o espacinho
continuo a ter uma pasta chamada blog nos meus documentos
raramente a abro, agora, mas o inverno está a chegar
passou o sol e o verão, passou o rio, a água fria do mar e a do meu chuveiro
passaram os churrascos e os risos fáceis
passaram umas férias, e por mais adjectivos que eu conhecesse, não saberia nunca como as descrever, porque há coisas que têm mesmo que ser vividas
sabia que ia chegar, e estou a chegar
para ajudar a acalmar a queda meti-me em tudo o que me lembrei e continuo a fingir-me ocupada
a minha vidinha, o caminho supostamente mais curto, as pessoas à minha volta......
preenchem-me, sim
mas por mais que sejam, por mais que façam, por mais bocadinhos de mim que completem.... fica sempre aquele espaço
fica sempre um espacinho onde ninguém toca, e porque ninguém o toca ele cresce, multiplica-se, e às vezes consegue esmagar tudo o resto
chama-se solidão?
talvez, talvez se chame assim
está nas minhas mãos cuidar dele?
não deixa de ser curiosa esta análise das situações, saber o que me dói, e porque me dói, e vislumbrar um tratamento que não depende de mim
ou talvez esteja mesmo nas minhas mãos
não sei quantas vidas temos, mas será de certeza pecado desperdiçar esta que eu tenho


