E a sexta-feira é o dia mais alegre de toda a semana
Hoje é quarta.
Amanhã é quinta.
Depois de amanhã é sexta.
Na verdade, hoje é quase quinta, o que faz com que amanhã seja quase sexta.
Hoje é quarta.
Amanhã é quinta.
Depois de amanhã é sexta.
Na verdade, hoje é quase quinta, o que faz com que amanhã seja quase sexta.
postado por muska eram 00:04 0 na memória
Há alturas em que dava tudo para poder esticar o braço e tocar algumas pessoas, para estar um pouco mais perto... mais à mão... para tudo e para nada.
(não é para isso que serve quem realmente importa?)
postado por muska eram 00:34 0 na memória
Em conversa com alguém que se encontra exactamente na mesma situação que eu soube, há dois dias, que a opinião era também a mesma...
Não deixa de ser curioso como nos sentimos mais seguros das nossas coisas quando são partilhadas...
postado por muska eram 00:26 2 na memória
Aqui há dias pensei, pela primeira vez, que isto tudo poderá fazer algum sentido.
Houve uma altura em que tive que ir.
Sabia que o tempo aqui estava esgotado, e que a mudança era a única porta a abrir para que o futuro entrasse. Apesar disso, quando vi concretizada a minha partida, agarrei-me com todas as forças ao que gritava cada bocadinho de mim, despedaçada, porque ir embora era uma dor bruta, constante e pesada, que me esmagava o peito, que me sugava o pouco ar que conseguia respirar...
Não queria ir, mas sabia que era preciso: a eterna divisão...
Fui.
Metade do tempo que lá passei estive a sufocar, a afogar-me em mim própria, nas minhas memórias, na falta que tudo e todos faziam no meu dia-a-dia.
A outra metade foi passada a abrir os olhos e o coração, a pacificar, a acalmar.
A aprender pessoas novas e coisas velhas, tudo como bálsamos.
Para onde me virar, então, quando chegou a hora de decidir?
Não tive escolha possível, tive que voltar, e não me custou.
E hoje penso que tive que voltar só para perceber que talvez seja verdade: não acho que pertença aqui.
E quero ir, de novo, para onde não queria estar.
É minha vontade? É.
Quando lá chegar, vou achar que estava bem aqui?
postado por muska eram 00:24 0 na memória
Enquanto escrevo isto penso que nem pensando em ti consigo chorar, já.
É normal, o tempo suaviza tudo, e essa ferida está menos aberta.
Se lesses isto talvez percebesses que todos atrofiamos, uns mais do que os outros.
E que todos temos um lado bom e um lado mau, que somos todos egoístas e mesquinhos de vez em quando, e que, ainda assim, podemos ser boas pessoas.
Que mesmo com os anos a passar, alguns de nós terão sempre atitudes catalogadas pelos outros como infantis e imaturas.
Que todos sofremos com a falta de alguém, que sentimos ciúmes mesmo quando estamos seguros, que duvidamos, e que perdemos, às vezes, a fé nos outros ou, mais grave, em nós próprios.
Ias perceber que ninguém sabe viver, apenas há pessoas que fingem melhor.
Talvez já soubesses tudo isto, ou se calhar não.
Sei que não te faria sentir melhor.
A mim não faz....
Sentir-te-ias menos sozinha?
Não sei...
postado por muska eram 00:14 0 na memória
E, no sonho, vendo-te e ouvindo-te, não consigo acreditar que seja verdade.
Mesmo a sonhar há qualquer coisa que me impede de viver esse breve instante de proximidade como real.
No entanto, lembro-me perfeitamente de sentir um estilhaço no peito quando ouvi a tua voz.
A tua voz.....
Meu deus, como tenho saudades tuas.....
Não deixa de ser curioso que me tenhas aparecido exactamente quando senti que precisava de me libertar destas toxinas emocionais que me devoram por dentro, porque foi desde que foste embora que deixei de conseguir chorar.
Quando acordei estava já atrasada.
Apetecia-me continuar a dormir, para fazer de conta que estava contigo um pouco mais, mas havia o comboio...
Enquanto procurava alguma coisa para vestir encontrei uma das tuas t-shirts, vesti-a e, de vez em quando, ao longo do dia, passava a mão pelo tecido já gasto, como se te pudesse abraçar...
postado por muska eram 00:04 0 na memória
Depois de realizada a escolha, o desenrolar do tempo, como um novelo, mostra-me que estava certa, e que o investimento gigantesco que fiz para ir valeu a pena.
Não sei até que ponto isto é produtivo, porque sei que para a próxima vou sentir a mesmíssima dificuldade em dar o passo. Mesmo sabendo que o estar, depois, é fácil, e é bom.
Desliguei de tudo.
Isso é reconfortante e assustador ao mesmo tempo.
Reconfortante porque o permanecer ligada não cria nada de novo ou positivo.
Para que hei-de ausentar os olhos e o coração do meu corpo, se isso só traz dor?
É bom que fiquem juntos: já se conhecem.
Não se estranham...
Assustador porque me lembra o velho ditado que diz longe da vista...
E assim parece, quase, que nada importa e que tudo e todos são substituíveis.
Não somos todos?
Não sei porque insisto em tentar acreditar que não.
Sublinho o tentar, porque me agarro com todas as forças à ideia de que não somos, mas nem sempre consigo ter a certeza disso....
postado por muska eram 20:24 0 na memória
Mas depois é nisso que penso, em tudo o que tenho.
E penso que sou estúpida por achar que preciso de chorar quando tenho sorte.
Tanta sorte...
postado por muska eram 04:14 0 na memória
"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não
ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem
não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do
hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não
conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o
negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um
redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos
olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um
sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da
sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de
iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não
responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente..."
Pablo Neruda, Morre Lentamente
Às vezes é assim que me sinto: a morrer lentamente.
Mais triste do que não ter amigos, do que não ter companhia, do que não ler, ver e ouvir, é achar que nada disto é suficiente, é não ser capaz de ser feliz assim, é o medo, o eterno medo da solidão.
(Ou será já ela própria?)
Não há muito tempo perguntaram-me se eu era feliz e eu respondi que não era infeliz.
Foi uma boa forma de escapar à pergunta. Ou talvez não.
O não ser infeliz é quase ser feliz. Nestes últimos tempos a balança inclina-se perigosamente para o outro lado e eu vou ter que conseguir equilibrar tudo: os pratos, os pesos, a tristeza e os risos, o que foi bom e o que é mau.
Seria mais fácil se conseguisse simplesmente chorar...
postado por muska eram 04:04 0 na memória
O tempo está esquisito, não chove nem deixa de chover, o céu não está negro nem cinzento, não se vêem estrelas nem lua, nem nada que valha a pena, na realidade...
Vinha para casa, a música no rádio, a minha cabeça feita claras em castelo a desabar, e a dada altura vacilei. Não virei na rua certa e fiz de conta que voltava, que não era aqui que ficava, que não era aqui que estava...
Às vezes não sei para quem ando a fingir.
Talvez o mais grave seja eu saber, no fundo, que é para mim própria, não acredito que engane mais ninguém.
Sei o que devia fazer, mas não quero fazê-lo.
Sei onde devia estar, mas não quero estar.
Sei tanta coisa que não serve para nada, porque ando a fazer de conta que o caminho está seguro à minha frente, e não o tenho conseguido ver.
Na pressa de acertar o passo tropeço nos meus próprios pés, e ando cambaleante só para não cair.
Se calhar mais valia o contacto bruto com o chão, em vez desta moinha que se repete desde que adormeço até que acordo, e desde que acordo até que volto a adormecer, e que parece não querer deixar-me respirar em paz.
postado por muska eram 03:54 0 na memória
postado por muska eram 18:14 1 na memória
Eu, que escolhi estar mais longe delas...
Eu, que passo a maior parte do dia sozinha...
Eu movo-me a gente.
(ouviram?!)
postado por muska eram 00:24 2 na memória
Curiosamente, seis meses depois, continuo a perguntar-me, sempre, sem excepções, porque continuo a obrigar-me a ir.
Às vezes, quando saio, percebo porquê.
Para compensar tudo o resto, hoje foi um desses dias.
postado por muska eram 00:24 0 na memória
Há pessoas que me enchem de um carinho, de uma ternura inexplicáveis, de um amor sem limites...
E é um sentimento bom, seguro, pleno, que não precisa de correspondências a determinados níveis, nem de justificações.
Existe e pronto.
postado por muska eram 00:24 0 na memória
A noite foi curta, e quando o despertador tocou o meu corpo emitiu sinais de alerta: é verdade que há dias em que devíamos ficar simplesmente a dormir, como se não houvesse vida além dos sonhos...
A custo saí do conforto em que estava, fui tomar banho e tomei o pequeno almoço, e acho que não devo ter aberto os olhos em nenhum momento.
Ao chegar à oficina percebi que não me apetecia estar ali, que preciso definitivamente de uma mudança, apesar de todas as coisas boas a que tenho direito por ser funcionária da empresa.
A manhã arrastou-se pesadíssima, e esperei ansiosa pela hora de almoço para poder voltar a casa, e ser reanimada por um café forte.
Mas a verdade é que não adiantou muito: arrastei-me novamente pela tarde fora.
No finzinho, mesmo, fui chamada pelos chefes: um bónus maior do que esperava pelos meus serviços e algumas mudanças anunciadas.
Fiquei contente, mas, tal como o café, não conseguiu reanimar-me...
Preciso, definitivamente, de uma mudança em vários sectores da minha vida.
Se fosse só um de cada vez seria, provavelmente, mais fácil, mas muitas coisas ao mesmo tempo sempre me baralharam.
Então respiro fundo e penso que tenho que encontrar a força que me está a escapar pelos pés de cada vez que vou correr.
E sei que a vou encontrar, e como sei disso o tempo custa mais a passar, porque era preciso que fosse já...
Não estou habituada a isto: tenho, ultimamente, dificuldade em pôr em prática as minhas tretas...
postado por muska eram 00:14 0 na memória
"a warning sign
i missed the good part then i realized
that i started looking and the bubble burst
i started looking for excuses
come on in
i've gotta tell you what a state i'm in
i've gotta tell you in my loudest tones
that i started looking for a warning sign
when the truth is
i miss you
yeah the truth is
that i miss you so
a warning sign
you came back to haunt me and i realized
that you were an island and i passed you by
when you were an island to discover
come on in
i've gotta tell you what a state i'm in
i've gotta tell you in my loudest tones
that i started looking for a warning sign
when the truth is
i miss you
yeah the truth is
that i miss you so
and i'm tired
i should not have let you go, oh
so i crawl back into your open arms
yes i crawl back into your open arms
and i crawl back into your open arms
yes i crawl back into your open arms"
coldplay, warning sign
Não sei o que tinha para dizer.
Sei que voltei a ter vontade de ouvir esta música em repeat mode, e as fases coldplay não costumam ser propriamente as melhores...
Também sei que sempre que tenho estas ressacas me lembro mais de ti.
E não era suposto...
postado por muska eram 00:04
E hoje sim, tenho novidades que não são novas.
Coisas para as quais olhei apenas de forma diferente.
Mas pesam-me os olhos, e o corpo pede descanso...
postado por muska eram 00:34 0 na memória
Continuo com apetite, vi mais um episódio do Lost.
Fui correr.
Passei quase doze horas do meu dia contigo.
Pergunto-me para quê...
Dou por mim novamente à espera do golpe de misericórdia, e não faço a mais pequena ideia de onde irá cair desta vez.
postado por muska eram 22:54 3 na memória
Troquei o blog pelo Lost: viciadíssima outra vez.
A preguiça domina em todos os campos: abandonei a corrida.
Acabou-se a falta de apetite e a capacidade para controlar o que sobrou: imparável a caminho dos 70? (deus ma libre...)
À medida que o tempo passou, a vontade de estar contigo foi caindo.
Se pensar nisso, não foi assim tanto tempo: ainda nem sequer passaram dois meses.
A mim tem-me parecido uma eternidade: os dias mais compridos do último ano.....
postado por muska eram 23:54 0 na memória
E agora, que aqui fiquei, percebo que me soube bem.
Outras pessoas, outras conversas, outros dias e outras noites.
Quase como se fosse um sítio diferente daquele em que me tenho afundado nos últimos tempos...
Está na hora de olhar à volta, para cima e para baixo, perceber onde está a superfície e nadar para lá.
postado por muska eram 23:44 0 na memória
postado por muska eram 23:34 0 na memória
Já quase nem me lembro da vida antes de cá estar.
Habituei-me depressa às viagens, às noites cheias e aos dias largos, às pessoas que me faziam já falta, à cidade, à minha casa... A tudo, posso dizer.
E agora, que passou mais de um ano, sinto uma coisa que ainda não tinha experimentado em todo este tempo: sinto-me sozinha.
Vejo gente, procuro contrariar a falta de apetite para (quase) tudo e forço-me a ir, a ir sempre...
Já não sei estar assim, só quero que isto passe...
postado por muska eram 23:44 0 na memória
Não sou, de certeza, a única pessoa do mundo a achar-se diferente de todas as outras.
E, apesar de saber isso, quanto mais o tempo passa mais eu me acho, de facto, diferente.
É quase como se me tivessem instalado uma célula fotoeléctrica que reage à presença alheia. Estou sempre atenta, sempre ligada, sempre alerta.
E ainda não descobri se é melhor ser ou deixar de ser assim.
O meu lado romântico (e nunca pensei admitir, sequer, ter um...) acha bonito este amor pelos outros, assim mesmo, exagerado, sem limites.
O meu instinto de sobrevivência diz-me que é ridícula uma pessoa que está sempre ligada às outras, que as respira, que as toca, que vive delas, com elas, para elas.
Sem os outros nada do que sou faz sentido, e às vezes sinto-me uma construção suspensa no vazio, sem alicerces que me suportem.
E a verdade é que gostava de ter um pouco de paz, de poder carregar no botão onde se desliga a tal célula, nem que fosse por uns minutinhos....
Até porque acabo sempre por concluir que não há correspondência ou valorização possível para esta estúpida maneira de estar e de ser.
Se ninguém está a aproveitá-la, esta luz toda é um desperdício de energia...
postado por muska eram 00:04 0 na memória
É característica, esta vontade de estar sempre como e onde não estou...
Agora, que passei a fronteira, dou por mim a desejar com todas as minhas forças voltar à segurança morninha em que estava antes destes passos...
Não estou arrependida, o que se passou devia ter-se passado, para evitar os famosos "ses".
Eu é que tinha que ter sabido educar melhor o monstro que alimentei...
postado por muska eram 00:24 2 na memória
Quando começamos a ter medo que acabe, é sinal que já acabou?
postado por muska eram 03:14 0 na memória
"Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces, ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Como no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta de haberla perdido.
Aunque ésta sea el último dolor que ella me causa,
y éstos los últimos versos que yo le escribo."
Pablo Neruda, Puedo Escribir Los Versos Más Tristes Esta Noche
postado por muska eram 02:54 0 na memória
e agora fecho de novo os olhos...
queria esquecer-me do cheiro entranhado na pele, da pele entranhada no corpo, do corpo entranhado em mim.
postado por muska eram 02:44 0 na memória
digo que tudo está bem se me parece bem
encaro com calma as tempestades à minha volta e elas passam
aceito o que o destino me traz sem reclamar
gosto das pessoas que chegam e sofro quando as vejo partir, mas tento não o mostrar (que estupidez....)
se não posso mudar o que não me agrada, não penso mais nisso
se tenho dois caminhos e só posso escolher um, então vou sem olhar para trás
e se tiver que escolher entre o fazer e o não fazer, escolho não ficar a pensar em como poderia ter sido
estou pronta para escrever um livro de auto-ajuda, e devo ser a minha primeira leitora
(o que quer que isso signifique)
postado por muska eram 00:54 5 na memória
o meu coração é um livro velho
nas páginas amarrotadas escreve-se a tinta permanente
um caminho cheio, feito de pedras desalinhadas
onde caminham pessoas, muitas pessoas, gente
um caminho feito tantos destinos, tanta música sumarenta
um caminho que se ri risos vibrantes, jovens, coloridos
o meu coração é um mapa de papel vegetal
em cada estrada esboçam-se escolhas, e os dedos percorrem cada uma delas
devagar, como se fossem pele, quilómetros de ti para navegar
o meu coração é um banco de jardim
uma flor, relva e plátanos
tu chegas, sentas-te, encostas-te
abres o livro que trazes para ler
e é um livro velho, de páginas amarrotadas
onde desenhas mapas que te perdem de mim
postado por muska eram 03:24 0 na memória
há pessoas que se tatuam em nós, que nos marcam a pele e os músculo por baixo
no momento em que nos deixam, o barulho da carne a rasgar-se do osso materializa-se dor crua, fria, insuportável
postado por muska eram 03:04 0 na memória
À medida que o tempo passa noto uma dificuldade cada vez maior no regresso.
A tudo.
E não quero explorar este sentimento, continuo na ilusão de que as coisas se tornam mais reais depois de escritas...
De qualquer forma não há nada a fazer, é tal e qual como se descreve na imagem...
postado por muska eram 02:54 0 na memória
"Quando olho para a frente assusto-me.
Penso no que vivi, no que ouvi, no que senti, no que aprendi e no que sei, e percebo que os passos que me esperam são bem maiores do que as minhas pernas...
Falta-me ainda o mundo...
Inteiro."
postado por muska eram 02:44 0 na memória
se fechar os olhos consigo esquecer-me de quanto tempo passou e julgo que estive longe, muito longe uma vida inteira...
postado por muska eram 02:34 0 na memória
O saco está pronto, as sandes feitas, os mapas à mão e o carro preparado.
Tenho vontade de ir. Muita.
Por mim e por elas.
E se quero deixar-te para trás, ao mesmo tempo não quero, acho que ainda é cedo...
Mas não é.
E eu não tinha saudades desta luta interior.... Nenhumas.
postado por muska eram 01:44 0 na memória
De forma egoísta penso que estive.
Ri e tentei fazer rir, falei a sério quando foi preciso.
Ouvi muito.
Brinquei.
Toquei, mas não te consegui tocar.
Também de forma egoísta penso que podias ter sido feliz com isto, se tivesses tentado...
(e eu?)
postado por muska eram 23:14 0 na memória
Não sei quem terá dito um dia que "no meio é que está a virtude".
É mentira.
É uma grande mentira.
Pior do que o amor e o ódio, do que o gelo e o fogo, do que as lágrimas de tristeza e de alegria, são a indiferença, o morno, a incapacidade de chorar...
postado por muska eram 03:34 0 na memória
Tenho dificuldade em aceitar que se desperdice, assim, a vida que me enchia o peito.
Por incapacidade de sofrer, a alma materializa-se e tenta expulsar-te com uma tosse irritativa e irritante.
Quase, quase seca.....
postado por muska eram 03:24 0 na memória
Esta é a hora vazia, em que tudo o que me cerca se reveste de todos os significados possíveis ao mesmo tempo.
Queria, agora mesmo, estar em todos os lugares onde não consegui estar mesmo estando.
Queria tocar as pessoas que deixei passar ao meu lado sem um gesto de fazes-me falta.
Queria não ter este coração velho do qual nem dona sou, é ele quem me possui inteira, quem me encerra lá dentro, quem me sufoca, quem me tira o ar que talvez não precise sequer de respirar.
postado por muska eram 03:14 0 na memória
Fui eu que quis, que procurei, que descobri o que já nem sequer julgava possível...
Agora nada é concreto, mas para mim começa a definir-se cada vez mais, e volta a sensação de desperdício.
Porque este novo fôlego, este ar que respirei e que tanto me custou juntar dentro dos pulmões, será expirado lentamente para o vazio onde tu estás de costas.
E por mais que estenda a mão e tente chegar com a ponta dos meus dedos esticados aos teus ombros seguros à minha frente, eles estão, estarão sempre a uns milímetros mais de distância.
postado por muska eram 00:44 0 na memória
Mais uma vez às voltas com as palavras, que não chegam para o que eu sinto...
Não estar, não ver, não ouvir, não tocar... custa.
Primeiro porque mesmo perto não posso, depois porque quando não estou perto queria estar.
O tempo passa devagarinho, e se não te vir, se não souber nada teu, se não te ouvir, se não te sentir perto, começa então a desaparecer a urgência com que necessito de tudo isto. Os sentimentos suavizam-se, tornam-se quase amenos, como se fossem desaparecer a qualquer momento, e é fácil estar longe.
Muito mais fácil do que estar perto.
postado por muska eram 21:04 0 na memória
e o desperdício não é a dor, nem a falta de letras
(é o que eu disse)
postado por muska eram 23:14 4 na memória
não há letras suficientes para escrever a dor de gostar de ti
(pronto, disse-o)
postado por muska eram 23:08 0 na memória
Começou a Primavera mas a chuva continua a cair e está um frio de neve.
À minha volta tudo se reveste de significados estranhos, como se de repente as cores se invertessem e apenas o cinzento continuasse cinzento.
O que foi bom não deixou de o ser, mas começa agora a adquirir formatos distintos daqueles que teve no início, e eu começo a não saber como gerir isto que fiz questão de criar.
Aos poucos o tempo vai-se fechando sobre nós, entre nós.
postado por muska eram 22:34 0 na memória
quando não cabe dentro do coração, a alma devia fazer dieta
postado por muska eram 23:04 0 na memória
Os olhos baços, embaciados, húmidos, brilhantes...
Os olhares vagos que vagueiam, que falam, que fogem, que sofrem, que riem...
As rugas, as sobrancelhas, as pálpebras...
Os risos e os meios sorrisos, os lábios mordidos, apertados...
O que há para dizer não é muito, mas é grande.
E há coisas que eu queria só minhas.
postado por muska eram 00:54 0 na memória
"Não quero que se torne matéria palpável para não se partir", escrevi eu, não há muito tempo atrás...
E conhecendo-me, talvez devesse saber que não é seguro arriscar, o tipo da esquerda é demasiado activo.
Na verdade já tinha mostrado alguns sinais de impaciência...
E eu não sei se continua a ser cedo, ou se agora é tarde demais.
postado por muska eram 00:34 0 na memória
postado por muska eram 00:14 0 na memória
Quem sai à rua nestes dias pensa que o tempo retrocedeu.
Houve, realmente, um ameaço, uma amostra, um acenar, para de novo se retirar o sol, o céu azul, o calorzinho morno, confortável, bom...
Mas a hora não adiantou, voltou para trás, e o frio foi chamado, junto com as nuvens e a água a cair.
Apesar de tudo isto, se prestarmos um pouco mais de atenção, reparamos que a Primavera afinal já chegou.
Por causa dela chegou também a Poesia.
O Dia Mundial do Sono é para mim todos os dias, mas só o consigo festejar ao fim de semana...
postado por muska eram 23:34 0 na memória
"Que ninguém
hoje me diga nada.
Que ninguém venha abrir a minha mágoa,
esta dor sem nome
que eu desconheço donde vem
e o que me diz.
É mágoa.
Talvez seja um começo de amor.
Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao mundo.
Pode ser tudo isso, ou nada disso.
Mas não afirmo.
As palavras viriam revelar-me tudo.
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê."
Intimidade, Fernando Namora
postado por muska eram 23:24 2 na memória
Lembro-me de ir entrando e ir notando os cheiros a mudar, de me pôr descalça para sentir o meu chão debaixo dos pés, de passar as mãos pelas paredes pintadas...
É boa, muito boa esta noção do meu espaço.
E é bestial como este espaço se completa e torna pleno quando o partilho, quando serve para receber aqueles que me completam a mim.
postado por muska eram 01:04 0 na memória
Não dormi particularmente bem.
Sonhei com trabalho, trabalho, trabalho...
Acordei tão tarde como tem sido costume.
Não houve tempo para a vitamina habitual a meio da manhã.
Há uma máquina pela qual tenho um ódio mortal. Nunca pensei sentir isto por uma coisa. Bom, antes por uma coisa...
Consegui duvidar da minha inteligência/capacidades de forma a ficar completamente desmoralizada.
Vi um gato em agonia e não consegui fazer nada. Quando voltei tinha desaparecido, terá, provavelmente, ido morrer a outro sítio.
Não tive tempo para preparar uma série de coisas que tenho que ter prontas: umas amanhã, outras no fim de semana.
Jantei a correr.
Consegui duvidar da minha inteligência/capacidades pela segunda vez, mas não fiquei completamente desmoralizada. Será esta a diferença entre trabalho e lazer?...
Agora vou dormir.
Amanhã será um dia melhor e terei mais ânimo para falar da Primavera...
postado por muska eram 23:54 0 na memória
Já consegui escrever tantos posts este ano como no que passou.
Dou por encerrado este blog.
Até para o ano! (se Deus quiser!)
(brincadeirinha!)
postado por muska eram 00:44 2 na memória
(e agora sei que já o disse!)
postado por muska eram 23:54 0 na memória
Ando aqui tão entretida que só hoje, ao ver pela segunda vez que o La Force des Choses fez dois anos, me lembrei que o aniversário deste estaminé era por estas alturas...
Pois bem: no passado dia 7, ao contrário de todas as expectativas, arrastando-se ainda quando (quase) todos os que o acompanharam na altura da criação já morreram, este blog fez três anos.
Não sei se é motivo de celebração.
É, certamente, motivo de espanto...
Aqui continuam as minhas lembranças.
(não fosse eu uma agarrada e isto era tudo pó!)
postado por muska eram 00:54 3 na memória
"Abro os braços ao infinito,
Abraçando-te na suavidade de
Uma tarde de domingo e sol
Cheio de música.
Como uma vaga de um doce
Calor quieto mergulho o meu
Coração nas tuas mãos firmes.
Assim adormeço ao luar
De uma esperança que brilha em
Cada noite escura, sob o olhar
Atento das estrelas.
E elas sim, vigiam o meu sono,
Para que um dia ao acordar os meus
Braços estejam finalmente fechados
Sobre a tua solidez, e não sobre a
Tua permanente ausência em mim.
Onde moras em cada grão de areia que cai a imitar o tempo?
Onde te escondes na frente de nuvens que tapam o céu de hoje?
Será que, sob o meu olhar atento a vigiar-te queres surgir, e na ânsia de achar não te encontro?"
postado por muska eram 00:44 0 na memória
É tarde, como sempre.
Passo apressadamente os olhos pelos dias que passam depressa, e descubro que não sei para onde foram.
Excepto, talvez, dois ou três melhor aproveitados, que se guardaram em cds, porque cada vez há menos álbuns fotográficos.
A memória física, palpável, das coisas, está também a tornar-se virtual, como todas as outras.
Ultimamente apercebo-me de um fenómeno curioso: o tempo presente não existe. Há uma divisão arbitrária entre a semana e o fim dela. A semana passa como os dias de que falei há pouco. Procuram-se, então, os dias em que acaba, para que valha a pena. Valha o quê? A pena? Sim, para que valha a pena. Mas o quê? A pena. Não, valha a pena o quê? Valha a pena passar a semana depressa. Queremos que passe depressa para chegar ao fim. De qualquer forma dou por mim isolada nestas ilhas que são os fins de semana. E quando procuro uma nova ilha, um bocadinho mais à frente, falta muito, ainda, e falta tão pouco, porque começamos aos saltos no calendário e falta um mês, mas esse mês já está gasto, vejamos o próximo. Tenho um livre. Tu podes? Não, nesse não posso. Então e neste? Nesse não posso eu. E saltamos, continuamos a saltar. O tempo passa, passou, e não sei o que lhe fizemos.
Ao olhar para trás é tal e qual como já disse: espremeu-se qualquer coisinha.
Um concentrado de qualquer coisa maior, grande, gigante, especial, que preenche o vazio ocupado pelos outros dias vazios.
Guardam-se as memórias.
postado por muska eram 02:34 0 na memória
a reciprocidade já é tão efémera quando dura....
postado por muska eram 23:44 5 na memória
Às vezes, quando me perco nas minhas teorias sobre a vida, as pessoas, eu e as pessoas, as nossas relações, e as minhas emoções racionais, ando em círculos sobre mim própria, e as linhas desses círculos não se fecham nunca...
Acabo em contradições.
postado por muska eram 23:34 0 na memória
Eu estou aqui.
Não sou um corpo estanque, sou antes uma permanente reacção com tudo à minha volta.
A todo o momento, neste equilíbrio entre o que sou e o que não sou eu, há trocas constantes, perco-me de mim e fundo-me no que me rodeia, que, por sua vez, se transforma no que eu sou.
E aí onde estás tu, mesmo que em alguns instantes ocupemos o mesmo exacto espaço, existe um processo idêntico, uma reacção que não pára nunca.
Tudo o que está à tua volta sem seres tu passa para ti, e tu vais perdendo pequeninos, ínfimos bocados do que te compõe.
Então existe este espaço entre nós, como separação entre o que sou eu e o que és tu,
como um espaço em que não estamos no preciso momento do agora. Mas ao mesmo tempo esse é o espaço em que nos fundimos e que se funde em nós. Nesse espaço somos partículas, matéria que flui, até chegarmos ao outro, até nós como plural, como singular.
E esse conjunto funciona como dinâmica de troca, de dar, receber, de tocar, de estar, de sentir, de ser o outro.
Um espaço onde o que é meu e o que é teu se tocam, se misturam perdendo identidade própria, passando a ser o que foi de um e de outro, sem que se saiba a que parte pertenceu o quê.
O mesmo espaço que nos separa é o espaço que nos une,que permite que passemos a ser o tal plural no singular, ou singular plural, ou......
postado por muska eram 23:34 0 na memória
qual será o problema... o meu?
o que correu mal?
falhei quantas vezes? em quê?
mais que o normal? imperdoavelmente?
fui eu? foram eles?
porquê?.....
postado por muska eram 03:24 0 na memória
... e depois parece-me triste esta forma de estar...
como se não houvesse já fé em ninguém, além de mim própria...
talvez fosse bom, de vez em quando, ver as coisas de fora para dentro.
Porque a falta de fé, como já admiti antes, não é nos outros...
postado por muska eram 03:14 0 na memória
Às vezes tenho a sensação de já ter dito tudo.
Dou por mim à procura de novas combinações de letras para explicar por que bate este coração velho, mas não sei se será possível inventá-las....
Nem isto que hoje escrevo é novo.
Vivo em fronteiras.
Às vezes, insatisfeita com este lugar de passagem em que me instalei, arrisco um pé para um dos lados. Sei que não devo, não pertenço a nenhum outro sítio, e mais cedo ou mais tarde vou pensar que a expulsão era inevitável já aquando da invasão.
Então porque me ponho a caminho?...
À medida que o tempo passa sinto-me cada vez mais cansada.
Sinto as coisas com a mesma intensidade, há olhares que ficam guardados na memória pelo que me passam, num segundo que se congela para sempre, há sorrisos que me deixam enorme, sem caber em mim própria, há pequenos gestos que aquecem tudo...
Mas, apesar de sentir tudo, exactamente como sempre senti (às vezes acho que mais, muito mais), tenho uma dificuldade cada vez maior em esticar o braço para chegar lá.
Como se a iniciativa nunca fosse minha, e esperasse sempre que fosse o caminho dos outros a trazê-los até mim. Porque sei, têm-mo mostrado invariavelmente, que, como vêm, um dia irão.
As fronteiras são sempre lugar de passagem, e mais vale ficar a ver passar a caravana do que andar sempre com malas às costas, expulsa de país em país....
postado por muska eram 03:04 0 na memória
Sento-me, fecho os olhos, seguro a cabeça nas mãos.
Quero conseguir passar a nitidez física com que estás ao meu lado: perto, muito perto, sem que nos cheguemos a tocar.
Enquanto os outros vão falando, eu quase sinto na ponta dos meus dedos os teus, a tua mão a deslizar devagarinho até encaixar com força na minha, num gesto seguro, bem definido, preciso, e no entanto tão, tão suave...
Fecho novamente os olhos.
As palavras vão passando longe do que ouço. À minha volta começa a encerrar-se a tua presença, e sem saíres de onde estás, ao meu lado, estás já em cada espaço que eu própria ocupo, cercando-me, rodeando-me, toldando-me a noção do que está para além de nós.
E então ris-te, eu rio-me do teu riso, e a música volta às rotações certas, audíveis.
As gargalhadas dos outros fundem-se nas nossas.
A realidade volta a ser real.
É cedo...
postado por muska eram 00:14 0 na memória
esta música já roda há muito, mas hoje ainda me parece a que melhor acompanha os meus dedos nas teclas, os sons que faz o meu coração, a lentidão com que mexo os pensamentos, as mãos, os braços, as engrenagens todas....
(amanhã é dia de correr e libertar toxinas)
(e quem sabe, mudar de música...)
postado por muska eram 00:46 0 na memória
O dia a seguir, supostamente de ressaca, é o dia em que a consciência do estar se intensifica, e se perde um pouco a noção de que realmente não se está.
O sentidos estão nublados mas sentem-se como alerta, e todo o corpo se recusa a obedecer ao que obriga o senhor dos controlos.
É nestes momentos que penso nas palavras e elas crescem em significados intensos dentro do meu peito.
Devia, por isso, recusar-me a deixá-las sair, mas falta o tal filtro, sempre tão alerta em dias normais, e em catadupa disparam-se letrinhas, que se juntam, e, unidas, formam as palavras que eu devia calar, e que digo... e que hoje me parecem, não menos verdadeiras, mas pesadas em exagero.
postado por muska eram 00:44 0 na memória
Ao chegar a esta hora, com a chuva a cair lá fora quase tão preguiçosa como eu, começo a render o corpo ao torpor da noite, e ao calor que aqui faz.
Deito os olhos sobre as palavras e deixo-os viajar livremente, sem fronteiras, porque sei que amanhã só se abrem quando tiverem vontade disso.
Depois dissolvo-me devagarinho até me fundir nos lençóis, e esqueço-me de mim...
postado por muska eram 01:34 2 na memória
E já agora: aquelas gralhas e erros ortográficos no artigo serão resultado de falta de sono?
postado por muska eram 15:44 2 na memória
Já passava das quatro da tarde, mas ainda não eram cinco.
O termómetro marcava dezoito graus e meio (estaria certo?), e o sol ainda me riscava o retrovisor, vermelho e vivo.
À velocidade a que ia, com a música a ultrapassar os decibéis recomendados a uma protésica como eu, senti-o nas entranhas: o Inverno está a acabar.
postado por muska eram 00:24 2 na memória
Os erros que tenho mais dificuldade em perdoar são os que eu própria faço...
postado por muska eram 00:04 2 na memória
postado por muska eram 20:54 0 na memória
Nestes últimos quinze dias cheguei a duas conclusões: se já cá estiver o domingo é quase um dia como outro qualquer.
Se tiver que vir o melhor é fazer de conta que não sei o que se passa.
Que dia é hoje? Não sei...
Não sei nada.
Entro no carro, faço a viagem, chego, durmo, amanhã é uma semana nova, e pode ser que não traga só coisas velhas.
postado por muska eram 00:14 0 na memória
Há alturas em que não sou capaz de dizer a verdade.
Não me faz sentir melhor, mas faz com que os outros se sintam.
postado por muska eram 23:34 2 na memória
Ontem foi Carnaval.
Nunca liguei muito ao Carnaval, e depois de um fim de semana agitado estive sem grande vontade de festas.
Ponderei ir para mais perto deles, mas acabei por me deixar ficar...
Não abri o blogger para falar dos 23 anos que nunca chegaste a fazer, das saudades que tenho tuas, de como a dor da tua ausência se foi suavizando com o tempo sem chegar a desaparecer. Sei que por mais anos que passem isso não vai acontecer, mas não faz mal...
Também não abri o blogger para falar das tuas histórias, da tua paciência infinita, da tua sopa e das tuas mãos, de como conheci em ti a verdadeira bondade... a tua lição de vida, que espero nunca esquecer.
Abri hoje o blogger e não fui capaz de não falar disto.
Porque havia de não falar?...
postado por muska eram 23:14 0 na memória



postado por muska eram 20:54 2 na memória
Àz vezes custa-me perceber que, onde eu não estou, o tempo passa como se eu estivesse.
postado por muska eram 06:24 0 na memória

Nunca deixámos de ser amigas, apenas nos esquecemos temporariamente do shift.
(será que há teclados com caps lock?)
postado por muska eram 18:34 0 na memória
Segunda-feira, aí pelas 10h30.
(sempre quero ver se amanhã me mantenho com esta energia toda...)
postado por muska eram 18:24 0 na memória
Já passou muito tempo desde a última vez que deixei chover cá dentro e provei o meu próprio sal. Na altura era a perda, eram as saudades, era a sensação de que nada voltaria a ser igual...
Nestes últimos dias trago um daqueles nós apertadinhos, e hoje quase me estrangulou.
Mas não lhe dei liberdade, canalizei energias e lágrimas para a orofaringe, fiz de conta que não se passava nada.
O mar dos meus olhos só voltará a ser livre por um motivo que seja, no mínimo, tão valioso como o último.
E estas questões materiais não o são... definitivamente.
postado por muska eram 00:54 0 na memória
Nestes dias que se arrastam, pesados de água e de cinzento, eu entro em hibernação.
Cada movimento exige um consumo de energia superior à que consigo guardar, e por isso me arrasto também, também pesada e cinzenta, e talvez até fria.
Assim se explica essa falta de consistência, que não se nota só aqui.
Percebo que esta apatia é sazonal.
Conhecendo-me, tento lutar contra ela com todas as minhas forças.
Obrigo-me a ir a todo o lado, a não quebrar os laços que me ligam aos outros e às coisas que gosto de fazer, mas o que faço acaba por ficar aquém do mínimo que esperam, e que eu própria espero, de mim.
No fundo é apenas um esforço para preservar esta linha frágil que me segura a terra.
Sem ela sou um barco sem fundo à deriva no alto mar.
postado por muska eram 00:44 2 na memória
Se eu aceitasse o indivíduo da esquerda em vez de o tratar como inimigo, talvez as coisas fossem mais suaves...
(e talvez não tivessem graça nenhuma...)
(será que agora têm?)
postado por muska eram 00:24 0 na memória
Há um quase choro na água que me escorre cara abaixo.
A noite fez-se demasiado tarde antes que pudéssemos ouvi-la, e com o passar silencioso das horas perdemo-nos de nós mesmos sem nos encontrarmos um no outro.
Faz sentido?
Sinto a tua falta nestas alturas, mais do que em todas as outras, porque é tarde, porque chove tanto lá fora, dessa chuva mole, sem força, que não serve nem para me lavar o peito... e porque sinto falta do teu, forte, seguro, a respirar o desenho do meu perfil.
postado por muska eram 05:04 7 na memória
é demasiado cedo para falar de ti, como seria cedo falar de chuva se aparecessem umas nuvens brancas espalhadas pelo céu azul
postado por muska eram 00:44 0 na memória

postado por muska eram 00:34 0 na memória
"De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos cristais. E, então, das duas uma: partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.
No segundo caso, o homem que não dorme pensa: "o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração"."
Sobre o lado esquerdo, Carlos de Oliveira
(copiado da minha Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa de Eugénio de Andrade, Campo das Letras, página 470)
postado por muska eram 23:44 0 na memória
Tanto tempinho passado a choramingar por falta de trabalho, agora choramingo porque não estou a dar saída a tudo o que preciso de fazer....
postado por muska eram 23:24 0 na memória
Não chegou a haver espaço, pois não?
Nas tuas mãos fui sempre verde quando devia ter sido doce, azeda quando tinha que ter sido madura....
postado por muska eram 06:44 0 na memória
postado por muska eram 02:14 0 na memória
Por causa dos dois últimos posts e da minha estupidez natural, deixei queimar o jantar.
Rais'coma!
(e isso do "só lê quem quer" é um pouco narcisista.....)
postado por muska eram 20:54 0 na memória
Assim que acabo de escrever um post como o anterior (se calhar devia usar o plural...), fico com vontade de apagar o blog todo. Quase como se isso apagasse também estas questões que fazem de mim uma pessoa muitíssimo mal resolvida.....
Mas o blog não tem culpa do que vive na minha cabeça e no meu coração, a mim faz-me bem verbalizar, ainda que virtualmente, e só lê quem quer, por isso cá continuamos....
postado por muska eram 20:44 2 na memória
Encontrar os meus amigos por acidente e perguntar-lhes como vai a vida deles, da qual não sei (quase) nada, traz-me um desconforto enorme, que se aproxima da angústia de perder alguém. Porque é isso mesmo que sinto, que perdi alguém....
Já tentei escrever sobre este assunto milhões de vezes, e acabo sempre por desistir, porque não consigo exprimir-me bem, nem para explicar o problema a mim própria.
Mas é uma coisa que me atormenta desde há muito, muito tempo...
Eu sei que é normal não estarmos com todos os nossos amigos sempre, nem sempre da mesma forma.
Os contactos perdem-se, perde-se, talvez (de certeza), um pouco da intimidade, e, talvez (de certeza), muitas, tantas outras coisas!
É certo que há pessoas com quem as coisas não mudam nunca, mas essas não se contam pelos dedos todos de uma mão.
Também sei que, apesar de se ter perdido a partilha do dia-a-dia, o que gostamos não mudou, nem tão pouco a disponibilidade para ajudar em caso de necessidade.
Então qual é o problema?
Não sei lidar com isto, que considero (talvez injustamente) uma forma intermédia de amizade.
Provoca-me esta sensação de falhanço que nem sequer sei descrever.
E dói-me.......
(eu sei, eu sei... tudo me dói, sou muito sensivelzinha....)
(e também conheço alguém que me chamaria infantil se lesse este post... se calhar com razão, já não tenho idade para estas questões existenciais... até sei onde está o problema e sei, em teoria, como se resolve... não sei é a prática, por mais que me treine a mim própria...)
postado por muska eram 20:24 0 na memória
"Esta luta comigo mesma deixa-me cansada. Há alturas em que não consigo disponibilizar-me, e custa-me que isso aconteça precisamente quando sou mais precisa.
Sei que com isto se está a perder alguma coisa, mas não estou a conseguir evitá-lo.
E porque está a ser um processo consciente, embora fora do meu controlo, não tenho direito a pedir desculpa.
E tenho, ainda assim, vontade de o fazer..."
postado por muska eram 23:44 2 na memória
E de repente, assim que me distraio, voltam os pensamentos entre aspas, em formato post, e volta a necessidade de uma caneta à cabeceira, porque, nos breves segundos que tenho demorado a ausentar-me do meu corpo, o cérebro dispara...
Apago-me sem reacção, e comigo apaga-se a memória do que tinha para dizer. Era nada?
postado por muska eram 23:34 0 na memória
Perdeu-se auricular cinzento, tecnologia bluetooth.
Agradece-se a quem o encontrou o favor de estabelecer contacto.
Não se farão quaisquer perguntas ou exigências: não há interesse no auricular.
Apenas me faz falta a voz, as palavras que por lá passaram...
postado por muska eram 20:14 0 na memória
Sempre que tento gostar de jazz estou a esquecer-me de que a música é um pouco como as pessoas...
postado por muska eram 23:24 2 na memória
"Se eu senti amor por alguém, nem que tenha sido só por um segundo, vou lembrar-me desse segundo até ao fim da minha vida."
(não, não ando a ver a Ally McBeal outra vez...)
postado por muska eram 23:04 2 na memória
um dos inconvenientes de a mobília ganhar pó é alguém ter de o limpar
postado por muska eram 22:54 0 na memória
um dos inconvenientes de ter mobília é o facto de ela ganhar pó
postado por muska eram 22:44 0 na memória