terça-feira, 10 de abril de 2007

E se nunca mais.......

Mais uma vez às voltas com as palavras, que não chegam para o que eu sinto...

Não estar, não ver, não ouvir, não tocar... custa.
Primeiro porque mesmo perto não posso, depois porque quando não estou perto queria estar.
O tempo passa devagarinho, e se não te vir, se não souber nada teu, se não te ouvir, se não te sentir perto, começa então a desaparecer a urgência com que necessito de tudo isto. Os sentimentos suavizam-se, tornam-se quase amenos, como se fossem desaparecer a qualquer momento, e é fácil estar longe.
Muito mais fácil do que estar perto.

terça-feira, 3 de abril de 2007

a conjugação do verbo desperdiçar começa a ser a minha especialidade

e o desperdício não é a dor, nem a falta de letras

(é o que eu disse)

desperdícios #12

não há letras suficientes para escrever a dor de gostar de ti

(pronto, disse-o)

masoquismo

novela e Maria Bethania em repeat mode

Negativo

Começou a Primavera mas a chuva continua a cair e está um frio de neve.

À minha volta tudo se reveste de significados estranhos, como se de repente as cores se invertessem e apenas o cinzento continuasse cinzento.

O que foi bom não deixou de o ser, mas começa agora a adquirir formatos distintos daqueles que teve no início, e eu começo a não saber como gerir isto que fiz questão de criar.


Aos poucos o tempo vai-se fechando sobre nós, entre nós.

domingo, 1 de abril de 2007

toneladas

quando não cabe dentro do coração, a alma devia fazer dieta

quinta-feira, 29 de março de 2007

Porque gritam todos aquilo que eu não quero dizer?

Os olhos baços, embaciados, húmidos, brilhantes...
Os olhares vagos que vagueiam, que falam, que fogem, que sofrem, que riem...
As rugas, as sobrancelhas, as pálpebras...
Os risos e os meios sorrisos, os lábios mordidos, apertados...


O que há para dizer não é muito, mas é grande.

E há coisas que eu queria só minhas.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Frágil

"Não quero que se torne matéria palpável para não se partir", escrevi eu, não há muito tempo atrás...

E conhecendo-me, talvez devesse saber que não é seguro arriscar, o tipo da esquerda é demasiado activo.
Na verdade já tinha mostrado alguns sinais de impaciência...

E eu não sei se continua a ser cedo, ou se agora é tarde demais.

terça-feira, 27 de março de 2007

Conjugação*

Eu quis

Ele quis

Nós quisemos


*do Lat. conjugatione

s. f.,
junção;
ligação;

Gram.,
flexão dos verbos, por tempos, modos e pessoas;

segunda-feira, 26 de março de 2007

21 de Março

Quem sai à rua nestes dias pensa que o tempo retrocedeu.
Houve, realmente, um ameaço, uma amostra, um acenar, para de novo se retirar o sol, o céu azul, o calorzinho morno, confortável, bom...
Mas a hora não adiantou, voltou para trás, e o frio foi chamado, junto com as nuvens e a água a cair.

Apesar de tudo isto, se prestarmos um pouco mais de atenção, reparamos que a Primavera afinal já chegou.
Por causa dela chegou também a Poesia.

O Dia Mundial do Sono é para mim todos os dias, mas só o consigo festejar ao fim de semana...

Intimidade #2

"Que ninguém
hoje me diga nada.
Que ninguém venha abrir a minha mágoa,
esta dor sem nome
que eu desconheço donde vem
e o que me diz.
É mágoa.
Talvez seja um começo de amor.
Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao mundo.

Pode ser tudo isso, ou nada disso.
Mas não afirmo.
As palavras viriam revelar-me tudo.
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê."
Intimidade, Fernando Namora

sexta-feira, 23 de março de 2007

É uma casa...

Lembro-me de ir entrando e ir notando os cheiros a mudar, de me pôr descalça para sentir o meu chão debaixo dos pés, de passar as mãos pelas paredes pintadas...

É boa, muito boa esta noção do meu espaço.
E é bestial como este espaço se completa e torna pleno quando o partilho, quando serve para receber aqueles que me completam a mim.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Em cheio!

Não dormi particularmente bem.
Sonhei com trabalho, trabalho, trabalho...
Acordei tão tarde como tem sido costume.
Não houve tempo para a vitamina habitual a meio da manhã.
Há uma máquina pela qual tenho um ódio mortal. Nunca pensei sentir isto por uma coisa. Bom, antes por uma coisa...
Consegui duvidar da minha inteligência/capacidades de forma a ficar completamente desmoralizada.
Vi um gato em agonia e não consegui fazer nada. Quando voltei tinha desaparecido, terá, provavelmente, ido morrer a outro sítio.
Não tive tempo para preparar uma série de coisas que tenho que ter prontas: umas amanhã, outras no fim de semana.
Jantei a correr.
Consegui duvidar da minha inteligência/capacidades pela segunda vez, mas não fiquei completamente desmoralizada. Será esta a diferença entre trabalho e lazer?...
Agora vou dormir.

Amanhã será um dia melhor e terei mais ânimo para falar da Primavera...

terça-feira, 20 de março de 2007

Prontinho!

Já consegui escrever tantos posts este ano como no que passou.
Dou por encerrado este blog.
Até para o ano! (se Deus quiser!)

(brincadeirinha!)

segunda-feira, 19 de março de 2007

O meu papi é o melhor do mundo!

(e agora sei que já o disse!)

Gravíssimo!!!

Ando aqui tão entretida que só hoje, ao ver pela segunda vez que o La Force des Choses fez dois anos, me lembrei que o aniversário deste estaminé era por estas alturas...

Pois bem: no passado dia 7, ao contrário de todas as expectativas, arrastando-se ainda quando (quase) todos os que o acompanharam na altura da criação já morreram, este blog fez três anos.

Não sei se é motivo de celebração.

É, certamente, motivo de espanto...

Aqui continuam as minhas lembranças.
(não fosse eu uma agarrada e isto era tudo pó!)

Como queria substituir o vulgar não sei...

"Abro os braços ao infinito,
Abraçando-te na suavidade de
Uma tarde de domingo e sol
Cheio de música.
Como uma vaga de um doce
Calor quieto mergulho o meu
Coração nas tuas mãos firmes.
Assim adormeço ao luar
De uma esperança que brilha em
Cada noite escura, sob o olhar
Atento das estrelas.
E elas sim, vigiam o meu sono,
Para que um dia ao acordar os meus
Braços estejam finalmente fechados
Sobre a tua solidez, e não sobre a
Tua permanente ausência em mim.

Onde moras em cada grão de areia que cai a imitar o tempo?
Onde te escondes na frente de nuvens que tapam o céu de hoje?

Será que, sob o meu olhar atento a vigiar-te queres surgir, e na ânsia de achar não te encontro?"

04.02.1999


Às vezes tenho a sensação de que algumas coisas não mudaram nunca com o tempo que passou...

domingo, 18 de março de 2007

Virtuais, sim.

É tarde, como sempre.

Passo apressadamente os olhos pelos dias que passam depressa, e descubro que não sei para onde foram.
Excepto, talvez, dois ou três melhor aproveitados, que se guardaram em cds, porque cada vez há menos álbuns fotográficos.

A memória física, palpável, das coisas, está também a tornar-se virtual, como todas as outras.

Ultimamente apercebo-me de um fenómeno curioso: o tempo presente não existe. Há uma divisão arbitrária entre a semana e o fim dela. A semana passa como os dias de que falei há pouco. Procuram-se, então, os dias em que acaba, para que valha a pena. Valha o quê? A pena? Sim, para que valha a pena. Mas o quê? A pena. Não, valha a pena o quê? Valha a pena passar a semana depressa. Queremos que passe depressa para chegar ao fim. De qualquer forma dou por mim isolada nestas ilhas que são os fins de semana. E quando procuro uma nova ilha, um bocadinho mais à frente, falta muito, ainda, e falta tão pouco, porque começamos aos saltos no calendário e falta um mês, mas esse mês já está gasto, vejamos o próximo. Tenho um livre. Tu podes? Não, nesse não posso. Então e neste? Nesse não posso eu. E saltamos, continuamos a saltar. O tempo passa, passou, e não sei o que lhe fizemos.

Ao olhar para trás é tal e qual como já disse: espremeu-se qualquer coisinha.
Um concentrado de qualquer coisa maior, grande, gigante, especial, que preenche o vazio ocupado pelos outros dias vazios.

Guardam-se as memórias.

quarta-feira, 14 de março de 2007

...que fará quando acaba...

a reciprocidade já é tão efémera quando dura....

Que sei eu da vida? Das pessoas? De mim?

Às vezes, quando me perco nas minhas teorias sobre a vida, as pessoas, eu e as pessoas, as nossas relações, e as minhas emoções racionais, ando em círculos sobre mim própria, e as linhas desses círculos não se fecham nunca...

Acabo em contradições.