segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Puzzle

Passei o dia a adiar o regresso com uma espécie de "mau pressentimento", o coração demasiado rápido, as mãos inquietas, os olhos saltitantes...

Dou por mim a comparar com o que era no início, como sempre faço, e hoje a realidade é diferente. Às vezes é um pouco como sentisse que já não há ninguém à minha espera, embora saiba perfeitamente que não é assim, e que à hora da suposta chegada o telemóvel começa a dar sinal.

Já o disse antes (quantas vezes me repito aqui?...) e é verdade: agora as coisas processam-se com outro ritmo, com outra calma.
Não sinto tanto tudo como definitivo, cada espaço tem o seu lugar e o seu tempo, e o que havia a perder perdeu-se já.

Apesar disso, de cada vez sinto que falta um pedaço mais.
É cada vez mais pequenino, mas vai-se partindo cá dentro e deixando este vazio que não vou ter nunca como preencher.

Em terra

Ao abrir a porta, acendi a luz.
Olhei à volta e, mesmo sem estares, estavas, e senti-me em casa.

E é bom sentir-me assim contigo, seja qual for o espaço que ocupes.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Numb

Esta é uma altura em que os dias se passam sem nada que os marque.
Acordo sem despertador, adormeço às horas a que os olhos se fecham.
Leio os livros até os terminar, de um só fôlego, vejo filmes e séries que nem sabia que existiam, vou ao cinema, ouço música.
Voltei aos joguinhos no PC.
Passeio.
Arrumo a casa.
Desarrumo a casa.
Às vezes cozinho e às vezes como o que cozinharam para mim, ou então vou jantar fora com amigos.
Bebo um copo quando há companhia para isso.
As coisas processam-se sem pressas, sem prazos, sem atropelos.

Brevemente vou ter uma parte da revolução que tanto peço desde que aqui estou.
E sei que vou embora, só não sei ainda para onde...

Off

Voltei a entrar num ciclo pouco produtivo.
Já não há a desculpa da falta de tempo, da falta de disponibilidade mental...
O que se passa, como já se passou outras vezes, é que sinto este espaço esgotado.
Sei que volto (volto sempre), mas a sensação que tenho é a de que, a cada novo regresso, a força é apenas uma fracção da que já foi, e aos poucos a chama vai-se apagando.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

stop

janeiro acabou.
a seguir ao período de reflexões em que acabamos de entrar segue-se o novo início.
aqui ou em qualquer outro lugar.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

porque nem só de estupidez vive o meu coração



Recomendo vivamente O Amor ao Canto do Bar Vestido de Negro, por Olga Roriz.

domingo, 29 de janeiro de 2006

Baú

Como uma boa agarrada ao passado, vou pôr no baú os comentários antigos que a Haloscan faz o favor de ir apagando (não desfazendo do serviço gratuito que me prestam, e do qual talvez abdique em breve).

O blog não faz sentido sem eles.
(e eu não tenho mais que fazer...)

dez

posts de seguida: bati o meu próprio recorde de estupidez

(ou como fazer uma tempestade num copo de água)

(bati mais uma vez no fundo)

XIÇA!

Nao conheço mais ninguém com esta tendência para as desarrumações sentimentais, com esta lentidão de resolução, com esta estúpida maneira de estar na vida.

Às vezes pergunto-me se quero, algum dia, ser feliz...

...por isso insisto em desarrumar tudo ainda mais...

esta é a altura em que devo arrumar tudo, porque não sei para onde vou...
e, para conseguir ir, de novo, tenho que conseguir deixar limpas as estantes do meu coração...

Na altura certa

Abri finalmente os caixotes, e encontrei tudo o que esperava encontrar. Mas a verdade é que não senti a velha dor ao olhar aquelas coisas, senti-me feliz por ter tido oportunidade de as guardar.

em definitivo

janeiro é o mês dos espaços

(ainda bem que está a acabar)

O espaço V

Tentei sempre não me criar fronteiras quando escrevo aqui.
Que eu saiba, as pessoas que me conhecem e que aqui vêm são cinco ou seis, e a maior parte delas soube deste espaço por acidente.
Algumas dessas pessoas virão, às vezes, à procura de uma luz para os meus comportamentos obscuros.
Compreendo, e sei porque o fazem: porque aqui essa luz é mais forte, talvez, ou talvez me mostre melhor, não sei...


A verdade é que não gosto de sentir, quando aqui escrevo, que estou a deixar recados.
(a não ser quando o são realmente, e portanto interpretados dessa forma por quem os escreve e por quem os lê)

Se o sinto neste momento sei que a culpa é minha, mas não posso fazer as coisas de outra forma: há alturas em que preciso de escrever aqui.

(podem chamar o psiquiatra, por favor!)

teen #2

é por estas e por outras que sei com toda a certeza: nunca vou crescer.

O espaço IV

Tenho um dilema acerca das coisas que é suposto serem ditas.

Sei que a sinceridade é a melhor arma na defesa de qualquer relação, mas o tempo e as tentativas falhadas de comunicação mostraram-me que nem sempre é assim.
Como decidir, então, o que faz parte da sinceridade e o que faz parte do exagero?
E se o exagero for sincero?

Acho que há coisas que não faz sentido serem ditas, principalmente se passam por uma chamada de atenção do tipo: Ei, estou aqui! Preciso que olhes, que me vejas, que me mostres que me vês, que me queres ver.
Porque é aqui que se atravessa a fronteira: o "queres".
Até que ponto é justo exigir mais atenção?

Pergunto isto por um motivo simples: não quero exigir mais atenção, queria tê-la de livre e espontânea vontade.
Se for exigida deixa de fazer sentido, portanto pedi-la deixa um vazio quase tão grande como a sua ausência.

Por isso adquiri o bom velho hábito de me calar, e de me manter à distância, a observar apenas, como se não fizesse parte da cena.

Claro que o resultado é o esperado: deixo mesmo de fazer parte dela.

O espaço III

Esta primeira vitória devo-ta, em (grande) parte, a ti, e era contigo que queria ter partilhado a alegria de ter conseguido o que nunca julguei possível.

Não sei se fui eu que li mal os sinais, ou se por ter passado meses seguidos a olhar para as mesmas coisas perdi parte do texto.
É o mais provável...

Agora sinto-me como se houvesse um oceano para atravessar, como se no espaço de uns dias tivesse, realmente, feito uma enorme viagem que me deixou a milhas de distância.
Já não te vejo à minha frente...

E isso deixa-me triste.
E quando estou assim triste não consigo agir como se nada se passasse, é só...

sábado, 28 de janeiro de 2006

aquela por que espero

esta é a hora em que vagueio perdida nas minhas próprias lembranças

literalmente, sem rumo e sem sentido, procuro um certo contacto perdido, uma intimidade, um toque mais perto, um olhar, uma palavra

aquela palavra


talvez não seja verdade...

não se escreveram todas... ainda não.

a palavra

olho as minhas mãos

desfoco-as para poder olhar as letras, um pouco mais abaixo

é verdade, não é? que todas as palavras foram já escritas?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

aquele abraço #3

Nestes dias não é preciso que o despertador toque, eu vou acordando devagarinho.
À minha volta há calor, um conforto moldado ao meu corpo, a sensação de que tudo encaixa perfeitamente.

Descobri, há relativamente pouco tempo, porque gosto tanto de dormir: é por este despertar, por esta calma, pelo torpor... por toda a envolvência que é, sem a menor dúvida, o mais parecida possível com aquele abraço...