais que aos poucos tenha conquistado a paz aqui onde me encontro, há coisas que são insubstituíveis...

Incrível

o meu sexto sentido é poderosíssimo: ele adivinha as coisas que as outras pessoas vêem.

Com paixão...

Dentro das nossas fronteiras, o meu coração divide-se por duas cidades.
A terceira, sempre a senti como emprestada.
Deixo aqui ao lado um link que mostra parte de uma:
A Cidade Surpreendente.

sexta-feira, 20 de maio de 2005

Panic Mode



A palavra que não utilizaria normalmente, e que melhor descreve a minha situação actual, e, principalmente, a futura, é demasiado forte para ficar aqui escrita.

Mas a verdade é mesmo essa: estou tão #%$?#&...

Notinha: não quero que se sintam defraudados aqueles que, ao seguirem o link, estiverem à espera de encontrar o Pang original... É só um substituto parecido...

Atrasados...

...os parabéns ao Miguel, por um ano a mostrar o que vê O OLHO DO GIRINO. (E vê mais que muitos sapões que aí andam...)

...os parabéns à Claire Lunar, por dois anos a iluminar as minhas noites com um little black spot.

quinta-feira, 19 de maio de 2005

Como destruir o seu próprio blog
em duas ou três lições com a muska
quem quer que essa seja...



A minha sanidade mental, já de si escassa, tem atingido níveis assustadoramente baixos nos últimos tempos (o último post poderá ser prova disso) (ou então não).
Quase não saio de casa, quase não vejo ninguém, quase não ouço a minha voz a não ser quando recita as páginas que vivem à minha frente...
Ver novelas, e a Ally McBeal todos os dias antes de dormir também não ajudará muito, mesmo que em substituição de um ansiolítico....
Se isto não estivesse perto do fim, talvez acabasse por perder o fio que me liga à realidade....
Ou talvez pudesse, enfim, reparar que faz muito tempo que ele não está lá.
Um dos indícios que aponta nesse sentido é o facto de eu não possuir qualquer resquício de auto-censura no que diz respeito a este blog...
(Eu sei... quando parece que não pode ficar pior...)

quarta-feira, 18 de maio de 2005

Desculpa dizer-te

Sim, é verdade que ainda penso em ti.
Nunca o admitiria num outro sítio, numa outra altura...
Às vezes pergunto-me se existem fronteiras, e, a existirem, onde estarão desenhados esses limites.
Porque aqui perdem todo o sentido.
Aqui não há espaço para pensamentos ridículos, para sentimentos deslocados, para as coisas que deviam ter sido e não são.
De repente tudo é normal, não há o "deveria ser", sobra apenas o "é".
Os limites são impostos por nós a nós próprios, e ao abrirmos o espaço das nossas verdades elas já não parecem fraquezas, são as coisas que nunca pensamos que os outros pudessem pensar ou sentir, e que afinal são universais.
Ninguém é tão forte como aparenta, a diferença está na forma como nos queremos mostrar.

Sim, penso em ti.
Acredito que ninguém domina as páginas da nossa história de forma a poder dizer que nunca começou, ou sequer que já há muito devia ter acabado.
Sim, devia ter acabado, porque na realidade a nossa história não existe.
No meu universo existe, especialmente quando me sinto mais frágil.
É normal? Passou demasiado tempo?
Tenho consciência que ao passar para fora nada disto fará sentido.
Não faz mal, de certa forma desejo mesmo que não faça.
Tudo são fases, a vida é feita de ciclos.

Às vezes gostava de ler o futuro nos teus olhos.
Se ao menos estivesses mais perto...

terça-feira, 10 de maio de 2005

in a twinkling...


peço desde já desculpa pelo incómodo causado aos milhões (poucos mas bons!) de leitores deste blog...

E tu, perdes-te por quê?
ou por quem...

Tenho uma amiga que se perde por olhos claros.
Eu não, eu perco-me por uns vulgares olhos castanhos.
Por uns olhos escuros.
Por uns olhos quase pretos, vivos, brilhantes... divertidos...

sábado, 7 de maio de 2005

Sonho meu

"Sonho meu, sonho meu
Vai buscar que mora longe
Sonho meu
Vai mostrar esta saudade
Sonho meu
Com a sua liberdade
Sonho meu
No meu céu a estrela guia se perdeu
A madrugada fria só me traz melancolia
Sonho meu

Sinto o canto da noite
Na boca do vento
Fazer a dança das flores
No meu pensamento
Traz a pureza de um samba
Sentido, marcado de mágoas de amor
Um samba que mexe o corpo da gente
E o vento vadio embalando a flor
Sonho meu"
Maria Bethania

Preço da Desistência

Não sei se algum dia pensar em ti vai ser diferente de pensar na pessoa que deixei escapar.

(época propícia a este tipo de lembranças...)

sexta-feira, 6 de maio de 2005

Não me doeu

Pela primeira vez em dez anos vou manter-me afastada por completo.
Preparei-me para a dor do dia de hoje, mas acho que cheguei a um limiar onde ando suspensa.
O que era a dor da falta das pessoas, dos ambientes, dos cheiros que se sentem no ar, é hoje um embotamento que me anestesia.

"Sentes que um tempo acabou
Primavera da flor adormecida
Qualquer coisa que não volta, que voou
E foi um triunfar na tua Vida.

E levas em ti guardado
Um choro de um balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra.

Capa negra de Saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo para a Vida.

Tu sabes que desenho do adeus
É fogo que nos queima devagar
E no lento cerrar dos olhos teus
Fica a esperança de um dia aqui voltar."
Balada de Despedida do 5º ano Jurídico de 88/89
(escolhida porque marcou os meus últimos dias em Coimbra, e descaradamente roubada daqui)

Os regressos são sempre diferentes, porque é verdade que há qualquer coisa que não volta (que voou...). Mas não faz mal: a simples certeza de que vivi em pleno tudo o que me foi oferecido deixa-me um sentimento bom, dá-me uma paz que nada pode abalar...
Nem a distância...

quinta-feira, 5 de maio de 2005

Magic

5ª Feira
Dia 05
Mês 05
Ano 05
(Guess what? São cinco da manhã...)

Time for a break

Isto é só um truque: assim que digo que quero fazer uma pausa, lembro-me de mil posts que ainda não escrevi...
Ou então não.

domingo, 1 de maio de 2005

Dia da Mãe/Dia do Trabalhador

Parece-me justo.

sábado, 30 de abril de 2005

Chegou a batata quente! :)

Agradecendo a simpatia do CBS, cá ficam as minhas respostas:

1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Bom, finalmente dei-me ao trabalho de ir ver o que é o "Fahrenheit 451"... (quem é que se lembra destas coisas???) (há um livro, mas deixo o link para o filme, porque é mais fácil perceber de que se trata lendo a sinopse)
Mesmo assim não sei bem como hei-de interpretar a pergunta, por isso vou só escolher um livro que me tocou de forma especial na altura em que o li:
A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende.
(cheguei a pensar que também conseguiria mover as travessas em cima da mesa sem lhes tocar)(depois descobri que não, podem ficar descansados...)

2. Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
Já: o Calvin enche-me as medidas...

3. Qual foi o último livro que compraste?
Não me lembro bem (infelizmente tenho muito com que me distrair...), mas acho que foi um livro de fotografia: Insubmissos, de Steve Bloom. Para oferecer.

4. Qual o último livro que leste?
Viver para contá-la, de Gabriel García Marquez.
Esperava melhor. Não me envolveu, e além disso detestei a forma como acaba...

5. Que livros estás a ler?
Ponderei, mas acho que vou ignorar os de trabalho.
Estou a ler Um Dia de Cada Vez, de Jamie Weisman, uma espécie de reality show americano, em que uma jovem descreve o seu percurso através da doença crónica de que sofre, tendo por isso mesmo decidido que queria ser médica. Uma espécie de eu vi a luz, que, apesar de simples, não me convence... Foi-me oferecido, e eu leio (quase) tudo o que me dão. E não gosto de deixar livros a meio.
Também não gosto de ler vários livros ao mesmo tempo porque começo a confundir as histórias, mas como o livro da Jamie Weisman é tão fraquinho, estou a ler também o segundo de uma série de Alexander McCall Smith, que se chama As Lágrimas da Girafa. Simples e bem disposto, ideal para a fase em que estou.

6. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Para uma ilha deserta só numa de duas hipóteses: com muito boa companhia, para umas férias, ou então depois de um violento naufrágio. E com cinco livros não chegava a ilha nenhuma, era bem capaz de me afogar antes disso!
Enfim... considerando a hipótese de um barco ou coisa parecida, levava:
-O livro que estou a ler (já expliquei porquê...)
-A Bíblia porque nunca li e tenho curiosidade
[Adenda: decidi que o que estou a ler não conta, porque já não é um livro completo, por isso acrescento O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago, para ler depois da Bíblia.]
-As Brumas de Avalon (os quatro volumes!) de Marion Zimmer Bradley, porque me levam para um mundo mágico.
-O Deus das pequenas coisas, de Arandhati Roy, porque o li numa atribulada viagem de comboio que durou 20 dias, tantos como os que demorei a lê-lo. Não consegui prestar-lhe a devida atenção, e acho que a merece.
-O meu livrinho, para poder escrever as aventuras e desventuras passadas na companhia da malta que ia comigo para a ilha, porque sozinha nem os livros me valiam: ficava doidinha de vez!

7. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Mmm... À minha afilhada (mai' linda!!!), à Joana e ao TF. Para saber coisas de gente de carne e osso... (vocês são, não são?)

Notinha: ao contrário do CBS, que teve a amabilidade de me perguntar primeiro se eu queria responder, vou simplesmente passar o testemunho. Se os visados não tiverem vontade de o aceitar, eu invado os blogs deles, pinto o template de verde fluorescente e laranja com bolinhas rosa-shock, e substituo os posts por poemas escritos por mim em noites de quinta-feira na cidade dos estudantes... Ah! E deixo a tocar, em repeat mode, uma música do Michael Bolton (uma qualquer).
Brincadeirinha. Se não quiserem, olhem... paciência! :)

Pré-síncope

Se algum dia me apaixonar (de novo?), vou reconhecer que estou apaixonada, ou vou confundir tudo, achar que estou com tonturas, e sentar-me à espera que passe?

Realidade paralela #2

Mais ou menos à mesma hora, o despertador lembra-me que devia acordar.
Nunca o faço.
Levanto-me, tomo banho e visto-me, arrasto-me até à cozinha e como o mesmo de sempre.
Às vezes trabalho, e no fim volto para casa, passo o resto do tempo em intervalos no estudo.
Aos poucos esta rotina ganha consistência e veste-se de vida.
As coisas que como e digo, os sítios onde trabalho e bebo, as pessoas com quem falo ou durmo... tudo isso passou a ocupar uma realidade paralela onde nada é palpável, tudo é virtual.

Às vezes pergunto-me se o coração bate mesmo, ou se vai parar de repente, quando carregar no off do computador.

sexta-feira, 29 de abril de 2005

Esta fica

Vou deixar esta música correr mais um pouco.
Fora do contexto, só a me poderá ainda salvar...

Cartão Vermelho

Determinados jogos têm certas regras.
Eu estou a quebrá-las.
Todas.

_U______________________
__M_____________________
___A____________________
__________P_____________
___________O____________
____________R___________
____________________U___
_____________________M__
______________________A_

quinta-feira, 28 de abril de 2005

Cantando e aprendendo...





Realidade paralela

A esta hora apercebo-me: alguns posts só fazem sentido à noite.

quarta-feira, 27 de abril de 2005

Ses

Se algum dia eu voltar não será nunca pelo que vivi.
Será pelo que quero viver.

começou

a contagem decrescente

segunda-feira, 25 de abril de 2005

Parabéns, Cariño!

Hoje a música é (foi...) para ti.
A "prenda" segue por mail.

Obrigada....

domingo, 24 de abril de 2005

Das distâncias

Nunca fui capaz de manter a distância por tanto tempo.
(acho que só mesmo obrigada...)
Na hora de voltar cresce sempre aquele friozinho...

E tenho medo de não saber o caminho e de me perder.
Tenho medo de não ser capaz de chegar aos sítios... às pessoas...

(incrível como o tempo passa e eu me mantenho repetitiva...)

Resta...

"Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história...

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens."
O Haver - Vinicius de Moraes


Às vezes, quando parece que o que resta não chega, há qualquer coisa que nos leva, que nos carrega nos braços até vermos um pouco mais de luz, até termos um pouco mais de força nos músculos cansados das lutas, das procuras que não se encontraram, das noites em que não se dormiu pela falta de alguém que nos calasse os fantasmas, que silenciasse as suas ladaínhas intermináveis...
Porque o que resta é o primeiro passo, e esse levar-nos-á em frente, e acabará por nos ensinar outros passos, até que possamos voltar a andar.

Nunca duvides do valor das causas nobres.
No fim elas vencem.
Sempre.

Só acreditando nisso é possível continuar...

(gostava que esta mensagem chegasse ao seu destinatário sem que eu lha entregasse...)
(ainda que sejam só palavras e, como tal, em algumas alturas pareçam só isso: palavras...)

sábado, 23 de abril de 2005

As melhores coisas da vida
estouram-se num segundo.
E não custam dinheiro.












(ainda hei-de conseguir escrever este post...)








sexta-feira, 22 de abril de 2005

u m d e s e n h o

terça-feira, 19 de abril de 2005

Hipóxia

Ao fazer voluntariamente o movimento de inspiração sinto o ar rarear...

Vou até ali à janela respirar qualquer coisa.
Não estranhem se demorar.
Há alturas em que me falha, literalmente, a inspiração.

Revisão

O corpo não é uma máquina, e muito menos perfeita.
Apesar disso, podemos e devemos cuidá-lo, mas não basta trocar o óleo, verificar os pneus ou alinhar a direcção.
É preciso uma atitude por trás do volante...
E uma atitude negativa pode causar mais danos do que muitas avarias mecânicas...

Perante o medo irremediável da morte, a vida diminui, mirra, atrofia...

Perco toda a objectividade.
É que por trás da segurança que aparento estão as minhas dúvidas e os meus medos, e nunca os posso deixar perspirar, um pouco que seja.
Às vezes parece que sufoco neles...

Às vezes pergunto-me se algum dia vais compreender que só depende de ti....

domingo, 17 de abril de 2005

Vidas

O Arnaldo ainda tinha um fraquinho pela Carlota, mas, ainda assim, estava triste porque as coisas com a Marlene não iam como esperava.
A Carlota era feliz com o Juvenal porque tinha escolhido ser feliz.
E ia conseguir.
Mas, ainda assim, talvez lhe fraquejassem as pernas se o Arnaldo se chegasse a menos de dez centímetros, e ela lhe sentisse a respiração.

Já a Iliana e o Timóteo tinham estima um pelo outro, mas, ainda assim, tinham decidido que não podiam continuar juntos.
Ela ficava todas as noites em casa a encher-se de borbulhas na cara e de pratas de chocolate no sofá.
Ele ia sair, mas ao chegar a casa bebia dois ou três copos de maduro tinto.
Depois fartava-se.
Atirava o copo à parede e continuava a beber pela garrafa.

A Anabela não tinha namorado com o Dinis por muitos anos, e decidira que depois de seis anos aquilo havia de ter um fim.
O Dinis desenrascou-se, e é feliz com a Julieta, mas, ainda assim, pensa na Anabela todas as noites enquanto não adormece.
A Anabela sente-se atraída por morenos cabeludos que lhe lembram o Dinis, e por causa disso só se envolve com albinos de olhos pálidos.
Vive com a ilusão de que um dia vai deixar cair os óculos na rua, e nessa altura virá um desconhecido oferecer-lhe flores.
É com ele que casará, os filhos serão só dos dois.
E o seu nome será sempre José.

(qualquer semelhança com a realidade é a mais pura coincidência)

sábado, 16 de abril de 2005

And now for something completely different...



G E T A L I F E!!!


que é como quem diz: estuda!

E agora...

...que penso melhor sobre isso, as horas sombrias talvez tenham uma razão de ser.

Sinto-me completamente ridícula sempre que não acendo a luz do meu quarto....

Há horas sombrias nas minhas noites

No fim de tudo o que foi o dia, aproveito alguns minutos para me afastar dos muros que me impus, mas ao transpô-los vejo que as certezas se afastam a cada passo...

Hoje queria muito estar noutro sítio...
Queria muito outras companhias...
Queria muito........

Só para variar um pouco.
Ou não.
Ou então não....

Resoluções

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
Ricardo Reis, 14-2-1933

sexta-feira, 15 de abril de 2005

Brilhante...



Esteve semanas dentro da caixa, a criar expectativas para o dia em que fosse iluminar-me.
Hoje, finalmente, depois de feitas as devidas ligações, senti uma emoçãozinha quando mexi no interruptor...

Mas não aconteceu quase nada!

Brilhante não é o candeeiro, é quem o comprou sem sequer olhar para as suas características luminosas....

terça-feira, 12 de abril de 2005

A minha também!!!

A seguir passam por aqui? :)

Alegria, alegria

Têm estado uns dias magníficos e, mesmo para mim, que os passo principalmente em casa, a ver o sol através dos vidros, ou em breves pausas em que passo para o lado de lá, é quase impossível não ficar um pouco mais colorida por dentro.

Ainda que mais logo a nostalgia das horas mortas volte para me perseguir, enquanto o dia se despenha nos meus olhos e o corpo se recusa nas últimas caminhadas por outras vidas...

Estados de espírito

Aqui há tempos pensei pôr na barra lateral um daqueles sistemas com uns bonequinhos engraçados, que informa os mais fidelíssimos leitores do blog sobre o estado de espírito do seu autor.
Depois dei por mim a perguntar se seria preciso...

Quer dizer... os posts não falam já por si? (por mim, neste caso)
(eu sei, cheia de graça...)

E agora ainda mais, com música....
(é que não há muito a fazer, aos poucos vou-me convencendo que é verdade: a música fala muito melhor do que eu!)

[adenda: mas não há dúvida: melhor do que o audioblog musical é o tal audioblog escrito, porque se basta a si mesmo, sem muletas ou outros falsos apoios...]

Não quero dormir

Fechar os olhos é renunciar ao mundo, e acordar é voltar a nascer para a rotina.

domingo, 10 de abril de 2005

As Ilhas dos Açores

O tempo sobra-me na ponta dos dedos.
Estas horas são calmas e silenciosas, e minhas... só minhas...

Nelas há músicas que me levam em voos secretos aos lugares que trazem no nome.

Breve

Há muito, muito tempo era um príncipe, e era uma princesa, que se zangaram.
Partiram cada um para seu lado, e voltaram a encontrar-se numa nova translação do mundo.
O mundo é redondo como uma bola, e cheio de vida, é fértil e generoso.
O príncipe e a princesa tinham sido felizes nas suas travessias, e casaram em comunhão total de bens... com outras princesas e outros príncipes que havia nas terras por onde iam.

quinta-feira, 7 de abril de 2005

Nocturnos #2

No final da noite o coração bate-me mais forte.
Desvio os olhos das conversas que mantenho comigo mesma, e vislumbro lá fora o cantar dos pássaros que anuncia um novo dia.
É cedo... ou é tarde, e eu nem sabia...
Levanto-me pesadamente, apago as réstias artificiais de luz, e visto-me de descanso.
Nos olhos pesa-me parte do dia e parte da noite, e arrasto os pés pela casa, escolho nos dedos as tábuas que fazem os degraus ranger, e fecho a porta atrás de mim.
Não acendo ainda a luz, gosto de me movimentar às escuras, sabendo que conheço os recantos como a um corpo que toco com suavidade, sempre na expectativa de confirmar que a memória não me traiu, e que a realidade ultrapassa a imaginação.



Através das cortinas coloridas, baratas, começa a entrar um pouco do dia novo, e pelo silêncio, pela paz desta hora em que o mundo é só meu, abro a porta da varanda.
Só então percebo que não vesti ainda o pijama, quando a manhã me cobre, fria, e tu vens por trás e me abraças.

quarta-feira, 6 de abril de 2005

Desejos

"Não sei de que maneira a sucessão
Nos dias tem achado este meu ser
Que a si mesmo se tem desconhecido.
Não sei que tempo vago atravessei
Nos breves dias de febril ausência
De parte do meu ser. Agora
Não sei o que há em mim, que sobrenada
A ignorada coisa que perdi.

Sinto pavor, mas já não é o mesmo
Pavor, nem é a mesma solidão
Doutrora, a solidão em que me sinto.

Queimei livros, papéis,
Destruí tudo por ficar bem só,
Por que não sei, não sabê-lo desejo.

Resta-me apenas um desejo ermo
De amar e de sentir"

Fernando Pessoa - O Horror de Conhecer
(daqui, com algumas alterações minhas)

terça-feira, 5 de abril de 2005

Eu sei, está sem sentido...
Deve ser da hora...
(ou talvez não!)

Maria Creuza canta que se farta...

Via rápida

Sei que ando a abusar dos meus posts musicais...
A verdade é que estou farta de escrever drafts sobre um assunto que me persegue e não consigo pô-lo cá fora, parece que nunca fica escrito como eu o penso... ou melhor: como o sinto.

Outro dia um amigo disse-me, ao ver-me teclar: "Escreves mais rápido do que falas!"

E é verdade: acho que a via que liga o meu cérebro, ou o meu lado esquerdo (ainda não percebi qual é o que escreve) às mãos é bem mais rápida do que a que vai até aos lábios.
Ele não o disse com essa intenção, mas foi assim que o ouvi.

De qualquer forma, neste caso, a informação ainda não foi transmitida com a rapidez suficiente, e perdeu-se no caminho.
Talvez não esteja ainda pronta para ver a luz do dia num post...
Acredito que às vezes possa ser ofuscante.

E por isso fica, mais uma vez, a música.
E fica esta porque me deixa bem disposta, porque é suave e forte, e porque me lembra uns dias deliciosos passados no Verão, com pessoas de quem tenho mais saudades do que as que conseguiria escrever se a tal via não existisse, e a transmissão fosse instantânea...

sábado, 2 de abril de 2005

O que dizem as cores

Para quem nunca reparou, sinto-me na obrigação de explicar que este blog é verde.

Aqui os posts não amadurecem.

(eu sei, eu sei... à primeira vista parece mesmo azul...)

sexta-feira, 1 de abril de 2005

E o fim é daqui a quanto tempo?

Compreendo que o fim é difícil de aceitar em qualquer circunstância.

Apesar disso, custa-me muito entender que, para quem acredita que existe Deus, e que existe um "Céu" para onde vai quem o mereceu, seja preferível acabar nesta agonia, em que se tenta perpetuar a vida a qualquer custo... em que a dignidade humana perde o valor numa luta sem fim contra o inevitável que é a morte.

quinta-feira, 31 de março de 2005

No news is good news?

Como não tenho mais com que me entreter (para além das mil coisas que invento para não fazer o que tenho que fazer) transformo isto num audioblog musical...

Esta rotina tem diversos efeitos, e um deles é a falta de assunto.
Só falta saber se isso é bom ou mau...

(E assim, à falta de melhor, deixo aqui esta magnífica tradução!)

Que me sirva de lição

Perdi um documento importante, e enquanto o procurava dei de caras com um maço de cartas que escrevi e nunca cheguei a mandar.
Tenho montanhas dessas cartas, espalhadas por todos os meus cantos da casa...
De cada vez que as vejo começo a lê-las, à espera de encontrar alguma coisa de jeito nos meus raciocínios passados. A memória é curta, mas depressa percebo que a mensagem não vale nem o papel nem a tinta que consumiu. E ainda menos porque nunca chegou aos destinatários. Nessa altura penso em atirar tudo para o lixo, ou fazer uma fogueira (o que provavelmente me daria mais gozo). Mas depois faz-se luz, e sei porque este ritual de encontrar, abrir, ler, e detestar se repete...

o silêncio é um bichinho que se alimenta dos nossos medos, cresce com eles, e vai consumindo o que de melhor existe em qualquer relação entre duas pessoas: a confiança.

segunda-feira, 28 de março de 2005

Hoje encarnei esta música

"Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
(Quem é ela? Quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde
Transito entre dois lados, de um lado
Eu gosto de opostos
Expondo meu modo, me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
(Quem é ela? Quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço?
Meu amor, cadê você?
Eu acordei,
Não tem ninguém... ao lado"
Adriana Calcanhoto - Esquadros

A letra é daqui.
Os berros (e alguma pontuação extra) são meus.

Só para que conste

O blog é a minha pele sensível.
Quem me conhece bem sabe que sou bruta como as casas.

Diplopia

E agora, passado este tempo, queria poder ver-me através dos teus olhos.
Saber as cores que perdi, as sombras que me cresceram, os contornos em que me transformei...
Sei que sou eu, na mesma, aqui debaixo...

Mas quando me olhas divido-me em duas.

E tenho inveja da outra...

sexta-feira, 25 de março de 2005

Verdade VII

(ou mentira?)

Aquela história do "nunca pensei sentir isto" é uma treta.
É uma grande treta.
Claro que se pensou.
Pensou-se muito, até.

Ou melhor: não se pensa noutra coisa...

...até cair dela abaixo.

E esta é só mais uma fase em que estou a deixar-me ir na corrente, como quem se senta numa cadeira e escorrega devagarinho...

Antes que isso aconteça vou puxar-me para trás, encostar-me na cadeira, e continuar a estudar...

Ondas

Nestes dias que correm, circulo dentro de mim própria à procura da força.
Sei que ela existe, já a vi noutras alturas, mas tem uma vontade própria que me exaspera, e só aparece quando quer.
Nem sei porque estranho: toda eu sou assim, vontades salgadas, donas delas mesmas, que avançam, com força ou devagarinho, para se estatelarem na areia da vida.

quarta-feira, 23 de março de 2005

Nem sei o que é pior...

Tenho estado ocupada.
Recuso saídas, filmes, cafés e um copo ao fim de semana, viagens à terrinha... tudo porque tenho estado ocupada...
Ando ocupada em perder tempo, em não cumprir as minhas obrigações.
Isto é grave por vários motivos.
Sei que devia estar a trabalhar mais.
Sei que quando vir os resultados me vou arrepender de todas as horas que perdi em viagens pela casa, ou pela net, ou por esse mundo fora dentro da minha cabeça.
Então é grave porque já conheço o futuro, sei que posso fazer alguma coisa para o mudar, e fico de braços cruzados....
E é gravíssimo porque, ao perder estas horas preciosas, estou a perder também aquelas que podia ter a mais para estar com quem interessa...