domingo, 29 de abril de 2007

esquissos

o meu coração é um livro velho
nas páginas amarrotadas escreve-se a tinta permanente
um caminho cheio, feito de pedras desalinhadas
onde caminham pessoas, muitas pessoas, gente
um caminho feito tantos destinos, tanta música sumarenta
um caminho que se ri risos vibrantes, jovens, coloridos

o meu coração é um mapa de papel vegetal
em cada estrada esboçam-se escolhas, e os dedos percorrem cada uma delas
devagar, como se fossem pele, quilómetros de ti para navegar

o meu coração é um banco de jardim
uma flor, relva e plátanos
tu chegas, sentas-te, encostas-te
abres o livro que trazes para ler
e é um livro velho, de páginas amarrotadas
onde desenhas mapas que te perdem de mim

em carne viva

há pessoas que se tatuam em nós, que nos marcam a pele e os músculo por baixo

no momento em que nos deixam, o barulho da carne a rasgar-se do osso materializa-se dor crua, fria, insuportável

c'est la vie...

À medida que o tempo passa noto uma dificuldade cada vez maior no regresso.
A tudo.
E não quero explorar este sentimento, continuo na ilusão de que as coisas se tornam mais reais depois de escritas...



De qualquer forma não há nada a fazer, é tal e qual como se descreve na imagem...

A caminho....

"Quando olho para a frente assusto-me.
Penso no que vivi, no que ouvi, no que senti, no que aprendi e no que sei, e percebo que os passos que me esperam são bem maiores do que as minhas pernas...
Falta-me ainda o mundo...
Inteiro."

25.04.2007

...e é uma vida boa...



se fechar os olhos consigo esquecer-me de quanto tempo passou e julgo que estive longe, muito longe uma vida inteira...

sábado, 21 de abril de 2007

Até já.

O saco está pronto, as sandes feitas, os mapas à mão e o carro preparado.
Tenho vontade de ir. Muita.
Por mim e por elas.

E se quero deixar-te para trás, ao mesmo tempo não quero, acho que ainda é cedo...
Mas não é.

E eu não tinha saudades desta luta interior.... Nenhumas.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

O tempo passa e eu escrevo novelas

De forma egoísta penso que estive.
Ri e tentei fazer rir, falei a sério quando foi preciso.
Ouvi muito.
Brinquei.

Toquei, mas não te consegui tocar.

Também de forma egoísta penso que podias ter sido feliz com isto, se tivesses tentado...
(e eu?)

sábado, 14 de abril de 2007

[suspiro] (mas devia gritar)

Não sei quem terá dito um dia que "no meio é que está a virtude".

É mentira.
É uma grande mentira.

Pior do que o amor e o ódio, do que o gelo e o fogo, do que as lágrimas de tristeza e de alegria, são a indiferença, o morno, a incapacidade de chorar...

Pequenas coisas que me confortam

Sobre o silêncio...

Falta o quase?

Tenho dificuldade em aceitar que se desperdice, assim, a vida que me enchia o peito.
Por incapacidade de sofrer, a alma materializa-se e tenta expulsar-te com uma tosse irritativa e irritante.
Quase, quase seca.....

Apneia

Esta é a hora vazia, em que tudo o que me cerca se reveste de todos os significados possíveis ao mesmo tempo.
Queria, agora mesmo, estar em todos os lugares onde não consegui estar mesmo estando.
Queria tocar as pessoas que deixei passar ao meu lado sem um gesto de fazes-me falta.

Queria não ter este coração velho do qual nem dona sou, é ele quem me possui inteira, quem me encerra lá dentro, quem me sufoca, quem me tira o ar que talvez não precise sequer de respirar.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Turn around...

Fui eu que quis, que procurei, que descobri o que já nem sequer julgava possível...

Agora nada é concreto, mas para mim começa a definir-se cada vez mais, e volta a sensação de desperdício.

Porque este novo fôlego, este ar que respirei e que tanto me custou juntar dentro dos pulmões, será expirado lentamente para o vazio onde tu estás de costas.
E por mais que estenda a mão e tente chegar com a ponta dos meus dedos esticados aos teus ombros seguros à minha frente, eles estão, estarão sempre a uns milímetros mais de distância.

terça-feira, 10 de abril de 2007

E se nunca mais.......

Mais uma vez às voltas com as palavras, que não chegam para o que eu sinto...

Não estar, não ver, não ouvir, não tocar... custa.
Primeiro porque mesmo perto não posso, depois porque quando não estou perto queria estar.
O tempo passa devagarinho, e se não te vir, se não souber nada teu, se não te ouvir, se não te sentir perto, começa então a desaparecer a urgência com que necessito de tudo isto. Os sentimentos suavizam-se, tornam-se quase amenos, como se fossem desaparecer a qualquer momento, e é fácil estar longe.
Muito mais fácil do que estar perto.

terça-feira, 3 de abril de 2007

a conjugação do verbo desperdiçar começa a ser a minha especialidade

e o desperdício não é a dor, nem a falta de letras

(é o que eu disse)

desperdícios #12

não há letras suficientes para escrever a dor de gostar de ti

(pronto, disse-o)

masoquismo

novela e Maria Bethania em repeat mode

Negativo

Começou a Primavera mas a chuva continua a cair e está um frio de neve.

À minha volta tudo se reveste de significados estranhos, como se de repente as cores se invertessem e apenas o cinzento continuasse cinzento.

O que foi bom não deixou de o ser, mas começa agora a adquirir formatos distintos daqueles que teve no início, e eu começo a não saber como gerir isto que fiz questão de criar.


Aos poucos o tempo vai-se fechando sobre nós, entre nós.

domingo, 1 de abril de 2007

toneladas

quando não cabe dentro do coração, a alma devia fazer dieta

quinta-feira, 29 de março de 2007

Porque gritam todos aquilo que eu não quero dizer?

Os olhos baços, embaciados, húmidos, brilhantes...
Os olhares vagos que vagueiam, que falam, que fogem, que sofrem, que riem...
As rugas, as sobrancelhas, as pálpebras...
Os risos e os meios sorrisos, os lábios mordidos, apertados...


O que há para dizer não é muito, mas é grande.

E há coisas que eu queria só minhas.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Frágil

"Não quero que se torne matéria palpável para não se partir", escrevi eu, não há muito tempo atrás...

E conhecendo-me, talvez devesse saber que não é seguro arriscar, o tipo da esquerda é demasiado activo.
Na verdade já tinha mostrado alguns sinais de impaciência...

E eu não sei se continua a ser cedo, ou se agora é tarde demais.

terça-feira, 27 de março de 2007

Conjugação*

Eu quis

Ele quis

Nós quisemos


*do Lat. conjugatione

s. f.,
junção;
ligação;

Gram.,
flexão dos verbos, por tempos, modos e pessoas;

segunda-feira, 26 de março de 2007

21 de Março

Quem sai à rua nestes dias pensa que o tempo retrocedeu.
Houve, realmente, um ameaço, uma amostra, um acenar, para de novo se retirar o sol, o céu azul, o calorzinho morno, confortável, bom...
Mas a hora não adiantou, voltou para trás, e o frio foi chamado, junto com as nuvens e a água a cair.

Apesar de tudo isto, se prestarmos um pouco mais de atenção, reparamos que a Primavera afinal já chegou.
Por causa dela chegou também a Poesia.

O Dia Mundial do Sono é para mim todos os dias, mas só o consigo festejar ao fim de semana...

Intimidade #2

"Que ninguém
hoje me diga nada.
Que ninguém venha abrir a minha mágoa,
esta dor sem nome
que eu desconheço donde vem
e o que me diz.
É mágoa.
Talvez seja um começo de amor.
Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao mundo.

Pode ser tudo isso, ou nada disso.
Mas não afirmo.
As palavras viriam revelar-me tudo.
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê."
Intimidade, Fernando Namora

sexta-feira, 23 de março de 2007

É uma casa...

Lembro-me de ir entrando e ir notando os cheiros a mudar, de me pôr descalça para sentir o meu chão debaixo dos pés, de passar as mãos pelas paredes pintadas...

É boa, muito boa esta noção do meu espaço.
E é bestial como este espaço se completa e torna pleno quando o partilho, quando serve para receber aqueles que me completam a mim.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Em cheio!

Não dormi particularmente bem.
Sonhei com trabalho, trabalho, trabalho...
Acordei tão tarde como tem sido costume.
Não houve tempo para a vitamina habitual a meio da manhã.
Há uma máquina pela qual tenho um ódio mortal. Nunca pensei sentir isto por uma coisa. Bom, antes por uma coisa...
Consegui duvidar da minha inteligência/capacidades de forma a ficar completamente desmoralizada.
Vi um gato em agonia e não consegui fazer nada. Quando voltei tinha desaparecido, terá, provavelmente, ido morrer a outro sítio.
Não tive tempo para preparar uma série de coisas que tenho que ter prontas: umas amanhã, outras no fim de semana.
Jantei a correr.
Consegui duvidar da minha inteligência/capacidades pela segunda vez, mas não fiquei completamente desmoralizada. Será esta a diferença entre trabalho e lazer?...
Agora vou dormir.

Amanhã será um dia melhor e terei mais ânimo para falar da Primavera...

terça-feira, 20 de março de 2007

Prontinho!

Já consegui escrever tantos posts este ano como no que passou.
Dou por encerrado este blog.
Até para o ano! (se Deus quiser!)

(brincadeirinha!)

segunda-feira, 19 de março de 2007

O meu papi é o melhor do mundo!

(e agora sei que já o disse!)

Gravíssimo!!!

Ando aqui tão entretida que só hoje, ao ver pela segunda vez que o La Force des Choses fez dois anos, me lembrei que o aniversário deste estaminé era por estas alturas...

Pois bem: no passado dia 7, ao contrário de todas as expectativas, arrastando-se ainda quando (quase) todos os que o acompanharam na altura da criação já morreram, este blog fez três anos.

Não sei se é motivo de celebração.

É, certamente, motivo de espanto...

Aqui continuam as minhas lembranças.
(não fosse eu uma agarrada e isto era tudo pó!)

Como queria substituir o vulgar não sei...

"Abro os braços ao infinito,
Abraçando-te na suavidade de
Uma tarde de domingo e sol
Cheio de música.
Como uma vaga de um doce
Calor quieto mergulho o meu
Coração nas tuas mãos firmes.
Assim adormeço ao luar
De uma esperança que brilha em
Cada noite escura, sob o olhar
Atento das estrelas.
E elas sim, vigiam o meu sono,
Para que um dia ao acordar os meus
Braços estejam finalmente fechados
Sobre a tua solidez, e não sobre a
Tua permanente ausência em mim.

Onde moras em cada grão de areia que cai a imitar o tempo?
Onde te escondes na frente de nuvens que tapam o céu de hoje?

Será que, sob o meu olhar atento a vigiar-te queres surgir, e na ânsia de achar não te encontro?"

04.02.1999


Às vezes tenho a sensação de que algumas coisas não mudaram nunca com o tempo que passou...

domingo, 18 de março de 2007

Virtuais, sim.

É tarde, como sempre.

Passo apressadamente os olhos pelos dias que passam depressa, e descubro que não sei para onde foram.
Excepto, talvez, dois ou três melhor aproveitados, que se guardaram em cds, porque cada vez há menos álbuns fotográficos.

A memória física, palpável, das coisas, está também a tornar-se virtual, como todas as outras.

Ultimamente apercebo-me de um fenómeno curioso: o tempo presente não existe. Há uma divisão arbitrária entre a semana e o fim dela. A semana passa como os dias de que falei há pouco. Procuram-se, então, os dias em que acaba, para que valha a pena. Valha o quê? A pena? Sim, para que valha a pena. Mas o quê? A pena. Não, valha a pena o quê? Valha a pena passar a semana depressa. Queremos que passe depressa para chegar ao fim. De qualquer forma dou por mim isolada nestas ilhas que são os fins de semana. E quando procuro uma nova ilha, um bocadinho mais à frente, falta muito, ainda, e falta tão pouco, porque começamos aos saltos no calendário e falta um mês, mas esse mês já está gasto, vejamos o próximo. Tenho um livre. Tu podes? Não, nesse não posso. Então e neste? Nesse não posso eu. E saltamos, continuamos a saltar. O tempo passa, passou, e não sei o que lhe fizemos.

Ao olhar para trás é tal e qual como já disse: espremeu-se qualquer coisinha.
Um concentrado de qualquer coisa maior, grande, gigante, especial, que preenche o vazio ocupado pelos outros dias vazios.

Guardam-se as memórias.

quarta-feira, 14 de março de 2007

...que fará quando acaba...

a reciprocidade já é tão efémera quando dura....

Que sei eu da vida? Das pessoas? De mim?

Às vezes, quando me perco nas minhas teorias sobre a vida, as pessoas, eu e as pessoas, as nossas relações, e as minhas emoções racionais, ando em círculos sobre mim própria, e as linhas desses círculos não se fecham nunca...

Acabo em contradições.

segunda-feira, 12 de março de 2007

O espaço entre nós existe?

Eu estou aqui.
Não sou um corpo estanque, sou antes uma permanente reacção com tudo à minha volta.
A todo o momento, neste equilíbrio entre o que sou e o que não sou eu, há trocas constantes, perco-me de mim e fundo-me no que me rodeia, que, por sua vez, se transforma no que eu sou.

E aí onde estás tu, mesmo que em alguns instantes ocupemos o mesmo exacto espaço, existe um processo idêntico, uma reacção que não pára nunca.
Tudo o que está à tua volta sem seres tu passa para ti, e tu vais perdendo pequeninos, ínfimos bocados do que te compõe.

Então existe este espaço entre nós, como separação entre o que sou eu e o que és tu,
como um espaço em que não estamos no preciso momento do agora. Mas ao mesmo tempo esse é o espaço em que nos fundimos e que se funde em nós. Nesse espaço somos partículas, matéria que flui, até chegarmos ao outro, até nós como plural, como singular.
E esse conjunto funciona como dinâmica de troca, de dar, receber, de tocar, de estar, de sentir, de ser o outro.
Um espaço onde o que é meu e o que é teu se tocam, se misturam perdendo identidade própria, passando a ser o que foi de um e de outro, sem que se saiba a que parte pertenceu o quê.

O mesmo espaço que nos separa é o espaço que nos une,que permite que passemos a ser o tal plural no singular, ou singular plural, ou......

domingo, 11 de março de 2007

teen #?

qual será o problema... o meu?
o que correu mal?
falhei quantas vezes? em quê?
mais que o normal? imperdoavelmente?
fui eu? foram eles?
porquê?.....

...é em mim própria.

... e depois parece-me triste esta forma de estar...
como se não houvesse já fé em ninguém, além de mim própria...
talvez fosse bom, de vez em quando, ver as coisas de fora para dentro.

Porque a falta de fé, como já admiti antes, não é nos outros...

Fronteira

Às vezes tenho a sensação de já ter dito tudo.
Dou por mim à procura de novas combinações de letras para explicar por que bate este coração velho, mas não sei se será possível inventá-las....
Nem isto que hoje escrevo é novo.

Vivo em fronteiras.
Às vezes, insatisfeita com este lugar de passagem em que me instalei, arrisco um pé para um dos lados. Sei que não devo, não pertenço a nenhum outro sítio, e mais cedo ou mais tarde vou pensar que a expulsão era inevitável já aquando da invasão.

Então porque me ponho a caminho?...

À medida que o tempo passa sinto-me cada vez mais cansada.
Sinto as coisas com a mesma intensidade, há olhares que ficam guardados na memória pelo que me passam, num segundo que se congela para sempre, há sorrisos que me deixam enorme, sem caber em mim própria, há pequenos gestos que aquecem tudo...
Mas, apesar de sentir tudo, exactamente como sempre senti (às vezes acho que mais, muito mais), tenho uma dificuldade cada vez maior em esticar o braço para chegar .
Como se a iniciativa nunca fosse minha, e esperasse sempre que fosse o caminho dos outros a trazê-los até mim. Porque sei, têm-mo mostrado invariavelmente, que, como vêm, um dia irão.

As fronteiras são sempre lugar de passagem, e mais vale ficar a ver passar a caravana do que andar sempre com malas às costas, expulsa de país em país....

quarta-feira, 7 de março de 2007

Físico-química

Sento-me, fecho os olhos, seguro a cabeça nas mãos.

Quero conseguir passar a nitidez física com que estás ao meu lado: perto, muito perto, sem que nos cheguemos a tocar.

Enquanto os outros vão falando, eu quase sinto na ponta dos meus dedos os teus, a tua mão a deslizar devagarinho até encaixar com força na minha, num gesto seguro, bem definido, preciso, e no entanto tão, tão suave...

Fecho novamente os olhos.

As palavras vão passando longe do que ouço. À minha volta começa a encerrar-se a tua presença, e sem saíres de onde estás, ao meu lado, estás já em cada espaço que eu própria ocupo, cercando-me, rodeando-me, toldando-me a noção do que está para além de nós.

E então ris-te, eu rio-me do teu riso, e a música volta às rotações certas, audíveis.
As gargalhadas dos outros fundem-se nas nossas.

A realidade volta a ser real.

É cedo...

terça-feira, 6 de março de 2007

fora de prazo

esta música já roda há muito, mas hoje ainda me parece a que melhor acompanha os meus dedos nas teclas, os sons que faz o meu coração, a lentidão com que mexo os pensamentos, as mãos, os braços, as engrenagens todas....

(amanhã é dia de correr e libertar toxinas)
(e quem sabe, mudar de música...)

O peso das palavras

O dia a seguir, supostamente de ressaca, é o dia em que a consciência do estar se intensifica, e se perde um pouco a noção de que realmente não se está.
O sentidos estão nublados mas sentem-se como alerta, e todo o corpo se recusa a obedecer ao que obriga o senhor dos controlos.
É nestes momentos que penso nas palavras e elas crescem em significados intensos dentro do meu peito.
Devia, por isso, recusar-me a deixá-las sair, mas falta o tal filtro, sempre tão alerta em dias normais, e em catadupa disparam-se letrinhas, que se juntam, e, unidas, formam as palavras que eu devia calar, e que digo... e que hoje me parecem, não menos verdadeiras, mas pesadas em exagero.

sábado, 3 de março de 2007

E não são muitas as coisas que me sabem tão bem...

Ao chegar a esta hora, com a chuva a cair lá fora quase tão preguiçosa como eu, começo a render o corpo ao torpor da noite, e ao calor que aqui faz.
Deito os olhos sobre as palavras e deixo-os viajar livremente, sem fronteiras, porque sei que amanhã só se abrem quando tiverem vontade disso.
Depois dissolvo-me devagarinho até me fundir nos lençóis, e esqueço-me de mim...

sexta-feira, 2 de março de 2007

Será que ando a dormir demais???

E já agora: aquelas gralhas e erros ortográficos no artigo serão resultado de falta de sono?

quinta-feira, 1 de março de 2007

Quase, quase....

Já passava das quatro da tarde, mas ainda não eram cinco.
O termómetro marcava dezoito graus e meio (estaria certo?), e o sol ainda me riscava o retrovisor, vermelho e vivo.
À velocidade a que ia, com a música a ultrapassar os decibéis recomendados a uma protésica como eu, senti-o nas entranhas: o Inverno está a acabar.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Sensível e burra

Os erros que tenho mais dificuldade em perdoar são os que eu própria faço...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Tinhas razão...

The Bridges Of Madison Country

(roubada aqui)


Talvez os filmes sejam mesmo como a música e como as pessoas...

(o título deste post devia ser: "como me estou a tornar uma velha sensível")
(ou então "baba e ranho"....)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Ao domingo, sempre o domingo

Nestes últimos quinze dias cheguei a duas conclusões: se já cá estiver o domingo é quase um dia como outro qualquer.
Se tiver que vir o melhor é fazer de conta que não sei o que se passa.
Que dia é hoje? Não sei...

Não sei nada.

Entro no carro, faço a viagem, chego, durmo, amanhã é uma semana nova, e pode ser que não traga só coisas velhas.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

verdade XIV

Há alturas em que não sou capaz de dizer a verdade.
Não me faz sentir melhor, mas faz com que os outros se sintam.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Ontem

Ontem foi Carnaval.
Nunca liguei muito ao Carnaval, e depois de um fim de semana agitado estive sem grande vontade de festas.
Ponderei ir para mais perto deles, mas acabei por me deixar ficar...

Não abri o blogger para falar dos 23 anos que nunca chegaste a fazer, das saudades que tenho tuas, de como a dor da tua ausência se foi suavizando com o tempo sem chegar a desaparecer. Sei que por mais anos que passem isso não vai acontecer, mas não faz mal...

Também não abri o blogger para falar das tuas histórias, da tua paciência infinita, da tua sopa e das tuas mãos, de como conheci em ti a verdadeira bondade... a tua lição de vida, que espero nunca esquecer.

Abri hoje o blogger e não fui capaz de não falar disto.
Porque havia de não falar?...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Blood Diamond






Há pessoas que morrem sem saber porquê, e há outras que vivem sem saber para quê.
Infelizmente isso não vai mudar nunca, nem em África, nem na América do Sul, nem na Ásia, nem em sítio nenhum do mundo.
Nós somos os responsáveis, todos os nós.
E se saio destes filmes com uma sensação grande de vazio, que me pesa mais do que sei descrever, é porque tenho consciência da vida fácil que escolhi.
Sei que não podia mudar nada, mas tentar seria, seguramente, mais digno do que lamentar.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Jet-leg

Àz vezes custa-me perceber que, onde eu não estou, o tempo passa como se eu estivesse.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Com "A" grande #?



Nunca deixámos de ser amigas, apenas nos esquecemos temporariamente do shift.

(será que há teclados com caps lock?)

Acordar para a vida

Segunda-feira, aí pelas 10h30.

(sempre quero ver se amanhã me mantenho com esta energia toda...)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Engole, engole...

Já passou muito tempo desde a última vez que deixei chover cá dentro e provei o meu próprio sal. Na altura era a perda, eram as saudades, era a sensação de que nada voltaria a ser igual...

Nestes últimos dias trago um daqueles nós apertadinhos, e hoje quase me estrangulou.
Mas não lhe dei liberdade, canalizei energias e lágrimas para a orofaringe, fiz de conta que não se passava nada.
O mar dos meus olhos só voltará a ser livre por um motivo que seja, no mínimo, tão valioso como o último.
E estas questões materiais não o são... definitivamente.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Afrouxamento

Nestes dias que se arrastam, pesados de água e de cinzento, eu entro em hibernação.
Cada movimento exige um consumo de energia superior à que consigo guardar, e por isso me arrasto também, também pesada e cinzenta, e talvez até fria.
Assim se explica essa falta de consistência, que não se nota só aqui.

Percebo que esta apatia é sazonal.
Conhecendo-me, tento lutar contra ela com todas as minhas forças.
Obrigo-me a ir a todo o lado, a não quebrar os laços que me ligam aos outros e às coisas que gosto de fazer, mas o que faço acaba por ficar aquém do mínimo que esperam, e que eu própria espero, de mim.
No fundo é apenas um esforço para preservar esta linha frágil que me segura a terra.

Sem ela sou um barco sem fundo à deriva no alto mar.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

verdade XIII

Se eu aceitasse o indivíduo da esquerda em vez de o tratar como inimigo, talvez as coisas fossem mais suaves...

(e talvez não tivessem graça nenhuma...)

(será que agora têm?)

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Molha-tolos

Há um quase choro na água que me escorre cara abaixo.
A noite fez-se demasiado tarde antes que pudéssemos ouvi-la, e com o passar silencioso das horas perdemo-nos de nós mesmos sem nos encontrarmos um no outro.

Faz sentido?

Sinto a tua falta nestas alturas, mais do que em todas as outras, porque é tarde, porque chove tanto lá fora, dessa chuva mole, sem força, que não serve nem para me lavar o peito... e porque sinto falta do teu, forte, seguro, a respirar o desenho do meu perfil.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

sinais de fumo

é demasiado cedo para falar de ti, como seria cedo falar de chuva se aparecessem umas nuvens brancas espalhadas pelo céu azul

Volver


(daqui)

"yo adivino el parpadeo
de las luces que a lo lejos
van marcando mi retorno
son las mismas que alumbraron
con sus pálidos reflejos
hondas horas de dolor

y aunque no quise el regreso
siempre se vuelve al primer amor
la vieja calle donde el eco dijo
tuya es su vida, tuyo es su querer,
bajo el burlón mirar de las estrellas
que con indiferencia
hoy me ven volver

Volver...
con la frente marchita
las nieves del tiempo
platearon mi sien
sentir...
que es un soplo la vida
que veinte años no es nada
que febril la mirada
errante en la sombra
te busca y te nombra
vivir...
con el alma aferrada
a un dulce recuerdo
que lloro otra vez


Tengo miedo del encuentro
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida...
Tengo miedo de las noches
que pobladas de recuerdos
encadenan mi soñar...

Pero el viajero que huye
tarde o temprano detiene su andar...
Y aunque el olvido, que todo destruye,
haya matado mi vieja ilusión,
guardo escondida una esperanza humilde
que es toda la fortuna de mi corazón."
Volver, Carlos Gardel / Alfredo Le Pera

Não sei bem como continuo a resistir ao youtube....

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Sobre o lado esquerdo

"De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos cristais. E, então, das duas uma: partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.
No segundo caso, o homem que não dorme pensa: "o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração"."
Sobre o lado esquerdo, Carlos de Oliveira
(copiado da minha Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa de Eugénio de Andrade, Campo das Letras, página 470)

É sempre assim...

Tanto tempinho passado a choramingar por falta de trabalho, agora choramingo porque não estou a dar saída a tudo o que preciso de fazer....

domingo, 4 de fevereiro de 2007

"Voglio fare con te ciò che la primavera fa con i ciliegi"

Não chegou a haver espaço, pois não?
Nas tuas mãos fui sempre verde quando devia ter sido doce, azeda quando tinha que ter sido madura....

sábado, 3 de fevereiro de 2007

O Tigre e a Neve



Uma história simples, uma forma de mostrar amor tão pura que nem sequer é ridícula (como pode o amor não ser ridículo?...), a neve e o tigre, os camelos e o Benigni, salvaram um pouco da minha noite.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

É bem feito!

Por causa dos dois últimos posts e da minha estupidez natural, deixei queimar o jantar.
Rais'coma!

(e isso do "só lê quem quer" é um pouco narcisista.....)

Delete blog?

Assim que acabo de escrever um post como o anterior (se calhar devia usar o plural...), fico com vontade de apagar o blog todo. Quase como se isso apagasse também estas questões que fazem de mim uma pessoa muitíssimo mal resolvida.....

Mas o blog não tem culpa do que vive na minha cabeça e no meu coração, a mim faz-me bem verbalizar, ainda que virtualmente, e só lê quem quer, por isso cá continuamos....

teen #3

Encontrar os meus amigos por acidente e perguntar-lhes como vai a vida deles, da qual não sei (quase) nada, traz-me um desconforto enorme, que se aproxima da angústia de perder alguém. Porque é isso mesmo que sinto, que perdi alguém....

Já tentei escrever sobre este assunto milhões de vezes, e acabo sempre por desistir, porque não consigo exprimir-me bem, nem para explicar o problema a mim própria.
Mas é uma coisa que me atormenta desde há muito, muito tempo...


Eu sei que é normal não estarmos com todos os nossos amigos sempre, nem sempre da mesma forma.
Os contactos perdem-se, perde-se, talvez (de certeza), um pouco da intimidade, e, talvez (de certeza), muitas, tantas outras coisas!
É certo que há pessoas com quem as coisas não mudam nunca, mas essas não se contam pelos dedos todos de uma mão.
Também sei que, apesar de se ter perdido a partilha do dia-a-dia, o que gostamos não mudou, nem tão pouco a disponibilidade para ajudar em caso de necessidade.

Então qual é o problema?

Não sei lidar com isto, que considero (talvez injustamente) uma forma intermédia de amizade.
Provoca-me esta sensação de falhanço que nem sequer sei descrever.
E dói-me.......

(eu sei, eu sei... tudo me dói, sou muito sensivelzinha....)

(e também conheço alguém que me chamaria infantil se lesse este post... se calhar com razão, já não tenho idade para estas questões existenciais... até sei onde está o problema e sei, em teoria, como se resolve... não sei é a prática, por mais que me treine a mim própria...)

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Instável?!?!?

"Esta luta comigo mesma deixa-me cansada. Há alturas em que não consigo disponibilizar-me, e custa-me que isso aconteça precisamente quando sou mais precisa.
Sei que com isto se está a perder alguma coisa, mas não estou a conseguir evitá-lo.
E porque está a ser um processo consciente, embora fora do meu controlo, não tenho direito a pedir desculpa.

E tenho, ainda assim, vontade de o fazer..."

31.05.2006


E depois resta o quê?
A estrutura está lá, firme, sólida como sempre.
Mas falta o que dá vida à casa, os retratos de família, a partilha, a cumplicidade, os bocadinhos do dia-a-dia.

Eu é que sou de extremos, e ao não conseguir dosear as coisas passo de uns para os outros à velocidade da luz....... e na verdade não estou bem com nenhum.

Post it

E de repente, assim que me distraio, voltam os pensamentos entre aspas, em formato post, e volta a necessidade de uma caneta à cabeceira, porque, nos breves segundos que tenho demorado a ausentar-me do meu corpo, o cérebro dispara...
Apago-me sem reacção, e comigo apaga-se a memória do que tinha para dizer. Era nada?

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Perdeu-se auricular cinzento, tecnologia bluetooth.
Agradece-se a quem o encontrou o favor de estabelecer contacto.
Não se farão quaisquer perguntas ou exigências: não há interesse no auricular.
Apenas me faz falta a voz, as palavras que por lá passaram...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Not to jazz

Sempre que tento gostar de jazz estou a esquecer-me de que a música é um pouco como as pessoas...

ouvido de passagem #6

"Se eu senti amor por alguém, nem que tenha sido só por um segundo, vou lembrar-me desse segundo até ao fim da minha vida."

(não, não ando a ver a Ally McBeal outra vez...)

E esse alguém sou eu!

um dos inconvenientes de a mobília ganhar pó é alguém ter de o limpar

inconvenientes #1

um dos inconvenientes de ter mobília é o facto de ela ganhar pó

Recados...

Tenho um post a seguir em via rápida: nasceu no sítio do costume e dirige-se para o sítio do costume, mas decidi instalar um cruise control para ver se se perde no caminho e eu não volto a sentir-me como da outra vez.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Blogosfera saudável, para variar um bocadinho

Só mesmo esta senhora para me fazer rir de coisas que não têm graça nenhuma!

Pequena dúvida #2

Se o passado e o futuro pertencem a Deus, nós ficamos com o presente, é?

Crash


(daqui)

Há pessoas estúpidas de todas as cores....
... e todos nós somos bons e maus em diferentes momentos das nossas vidas.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

é.....

....dá para ver que isto anda tudo assim.... assim meio descompensado.....

(caramba, como este blog é exemplar nisso!)

"Gosto mais das outras pessoas do que elas de mim"

Quando isto foi dito, lembrei-me inevitavelmente desta outra frase, e pensei que talvez esteja um pouco mais dura.
No dia-a-dia alegro-me com isso, porque torna os contactos (ou a falta deles) mais suportáveis, e assim não alimento o buraco negro que gosta de sair pela noite. E é à noite, sempre à noite, no meio do escuro que me cerca e me enche, que eu sei que isso não é bom, porque me vai fazendo menos do que sou. Cada bocadinho que se solta de mim servia apenas para me fazer melhor, e é isso que estou a desperdiçar...

Mas as palavras, juntamente com os olhos que estavam colados aos meus gestos, a ver como eles falhavam em grande estilo, não me saem da memória.....

E então penso que talvez nem tudo se tenha perdido, ainda.
Qualquer outra pessoa teria dado já o passo para o esquecimento.

Eu não, fico aqui a gaguejar actos falhados, como um cd riscado que nunca ninguém manda avançar...

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Angina pectoris

"Angina pectoris deriva do Latim e pode ser traduzido como aperto no peito.
É uma sensação de opressão, de peso, esmagamento, ou constrição no centro do peito, atrás do esterno, ou à esquerda deste."
(traduzido/adaptado daqui)


Definitivamente à esquerda.

verborreia/blogorreia

são muito poucas, mas algumas pessoas têm este efeito em mim:

Alzheimer

"Somos coisas tão diferentes para as diversas pessoas...
Dotados de boa memória, podemos ser quem quisermos com quem preferirmos - somos todos actores numa peça que muda todos os dias."
(Robert Wilson, O Cego de Sevilha, página 314)

Eu tenho, definitivamente, um problema de memória...

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Babel



Não sei comentar este filme, nem discutir as solidões, os silêncios e os gritos, nem explicar o desconforto com que saí da sala.
Por tudo isso gostei. Muito.

(viram, viram, como me portei bem e não pus nem o Bradzinho nem o Gaelzinho.......)
(ai, ai....)

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Não posso adiar o amor para outro século

"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração"
António Ramos Rosa
(copiado da minha Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa de Eugénio de Andrade, Campo das Letras, página 495)


Suponho que já sabias que o irias ver aqui, até porque tem tudo a ver...

"Não posso adiar o coração"...
É maravilhoso...

Obrigada.
"Sempre, por tudo"*

Se tenho que ir, porque terei também que chegar?

De início era só a calma e a agonia lenta de quem faz estrada por obrigação. Precisamente quando devia levar companhia, para me distrair o tipo da esquerda com conversas banais, vou sozinha, chove a sério, e alguns vidros não têm limpa pára-brisas...

Mas à medida que a música foi ganhando forma dentro de mim, a estrada foi secando, e então cresceu a raiva, uma raiva cega, e cravei os pés no chão, espaçados, um de cada lado, com força, à espera que a viagem não acabasse nunca, e eu pudesse seguir em frente nas curvas todas.

domingo, 21 de janeiro de 2007

domingo III

O tempo passa e algumas coisas andam em círculos: passaram três anos, e eu continuo a DETESTAR os domingos...

[suspiro]

(não queria nada ir...)

Mayra Andrade

Ontem tive o privilégio de ver um espectáculo desta Senhora. (assim mesmo, com letra grande, e apesar da idade...)
Música ritmada, que nos faz tremer por dentro e por fora, uma voz quente, forte, envolvente, e uma presença em palco arrebatadora, acompanhada por músicos de excelente qualidade.



Recomendo o seu primeiro cd, Navega, e concordo com o que li aqui, enquanto procurava uma foto para este post: "Chamar-lhe a nova Cesária Évora é redutor."

É irresistível.

Não sei se é motivo de orgulho...

...mas estou orgulhosa de mim própria: os posts de Janeiro já não cabem todos na mesma página.
Como há um deles que não pára de ser gritado pelo gajo da esquerda, tive que aumentar o limite de posts por página.

(acho que é capaz de não ser motivo de orgulho......)

desperdícios #11

"Hoje o céu está mais azul,
eu sinto...
Fecho os olhos.
Mesmo assim eu sinto...
O meu corpo estremeceu.
Não consigo adormecer.

Nem o tempo vai chegar
Para dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim.
É uma espécie de dor...

Hoje o céu está mais azul
eu sinto...
Olho à volta
E mesmo assim eu sinto
Que este amor vai acabar
e a saudade vai voltar...

Já não sei o que esperar
Dessa vida fugidia...
Não sei como explicar
Mas eu mesmo assim o amo."
Rosa, Rodrigo Leão

Não é uma espécie de dor.
É uma dor, concreta, definida, bem localizada, forte (talvez oito, numa escala de zero a dez).

É uma dor atirada para o vazio, onde ecoa interminavelmente.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Ainda, sempre o medo

Enquanto digo que quero ser uma pessoa apaixonada, pratico exactamente o contrário.

Não ligo a quem me apetece, ignoro as mensagens que me nascem na ponta dos dedos, faço de conta que não penso nas pessoas à minha volta, e, se por acaso transparece algum sentimento nos meus actos, arranjo desculpas, desvio assuntos e conversas, e vou passando ao lado da vida, e talvez dos meus. (talvez?)

Se analisarmos isto com cuidado (muito gosto eu de analisar...), percebemos que também esta forma de estar provoca sofrimento. E o que é que é pior? Sofrer porque se fez de conta que não se sentia, ou assumir que se sente e bater com o coração na parede?

Para quando, livrar-me do medo???

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

mirror

às vezes, quando me olho aqui em azul, pergunto-me se sou mesmo eu...
se, naquilo que se lê, sou reconhecível como eu, que escrevo...

Vinicius

Quem aqui vem/vinha sabe o quanto gosto de Vinicius de Moraes.

Comecei a ouvir música brasileira com um cd velhinho que arranjei, gravado num bar em Buenos Aires chamado La Fusa. Actuam, com ele, Toquinho, Maria Creuza (de quem não consegui encontrar mais nada) e Maria Bethânia. A gravação não é boa, Vinicius desafina bastante, mas ainda assim não consegui deixar de ouvir o cd em repeat mode durante meses a fio. Depois dele aprendi a ouvir mais música brasileira, mas nada me tocou da mesma forma.

Com a música comecei a procurar mais coisas da obra dele, e, além da música, descobri textos e poemas maravilhosos.
(leiam este, por favor, é lindo!)

Aos poucos começa-se a perceber uma pessoa especial, cuja vida poderá não ter sido exemplar, mas que sem dúvida me faz inveja, porque foi vivida intensamente, com uma grande paixão por tudo o que rodeava: pela música e pelas palavras, mas mais importante que isso, pelas pessoas, pelos amigos, pelas mulheres, pela própria vida.


Esta última parte eu supunha, mas depois de ver o filme fiquei com a certeza.

(talvez não seja de estranhar que me tenha lembrado disto quando acabei de escrever o post das esperanças......)

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Estarei doidinha?

Hoje os planos nocturnos foram subitamente cancelados, e eu não fiquei tão chateada como seria de prever: assim pude continuar a estudar.

(onde é que anda aquele psiquiatra que tenho pedido???)

Das despedidas

Quando te levaram eu estava longe, demasiado longe...
A pulseira vermelha, a do amor, rompeu-se nesse dia, e então nadei com ela apertada na mão, e afastei-me o máximo que consegui. Ali não havia ondas, para que pudesse contar sete, mas à sétima ondulação larguei-a, e mergulhei para a ver afundar-se devagar, oscilando na sua falta de peso, até cair fundo, lá longe...



A pulseira vermelha celebrou o amor, o meu amor.
Por ti.
Por vocês.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Não esperem (de)mais de mim

Tinha preparado um longo post, cujo título era qualquer coisa como: "não esperem mais de mim do que o que sou", quando dei por mim a pensar no reverso da medalha...

Não quero que esperem demais de mim, porque tenho sempre medo de não estar à altura...
Mas então e eu? O que espero dos outros?

Neste caminho em que tenho posto os pés, um à frente do outro, quase sem me aperceber, tenho-me vindo a educar para não esperar nada. Há, no entanto, um grande problema nisto tudo, que me apoquenta por demais nos dias que correm. (estou a falar bem, eu sei...)

Começo a fartar-me desta nuvem em que me instalei: não rio mas também não choro. Não sonho, mas pelo menos consigo dormir... XIÇA!

Eu quero esperar, quero sentir, quero chorar se for preciso, quero ficar horas e horas a fio acordada a pensar nele... ou então, sei lá, noutra coisa qualquer!


Já dizia o outro*: "Estala, coração de vidro pintado!"

*Fernando Pessoa

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Das dores e dos retrovisores

Há coisas físicas que se partem, e que doem.



Raramente mais do que as outras.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Ora, ora....

... há aqui um pequeno contra-senso: este meu novo template é uma espécie de versão esticada do antigo.

Já o blog é uma versão reduzida.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Aviso à (improvável) navegação

Estamos em obras.
Ah! E declarámos guerra ao novo blogger.

Repeat mode

Nos próximos tempos isto vai ser o que é, e o que foi, sem grande divisões.

Não sei se cheguei ou não, e também não sei se chegou o Inverno.
Talvez as estações não estejam baralhadas só lá fora....

Sobrevida

Continua a afirmar-se que importa sentir, seguir o coração.
Não é verdade.

Importa sentar à mesa e ter comida, e uns trocos no bolso para o café. Televisão e internet, gasolina no depósito de um carro para se chegar , onde eles estão (e, para chegar, seguir o coração.....).
Interessa ter férias, gozá-las o melhor possível. Ter boa apresentação, saber falar, ler, ter cultura, saber das guerrilhas na Colômbia, do desastre que (foram) são os EUA no Iraque (e no resto do mundo?), o desânimo, e o endividamento económico, social, emocional dos portugueses.

Quantas pessoas deprimidas eu conheço?
Alguma se matou?...

Não vivemos: sobrevivemos.

Apenas nos esforçamos por mostrar o contrário.

(Chegou o Inverno) (e eu com ele)

21.11.2006

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

o espacinho

continuo a ter uma pasta chamada blog nos meus documentos
raramente a abro, agora, mas o inverno está a chegar

passou o sol e o verão, passou o rio, a água fria do mar e a do meu chuveiro
passaram os churrascos e os risos fáceis
passaram umas férias, e por mais adjectivos que eu conhecesse, não saberia nunca como as descrever, porque há coisas que têm mesmo que ser vividas

sabia que ia chegar, e estou a chegar

para ajudar a acalmar a queda meti-me em tudo o que me lembrei e continuo a fingir-me ocupada
a minha vidinha, o caminho supostamente mais curto, as pessoas à minha volta......

preenchem-me, sim

mas por mais que sejam, por mais que façam, por mais bocadinhos de mim que completem.... fica sempre aquele espaço
fica sempre um espacinho onde ninguém toca, e porque ninguém o toca ele cresce, multiplica-se, e às vezes consegue esmagar tudo o resto

chama-se solidão?

talvez, talvez se chame assim

está nas minhas mãos cuidar dele?

não deixa de ser curiosa esta análise das situações, saber o que me dói, e porque me dói, e vislumbrar um tratamento que não depende de mim

ou talvez esteja mesmo nas minhas mãos

não sei quantas vidas temos, mas será de certeza pecado desperdiçar esta que eu tenho

20.11.2006

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Ainda os desperdícios

É incrível a quantidade de pessoas de quem, sem chegarmos a conhecê-las, gostamos (às vezes muito), e cuja vida jamais conseguiremos tocar...

10.11.2006