quarta-feira, 14 de março de 2007

Que sei eu da vida? Das pessoas? De mim?

Às vezes, quando me perco nas minhas teorias sobre a vida, as pessoas, eu e as pessoas, as nossas relações, e as minhas emoções racionais, ando em círculos sobre mim própria, e as linhas desses círculos não se fecham nunca...

Acabo em contradições.

segunda-feira, 12 de março de 2007

O espaço entre nós existe?

Eu estou aqui.
Não sou um corpo estanque, sou antes uma permanente reacção com tudo à minha volta.
A todo o momento, neste equilíbrio entre o que sou e o que não sou eu, há trocas constantes, perco-me de mim e fundo-me no que me rodeia, que, por sua vez, se transforma no que eu sou.

E aí onde estás tu, mesmo que em alguns instantes ocupemos o mesmo exacto espaço, existe um processo idêntico, uma reacção que não pára nunca.
Tudo o que está à tua volta sem seres tu passa para ti, e tu vais perdendo pequeninos, ínfimos bocados do que te compõe.

Então existe este espaço entre nós, como separação entre o que sou eu e o que és tu,
como um espaço em que não estamos no preciso momento do agora. Mas ao mesmo tempo esse é o espaço em que nos fundimos e que se funde em nós. Nesse espaço somos partículas, matéria que flui, até chegarmos ao outro, até nós como plural, como singular.
E esse conjunto funciona como dinâmica de troca, de dar, receber, de tocar, de estar, de sentir, de ser o outro.
Um espaço onde o que é meu e o que é teu se tocam, se misturam perdendo identidade própria, passando a ser o que foi de um e de outro, sem que se saiba a que parte pertenceu o quê.

O mesmo espaço que nos separa é o espaço que nos une,que permite que passemos a ser o tal plural no singular, ou singular plural, ou......

domingo, 11 de março de 2007

teen #?

qual será o problema... o meu?
o que correu mal?
falhei quantas vezes? em quê?
mais que o normal? imperdoavelmente?
fui eu? foram eles?
porquê?.....

...é em mim própria.

... e depois parece-me triste esta forma de estar...
como se não houvesse já fé em ninguém, além de mim própria...
talvez fosse bom, de vez em quando, ver as coisas de fora para dentro.

Porque a falta de fé, como já admiti antes, não é nos outros...

Fronteira

Às vezes tenho a sensação de já ter dito tudo.
Dou por mim à procura de novas combinações de letras para explicar por que bate este coração velho, mas não sei se será possível inventá-las....
Nem isto que hoje escrevo é novo.

Vivo em fronteiras.
Às vezes, insatisfeita com este lugar de passagem em que me instalei, arrisco um pé para um dos lados. Sei que não devo, não pertenço a nenhum outro sítio, e mais cedo ou mais tarde vou pensar que a expulsão era inevitável já aquando da invasão.

Então porque me ponho a caminho?...

À medida que o tempo passa sinto-me cada vez mais cansada.
Sinto as coisas com a mesma intensidade, há olhares que ficam guardados na memória pelo que me passam, num segundo que se congela para sempre, há sorrisos que me deixam enorme, sem caber em mim própria, há pequenos gestos que aquecem tudo...
Mas, apesar de sentir tudo, exactamente como sempre senti (às vezes acho que mais, muito mais), tenho uma dificuldade cada vez maior em esticar o braço para chegar .
Como se a iniciativa nunca fosse minha, e esperasse sempre que fosse o caminho dos outros a trazê-los até mim. Porque sei, têm-mo mostrado invariavelmente, que, como vêm, um dia irão.

As fronteiras são sempre lugar de passagem, e mais vale ficar a ver passar a caravana do que andar sempre com malas às costas, expulsa de país em país....

quarta-feira, 7 de março de 2007

Físico-química

Sento-me, fecho os olhos, seguro a cabeça nas mãos.

Quero conseguir passar a nitidez física com que estás ao meu lado: perto, muito perto, sem que nos cheguemos a tocar.

Enquanto os outros vão falando, eu quase sinto na ponta dos meus dedos os teus, a tua mão a deslizar devagarinho até encaixar com força na minha, num gesto seguro, bem definido, preciso, e no entanto tão, tão suave...

Fecho novamente os olhos.

As palavras vão passando longe do que ouço. À minha volta começa a encerrar-se a tua presença, e sem saíres de onde estás, ao meu lado, estás já em cada espaço que eu própria ocupo, cercando-me, rodeando-me, toldando-me a noção do que está para além de nós.

E então ris-te, eu rio-me do teu riso, e a música volta às rotações certas, audíveis.
As gargalhadas dos outros fundem-se nas nossas.

A realidade volta a ser real.

É cedo...

terça-feira, 6 de março de 2007

fora de prazo

esta música já roda há muito, mas hoje ainda me parece a que melhor acompanha os meus dedos nas teclas, os sons que faz o meu coração, a lentidão com que mexo os pensamentos, as mãos, os braços, as engrenagens todas....

(amanhã é dia de correr e libertar toxinas)
(e quem sabe, mudar de música...)

O peso das palavras

O dia a seguir, supostamente de ressaca, é o dia em que a consciência do estar se intensifica, e se perde um pouco a noção de que realmente não se está.
O sentidos estão nublados mas sentem-se como alerta, e todo o corpo se recusa a obedecer ao que obriga o senhor dos controlos.
É nestes momentos que penso nas palavras e elas crescem em significados intensos dentro do meu peito.
Devia, por isso, recusar-me a deixá-las sair, mas falta o tal filtro, sempre tão alerta em dias normais, e em catadupa disparam-se letrinhas, que se juntam, e, unidas, formam as palavras que eu devia calar, e que digo... e que hoje me parecem, não menos verdadeiras, mas pesadas em exagero.

sábado, 3 de março de 2007

E não são muitas as coisas que me sabem tão bem...

Ao chegar a esta hora, com a chuva a cair lá fora quase tão preguiçosa como eu, começo a render o corpo ao torpor da noite, e ao calor que aqui faz.
Deito os olhos sobre as palavras e deixo-os viajar livremente, sem fronteiras, porque sei que amanhã só se abrem quando tiverem vontade disso.
Depois dissolvo-me devagarinho até me fundir nos lençóis, e esqueço-me de mim...

sexta-feira, 2 de março de 2007

Será que ando a dormir demais???

E já agora: aquelas gralhas e erros ortográficos no artigo serão resultado de falta de sono?

quinta-feira, 1 de março de 2007

Quase, quase....

Já passava das quatro da tarde, mas ainda não eram cinco.
O termómetro marcava dezoito graus e meio (estaria certo?), e o sol ainda me riscava o retrovisor, vermelho e vivo.
À velocidade a que ia, com a música a ultrapassar os decibéis recomendados a uma protésica como eu, senti-o nas entranhas: o Inverno está a acabar.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Sensível e burra

Os erros que tenho mais dificuldade em perdoar são os que eu própria faço...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Tinhas razão...

The Bridges Of Madison Country

(roubada aqui)


Talvez os filmes sejam mesmo como a música e como as pessoas...

(o título deste post devia ser: "como me estou a tornar uma velha sensível")
(ou então "baba e ranho"....)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Ao domingo, sempre o domingo

Nestes últimos quinze dias cheguei a duas conclusões: se já cá estiver o domingo é quase um dia como outro qualquer.
Se tiver que vir o melhor é fazer de conta que não sei o que se passa.
Que dia é hoje? Não sei...

Não sei nada.

Entro no carro, faço a viagem, chego, durmo, amanhã é uma semana nova, e pode ser que não traga só coisas velhas.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

verdade XIV

Há alturas em que não sou capaz de dizer a verdade.
Não me faz sentir melhor, mas faz com que os outros se sintam.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Ontem

Ontem foi Carnaval.
Nunca liguei muito ao Carnaval, e depois de um fim de semana agitado estive sem grande vontade de festas.
Ponderei ir para mais perto deles, mas acabei por me deixar ficar...

Não abri o blogger para falar dos 23 anos que nunca chegaste a fazer, das saudades que tenho tuas, de como a dor da tua ausência se foi suavizando com o tempo sem chegar a desaparecer. Sei que por mais anos que passem isso não vai acontecer, mas não faz mal...

Também não abri o blogger para falar das tuas histórias, da tua paciência infinita, da tua sopa e das tuas mãos, de como conheci em ti a verdadeira bondade... a tua lição de vida, que espero nunca esquecer.

Abri hoje o blogger e não fui capaz de não falar disto.
Porque havia de não falar?...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Blood Diamond






Há pessoas que morrem sem saber porquê, e há outras que vivem sem saber para quê.
Infelizmente isso não vai mudar nunca, nem em África, nem na América do Sul, nem na Ásia, nem em sítio nenhum do mundo.
Nós somos os responsáveis, todos os nós.
E se saio destes filmes com uma sensação grande de vazio, que me pesa mais do que sei descrever, é porque tenho consciência da vida fácil que escolhi.
Sei que não podia mudar nada, mas tentar seria, seguramente, mais digno do que lamentar.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Jet-leg

Àz vezes custa-me perceber que, onde eu não estou, o tempo passa como se eu estivesse.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Com "A" grande #?



Nunca deixámos de ser amigas, apenas nos esquecemos temporariamente do shift.

(será que há teclados com caps lock?)

Acordar para a vida

Segunda-feira, aí pelas 10h30.

(sempre quero ver se amanhã me mantenho com esta energia toda...)