quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

verborreia/blogorreia

são muito poucas, mas algumas pessoas têm este efeito em mim:

Alzheimer

"Somos coisas tão diferentes para as diversas pessoas...
Dotados de boa memória, podemos ser quem quisermos com quem preferirmos - somos todos actores numa peça que muda todos os dias."
(Robert Wilson, O Cego de Sevilha, página 314)

Eu tenho, definitivamente, um problema de memória...

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Babel



Não sei comentar este filme, nem discutir as solidões, os silêncios e os gritos, nem explicar o desconforto com que saí da sala.
Por tudo isso gostei. Muito.

(viram, viram, como me portei bem e não pus nem o Bradzinho nem o Gaelzinho.......)
(ai, ai....)

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Não posso adiar o amor para outro século

"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração"
António Ramos Rosa
(copiado da minha Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa de Eugénio de Andrade, Campo das Letras, página 495)


Suponho que já sabias que o irias ver aqui, até porque tem tudo a ver...

"Não posso adiar o coração"...
É maravilhoso...

Obrigada.
"Sempre, por tudo"*

Se tenho que ir, porque terei também que chegar?

De início era só a calma e a agonia lenta de quem faz estrada por obrigação. Precisamente quando devia levar companhia, para me distrair o tipo da esquerda com conversas banais, vou sozinha, chove a sério, e alguns vidros não têm limpa pára-brisas...

Mas à medida que a música foi ganhando forma dentro de mim, a estrada foi secando, e então cresceu a raiva, uma raiva cega, e cravei os pés no chão, espaçados, um de cada lado, com força, à espera que a viagem não acabasse nunca, e eu pudesse seguir em frente nas curvas todas.

domingo, 21 de janeiro de 2007

domingo III

O tempo passa e algumas coisas andam em círculos: passaram três anos, e eu continuo a DETESTAR os domingos...

[suspiro]

(não queria nada ir...)

Mayra Andrade

Ontem tive o privilégio de ver um espectáculo desta Senhora. (assim mesmo, com letra grande, e apesar da idade...)
Música ritmada, que nos faz tremer por dentro e por fora, uma voz quente, forte, envolvente, e uma presença em palco arrebatadora, acompanhada por músicos de excelente qualidade.



Recomendo o seu primeiro cd, Navega, e concordo com o que li aqui, enquanto procurava uma foto para este post: "Chamar-lhe a nova Cesária Évora é redutor."

É irresistível.

Não sei se é motivo de orgulho...

...mas estou orgulhosa de mim própria: os posts de Janeiro já não cabem todos na mesma página.
Como há um deles que não pára de ser gritado pelo gajo da esquerda, tive que aumentar o limite de posts por página.

(acho que é capaz de não ser motivo de orgulho......)

desperdícios #11

"Hoje o céu está mais azul,
eu sinto...
Fecho os olhos.
Mesmo assim eu sinto...
O meu corpo estremeceu.
Não consigo adormecer.

Nem o tempo vai chegar
Para dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim.
É uma espécie de dor...

Hoje o céu está mais azul
eu sinto...
Olho à volta
E mesmo assim eu sinto
Que este amor vai acabar
e a saudade vai voltar...

Já não sei o que esperar
Dessa vida fugidia...
Não sei como explicar
Mas eu mesmo assim o amo."
Rosa, Rodrigo Leão

Não é uma espécie de dor.
É uma dor, concreta, definida, bem localizada, forte (talvez oito, numa escala de zero a dez).

É uma dor atirada para o vazio, onde ecoa interminavelmente.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Ainda, sempre o medo

Enquanto digo que quero ser uma pessoa apaixonada, pratico exactamente o contrário.

Não ligo a quem me apetece, ignoro as mensagens que me nascem na ponta dos dedos, faço de conta que não penso nas pessoas à minha volta, e, se por acaso transparece algum sentimento nos meus actos, arranjo desculpas, desvio assuntos e conversas, e vou passando ao lado da vida, e talvez dos meus. (talvez?)

Se analisarmos isto com cuidado (muito gosto eu de analisar...), percebemos que também esta forma de estar provoca sofrimento. E o que é que é pior? Sofrer porque se fez de conta que não se sentia, ou assumir que se sente e bater com o coração na parede?

Para quando, livrar-me do medo???

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

mirror

às vezes, quando me olho aqui em azul, pergunto-me se sou mesmo eu...
se, naquilo que se lê, sou reconhecível como eu, que escrevo...

Vinicius

Quem aqui vem/vinha sabe o quanto gosto de Vinicius de Moraes.

Comecei a ouvir música brasileira com um cd velhinho que arranjei, gravado num bar em Buenos Aires chamado La Fusa. Actuam, com ele, Toquinho, Maria Creuza (de quem não consegui encontrar mais nada) e Maria Bethânia. A gravação não é boa, Vinicius desafina bastante, mas ainda assim não consegui deixar de ouvir o cd em repeat mode durante meses a fio. Depois dele aprendi a ouvir mais música brasileira, mas nada me tocou da mesma forma.

Com a música comecei a procurar mais coisas da obra dele, e, além da música, descobri textos e poemas maravilhosos.
(leiam este, por favor, é lindo!)

Aos poucos começa-se a perceber uma pessoa especial, cuja vida poderá não ter sido exemplar, mas que sem dúvida me faz inveja, porque foi vivida intensamente, com uma grande paixão por tudo o que rodeava: pela música e pelas palavras, mas mais importante que isso, pelas pessoas, pelos amigos, pelas mulheres, pela própria vida.


Esta última parte eu supunha, mas depois de ver o filme fiquei com a certeza.

(talvez não seja de estranhar que me tenha lembrado disto quando acabei de escrever o post das esperanças......)

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Estarei doidinha?

Hoje os planos nocturnos foram subitamente cancelados, e eu não fiquei tão chateada como seria de prever: assim pude continuar a estudar.

(onde é que anda aquele psiquiatra que tenho pedido???)

Das despedidas

Quando te levaram eu estava longe, demasiado longe...
A pulseira vermelha, a do amor, rompeu-se nesse dia, e então nadei com ela apertada na mão, e afastei-me o máximo que consegui. Ali não havia ondas, para que pudesse contar sete, mas à sétima ondulação larguei-a, e mergulhei para a ver afundar-se devagar, oscilando na sua falta de peso, até cair fundo, lá longe...



A pulseira vermelha celebrou o amor, o meu amor.
Por ti.
Por vocês.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Não esperem (de)mais de mim

Tinha preparado um longo post, cujo título era qualquer coisa como: "não esperem mais de mim do que o que sou", quando dei por mim a pensar no reverso da medalha...

Não quero que esperem demais de mim, porque tenho sempre medo de não estar à altura...
Mas então e eu? O que espero dos outros?

Neste caminho em que tenho posto os pés, um à frente do outro, quase sem me aperceber, tenho-me vindo a educar para não esperar nada. Há, no entanto, um grande problema nisto tudo, que me apoquenta por demais nos dias que correm. (estou a falar bem, eu sei...)

Começo a fartar-me desta nuvem em que me instalei: não rio mas também não choro. Não sonho, mas pelo menos consigo dormir... XIÇA!

Eu quero esperar, quero sentir, quero chorar se for preciso, quero ficar horas e horas a fio acordada a pensar nele... ou então, sei lá, noutra coisa qualquer!


Já dizia o outro*: "Estala, coração de vidro pintado!"

*Fernando Pessoa

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Das dores e dos retrovisores

Há coisas físicas que se partem, e que doem.



Raramente mais do que as outras.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Ora, ora....

... há aqui um pequeno contra-senso: este meu novo template é uma espécie de versão esticada do antigo.

Já o blog é uma versão reduzida.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Aviso à (improvável) navegação

Estamos em obras.
Ah! E declarámos guerra ao novo blogger.

Repeat mode

Nos próximos tempos isto vai ser o que é, e o que foi, sem grande divisões.

Não sei se cheguei ou não, e também não sei se chegou o Inverno.
Talvez as estações não estejam baralhadas só lá fora....

Sobrevida

Continua a afirmar-se que importa sentir, seguir o coração.
Não é verdade.

Importa sentar à mesa e ter comida, e uns trocos no bolso para o café. Televisão e internet, gasolina no depósito de um carro para se chegar , onde eles estão (e, para chegar, seguir o coração.....).
Interessa ter férias, gozá-las o melhor possível. Ter boa apresentação, saber falar, ler, ter cultura, saber das guerrilhas na Colômbia, do desastre que (foram) são os EUA no Iraque (e no resto do mundo?), o desânimo, e o endividamento económico, social, emocional dos portugueses.

Quantas pessoas deprimidas eu conheço?
Alguma se matou?...

Não vivemos: sobrevivemos.

Apenas nos esforçamos por mostrar o contrário.

(Chegou o Inverno) (e eu com ele)

21.11.2006