segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Defeito VI

Evitar a procura, por ter medo de não encontrar.

ir

sempre que venho nesta direcção apetece-me ignorar a saída
apetece-me continuar, seguir, andar eternamente
sem rumo, sem objectivos, sem obrigações
sem cordas que me prendam os movimentos
sem olhares que me toldem a visão
sem muros que me doam no coração

Só isso, que é tanto!

Quando vou à tua procura tenho que estar distraída.
Se estiver demasiado consciente das minhas expectativas, sou incapaz de me mover para as concretizar.


Aquilo que era uma conversa séria, fundamental para que possamos encontrar-nos de novo, sem reservas, diluiu-se, mais uma vez, em banalidades e conversas filosóficas.
Espero conseguir chegar a ti em tempo útil.
E não quero, com isto, dizer que tenho medo de te perder, sei que isso não acontecerá.
Quero dizer que tenho medo que acabe de se desgastar o que havia de especial...

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

o espaço vazio

há palavras em que só te escrevo a ti
no intervalo dos meus dedos nasce o desenho dos teus lábios
no fundo das minhas mãos esboça-se a sombra do teu cabelo
sonho que gosto dele despenteado, já te disse?

o tempo arrasta-se pesado por entre os momentos em quase chego a tocar-te

no vazio de pele que sinto materializa-se a tua ausência

Mandem-me estudar, mandem!

You are .exe When given proper orders, you execute them flawlessly.  You're familiar to most, and useful to all.
Which File Extension are You?


Via Bomba

Altos são

Às vezes, a meio das conversas, há muros que crescem no meu silêncio.
Sei nessa altura que tenho ainda uns metros para crescer, para poder ver o outro lado...
Para ser livre.

Faz-me falta o verão

As vezes incontáveis que tropeçamos no mar, que nos misturamos nas ondas, que pisamos a areia...
O sol e o cheiro a creme, o sal a arder na pele, os livros meio lidos, meio dormidos...
O fim da tarde e o silêncio apertado, entre o mar e as gaivotas, a lentidão das horas com que não se faz nada...
O cheiro a maresia por trás do cheiro de peixe acabado de grelhar, as cervejas geladas na mesa...



De todas as coisas boas que vivi este ano, senti especialmente a falta de uma: o verão.

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Negação

- Despacha-te! Olha que está a chover...
- Vou só calçar as sapatilhas e pegar nos óculos de sol!

Passagem

As coisas que tenho para escrever diluem-se no cansaço, na pressão, na angústia das decisões, na falta de sono que têm sido os dias.
Tenho pena que se perca assim uma etapa da minha vida, ou que não se transforme, como tanto gosto, em letras...

Segunda-feira: o dia dos novos (re)começos.
Foi sempre assim...

terça-feira, 6 de setembro de 2005

aquele abraço #2

queria hoje, com esta força bruta que têm as vontades desesperadas, o desenho do teu peito a traçar o meu perfil

What's the weather like?

Tenho prestado pouca atenção ao blog.
Sei que, como é habitual, isso não se reflecte na quantidade de posts que vou deixando.
Talvez se note na repetição dos assuntos, nas poucas vezes que visito os meus memoráveis, na quantidade de links que, qual ciclo vicioso, remetem sempre para mim própria.

Avizinham-se dias nublados, mas brevemente a visibilidade voltará ao normal...
(o que quer que isso seja)

O caminho que terei à frente ninguém sabe ainda qual é.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Mapa

O meu caminho tem muitas curvas.
Por opção própria escolho-o longo, crio obstáculos imaginários que contorno mais tarde ou mais cedo, esmago-me contra os muros reais.

E, apesar disso, vejo agora que, certo ou errado, acidentado ou custoso, me leva na direcção certa.

Gosto das prioridades que vejo nas minhas escolhas.
(se não em todas, pelo menos em muitas)

(por mais que essas mesmas escolhas não sejam minhas, mas dele)
(por mais que me desfaça no caminho e possa até nem chegar)
(interessa apenas o gozo que dá a caminhada...)

domingo, 4 de setembro de 2005

Quase dor

Há uma força esmagadora no ar que se respira, é a luz que entra a queimar no nervo óptico, o som que faz o estapédio precipitar-se ignorando o reflexo de protecção do ouvido.
Todos os estímulos se esmagam nos nervos, atropelando-se numa corrida desenfreada. Todos rumam para lá...

A sensação não é nova, o meu coração é que é avesso a mudanças...
Mesmo quando o conforto é incompleto.

É a tal sensação de que tudo é finito.
"Irremediavelmente finito".

Não chega a ser dor - é uma quase dor.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

Pequena dúvida

É preferível que a fotografia retrate fielmente a realidade, ou é preferível torná-la melhor, para que mais tarde a recordemos assim?

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

Aquele abraço*

A lua estava deitada no céu, sorrindo um sorriso amarelado, que era, mesmo assim, convidativo.
Muito convidativo...
Deixei as janelas abertas, para que o ar fresco da noite pudesse limpar-me as imagens dos dias quentes e secos.
As luzes à frente cortavam o escuro monótono dos pensamentos.

Ao chegar sabia que estarias à minha espera... nada mais me faz falta...

Tu... nós... um abraço...
Aquele abraço......

*Gilberto Gil

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

verdade VIII

às vezes falar nas coisas é vesti-las
é dar-lhe cheiro, cor, gosto, consistência

é torná-las reais

Hoje é para ti...

...que vens cá às vezes, eu sei...
(ou imagino que sei, sei lá...)

Ciclos

[bem alto, por favor!]

(porque ando a precisar... (ok, outra vez...)

e porque me agrada deixá-la a tocar para o fim de semana...)

"Well I guess it would be nice
If I could touch your body
I know not everybody
Has got a body like you

But I’ve got to think twice
Before I give my heart away
And I know all the games you play
Because I play them too

Oh but I
Need some time off from that emotion
Time to pick my heart up off the floor
And when that love comes down
Without devotion
Well it takes a strong man baby
But I’m showing you the door

’cause I gotta have faith...

Baby
I know you’re asking me to stay
Say please, please, please, don’t go away
You say I’m giving you the blues
Maybe
You mean every word you say
Can’t help but think of yesterday
And another who tied me down to loverboy rules

Before this river
Becomes an ocean
Before you throw my heart back on the floor
Oh baby I reconsider
My foolish notion
Well I need someone to hold me
But I’ll wait for something more

Yes I’ve gotta have faith..."
George Michael - Faith

Dos fogos e das consumições #2

Não tenho vontade de falar sobre os incêncios, ultrapassam a minha compreensão...
Custa-me que o nosso pequeno e pobre país se esfume assim, e não faço ideia do que posso fazer para que as coisas se passem de outra forma...

Não me lembro da última vez que estive na terrinha.
Bem... lembro-me, mas acho que foi já há muito tempo...

Pela voz de quem lá está, pelas imagens que vi e li, palas palavras que me entraram olhos e ouvidos dentro, senti o calor, as cinzas, o inferno de se estarem a queimar as coisas que trazemos no coração...

(e dói...)

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

portugal arde

e eu aqui na minha redoma

eu
eu
eu
eu
eu

terça-feira, 23 de agosto de 2005

a sombra

café mesa conversas músicas filmes nada tudo

o teu nome

Lembras-te?

Era tarde, mas não queríamos ir para casa.
Ficávamos horas às voltas na cidade, em silêncio, a ouvir aquelas músicas.

Hoje senti falta desse "silêncio" precioso, precisamente quando vinha embora.
Adiei o regresso e andei às voltas.

Eu... a música... tu entre nós...

2

Dei-me conta do número de vezes que te vi este ano

De repente já não me parece um número par.
Parece-me um número .
e triste...

O meu jardim é habitado por quatro fantasmas

São eles que vagueiam noite e dia tapando o sol com os seus trajes negros, gelando o ar com as suas palavras tristes, calando os pássaros com o seu olhar vazio...

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Síndrome de Pós-Férias (SPF)

Este ano o regresso foi bastante mais lento do que o que é habitual em mim - SPF um mês depois...
A explicação que encontro para esse fenómeno é simples: estive afastada do mundo demasiado tempo. Logo em seguida mergulhei nele com toda a intensidade que a viagem exigiu. Só então voltei...

Percebi que o que me incomoda não é o impacto com a realidade: ela não é assim tão dura.
O que me dói agora é só a saída do imaginário.

domingo, 21 de agosto de 2005

no passa nada


sou só uma miúda mimada

que nunca está satisfeita com o que tem


(e é tanto...)

sábado, 20 de agosto de 2005

desperdícios #9

sou a única pessoa que conheço que sente falta das pessoas que tem ao lado

Companhias III

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

E gosto do meu cabelo despenteado. E molhado!

Gosto das calças de ganga fininha, puída, gasta.
Gosto das sapatilhas mais velhas que tenho, fora de moda e quase sem sola.

São retratos do material de que sou feita.

desperdícios #8

às vezes sentir alguma coisa por alguém não é um privilégio
é um desperdício

As desculpas não se pedem...

Nestas alturas sinto-me transparente.
E não gosto.

Desato em construções elaboradas de muros que me cercam, e rapidamente desabam.
Sei em cima de quem caem as maiores pedras.

E não gosto.

Uma hora e meia de caminho

Tenho sentido o ar rarear.
Talvez seja dos incêndios, este país transformou-se numa fornalha...
Pelo sim pelo não, decidi sair. Talvez houvesse conversas a meio, talvez não. Peguei no cartão e despedi-me.
Vinha para casa, mas a meio do caminho percebi que a sensação de asfixia aumentava.
Inverti a marcha.
Pus um CD a tocar, continuaria até ao fim das músicas.
No fundo sabia que só queria ir ...
Não se vê grande coisa à noite, mas há o cheiro... o cheiro já é qualquer coisa, não é?

Ignorei por completo que amanhã o despertador toca cedo, que tenho andado cansada e mal-humorada, que há mil e uma cordas invisíveis que todos os dias me impedem de fazer estas coisas que me passam pela cabeça.
Não precisei de ficar muito tempo, talvez dez minutos. Nem saí do carro...
Acho que teria ficado para sempre.
Tive vontade de entrar, de continuar a caminhar até onde a respiração me levasse, de seguir caminho, de andar em frente, rumo ao desconhecido... Mas nessa altura as cordas ficaram tensas. Decidi voltar...

Na viagem de regresso imaginei que poderia ter três pessoas ali ao meu lado. Sei exactamente quem seriam agora. Não sei se serão as mesmas amanhã, ou da próxima vez que voltar esta vontade de ir... Sei que não são as mesmas de ontem. No fundo talvez isso não faça diferença.

Era bom poder ficar só assim, deitar conversa fora, ouvir música, seguir viagem eternamente...

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

Numa versão mais moderna

Queria desfazer-me em pixels.
Ser capaz de sujar o template...

Apetites #4

Queria desfazer-me em tinta.
Ser capaz de sujar o papel...

Onde ir???????

"Eu não sei o que vi aqui
Eu não sei prá onde ir
Eu não sei porque moro ali
Eu não sei porque estou

Eu não sei prá onde a gente vai
Andando pelo mundo
Eu não sei prá onde o mundo vai
Nesse breu vou sem rumo

Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando por ali
Por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem (não vem)

Cada um sabe dos gostos que tem
Suas escolhas, suas curas
Seus jardins
De que adianta a espera de alguém?
O mundo todo reside
Dentro, em mim

Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura
De ser feliz.
"
Vanessa da Mata

Excesso de posts

é o básico problema deste blog
os poucos que se aproveitariam estão perdidos na palha

TENHO SAUDADES TUAS

já escrevi isto muitas vezes aqui, mas nunca como título.

o destinatário destas mensagens, escritas com tantas letras diferentes, já vestiu várias caras no meu coração
já foi bicho, já foi gente
já andou de saias e de calções

já o escrevi para ti, é verdade.

hoje esta frase é um título
e é-o assim mesmo: sem pontuação, tudo em berros maiúsculos.

não me ocorre outro para a música que toca hoje o meu coração...
(desafinado, sem dúvida!)

(se isto não são desperdícios....)

desperdícios #7

não quero parecer chata, muito menos ser...
mas é que tenho este punho fechado no peito...
assim, vês?
e a culpa é tua.

bom... culpa é uma palavra feia e demasiado forte.
e, no fim de contas, a escolha foi minha.

Não sei se já tinha dito

O meu sexto sentido é poderosíssimo.

(algumas coisas quase que se podem cheirar...)
(só não percebo porque não me dizes...)

Lembranças #3

O corredor era enorme, ia da sala ao quintal com as divisões sucedendo-se à esquerda: primeiro as escadas para os forrinhos, depois as escadas para a rua, o quarto do Daniel, a cozinha, e o quarto da Tiz.
A meio havia um lavatório com um jarro azul de plástico para lavarmos as mãos, mas acabávamos sempre por lavar mais qualquer coisa, quanto mais não fosse a madeira velha do chão...

do que me preocupa #1

este nó no estômago que não sei como se desfaz

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Reflexos

As coisas que tento tocar perdem contornos...




Os centímetros sempre custaram mais que os metros.
Quantos cabem nos quilómetros que nos separam?

Coisas que me deixam triste

O investimento emocional valeu a pena, deu lucros de valor incalculável...
Tenho pena de às vezes sentir que a empresa foi à falência.

(é a bidinha!)

terça-feira, 16 de agosto de 2005

Respirar fundo...

Ainda agora cheguei e já precisava de ir outra vez...
Aos poucos o corpo habitua-se à rotina e esta necessidade esbate-se nas horas sobrepostas do dia-a-dia.

Não dói nada, é só uma picada.

É do calor

Este blog está um pouco seco...
Assim que tiver umas horinhas vai até ao mar, só para ver se ainda se lembra do sal, da areia, do sol lá em cima, do barulho das ondas, dos miúdos que fazem construções na areia, dos rapazes que jogam à bola, das miúdas que ficam a ver da toalha, fingindo-se distraídas....

E principalmente da sensação de frescura com que se sai da água, como se a vida estivesse só a começar...

sábado, 13 de agosto de 2005

mais nada

hoje devia ter-me posto a caminho...

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Não me posso queixar!

No meio de tanto desperdício já tenho muita coisa no peito: desde frasquinhos destapados até emissoras de rádio, e sem esquecer, claro, o dragão....

quarta-feira, 10 de agosto de 2005

desperdícios #6

trago um rádio no peito.
a emissão irregular de música e novidades em onda curta tem pouco alcance, eu sei...

aí, de onde estás, não me consegues ouvir, pois não?

aos poucos a frequência vai perdendo convicção e tenho medo que as antenas acabem por murchar de vez, que esteja a ser este o último fôlego...

cada vez é mais difícil continuar a emissão sabendo que não está a ser ouvida.

a sintonia...
uma recepção boa...
bolas! não precisava de ser perfeita... boa...
boa chegava...

terça-feira, 9 de agosto de 2005

Canção em Braille

"Onde os meus olhos
porque cantam assim?
um assum preto
dentro de mim

mil vezes a sina
do gingar da tua retina
que não vai lembrar
que eu também já fui bailarina

mil vezes o fado
de manter os olhos fechados
só para não ver
a menina do olho errado

quando os teus lábios
na minha mão pousaram
todas as linhas se alongaram

uma carícia
o quebrar de um segredo
deus escondido em cada dedo"
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Pedro Jóia

O futuro parece-me longe

Os dias passam deixando no ar um nevoeiro suave de torpor.
O presente alonga-se em horas intermináveis que se sucedem vazias de escolhas.
As decisões adiam-se, assim, para um qualquer ponto ali mais à frente, sempre ilusório, como uma miragem que se substitui a si própria continuamente...

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Pisar as minhas pegadas

Dou-me conta de que faço isto sempre que alguém chega aqui.
Vou atrás, tento pôr os olhos das outras pessoas e saber o que lêem nas coisas que escrevo... É impossível, mas é a minha forma de adaptar o que escrevo ao que é lido, sempre na tentativa de que os olhares alheios não me criem fronteiras, e eu possa continuar a crescer em azul e letras.

Para fora... sempre para fora.

domingo, 7 de agosto de 2005

momentos simples #2

monte, lagoas, cerveja e tremoços

(e sol, sempre muito sol por dentro e por fora)

Amanhã!

Tudo o que tenho feito nos últimos tempos se resume de forma simples: estou a adiar a minha vida.

Porque o blog esteve sempre de acordo com o resto, e porque estou cansada, adio aqui também....

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Dos fogos e das consumições...

É todos os anos demasiado triste...

Qualquer semelhança...


quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Preparem-se!

Agosto é o mês dos desperdícios.

ou será o verão?

do olhar ao ver
do ver ao sentir

gostava que olhasses e me soubesses aqui
perto, demasiado perto


esta é a distância que serve apenas para nos separar

momentos simples #1

praia, vento, cerveja e camarão

(não há nada como comer areia!)

desperdícios #5

Trago no peito um dragão cansado
Levanta devagar os olhos tristes para o alvo almejado
E devagar abre a enorme boca, deixando ver os dentes de gigante e uma língua bífida comprida
Em vez de um rugido foge-lhe como ar um lamento
Em vez de um fogo vivo e escaldante, escapa-lhe da garganta negra uma fuligem seca, que forma uma nuvem ridícula no ar

terça-feira, 2 de agosto de 2005

desperdícios #4

Havia um cantor de que os meus amigos gostavam.
Durante alguns anos ouvi-o sempre pelos ouvidos deles, mas, como não usava os meus, ele nunca chegou até mim, senão quando abri o espaço para que entrasse, guiado pela minha mão.

Tenho pensado que as pessoas são um pouco como a música: nem sempre estamos preparados para elas.

Às vezes podemos conseguir que elas cheguem até nós em tempo útil.

Às vezes não...


E se elas nunca entrarem, vamos sentir falta daquilo que nunca tivemos?
Vamos ter pena porque aquela música tocou tantas vezes e nunca lhe prestámos atenção?
Ou vamos simplesmente continuar caminho, vendo aquilo que olhamos, sentindo o que nos toca, cheirando o que respiramos, sem que à volta o mundo faça diferença?

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Por aqui é o que se encontra: ar e vento


galguei os degraus dois a dois

entrei no quarto de rompante

escancarei a gaveta

vasculhei tudo até encontrar o papel e a caneta

e esqueci-me do que queria escrever

Numa outra versão

-Tens andado estranha... Pareces alheada de tudo à tua volta, não prestas atenção ao que estamos a dizer... Passas a vida a escrever no teu livrinho, tiras centenas de fotografias... Estás apaixonada?
-Não. Estou obcecada.

sábado, 30 de julho de 2005

quando os drafts são mais que os posts...

-acho que já não sei escrever aqui...

-"aqui"?
-"já"?

desperdícios #3

estou a esbanjar sentimentos... como quem compra a crédito sem ter um tostão.

desperdícios #2

as coisas não partilhadas que sinto são desperdícios que se dissipam no ar fresco e leve da noite, como restos inaproveitáveis de luz

desperdícios #1

trago um frasco destapado no peito, de onde sinto todos os dias evaporar-se um pouco da capacidade de olhar com este vidro fosco chamado coração

quinta-feira, 28 de julho de 2005

Nem eu.

Todos os meus relógios marcam horas diferentes.
Tudo o que eu digo parece triste depois de escrito.

Há horas díspares pelo mundo fora e as pessoas não são menos felizes por isso.

disfagia

sempre que estou contigo, esta sensação de despedida que não consigo expulsar...

terça-feira, 26 de julho de 2005

Tenho tanto para dizer e não consigo...

Gaguejo em frente ao espaço branco, vazio, aberto, sentindo de novo as vertigens que me impedem de ver com clareza o fio condutor de futuro à minha frente...

$2

pesam-me ainda na consciência....

segunda-feira, 25 de julho de 2005

Defeito V

Os exageros.
Aqui como em tudo na vida.

domingo, 24 de julho de 2005

"Que pena não poder ficar no sítio onde as mãos se dão"*



O sol desfez-se em nuvens, caindo sobre a estrada um escuro que me ofusca.
A tua voz doce queima-me as saudades, e olho à volta julgando ver-te nas sombras que se escoam velozes.
O nó apertado parece estar a perder esperança...
Tenho dificuldade em dar-lhe força com a mão direita, mas a esquerda, menos destra, mais institiva, faz o trabalho melhor.
Tenho a certeza de querer este fio consistente, forte, apertado em nós?
Não, não tenho. E ainda assim faço todos os esforços para que resista...
No fim talvez sobre mesmo isso: o nó.
Só o nó.
Sem fio.
Sem nós.

18.07.2005

*Toranja, numa música cujo título ainda não descobri, do Segundo.

Nem sei porque me queixo.

Afinal... fui eu que o pedi.
Várias vezes.......

A new beginning

para variar apetece-me encher isto de letras, mesmo que vazias, sem formar frases, sem dar forma a pensamentos.... ainda menos a sentimentos...

ainda....

depois de um ano de conversas incompletas e adiadas, quando finalmente me sinto preparada para ir ao teu encontro descubro que não era altura...

Privilégios

Ao contrário do que seria de esperar em mim, o regresso a este espaço está a ser mais difícil do que o esperado, embora tenha noção de que não o demonstro minimamente.
Sinto-me um pouco como se não tivesse ainda chegado, as coisas parecem distantes, as pessoas estranhas, as letras enferrujadas...
Sei que a escrita é um hábito que voltará, e os retalhos do que foi passando vão juntar-se aqui, como sempre aconteceu.

Foi bom ter ido logo a seguir.
Foi bom ter ficado tanto tempo.
Foi bom ter vivido um mundo diferente.
Nesta altura da minha vida tive o privilégio de poder fazer uma das minhas viagens de sonho. Que é preciso mais?...
Sinto-me calma, em paz, um bocadinho maior.

Aos poucos far-se-à o regresso.
Sem pressas.
Voltando lentamente à superfície, às decisões, às rotinas...

Provar a terra

É bom mergulhar os pés no solo firme.
O corpo dobrado para a frente, os braços estendendo-se em direcção à terra. Tocá-la. Sentir como é fresca e nova. Provar as ervas e os sabores que temperam o que se cozinha, saber o que gostam de beber os que daqui se alimentam. Aprender as danças, aprender as palavras. O olhar. Ver um pouco mais de vida. Crescer uns milímetros mais na alma.

Do mundo nos fazemos maiores.

13.07.2005

Ali...

E de repente, o mar ali...
À minha frente os degraus que preciso de trepar para chegar ao cimo, um patamar mais, um nível que me eleve até ti.



Se eu entrasse, se separasse esta distância, este medo do oceano que desconheço...
Se eu entrasse e tivesse força, a força para caminhar, os futuros atravessados estariam muito mais sóbrios, concretos, definidos.

Hoje o sal que me fere a pele é novo, forte de sol, e na areia os pés encontram pegadas desconhecidas. São as minhas?
O calor dissolve os contornos, e mais uma vez me perco do que procurei.

Tenho saudades tuas.

13.07.2005

sábado, 23 de julho de 2005

Mãos cheias



"Fabrico um elefante de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira tirado a velhos móveis talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão, de paina, de doçura.

A cola vai fixar suas orelhas pensas.
A tromba se enovela, é a parte mais feliz de sua arquitetura.

Mas há também as presas, dessa matéria pura que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza a espojar-se nos circos sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos, onde se deposita a parte do elefante mais fluida e permanente, alheia a toda fraude.

Eis o meu pobre elefante pronto para sair à procura de amigos num mundo enfastiado que já não crê em bichos e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente e frágil, que se abana e move lentamente a pele costurada onde há flores de pano e nuvens, alusões a um mundo mais poético onde o amor reagrupa as formas naturais.

Vai o meu elefante pela rua povoada, mas não o querem ver nem mesmo para rir da cauda que ameaça deixá-lo ir sozinho.

É todo graça, embora as pernas não ajudem e seu ventre balofo se arrisque a desabar ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância sua mínima vida, e não há cidade alma que se disponha a recolher em si desse corpo sensível a fugitiva imagem, o passo desastrado mas faminto e tocante.

Mas faminto de seres e situações patéticas, de encontros ao luar no mais profundo oceano, sob a raiz das árvores ou no seio das conchas, de luzes que não cegam e brilham através dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai sem esmagar as plantas no campo de batalha, à procura de sítios, segredos, episódios não contados em livro, de que apenas o vento, as folhas, a formiga reconhecem o talhe, mas que os homens ignoram, pois só ousam mostrar-se sob a paz das cortinas à pálpebra cerrada.

E já tarde da noite volta meu elefante, mas volta fatigado, as patas vacilantes se desmancham no pó.
Ele não encontrou o de que carecia, o de que carecemos, eu e meu elefante, em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa, caiu-lhe o vasto engenho como simples papel.
A cola se dissolve e todo o seu conteúdo de perdão, de carícia, de pluma, de algodão, jorra sobre o tapete, qual muito desmontado.

Amanhã recomeço."

O Elefante, Carlos Drummond de Andrade

Às vezes, quando se sai à procura, volta-se de mãos e coração cheios.
Obrigada por tudo o que não cabe em palavras e que no conjunto faz a nossa amizade...

sexta-feira, 22 de julho de 2005

De volta...

Depois de tanto tempo tudo me parece correr numa realidade paralela.
Aos poucos vou chegando... também aqui.

terça-feira, 21 de junho de 2005

IUPIIII!!!!

Breve

Porque o tempo aperta, e pensei que fosse dar para qualquer coisa mais "pensada"...
Nunca dá!
Não queria "desaparecer" sem agradecer o carinho e a força a quem cá vem!
Vou tentar comunicar, mas o mais certo é as minhas lembranças só regressarem depois do dia 20 de Julho.
Até já! :)

sábado, 18 de junho de 2005

Porque hoje é um dia especial...

Uma prenda:




Outra prenda:



Os dias são especiais pelas pessoas que nos trazem, por isso este será sempre um dia de festa para mim!
Parabéns, Cariño!

Notinha: Sabes como estou enrascada, por isso te deixo duas prendas: para tentar compensar a falta de originalidade... Para o ano será melhor! (pois, dois Brads!!!)

quarta-feira, 15 de junho de 2005

Curiosity killed the cat

Fico aqui a olhar.....
Não tenho muitas palavras para explicar tudo isto: há coisas que simplesmente não cabem no universo que compreendemos como real, e por isso mesmo não podem ser trazidas até ele.

Fui eu que alimentei o monstro.
Dei demasiada importância a coisas que nunca a tiveram.

Acho que queria saber como era...
É isso: eu só queria saber como era.

(Estou há demasiado tempo fechada, afastada da realidade. Felizmente tudo se aproxima do fim...)

terça-feira, 14 de junho de 2005

1923-2005


"É outono, desprende-te de mim.

Solta-me os cabelos, potros indomáveis
Sem nenhuma melancolia,
Sem encontros marcados,
Sem cartas a responder.

Deixa-me o braço direito
O mais ardente dos meus braços,
O mais azul
O mais feito para voar.

Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálperas acessas.

Deixa-me só, vegetal e só,
Correndo como rio de folhas
Para a noite onde a mais bela aventura
Se escreve exactamente sem nenhuma letra."

Eugénio de Andrade, Vegetal e só

domingo, 12 de junho de 2005

Insónias #2

A distância, os quilómetros entre nós.
Os cabelos que não se sentiram nos dedos, os beijos que não se deram, os abraços que se afastaram.
O mesmo ar que não se respira, um coração que não se sente no peito.
As palavras que ficam por dizer, as músicas que não se ouviram, uma voz que é só ausência.
O luar que não se vê, o mar em que não se entrou, o chão que não se sente nos pés.
As pessoas certas e as horas erradas.
A falta de uns segundos mais, uns milímetros mais de pele.
A vontade alheia que se serve da imaginação.
As mãos que não se tocaram, os olhos que não se viram, o espaço de ar que ficou suspenso entre esses dois gestos adiados, mudo, pesado, dorido...

E o calor?
Este calor...
É este calor que não me deixa dormir.

É a falta dele que me mantém acordada.

sábado, 11 de junho de 2005

Bingo!

Não deve ser difícil adivinhar onde tenho ouvido coisas "de passagem"...

Ouvido de passagem #5

- Have you ever been alone?
- Of course!
- I mean truly alone. Doesn't mean between relationships.
Loneliness is the feeling that there might never be anybody. Ever again.

Não deixa de ser curioso que eu tenha falado nisto imediatamente antes de ouvir...

Eu sabia que isto estava nalgum sítio!

(o teste, não propriamente o facto de eu ser o John Cage)

John Cage
You are John Cage! you're a little weird, you're
obsessed with cleanliness, you don't have much
self esteem, and you need to pump yourself to
get it. Just a hint, stay away from hair
brushes.

which Ally Mcbeal Character are you?
brought to you by Quizilla


Adenda: Na sua primeira versão, este post acabava assim:

Ainda estive vai-não-vai para fazer batota e ser a Ally, sempre era mais bonitinha... Mas vou deixá-la para ti! ;)

(depois de uma justa reclamação, devolvi-lhe a forma original!)

sexta-feira, 10 de junho de 2005

Aviso à navegação

Até dia 22 de Julho isto estará em serviços mínimos (o que quer que isso signifique).

O que me impede de postar é mais a falta de disponibilidade mental, do que propriamente o tempo. O tempo raramente é motivo de falta de posts para uma pessoa que, como eu, chega aqui, escreve e carrega no publish, sem contemplações, sem pena nenhuma do blog (muito menos de quem o lê)...

Enfim... Espero depois voltar eu novamente, com uma cabeça arrumada, uma confiança nova, e (principalmente!) um coração limpo.
Preciso desesperadamente de me livrar de tudo o que me ocupa no presente.

Já era altura...

"You’ve got your ball
You’ve got your chain
Tied to me tight tie me up again
Who’s got their claws
In you my friend
Into your heart I’ll beat again
Sweet like candy to my soul
Sweet you rock
And sweet you roll
Lost for you I’m so lost for you
You come crash into me
And I come into you
I come into you
In a boys dream
In a boys dream
Touch your lips just so I know
In your eyes, love, it glows so
I’m bare boned and crazy for you
When you come crash
Into me, baby
And I come into you
In a boys dream
In a boys dream
If I’ve gone overboard
Then I’m begging you
To forgive me
In my haste
When I’m holding you so girl
Close to me
Oh and you come crash
Into me, baby
And I come into you
Hike up your skirt a little more
And show the world to me
Hike up your skirt a little more
And show your world to me
In a boys dream.. in a boys dream
Oh I watch you there
Through the window
And I stare at you
You wear nothing but you
Wear it so well
Tied up and twisted
The way I’d like to be
For you, for me, come crash
Into me"
Dave Matthews - Crash into me

Já estive triste, já estive alegre.
Hoje estou só furiosa.

Isto é diferente.
É diferente em tudo, e tu não sabes.
Na realidade acho que não queres saber, e isso não me deixa triste, deixa-me furiosa.



O motivo é simples: não há nada a fazer, excepto lutar contra a minha vontade.
E isso eu nunca aprendi a fazer muito bem...
É pena, porque nunca tive grandes dificuldades em aprender tudo o resto.
Às vezes acho que prefiro a tristeza: é mais calma, e permite-me uma concentração maior nas outras coisas, que reclamam a minha atenção e não conseguem metade da que precisavam.

Seja como for, se puder escolher (e em certa medida posso), escolho a alegria.
O resto irá com o tempo, como tudo vai, e amanhã, quando acordar, já nada disto fará sentido.

segunda-feira, 6 de junho de 2005

Diz o ditado: quem escorrega também cai

Escorregadio: adjectivo (De escorregar+-dio) (daqui)

1. que faz deslizar ou escorregar;

2. (sítio ) onde se escorrega facilmente;

3. que desliza lentamente;

4. que tem deslizes frequentes;

5. (situação, assunto ) que é arriscado ou de resolução delicada; complexo; melindroso;

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Duplamente agradável

Tenho estado um bocado distraída com este post, e estava a preparar umas linhas sobre ele, mas hoje reparei que estava escrito um mais recente. Ao lê-lo, confesso que me senti dividida: prefiro lavar os olhinhos ou ler os teus posts?

Acabei por perceber que é uma dúvida estúpida.
A única coisa que ele vai fazer é ficar um bocadinho mais para baixo à medida que fores escrevendo... A isso eu chamo juntar o útil ao agradável.

quarta-feira, 1 de junho de 2005

O melhor do mundo!


(daqui)

Porque neste dia se celebram as crianças, as pequenas e as grandes.



A minha vida não é diferente das outras vidas.
Ou melhor, é diferente num pormenor, que não me parece insignificante: é a minha vida.

Felizmente a minha vida é uma comédia, que, infelizmente, as palavras transformam em drama...

[suspiro]

Não estou minimamente satisfeita com a minha prestação actual.
O problema é que não consigo ter mais rendimento no tempo presente, esse rendimento devia ter existido nos meses que se foram, e não existiu por mil motivos que nem interessa discutir.

Foram criadas as melhores condições por todas as pessoas que me rodeiam, neste universo muito meu e real.
Fui poupada a trabalhos domésticos e aos outros.
Tive mais (infinitamente mais!) mimo do que mereci.

Falhar não é só falhar no meu futuro.
É não estar à altura do que os meus fizeram por mim.

terça-feira, 31 de maio de 2005

Ouvido de passagem... #4

-Costumas sonhar?
-Claro! Desde que acordo até adormecer.

sábado, 28 de maio de 2005

O nome dele

Quando ele lhe foi apresentado, havia duas ou três pessoas no seu universo com o mesmo nome.
Todos temos nomes que, de uma forma ou de outra, soam mais fortes quando pronunciados.
O dele não era um desses nomes.
Quando o ouviu a primeira vez não lhe despertou nenhum sentimento, não soou nenhuma campaínha, não estalaram foguetes no ar...
Apesar disso, aos poucos o nome foi vencendo.
Adquiriu consistência própria, e um sabor espesso e quente sempre que era pronunciado, enrolando-se devagar na língua.
Tinha um som diferente, com as suas consoantes e vogais alternando de forma harmoniosa, quase perfeita, como música a irromper do silêncio e fazendo estremecer as estruturas mais seguras que trazia dentro de si.

A partir daí começou a segui-lo.
(ou seria ele a segui-la a ela?)
Se o via assinado num jornal lia o artigo todo, e se por acaso um cantor assinava como ele, comprava o álbum, se houvesse imagens de outros homens chamados assim, ela recortava-as para as guardar...
O nome deixou de ser nome: era ele.
Como se todos aqueles homens pudessem formar uma massa, fundir-se, misturar-se, e fazer um só...

quinta-feira, 26 de maio de 2005

Naquele dia, quando voaste, preferi ficar contigo, mesmo quando já não eras tu, porque a minha dor era mais suportável do que a dos que te tinham perdido.
E ainda hoje, a deles é a que me dói mais, não é a minha...