terça-feira, 6 de março de 2007

O peso das palavras

O dia a seguir, supostamente de ressaca, é o dia em que a consciência do estar se intensifica, e se perde um pouco a noção de que realmente não se está.
O sentidos estão nublados mas sentem-se como alerta, e todo o corpo se recusa a obedecer ao que obriga o senhor dos controlos.
É nestes momentos que penso nas palavras e elas crescem em significados intensos dentro do meu peito.
Devia, por isso, recusar-me a deixá-las sair, mas falta o tal filtro, sempre tão alerta em dias normais, e em catadupa disparam-se letrinhas, que se juntam, e, unidas, formam as palavras que eu devia calar, e que digo... e que hoje me parecem, não menos verdadeiras, mas pesadas em exagero.

sábado, 3 de março de 2007

E não são muitas as coisas que me sabem tão bem...

Ao chegar a esta hora, com a chuva a cair lá fora quase tão preguiçosa como eu, começo a render o corpo ao torpor da noite, e ao calor que aqui faz.
Deito os olhos sobre as palavras e deixo-os viajar livremente, sem fronteiras, porque sei que amanhã só se abrem quando tiverem vontade disso.
Depois dissolvo-me devagarinho até me fundir nos lençóis, e esqueço-me de mim...

sexta-feira, 2 de março de 2007

Será que ando a dormir demais???

E já agora: aquelas gralhas e erros ortográficos no artigo serão resultado de falta de sono?

quinta-feira, 1 de março de 2007

Quase, quase....

Já passava das quatro da tarde, mas ainda não eram cinco.
O termómetro marcava dezoito graus e meio (estaria certo?), e o sol ainda me riscava o retrovisor, vermelho e vivo.
À velocidade a que ia, com a música a ultrapassar os decibéis recomendados a uma protésica como eu, senti-o nas entranhas: o Inverno está a acabar.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Sensível e burra

Os erros que tenho mais dificuldade em perdoar são os que eu própria faço...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Tinhas razão...

The Bridges Of Madison Country

(roubada aqui)


Talvez os filmes sejam mesmo como a música e como as pessoas...

(o título deste post devia ser: "como me estou a tornar uma velha sensível")
(ou então "baba e ranho"....)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Ao domingo, sempre o domingo

Nestes últimos quinze dias cheguei a duas conclusões: se já cá estiver o domingo é quase um dia como outro qualquer.
Se tiver que vir o melhor é fazer de conta que não sei o que se passa.
Que dia é hoje? Não sei...

Não sei nada.

Entro no carro, faço a viagem, chego, durmo, amanhã é uma semana nova, e pode ser que não traga só coisas velhas.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

verdade XIV

Há alturas em que não sou capaz de dizer a verdade.
Não me faz sentir melhor, mas faz com que os outros se sintam.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Ontem

Ontem foi Carnaval.
Nunca liguei muito ao Carnaval, e depois de um fim de semana agitado estive sem grande vontade de festas.
Ponderei ir para mais perto deles, mas acabei por me deixar ficar...

Não abri o blogger para falar dos 23 anos que nunca chegaste a fazer, das saudades que tenho tuas, de como a dor da tua ausência se foi suavizando com o tempo sem chegar a desaparecer. Sei que por mais anos que passem isso não vai acontecer, mas não faz mal...

Também não abri o blogger para falar das tuas histórias, da tua paciência infinita, da tua sopa e das tuas mãos, de como conheci em ti a verdadeira bondade... a tua lição de vida, que espero nunca esquecer.

Abri hoje o blogger e não fui capaz de não falar disto.
Porque havia de não falar?...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Blood Diamond






Há pessoas que morrem sem saber porquê, e há outras que vivem sem saber para quê.
Infelizmente isso não vai mudar nunca, nem em África, nem na América do Sul, nem na Ásia, nem em sítio nenhum do mundo.
Nós somos os responsáveis, todos os nós.
E se saio destes filmes com uma sensação grande de vazio, que me pesa mais do que sei descrever, é porque tenho consciência da vida fácil que escolhi.
Sei que não podia mudar nada, mas tentar seria, seguramente, mais digno do que lamentar.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Jet-leg

Àz vezes custa-me perceber que, onde eu não estou, o tempo passa como se eu estivesse.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Com "A" grande #?



Nunca deixámos de ser amigas, apenas nos esquecemos temporariamente do shift.

(será que há teclados com caps lock?)

Acordar para a vida

Segunda-feira, aí pelas 10h30.

(sempre quero ver se amanhã me mantenho com esta energia toda...)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Engole, engole...

Já passou muito tempo desde a última vez que deixei chover cá dentro e provei o meu próprio sal. Na altura era a perda, eram as saudades, era a sensação de que nada voltaria a ser igual...

Nestes últimos dias trago um daqueles nós apertadinhos, e hoje quase me estrangulou.
Mas não lhe dei liberdade, canalizei energias e lágrimas para a orofaringe, fiz de conta que não se passava nada.
O mar dos meus olhos só voltará a ser livre por um motivo que seja, no mínimo, tão valioso como o último.
E estas questões materiais não o são... definitivamente.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Afrouxamento

Nestes dias que se arrastam, pesados de água e de cinzento, eu entro em hibernação.
Cada movimento exige um consumo de energia superior à que consigo guardar, e por isso me arrasto também, também pesada e cinzenta, e talvez até fria.
Assim se explica essa falta de consistência, que não se nota só aqui.

Percebo que esta apatia é sazonal.
Conhecendo-me, tento lutar contra ela com todas as minhas forças.
Obrigo-me a ir a todo o lado, a não quebrar os laços que me ligam aos outros e às coisas que gosto de fazer, mas o que faço acaba por ficar aquém do mínimo que esperam, e que eu própria espero, de mim.
No fundo é apenas um esforço para preservar esta linha frágil que me segura a terra.

Sem ela sou um barco sem fundo à deriva no alto mar.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

verdade XIII

Se eu aceitasse o indivíduo da esquerda em vez de o tratar como inimigo, talvez as coisas fossem mais suaves...

(e talvez não tivessem graça nenhuma...)

(será que agora têm?)

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Molha-tolos

Há um quase choro na água que me escorre cara abaixo.
A noite fez-se demasiado tarde antes que pudéssemos ouvi-la, e com o passar silencioso das horas perdemo-nos de nós mesmos sem nos encontrarmos um no outro.

Faz sentido?

Sinto a tua falta nestas alturas, mais do que em todas as outras, porque é tarde, porque chove tanto lá fora, dessa chuva mole, sem força, que não serve nem para me lavar o peito... e porque sinto falta do teu, forte, seguro, a respirar o desenho do meu perfil.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

sinais de fumo

é demasiado cedo para falar de ti, como seria cedo falar de chuva se aparecessem umas nuvens brancas espalhadas pelo céu azul

Volver


(daqui)

"yo adivino el parpadeo
de las luces que a lo lejos
van marcando mi retorno
son las mismas que alumbraron
con sus pálidos reflejos
hondas horas de dolor

y aunque no quise el regreso
siempre se vuelve al primer amor
la vieja calle donde el eco dijo
tuya es su vida, tuyo es su querer,
bajo el burlón mirar de las estrellas
que con indiferencia
hoy me ven volver

Volver...
con la frente marchita
las nieves del tiempo
platearon mi sien
sentir...
que es un soplo la vida
que veinte años no es nada
que febril la mirada
errante en la sombra
te busca y te nombra
vivir...
con el alma aferrada
a un dulce recuerdo
que lloro otra vez


Tengo miedo del encuentro
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida...
Tengo miedo de las noches
que pobladas de recuerdos
encadenan mi soñar...

Pero el viajero que huye
tarde o temprano detiene su andar...
Y aunque el olvido, que todo destruye,
haya matado mi vieja ilusión,
guardo escondida una esperanza humilde
que es toda la fortuna de mi corazón."
Volver, Carlos Gardel / Alfredo Le Pera

Não sei bem como continuo a resistir ao youtube....

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Sobre o lado esquerdo

"De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos cristais. E, então, das duas uma: partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.
No segundo caso, o homem que não dorme pensa: "o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração"."
Sobre o lado esquerdo, Carlos de Oliveira
(copiado da minha Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa de Eugénio de Andrade, Campo das Letras, página 470)