sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

o espacinho

continuo a ter uma pasta chamada blog nos meus documentos
raramente a abro, agora, mas o inverno está a chegar

passou o sol e o verão, passou o rio, a água fria do mar e a do meu chuveiro
passaram os churrascos e os risos fáceis
passaram umas férias, e por mais adjectivos que eu conhecesse, não saberia nunca como as descrever, porque há coisas que têm mesmo que ser vividas

sabia que ia chegar, e estou a chegar

para ajudar a acalmar a queda meti-me em tudo o que me lembrei e continuo a fingir-me ocupada
a minha vidinha, o caminho supostamente mais curto, as pessoas à minha volta......

preenchem-me, sim

mas por mais que sejam, por mais que façam, por mais bocadinhos de mim que completem.... fica sempre aquele espaço
fica sempre um espacinho onde ninguém toca, e porque ninguém o toca ele cresce, multiplica-se, e às vezes consegue esmagar tudo o resto

chama-se solidão?

talvez, talvez se chame assim

está nas minhas mãos cuidar dele?

não deixa de ser curiosa esta análise das situações, saber o que me dói, e porque me dói, e vislumbrar um tratamento que não depende de mim

ou talvez esteja mesmo nas minhas mãos

não sei quantas vidas temos, mas será de certeza pecado desperdiçar esta que eu tenho

20.11.2006

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Ainda os desperdícios

É incrível a quantidade de pessoas de quem, sem chegarmos a conhecê-las, gostamos (às vezes muito), e cuja vida jamais conseguiremos tocar...

10.11.2006

o tempo não acaba nunca

as coisas que vivemos cresceram connosco
entranharam-se em quem somos
mostram-se quando sorrimos

obrigada, sempre, por tudo

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Os passos com que me aproximo

net em casa

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Não sei se acredito em mim própria...

Saí relativamente cedo, como é habitual.
Apesar do sono tive vontade de me escapar e vir aqui, mas neste momento não é o "meu cantinho".
É um sítio barulhento, com música e tabaco aos berros, com gente a entrar e a sair, a mexer em computadores.

Tentei fechar os ouvidos com música, facilitar a viagem até aqui.
Impossível.


Estranha a necessidade de vir, a sobrepor-se ao cansaço, ao sono, ao resto...

Estou de volta.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Bom ano (novo)!

Apetecia-me fazer a viagem sozinha.
Não é pela companhia que levo, é pela vontade que tinha de me fechar um pouco dentro de mim para saber o que trago de novo e de velho...
Às vezes parece-me estúpida, esta necessidade do meu espaço, dos meus pensamentos, do meu isolamento temporário...
Eu, que não vivo sem as pessoas à minha volta...

Estourou um ano novo.
Li outro dia uma coisa que me deixou a pensar:

"Quem inventou o ano o fez muito bem, porque o tempo é contínuo, mas foi fatiado em anos exatamente para termos a impressão de que tudo recomeça, para termos a oportunidade de fazer um balanço desse período de tempo que passou e nos programarmos para as mudanças a que nos propomos como se o tempo não fosse contínuo e fôssemos começar tudo de novo."

Não sei se tenho esperança que este seja melhor, ou se simplesmente deixei de esperar, e deixo rolar. Estes estados de espírito não costumam ser duradouros, por isso talvez seja melhor não os questionar demais, para não romper o frágil equilíbrio em que se encerram.

ano novo

blog novo?
fim de blog?
blog sempre velho?

tenho vontade de (re)começar...
e já é dia 2!

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Be right back...

Depois de um verão mais ou menos atarefado vou finalmente aproveitar o sol que faz lá do outro lado do mar.
Duvido que haja oportunidade para cá vir, por isso deixo as minhas desculpas a quem faz deste lindo blog uma leitura mais ou menos assídua (eu sei que vocês andam aí....).

E espero voltar bem, equilibrada, com as baterias cheiinhas de todo o calor que me vai fazer falta para atravessar mais um Inverno.

Até já!

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

eles

Atrasada porque o Governo Civil fecha às 16h e tenho mesmo que renovar o passaporte, passo ainda a correr num fotógrafo que me faz umas fotos mega-rápidas e razoáveis dentro do que o modelo permite... Mas, surpresa das surpresas, as fotografias já não são precisas porque, para os novos passaportes electrónicos, eles mesmos nos tiram a pinta com uma máquina que lá têm.

Sorrio, então, em direcção à dita máquina e ouço a funcionária:
"Não se ria que eles não querem ninguém a rir!"

Mas eles quem?

domingo, 24 de setembro de 2006

arquivo

e devagar, quando os olhos passam rentes às palavras passadas, espanto-me que possam algum dia ter nascido do meu peito

sábado, 23 de setembro de 2006

Quando os ses se transformam em borboletas

Quando ela acabou de falar eu só soube dizer

"Não quero ouvir isso"


Mas já tinha ouvido.

Então, para mim mesma, pensei que não comentaria aquele assunto com ninguém.

nem comigo mesma

sem rede

era de noite e eu viajava a alta velocidade, apenas com um ligeiro atraso luz/som
as letras faiscavam de forma resumida pelas janelas abertas, mas fui-as fechando

uma
a
uma


e fiquei (de novo) entregue a mim mesma

como no princípio

domingo, 17 de setembro de 2006

Carioca

Esta é a prenda que dei a mim própria este ano:


(ligeiramente antecipada, apenas...)

Dúvida #? (já lhes perdi a conta...)

Os defeitos são-no porque nos prejudicam, ou porque prejudicam os outros?

Pequeno comentário ao post anterior

Foi, talvez, o acontecimento mais importante de toda a minha vida, e nem foi mencionado neste espaço, onde sempre gostei de ir deixando um pouco das coisas que me marcaram.
A verdade é que, mesmo vendo tudo concretizado, às vezes tenho ainda a sensação que é um sonho... E a verdade é que este espaço se foi desligando do meu dia a dia, e se aqui voltei para escrever (ainda que espaçadamente) as baboseiras do costume, então porque não escrever sobre isto?

Bem-vinda!




"Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade."
As mãos, Manuel Alegre

14.07.2006

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

soluços

Andei com o último post que escrevi uns dias na cabeça.
Já nem me lembro da última vez que tive um "pensamento-post", por isso decidi não o desperdiçar (senão seria apenas mais uma luz acesa...)

Continuo a sentir falta deste espaço, mas ainda não consegui criar o espaço onde ele caiba no meu dia a dia.

Talvez, também, pelo facto de ainda não ter chegado.

As previsões mantêm-se: lá para novembro, que o caminho continua longo.....

No poupar é que está o ganho

Quando passo de uma divisão da casa para outra qualquer insisto em apagar a luz.

Como em tantas outras coisas, chega a roçar a obsessão esta coisa de economizar, e às vezes movimento-me às escuras...

E nem sei como, dei por mim a analisar a história de eu pensar mais nas pessoas do que elas em mim...

Todas essas vezes em que eu penso sem ser correspondida, são como deixar a luz acesa sem ninguém para a aproveitar. A luz fica ali, a derreter-se numa divisão qualquer, a gastar, a consumir, a desperdiçar...
Ninguém se apercebe, sequer, de que ela lá está...

O que é pena, porque assim todos nós (nos) poupávamos um pouco mais.

domingo, 2 de julho de 2006

long way

continuo a caminho



segundo o boletim meteorológico, ao qual se somam férias lá para outubro, a minha chegada deve fazer-se perto de novembro

(vais esperar?)
(não.)
(pois, eu sei...)
(então porque vens?)
(...)

(Re)Presa

Já não me lembro da quantidade de tempo que tinha passado desde a última vez.
Muito, era muito tempo.

Ainda assim, somaste-lhe uns minutos mais, à espera junto à grade.
Eu não sabia e falava de ti lá dentro, de como seria capaz de resolver os meus problemas sem ajuda. Externa, claro...

E quando saí não disseste nada.
Olhámo-nos uns segundos antes de desabarmos nos nossos braços.
Conseguia sentir-te perto, respiravas ali, na curva do meu pescoço, e nesse momento quis com todas as minhas forças que fosse para sempre.

O que ali não me ocorreu foi que aquela proximidade era a de contacto, a mais fácil.
Para que o resto resulte é preciso trabalho, destruir muros e cortar cada corda que prende cada medo, queimar as desconfianças e entregarmo-nos assim: livres.

Entre mim e a liberdade estavam os muros e as cordas, e depois da liberdade, contigo, estávamos nós...

17.06.2006