domingo, 17 de junho de 2007

Não há mal, foi só uma jarra.

Às vezes dou por mim a olhar para a frente com medo, mas percebo porque acontece: não confio em mim.

E tudo o que se estragar estragar-se-á por causa disso.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Não era suposto ser ao contrário?

Não percebo porque a vida se torna cada vez mais difícil à medida que aprendemos mais com ela.

s.o.s.



Tenho um amigo que acha que devíamos começar a vida ao contrário: nascíamos velhinhos, com dificuldades e poucas capacidades e íamos melhorando a passos largos, com a vantagem de acabarmos sem sofrimento e sem conhecimento, num lugar quentinho, calmo, em paz...

Eu acho que concordo com ele.

O tipo que inventou isto não pensou bem nas coisas.
Ou será que temos mesmo que pagar os pecados todos do mundo?...

É muito difícil suportar o sofrimento das pessoas de quem gostamos.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

porque sim

"Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica..."
Vinicius de Moraes, Soneto do amigo

terça-feira, 12 de junho de 2007

Também para aqui me arrastei, que não me apetecia escrever.

Eu própria estou farta da minha conversa dos últimos tempos.
E nem é só da conversa: estou farta desta pessoa que não tem vontade de nada, que se arrasta para trabalhar, para escrever, para sair, para cantar e dançar, para estudar..........
Sinto a vida à minha frente, a levar-me por uma corda, quase (quase!) contra a minha vontade...

Xiça!


(é tempo de acordar....)

Apetecia-me queixar-me, mas vou evitar fazê-lo

Arrastar-me pelo dia, lutar contra o sono, contra as dormências, contra as ausências.
Arregaçar as mangas e dar início ao trabalho: se quero uma mudança tenho de ser eu a iniciá-la.
Adormecer em cima dos cotovelos em cima da mudança.
Arrastar-me pelas obrigações cívicas.
Não ver o Lost para continuar a trabalhar na mudança...
(melhor, assim rende mais!)

Tanto tempo?

Enquanto trocava o saco do aspirador, percebi que durou mais ou menos um quarto do tempo que é suposto aqui ficar.
Talvez um bocadinho mais....

Será que volto a comprar sacos de aspirador aqui?


(e isto leva-me ao que é, ao mesmo tempo, reconfortante e assustador...)

domingo, 10 de junho de 2007

Custa é esperar...

Algumas pessoas, vindo aqui, talvez fiquem um pouco tristes com a minha conversa dos últimos tempos.

Preferia, sinceramente, que não fosse assim, e talvez não seja um consolo, mas acho que não é pior graças a vocês.

Tudo isto são fases, tudo passa e tudo volta.

Sinto-me atrasada em relação à vida

Parece-me que ando a marcar passo, a empatar tempo para chegar onde quero...
Mas como estou a percorrer um caminho de horas, dias e anos, não os posso saltar, passar à frente, escolher simplesmente o fast forward...

terça-feira, 5 de junho de 2007

Les Poupées Russes


(roubada descaradamente à Joana)

Para achar a última é preciso abrir a primeira....

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Meio vazio/meio cheio

A minha vida processa-se em ciclos, nos quais fases melhores alternam com fases piores, que por sua vez alternam com fases melhores, e assim sucessivamente.
Suponho que não seja só a minha vida...

Desde Janeiro começou mais uma fase descendente, depois de um ano mais ou menos calmo.

Hoje, dentro do carro, a música aos berros teve pela primeira vez um efeito diferente. Senti uma certa paz, e pensei que enquanto os tiver por perto, e puder ir beber uma geladinha com tremoços e deitar conversa fora (porque nos sobra), está tudo bem.
E quase (quase...) não preciso de mais nada.

Preciso de manter os olhos bem abertos para conseguir ver sempre o copo meio cheio.

domingo, 3 de junho de 2007

Dos defeitos não tão pequenos assim

Há pessoas um pouco cansativas.
Consigo perceber porque sou uma delas.
Não consigo perceber porque não consigo mudar-me em tudo o que me fazia falta...

Discos pedidos...

"I wish I was a fisherman
tumbling on the seas
far away from dry land
and its bitter memories
casting out my sweet line
with abandonment and love
no ceiling bearing down on me
save the starry sky above
with Light in my head
and you in my arms

I wish I was the brakeman
on a hurtling, fevered train
crashing headlong into the heartland
like a cannon in the rain
with the beating of the sleepers
and the burning of the coal
counting the towns flashing by
in a night that's full of soul
with Light in my head
and you in my arms

I know I will be loosened
from the bonds that hold me fast
that the chains all hung around me
will fall away at last
and on that fine and fateful day
I will take me in my hands
I will ride on the train
I will be the fisherman
with Light in my head
and you in my arms"
Waterboys, Fisherman's Blues

Se me cantassem isto ao ouvido eu nem precisava de ter sono para dormir melhor....

quinta-feira, 31 de maio de 2007

E a sexta-feira é o dia mais alegre de toda a semana

Hoje é quarta.
Amanhã é quinta.
Depois de amanhã é sexta.

Na verdade, hoje é quase quinta, o que faz com que amanhã seja quase sexta.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Das distâncias #2

Há alturas em que dava tudo para poder esticar o braço e tocar algumas pessoas, para estar um pouco mais perto... mais à mão... para tudo e para nada.

(não é para isso que serve quem realmente importa?)

"Tive que vir para saber que não posso ficar...."

Em conversa com alguém que se encontra exactamente na mesma situação que eu soube, há dois dias, que a opinião era também a mesma...

Não deixa de ser curioso como nos sentimos mais seguros das nossas coisas quando são partilhadas...

Provavelmente

Aqui há dias pensei, pela primeira vez, que isto tudo poderá fazer algum sentido.

Houve uma altura em que tive que ir.
Sabia que o tempo aqui estava esgotado, e que a mudança era a única porta a abrir para que o futuro entrasse. Apesar disso, quando vi concretizada a minha partida, agarrei-me com todas as forças ao que gritava cada bocadinho de mim, despedaçada, porque ir embora era uma dor bruta, constante e pesada, que me esmagava o peito, que me sugava o pouco ar que conseguia respirar...
Não queria ir, mas sabia que era preciso: a eterna divisão...

Fui.

Metade do tempo que lá passei estive a sufocar, a afogar-me em mim própria, nas minhas memórias, na falta que tudo e todos faziam no meu dia-a-dia.
A outra metade foi passada a abrir os olhos e o coração, a pacificar, a acalmar.
A aprender pessoas novas e coisas velhas, tudo como bálsamos.

Para onde me virar, então, quando chegou a hora de decidir?
Não tive escolha possível, tive que voltar, e não me custou.

E hoje penso que tive que voltar só para perceber que talvez seja verdade: não acho que pertença aqui.

E quero ir, de novo, para onde não queria estar.

É minha vontade? É.
Quando lá chegar, vou achar que estava bem aqui?

terça-feira, 29 de maio de 2007

Eu não sinto

Enquanto escrevo isto penso que nem pensando em ti consigo chorar, já.
É normal, o tempo suaviza tudo, e essa ferida está menos aberta.

Se lesses isto talvez percebesses que todos atrofiamos, uns mais do que os outros.
E que todos temos um lado bom e um lado mau, que somos todos egoístas e mesquinhos de vez em quando, e que, ainda assim, podemos ser boas pessoas.
Que mesmo com os anos a passar, alguns de nós terão sempre atitudes catalogadas pelos outros como infantis e imaturas.
Que todos sofremos com a falta de alguém, que sentimos ciúmes mesmo quando estamos seguros, que duvidamos, e que perdemos, às vezes, a fé nos outros ou, mais grave, em nós próprios.
Ias perceber que ninguém sabe viver, apenas há pessoas que fingem melhor.

Talvez já soubesses tudo isto, ou se calhar não.
Sei que não te faria sentir melhor.
A mim não faz....
Sentir-te-ias menos sozinha?
Não sei...

Acontece-me às vezes, sonhar contigo

E, no sonho, vendo-te e ouvindo-te, não consigo acreditar que seja verdade.
Mesmo a sonhar há qualquer coisa que me impede de viver esse breve instante de proximidade como real.
No entanto, lembro-me perfeitamente de sentir um estilhaço no peito quando ouvi a tua voz.
A tua voz.....

Meu deus, como tenho saudades tuas.....

Não deixa de ser curioso que me tenhas aparecido exactamente quando senti que precisava de me libertar destas toxinas emocionais que me devoram por dentro, porque foi desde que foste embora que deixei de conseguir chorar.
Quando acordei estava já atrasada.
Apetecia-me continuar a dormir, para fazer de conta que estava contigo um pouco mais, mas havia o comboio...
Enquanto procurava alguma coisa para vestir encontrei uma das tuas t-shirts, vesti-a e, de vez em quando, ao longo do dia, passava a mão pelo tecido já gasto, como se te pudesse abraçar...

domingo, 27 de maio de 2007

Aos poucos vou percebendo porque insisto?

Depois de realizada a escolha, o desenrolar do tempo, como um novelo, mostra-me que estava certa, e que o investimento gigantesco que fiz para ir valeu a pena.
Não sei até que ponto isto é produtivo, porque sei que para a próxima vou sentir a mesmíssima dificuldade em dar o passo. Mesmo sabendo que o estar, depois, é fácil, e é bom.

Desliguei de tudo.
Isso é reconfortante e assustador ao mesmo tempo.

Reconfortante porque o permanecer ligada não cria nada de novo ou positivo.
Para que hei-de ausentar os olhos e o coração do meu corpo, se isso só traz dor?
É bom que fiquem juntos: já se conhecem.
Não se estranham...

Assustador porque me lembra o velho ditado que diz longe da vista...
E assim parece, quase, que nada importa e que tudo e todos são substituíveis.
Não somos todos?

Não sei porque insisto em tentar acreditar que não.
Sublinho o tentar, porque me agarro com todas as forças à ideia de que não somos, mas nem sempre consigo ter a certeza disso....