Defeito VI
Evitar a procura, por ter medo de não encontrar.
Evitar a procura, por ter medo de não encontrar.
postado por muska eram 00:44 0 na memória
sempre que venho nesta direcção apetece-me ignorar a saída
apetece-me continuar, seguir, andar eternamente
sem rumo, sem objectivos, sem obrigações
sem cordas que me prendam os movimentos
sem olhares que me toldem a visão
sem muros que me doam no coração
postado por muska eram 00:14 0 na memória
Quando vou à tua procura tenho que estar distraída.
Se estiver demasiado consciente das minhas expectativas, sou incapaz de me mover para as concretizar.
Aquilo que era uma conversa séria, fundamental para que possamos encontrar-nos de novo, sem reservas, diluiu-se, mais uma vez, em banalidades e conversas filosóficas.
Espero conseguir chegar a ti em tempo útil.
E não quero, com isto, dizer que tenho medo de te perder, sei que isso não acontecerá.
Quero dizer que tenho medo que acabe de se desgastar o que havia de especial...
postado por muska eram 00:04 0 na memória
há palavras em que só te escrevo a ti
no intervalo dos meus dedos nasce o desenho dos teus lábios
no fundo das minhas mãos esboça-se a sombra do teu cabelo
sonho que gosto dele despenteado, já te disse?
o tempo arrasta-se pesado por entre os momentos em quase chego a tocar-te
no vazio de pele que sinto materializa-se a tua ausência
postado por muska eram 01:14 0 na memória
Às vezes, a meio das conversas, há muros que crescem no meu silêncio.
Sei nessa altura que tenho ainda uns metros para crescer, para poder ver o outro lado...
Para ser livre.
postado por muska eram 00:14 0 na memória
As vezes incontáveis que tropeçamos no mar, que nos misturamos nas ondas, que pisamos a areia...
O sol e o cheiro a creme, o sal a arder na pele, os livros meio lidos, meio dormidos...
O fim da tarde e o silêncio apertado, entre o mar e as gaivotas, a lentidão das horas com que não se faz nada...
O cheiro a maresia por trás do cheiro de peixe acabado de grelhar, as cervejas geladas na mesa...

postado por muska eram 00:04 0 na memória
- Despacha-te! Olha que está a chover...
- Vou só calçar as sapatilhas e pegar nos óculos de sol!
postado por muska eram 20:14 0 na memória
As coisas que tenho para escrever diluem-se no cansaço, na pressão, na angústia das decisões, na falta de sono que têm sido os dias.
Tenho pena que se perca assim uma etapa da minha vida, ou que não se transforme, como tanto gosto, em letras...
Segunda-feira: o dia dos novos (re)começos.
Foi sempre assim...
postado por muska eram 00:34 0 na memória
queria hoje, com esta força bruta que têm as vontades desesperadas, o desenho do teu peito a traçar o meu perfil
postado por muska eram 01:04 0 na memória
Tenho prestado pouca atenção ao blog.
Sei que, como é habitual, isso não se reflecte na quantidade de posts que vou deixando.
Talvez se note na repetição dos assuntos, nas poucas vezes que visito os meus memoráveis, na quantidade de links que, qual ciclo vicioso, remetem sempre para mim própria.
Avizinham-se dias nublados, mas brevemente a visibilidade voltará ao normal...
(o que quer que isso seja)
O caminho que terei à frente ninguém sabe ainda qual é.
postado por muska eram 00:14 0 na memória
O meu caminho tem muitas curvas.
Por opção própria escolho-o longo, crio obstáculos imaginários que contorno mais tarde ou mais cedo, esmago-me contra os muros reais.
E, apesar disso, vejo agora que, certo ou errado, acidentado ou custoso, me leva na direcção certa.
Gosto das prioridades que vejo nas minhas escolhas.
(se não em todas, pelo menos em muitas)
(por mais que essas mesmas escolhas não sejam minhas, mas dele)
(por mais que me desfaça no caminho e possa até nem chegar)
(interessa apenas o gozo que dá a caminhada...)
postado por muska eram 00:04 0 na memória
Há uma força esmagadora no ar que se respira, é a luz que entra a queimar no nervo óptico, o som que faz o estapédio precipitar-se ignorando o reflexo de protecção do ouvido.
Todos os estímulos se esmagam nos nervos, atropelando-se numa corrida desenfreada. Todos rumam para lá...
A sensação não é nova, o meu coração é que é avesso a mudanças...
Mesmo quando o conforto é incompleto.
É a tal sensação de que tudo é finito.
"Irremediavelmente finito".
Não chega a ser dor - é uma quase dor.
postado por muska eram 23:54 0 na memória
É preferível que a fotografia retrate fielmente a realidade, ou é preferível torná-la melhor, para que mais tarde a recordemos assim?
postado por muska eram 02:04 0 na memória
A lua estava deitada no céu, sorrindo um sorriso amarelado, que era, mesmo assim, convidativo.
Muito convidativo...
Deixei as janelas abertas, para que o ar fresco da noite pudesse limpar-me as imagens dos dias quentes e secos.
As luzes à frente cortavam o escuro monótono dos pensamentos.
Ao chegar sabia que estarias à minha espera... nada mais me faz falta...
Tu... nós... um abraço...
Aquele abraço......
*Gilberto Gil
postado por muska eram 02:14 0 na memória
às vezes falar nas coisas é vesti-las
é dar-lhe cheiro, cor, gosto, consistência
é torná-las reais
postado por muska eram 01:24 0 na memória
...que vens cá às vezes, eu sei...
(ou imagino que sei, sei lá...)
postado por muska eram 01:04 0 na memória
[bem alto, por favor!]
(porque ando a precisar... (ok, outra vez...)
e porque me agrada deixá-la a tocar para o fim de semana...)
"Well I guess it would be nice
If I could touch your body
I know not everybody
Has got a body like you
But I’ve got to think twice
Before I give my heart away
And I know all the games you play
Because I play them too
Oh but I
Need some time off from that emotion
Time to pick my heart up off the floor
And when that love comes down
Without devotion
Well it takes a strong man baby
But I’m showing you the door
’cause I gotta have faith...
Baby
I know you’re asking me to stay
Say please, please, please, don’t go away
You say I’m giving you the blues
Maybe
You mean every word you say
Can’t help but think of yesterday
And another who tied me down to loverboy rules
Before this river
Becomes an ocean
Before you throw my heart back on the floor
Oh baby I reconsider
My foolish notion
Well I need someone to hold me
But I’ll wait for something more
Yes I’ve gotta have faith..."
George Michael - Faith
postado por muska eram 00:24 0 na memória
Não tenho vontade de falar sobre os incêncios, ultrapassam a minha compreensão...
Custa-me que o nosso pequeno e pobre país se esfume assim, e não faço ideia do que posso fazer para que as coisas se passem de outra forma...
Não me lembro da última vez que estive na terrinha.
Bem... lembro-me, mas acho que foi já há muito tempo...
Pela voz de quem lá está, pelas imagens que vi e li, palas palavras que me entraram olhos e ouvidos dentro, senti o calor, as cinzas, o inferno de se estarem a queimar as coisas que trazemos no coração...
(e dói...)
postado por muska eram 00:14 0 na memória
postado por muska eram 01:16 0 na memória
Era tarde, mas não queríamos ir para casa.
Ficávamos horas às voltas na cidade, em silêncio, a ouvir aquelas músicas.
Hoje senti falta desse "silêncio" precioso, precisamente quando vinha embora.
Adiei o regresso e andei às voltas.
Eu... a música... tu entre nós...
postado por muska eram 01:14 0 na memória
Dei-me conta do número de vezes que te vi este ano
De repente já não me parece um número par.
Parece-me um número só.
Só e triste...
postado por muska eram 01:06 0 na memória
São eles que vagueiam noite e dia tapando o sol com os seus trajes negros, gelando o ar com as suas palavras tristes, calando os pássaros com o seu olhar vazio...
postado por muska eram 01:04 0 na memória
Este ano o regresso foi bastante mais lento do que o que é habitual em mim - SPF um mês depois...
A explicação que encontro para esse fenómeno é simples: estive afastada do mundo demasiado tempo. Logo em seguida mergulhei nele com toda a intensidade que a viagem exigiu. Só então voltei...
Percebi que o que me incomoda não é o impacto com a realidade: ela não é assim tão dura.
O que me dói agora é só a saída do imaginário.
postado por muska eram 00:14 0 na memória
postado por muska eram 18:44 0 na memória
sou a única pessoa que conheço que sente falta das pessoas que tem ao lado
postado por muska eram 20:44 0 na memória
Gosto das calças de ganga fininha, puída, gasta.
Gosto das sapatilhas mais velhas que tenho, fora de moda e quase sem sola.
São retratos do material de que sou feita.
postado por muska eram 14:14 0 na memória
às vezes sentir alguma coisa por alguém não é um privilégio
é um desperdício
postado por muska eram 14:04 0 na memória
Nestas alturas sinto-me transparente.
E não gosto.
Desato em construções elaboradas de muros que me cercam, e rapidamente desabam.
Sei em cima de quem caem as maiores pedras.
E não gosto.
postado por muska eram 01:34 0 na memória
Tenho sentido o ar rarear.
Talvez seja dos incêndios, este país transformou-se numa fornalha...
Pelo sim pelo não, decidi sair. Talvez houvesse conversas a meio, talvez não. Peguei no cartão e despedi-me.
Vinha para casa, mas a meio do caminho percebi que a sensação de asfixia aumentava.
Inverti a marcha.
Pus um CD a tocar, continuaria até ao fim das músicas.
No fundo sabia que só queria ir lá...
Não se vê grande coisa à noite, mas há o cheiro... o cheiro já é qualquer coisa, não é?
Ignorei por completo que amanhã o despertador toca cedo, que tenho andado cansada e mal-humorada, que há mil e uma cordas invisíveis que todos os dias me impedem de fazer estas coisas que me passam pela cabeça.
Não precisei de ficar lá muito tempo, talvez dez minutos. Nem saí do carro...
Acho que teria ficado para sempre.
Tive vontade de entrar, de continuar a caminhar até onde a respiração me levasse, de seguir caminho, de andar em frente, rumo ao desconhecido... Mas nessa altura as cordas ficaram tensas. Decidi voltar...
Na viagem de regresso imaginei que poderia ter três pessoas ali ao meu lado. Sei exactamente quem seriam agora. Não sei se serão as mesmas amanhã, ou da próxima vez que voltar esta vontade de ir... Sei que não são as mesmas de ontem. No fundo talvez isso não faça diferença.
Era bom poder ficar só assim, deitar conversa fora, ouvir música, seguir viagem eternamente...
postado por muska eram 01:24 0 na memória
Queria desfazer-me em pixels.
Ser capaz de sujar o template...
postado por muska eram 21:44 0 na memória
Queria desfazer-me em tinta.
Ser capaz de sujar o papel...
postado por muska eram 09:34 0 na memória
"Eu não sei o que vi aqui
Eu não sei prá onde ir
Eu não sei porque moro ali
Eu não sei porque estou
Eu não sei prá onde a gente vai
Andando pelo mundo
Eu não sei prá onde o mundo vai
Nesse breu vou sem rumo
Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando por ali
Por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem (não vem)
Cada um sabe dos gostos que tem
Suas escolhas, suas curas
Seus jardins
De que adianta a espera de alguém?
O mundo todo reside
Dentro, em mim
Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura
De ser feliz."
Vanessa da Mata
postado por muska eram 01:24 0 na memória
é o básico problema deste blog
os poucos que se aproveitariam estão perdidos na palha
postado por muska eram 01:14 0 na memória
já escrevi isto muitas vezes aqui, mas nunca como título.
o destinatário destas mensagens, escritas com tantas letras diferentes, já vestiu várias caras no meu coração
já foi bicho, já foi gente
já andou de saias e de calções
já o escrevi para ti, é verdade.
hoje esta frase é um título
e é-o assim mesmo: sem pontuação, tudo em berros maiúsculos.
não me ocorre outro para a música que toca hoje o meu coração...
(desafinado, sem dúvida!)
(se isto não são desperdícios....)
postado por muska eram 01:04 0 na memória
não quero parecer chata, muito menos ser...
mas é que tenho este punho fechado no peito...
assim, vês?
e a culpa é tua.
bom... culpa é uma palavra feia e demasiado forte.
e, no fim de contas, a escolha foi minha.
postado por muska eram 00:54 0 na memória
O meu sexto sentido é poderosíssimo.
(algumas coisas quase que se podem cheirar...)
(só não percebo porque não me dizes...)
postado por muska eram 00:44 0 na memória
O corredor era enorme, ia da sala ao quintal com as divisões sucedendo-se à esquerda: primeiro as escadas para os forrinhos, depois as escadas para a rua, o quarto do Daniel, a cozinha, e o quarto da Tiz.
A meio havia um lavatório com um jarro azul de plástico para lavarmos as mãos, mas acabávamos sempre por lavar mais qualquer coisa, quanto mais não fosse a madeira velha do chão...
postado por muska eram 00:34 0 na memória
este nó no estômago que não sei como se desfaz
postado por muska eram 00:24 0 na memória

postado por muska eram 20:24 0 na memória
O investimento emocional valeu a pena, deu lucros de valor incalculável...
Tenho pena de às vezes sentir que a empresa foi à falência.
(é a bidinha!)
postado por muska eram 20:04 0 na memória
Ainda agora cheguei e já precisava de ir outra vez...
Aos poucos o corpo habitua-se à rotina e esta necessidade esbate-se nas horas sobrepostas do dia-a-dia.
Não dói nada, é só uma picada.
postado por muska eram 02:14 0 na memória
Este blog está um pouco seco...
Assim que tiver umas horinhas vai até ao mar, só para ver se ainda se lembra do sal, da areia, do sol lá em cima, do barulho das ondas, dos miúdos que fazem construções na areia, dos rapazes que jogam à bola, das miúdas que ficam a ver da toalha, fingindo-se distraídas....
E principalmente da sensação de frescura com que se sai da água, como se a vida estivesse só a começar...
postado por muska eram 02:04 0 na memória
No meio de tanto desperdício já tenho muita coisa no peito: desde frasquinhos destapados até emissoras de rádio, e sem esquecer, claro, o dragão....
postado por muska eram 00:34 0 na memória
trago um rádio no peito.
a emissão irregular de música e novidades em onda curta tem pouco alcance, eu sei...
aí, de onde estás, não me consegues ouvir, pois não?
aos poucos a frequência vai perdendo convicção e tenho medo que as antenas acabem por murchar de vez, que esteja a ser este o último fôlego...
cada vez é mais difícil continuar a emissão sabendo que não está a ser ouvida.
a sintonia...
uma recepção boa...
bolas! não precisava de ser perfeita... boa...
boa chegava...
postado por muska eram 00:04 0 na memória
"Onde os meus olhos
porque cantam assim?
um assum preto
dentro de mim
mil vezes a sina
do gingar da tua retina
que não vai lembrar
que eu também já fui bailarina
mil vezes o fado
de manter os olhos fechados
só para não ver
a menina do olho errado
quando os teus lábios
na minha mão pousaram
todas as linhas se alongaram
uma carícia
o quebrar de um segredo
deus escondido em cada dedo"
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Pedro Jóia
postado por muska eram 00:24 0 na memória
Os dias passam deixando no ar um nevoeiro suave de torpor.
O presente alonga-se em horas intermináveis que se sucedem vazias de escolhas.
As decisões adiam-se, assim, para um qualquer ponto ali mais à frente, sempre ilusório, como uma miragem que se substitui a si própria continuamente...
postado por muska eram 00:04 0 na memória
Dou-me conta de que faço isto sempre que alguém chega aqui.
Vou atrás, tento pôr os olhos das outras pessoas e saber o que lêem nas coisas que escrevo... É impossível, mas é a minha forma de adaptar o que escrevo ao que é lido, sempre na tentativa de que os olhares alheios não me criem fronteiras, e eu possa continuar a crescer em azul e letras.
Para fora... sempre para fora.
postado por muska eram 23:54 0 na memória
monte, lagoas, cerveja e tremoços
(e sol, sempre muito sol por dentro e por fora)
postado por muska eram 22:44 0 na memória
Tudo o que tenho feito nos últimos tempos se resume de forma simples: estou a adiar a minha vida.
Porque o blog esteve sempre de acordo com o resto, e porque estou cansada, adio aqui também....
postado por muska eram 22:34 0 na memória
É todos os anos demasiado triste...
postado por muska eram 14:24 0 na memória
Agosto é o mês dos desperdícios.
ou será o verão?
postado por muska eram 00:14 0 na memória
gostava que olhasses e me soubesses aqui
perto, demasiado perto
esta é a distância que serve apenas para nos separar
postado por muska eram 00:06 0 na memória
praia, vento, cerveja e camarão
(não há nada como comer areia!)
postado por muska eram 00:04 0 na memória
Trago no peito um dragão cansado
Levanta devagar os olhos tristes para o alvo almejado
E devagar abre a enorme boca, deixando ver os dentes de gigante e uma língua bífida comprida
Em vez de um rugido foge-lhe como ar um lamento
Em vez de um fogo vivo e escaldante, escapa-lhe da garganta negra uma fuligem seca, que forma uma nuvem ridícula no ar
postado por muska eram 00:04 0 na memória
Havia um cantor de que os meus amigos gostavam.
Durante alguns anos ouvi-o sempre pelos ouvidos deles, mas, como não usava os meus, ele nunca chegou até mim, senão quando abri o espaço para que entrasse, guiado pela minha mão.
Tenho pensado que as pessoas são um pouco como a música: nem sempre estamos preparados para elas.
Às vezes podemos conseguir que elas cheguem até nós em tempo útil.
Às vezes não...
E se elas nunca entrarem, vamos sentir falta daquilo que nunca tivemos?
Vamos ter pena porque aquela música tocou tantas vezes e nunca lhe prestámos atenção?
Ou vamos simplesmente continuar caminho, vendo aquilo que olhamos, sentindo o que nos toca, cheirando o que respiramos, sem que à volta o mundo faça diferença?
postado por muska eram 00:04 0 na memória
galguei os degraus dois a dois
entrei no quarto de rompante
escancarei a gaveta
vasculhei tudo até encontrar o papel e a caneta
e esqueci-me do que queria escrever
postado por muska eram 23:14 0 na memória
-Tens andado estranha... Pareces alheada de tudo à tua volta, não prestas atenção ao que estamos a dizer... Passas a vida a escrever no teu livrinho, tiras centenas de fotografias... Estás apaixonada?
-Não. Estou obcecada.
postado por muska eram 13:44 0 na memória
-acho que já não sei escrever aqui...
-"aqui"?
-"já"?
postado por muska eram 02:51 0 na memória
estou a esbanjar sentimentos... como quem compra a crédito sem ter um tostão.
postado por muska eram 02:45 0 na memória
as coisas não partilhadas que sinto são desperdícios que se dissipam no ar fresco e leve da noite, como restos inaproveitáveis de luz
postado por muska eram 02:44 0 na memória
trago um frasco destapado no peito, de onde sinto todos os dias evaporar-se um pouco da capacidade de olhar com este vidro fosco chamado coração
postado por muska eram 02:34 0 na memória
Todos os meus relógios marcam horas diferentes.
Tudo o que eu digo parece triste depois de escrito.
Há horas díspares pelo mundo fora e as pessoas não são menos felizes por isso.
postado por muska eram 01:34 0 na memória
sempre que estou contigo, esta sensação de despedida que não consigo expulsar...
postado por muska eram 01:04 0 na memória
Gaguejo em frente ao espaço branco, vazio, aberto, sentindo de novo as vertigens que me impedem de ver com clareza o fio condutor de futuro à minha frente...
postado por muska eram 01:24 0 na memória
postado por muska eram 23:34 0 na memória
Afinal... fui eu que o pedi.
Várias vezes.......
postado por muska eram 19:04 0 na memória
para variar apetece-me encher isto de letras, mesmo que vazias, sem formar frases, sem dar forma a pensamentos.... ainda menos a sentimentos...
postado por muska eram 18:54 0 na memória
depois de um ano de conversas incompletas e adiadas, quando finalmente me sinto preparada para ir ao teu encontro descubro que não era altura...
postado por muska eram 16:44 0 na memória
Ao contrário do que seria de esperar em mim, o regresso a este espaço está a ser mais difícil do que o esperado, embora tenha noção de que não o demonstro minimamente.
Sinto-me um pouco como se não tivesse ainda chegado, as coisas parecem distantes, as pessoas estranhas, as letras enferrujadas...
Sei que a escrita é um hábito que voltará, e os retalhos do que foi passando vão juntar-se aqui, como sempre aconteceu.
Foi bom ter ido logo a seguir.
Foi bom ter ficado tanto tempo.
Foi bom ter vivido um mundo diferente.
Nesta altura da minha vida tive o privilégio de poder fazer uma das minhas viagens de sonho. Que é preciso mais?...
Sinto-me calma, em paz, um bocadinho maior.
Aos poucos far-se-à o regresso.
Sem pressas.
Voltando lentamente à superfície, às decisões, às rotinas...
postado por muska eram 03:14 0 na memória
É bom mergulhar os pés no solo firme.
O corpo dobrado para a frente, os braços estendendo-se em direcção à terra. Tocá-la. Sentir como é fresca e nova. Provar as ervas e os sabores que temperam o que se cozinha, saber o que gostam de beber os que daqui se alimentam. Aprender as danças, aprender as palavras. O olhar. Ver um pouco mais de vida. Crescer uns milímetros mais na alma.
Do mundo nos fazemos maiores.
13.07.2005
postado por muska eram 02:54 0 na memória
E de repente, o mar ali...
À minha frente os degraus que preciso de trepar para chegar ao cimo, um patamar mais, um nível que me eleve até ti.
postado por muska eram 02:44 0 na memória

postado por muska eram 17:04 0 na memória
Depois de tanto tempo tudo me parece correr numa realidade paralela.
Aos poucos vou chegando... também aqui.
postado por muska eram 02:04 0 na memória
Porque o tempo aperta, e pensei que fosse dar para qualquer coisa mais "pensada"...
Nunca dá!
Não queria "desaparecer" sem agradecer o carinho e a força a quem cá vem!
Vou tentar comunicar, mas o mais certo é as minhas lembranças só regressarem depois do dia 20 de Julho.
Até já! :)
postado por muska eram 22:54 0 na memória
Uma prenda:


postado por muska eram 03:44 0 na memória
Fico aqui a olhar.....
Não tenho muitas palavras para explicar tudo isto: há coisas que simplesmente não cabem no universo que compreendemos como real, e por isso mesmo não podem ser trazidas até ele.
Fui eu que alimentei o monstro.
Dei demasiada importância a coisas que nunca a tiveram.
Acho que queria saber como era...
É isso: eu só queria saber como era.
(Estou há demasiado tempo fechada, afastada da realidade. Felizmente tudo se aproxima do fim...)
postado por muska eram 01:44 0 na memória
"É outono, desprende-te de mim.
Solta-me os cabelos, potros indomáveis
Sem nenhuma melancolia,
Sem encontros marcados,
Sem cartas a responder.
Deixa-me o braço direito
O mais ardente dos meus braços,
O mais azul
O mais feito para voar.
Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálperas acessas.
Deixa-me só, vegetal e só,
Correndo como rio de folhas
Para a noite onde a mais bela aventura
Se escreve exactamente sem nenhuma letra."
Eugénio de Andrade, Vegetal e só
postado por muska eram 04:24 0 na memória
A distância, os quilómetros entre nós.
Os cabelos que não se sentiram nos dedos, os beijos que não se deram, os abraços que se afastaram.
O mesmo ar que não se respira, um coração que não se sente no peito.
As palavras que ficam por dizer, as músicas que não se ouviram, uma voz que é só ausência.
O luar que não se vê, o mar em que não se entrou, o chão que não se sente nos pés.
As pessoas certas e as horas erradas.
A falta de uns segundos mais, uns milímetros mais de pele.
A vontade alheia que se serve da imaginação.
As mãos que não se tocaram, os olhos que não se viram, o espaço de ar que ficou suspenso entre esses dois gestos adiados, mudo, pesado, dorido...
E o calor?
Este calor...
É este calor que não me deixa dormir.
É a falta dele que me mantém acordada.
postado por muska eram 04:44 0 na memória
Não deve ser difícil adivinhar onde tenho ouvido coisas "de passagem"...
postado por muska eram 16:46 0 na memória
- Have you ever been alone?
- Of course!
- I mean truly alone. Doesn't mean between relationships.
Loneliness is the feeling that there might never be anybody. Ever again.
Não deixa de ser curioso que eu tenha falado nisto imediatamente antes de ouvir...
postado por muska eram 16:44 0 na memória
(o teste, não propriamente o facto de eu ser o John Cage)

postado por muska eram 16:24 0 na memória
Até dia 22 de Julho isto estará em serviços mínimos (o que quer que isso signifique).
O que me impede de postar é mais a falta de disponibilidade mental, do que propriamente o tempo. O tempo raramente é motivo de falta de posts para uma pessoa que, como eu, chega aqui, escreve e carrega no publish, sem contemplações, sem pena nenhuma do blog (muito menos de quem o lê)...
Enfim... Espero depois voltar eu novamente, com uma cabeça arrumada, uma confiança nova, e (principalmente!) um coração limpo.
Preciso desesperadamente de me livrar de tudo o que me ocupa no presente.
postado por muska eram 16:36 0 na memória
"You’ve got your ball
You’ve got your chain
Tied to me tight tie me up again
Who’s got their claws
In you my friend
Into your heart I’ll beat again
Sweet like candy to my soul
Sweet you rock
And sweet you roll
Lost for you I’m so lost for you
You come crash into me
And I come into you
I come into you
In a boys dream
In a boys dream
Touch your lips just so I know
In your eyes, love, it glows so
I’m bare boned and crazy for you
When you come crash
Into me, baby
And I come into you
In a boys dream
In a boys dream
If I’ve gone overboard
Then I’m begging you
To forgive me
In my haste
When I’m holding you so girl
Close to me
Oh and you come crash
Into me, baby
And I come into you
Hike up your skirt a little more
And show the world to me
Hike up your skirt a little more
And show your world to me
In a boys dream.. in a boys dream
Oh I watch you there
Through the window
And I stare at you
You wear nothing but you
Wear it so well
Tied up and twisted
The way I’d like to be
For you, for me, come crash
Into me"
Dave Matthews - Crash into me
postado por muska eram 04:34 0 na memória
Isto é diferente.
É diferente em tudo, e tu não sabes.
Na realidade acho que não queres saber, e isso não me deixa triste, deixa-me furiosa.

postado por muska eram 01:34 0 na memória
Escorregadio: adjectivo (De escorregar+-dio) (daqui)
1. que faz deslizar ou escorregar;
2. (sítio ) onde se escorrega facilmente;
3. que desliza lentamente;
4. que tem deslizes frequentes;
5. (situação, assunto ) que é arriscado ou de resolução delicada; complexo; melindroso;
postado por muska eram 17:04 0 na memória
Tenho estado um bocado distraída com este post, e estava a preparar umas linhas sobre ele, mas hoje reparei que estava escrito um mais recente. Ao lê-lo, confesso que me senti dividida: prefiro lavar os olhinhos ou ler os teus posts?
Acabei por perceber que é uma dúvida estúpida.
A única coisa que ele vai fazer é ficar um bocadinho mais para baixo à medida que fores escrevendo... A isso eu chamo juntar o útil ao agradável.
postado por muska eram 04:14 0 na memória

postado por muska eram 04:24 0 na memória
Não estou minimamente satisfeita com a minha prestação actual.
O problema é que não consigo ter mais rendimento no tempo presente, esse rendimento devia ter existido nos meses que se foram, e não existiu por mil motivos que nem interessa discutir.
Foram criadas as melhores condições por todas as pessoas que me rodeiam, neste universo muito meu e real.
Fui poupada a trabalhos domésticos e aos outros.
Tive mais (infinitamente mais!) mimo do que mereci.
Falhar não é só falhar no meu futuro.
É não estar à altura do que os meus fizeram por mim.
postado por muska eram 04:04 0 na memória
-Costumas sonhar?
-Claro! Desde que acordo até adormecer.
postado por muska eram 13:44 0 na memória
Quando ele lhe foi apresentado, havia duas ou três pessoas no seu universo com o mesmo nome.
Todos temos nomes que, de uma forma ou de outra, soam mais fortes quando pronunciados.
O dele não era um desses nomes.
Quando o ouviu a primeira vez não lhe despertou nenhum sentimento, não soou nenhuma campaínha, não estalaram foguetes no ar...
Apesar disso, aos poucos o nome foi vencendo.
Adquiriu consistência própria, e um sabor espesso e quente sempre que era pronunciado, enrolando-se devagar na língua.
Tinha um som diferente, com as suas consoantes e vogais alternando de forma harmoniosa, quase perfeita, como música a irromper do silêncio e fazendo estremecer as estruturas mais seguras que trazia dentro de si.
A partir daí começou a segui-lo.
(ou seria ele a segui-la a ela?)
Se o via assinado num jornal lia o artigo todo, e se por acaso um cantor assinava como ele, comprava o álbum, se houvesse imagens de outros homens chamados assim, ela recortava-as para as guardar...
O nome deixou de ser nome: era ele.
Como se todos aqueles homens pudessem formar uma massa, fundir-se, misturar-se, e fazer um só...
postado por muska eram 01:24 0 na memória
Naquele dia, quando voaste, preferi ficar contigo, mesmo quando já não eras tu, porque a minha dor era mais suportável do que a dos que te tinham perdido.
E ainda hoje, a deles é a que me dói mais, não é a minha...
postado por muska eram 23:14 0 na memória