sábado, 20 de janeiro de 2007

Ainda, sempre o medo

Enquanto digo que quero ser uma pessoa apaixonada, pratico exactamente o contrário.

Não ligo a quem me apetece, ignoro as mensagens que me nascem na ponta dos dedos, faço de conta que não penso nas pessoas à minha volta, e, se por acaso transparece algum sentimento nos meus actos, arranjo desculpas, desvio assuntos e conversas, e vou passando ao lado da vida, e talvez dos meus. (talvez?)

Se analisarmos isto com cuidado (muito gosto eu de analisar...), percebemos que também esta forma de estar provoca sofrimento. E o que é que é pior? Sofrer porque se fez de conta que não se sentia, ou assumir que se sente e bater com o coração na parede?

Para quando, livrar-me do medo???

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

mirror

às vezes, quando me olho aqui em azul, pergunto-me se sou mesmo eu...
se, naquilo que se lê, sou reconhecível como eu, que escrevo...

Vinicius

Quem aqui vem/vinha sabe o quanto gosto de Vinicius de Moraes.

Comecei a ouvir música brasileira com um cd velhinho que arranjei, gravado num bar em Buenos Aires chamado La Fusa. Actuam, com ele, Toquinho, Maria Creuza (de quem não consegui encontrar mais nada) e Maria Bethânia. A gravação não é boa, Vinicius desafina bastante, mas ainda assim não consegui deixar de ouvir o cd em repeat mode durante meses a fio. Depois dele aprendi a ouvir mais música brasileira, mas nada me tocou da mesma forma.

Com a música comecei a procurar mais coisas da obra dele, e, além da música, descobri textos e poemas maravilhosos.
(leiam este, por favor, é lindo!)

Aos poucos começa-se a perceber uma pessoa especial, cuja vida poderá não ter sido exemplar, mas que sem dúvida me faz inveja, porque foi vivida intensamente, com uma grande paixão por tudo o que rodeava: pela música e pelas palavras, mas mais importante que isso, pelas pessoas, pelos amigos, pelas mulheres, pela própria vida.


Esta última parte eu supunha, mas depois de ver o filme fiquei com a certeza.

(talvez não seja de estranhar que me tenha lembrado disto quando acabei de escrever o post das esperanças......)

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Estarei doidinha?

Hoje os planos nocturnos foram subitamente cancelados, e eu não fiquei tão chateada como seria de prever: assim pude continuar a estudar.

(onde é que anda aquele psiquiatra que tenho pedido???)

Das despedidas

Quando te levaram eu estava longe, demasiado longe...
A pulseira vermelha, a do amor, rompeu-se nesse dia, e então nadei com ela apertada na mão, e afastei-me o máximo que consegui. Ali não havia ondas, para que pudesse contar sete, mas à sétima ondulação larguei-a, e mergulhei para a ver afundar-se devagar, oscilando na sua falta de peso, até cair fundo, lá longe...



A pulseira vermelha celebrou o amor, o meu amor.
Por ti.
Por vocês.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Não esperem (de)mais de mim

Tinha preparado um longo post, cujo título era qualquer coisa como: "não esperem mais de mim do que o que sou", quando dei por mim a pensar no reverso da medalha...

Não quero que esperem demais de mim, porque tenho sempre medo de não estar à altura...
Mas então e eu? O que espero dos outros?

Neste caminho em que tenho posto os pés, um à frente do outro, quase sem me aperceber, tenho-me vindo a educar para não esperar nada. Há, no entanto, um grande problema nisto tudo, que me apoquenta por demais nos dias que correm. (estou a falar bem, eu sei...)

Começo a fartar-me desta nuvem em que me instalei: não rio mas também não choro. Não sonho, mas pelo menos consigo dormir... XIÇA!

Eu quero esperar, quero sentir, quero chorar se for preciso, quero ficar horas e horas a fio acordada a pensar nele... ou então, sei lá, noutra coisa qualquer!


Já dizia o outro*: "Estala, coração de vidro pintado!"

*Fernando Pessoa

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Das dores e dos retrovisores

Há coisas físicas que se partem, e que doem.



Raramente mais do que as outras.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Ora, ora....

... há aqui um pequeno contra-senso: este meu novo template é uma espécie de versão esticada do antigo.

Já o blog é uma versão reduzida.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Aviso à (improvável) navegação

Estamos em obras.
Ah! E declarámos guerra ao novo blogger.

Repeat mode

Nos próximos tempos isto vai ser o que é, e o que foi, sem grande divisões.

Não sei se cheguei ou não, e também não sei se chegou o Inverno.
Talvez as estações não estejam baralhadas só lá fora....

Sobrevida

Continua a afirmar-se que importa sentir, seguir o coração.
Não é verdade.

Importa sentar à mesa e ter comida, e uns trocos no bolso para o café. Televisão e internet, gasolina no depósito de um carro para se chegar , onde eles estão (e, para chegar, seguir o coração.....).
Interessa ter férias, gozá-las o melhor possível. Ter boa apresentação, saber falar, ler, ter cultura, saber das guerrilhas na Colômbia, do desastre que (foram) são os EUA no Iraque (e no resto do mundo?), o desânimo, e o endividamento económico, social, emocional dos portugueses.

Quantas pessoas deprimidas eu conheço?
Alguma se matou?...

Não vivemos: sobrevivemos.

Apenas nos esforçamos por mostrar o contrário.

(Chegou o Inverno) (e eu com ele)

21.11.2006

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

o espacinho

continuo a ter uma pasta chamada blog nos meus documentos
raramente a abro, agora, mas o inverno está a chegar

passou o sol e o verão, passou o rio, a água fria do mar e a do meu chuveiro
passaram os churrascos e os risos fáceis
passaram umas férias, e por mais adjectivos que eu conhecesse, não saberia nunca como as descrever, porque há coisas que têm mesmo que ser vividas

sabia que ia chegar, e estou a chegar

para ajudar a acalmar a queda meti-me em tudo o que me lembrei e continuo a fingir-me ocupada
a minha vidinha, o caminho supostamente mais curto, as pessoas à minha volta......

preenchem-me, sim

mas por mais que sejam, por mais que façam, por mais bocadinhos de mim que completem.... fica sempre aquele espaço
fica sempre um espacinho onde ninguém toca, e porque ninguém o toca ele cresce, multiplica-se, e às vezes consegue esmagar tudo o resto

chama-se solidão?

talvez, talvez se chame assim

está nas minhas mãos cuidar dele?

não deixa de ser curiosa esta análise das situações, saber o que me dói, e porque me dói, e vislumbrar um tratamento que não depende de mim

ou talvez esteja mesmo nas minhas mãos

não sei quantas vidas temos, mas será de certeza pecado desperdiçar esta que eu tenho

20.11.2006

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Ainda os desperdícios

É incrível a quantidade de pessoas de quem, sem chegarmos a conhecê-las, gostamos (às vezes muito), e cuja vida jamais conseguiremos tocar...

10.11.2006

o tempo não acaba nunca

as coisas que vivemos cresceram connosco
entranharam-se em quem somos
mostram-se quando sorrimos

obrigada, sempre, por tudo

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Os passos com que me aproximo

net em casa

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Não sei se acredito em mim própria...

Saí relativamente cedo, como é habitual.
Apesar do sono tive vontade de me escapar e vir aqui, mas neste momento não é o "meu cantinho".
É um sítio barulhento, com música e tabaco aos berros, com gente a entrar e a sair, a mexer em computadores.

Tentei fechar os ouvidos com música, facilitar a viagem até aqui.
Impossível.


Estranha a necessidade de vir, a sobrepor-se ao cansaço, ao sono, ao resto...

Estou de volta.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Bom ano (novo)!

Apetecia-me fazer a viagem sozinha.
Não é pela companhia que levo, é pela vontade que tinha de me fechar um pouco dentro de mim para saber o que trago de novo e de velho...
Às vezes parece-me estúpida, esta necessidade do meu espaço, dos meus pensamentos, do meu isolamento temporário...
Eu, que não vivo sem as pessoas à minha volta...

Estourou um ano novo.
Li outro dia uma coisa que me deixou a pensar:

"Quem inventou o ano o fez muito bem, porque o tempo é contínuo, mas foi fatiado em anos exatamente para termos a impressão de que tudo recomeça, para termos a oportunidade de fazer um balanço desse período de tempo que passou e nos programarmos para as mudanças a que nos propomos como se o tempo não fosse contínuo e fôssemos começar tudo de novo."

Não sei se tenho esperança que este seja melhor, ou se simplesmente deixei de esperar, e deixo rolar. Estes estados de espírito não costumam ser duradouros, por isso talvez seja melhor não os questionar demais, para não romper o frágil equilíbrio em que se encerram.

ano novo

blog novo?
fim de blog?
blog sempre velho?

tenho vontade de (re)começar...
e já é dia 2!

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Be right back...

Depois de um verão mais ou menos atarefado vou finalmente aproveitar o sol que faz lá do outro lado do mar.
Duvido que haja oportunidade para cá vir, por isso deixo as minhas desculpas a quem faz deste lindo blog uma leitura mais ou menos assídua (eu sei que vocês andam aí....).

E espero voltar bem, equilibrada, com as baterias cheiinhas de todo o calor que me vai fazer falta para atravessar mais um Inverno.

Até já!

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

eles

Atrasada porque o Governo Civil fecha às 16h e tenho mesmo que renovar o passaporte, passo ainda a correr num fotógrafo que me faz umas fotos mega-rápidas e razoáveis dentro do que o modelo permite... Mas, surpresa das surpresas, as fotografias já não são precisas porque, para os novos passaportes electrónicos, eles mesmos nos tiram a pinta com uma máquina que lá têm.

Sorrio, então, em direcção à dita máquina e ouço a funcionária:
"Não se ria que eles não querem ninguém a rir!"

Mas eles quem?