segunda-feira, 16 de julho de 2007

As horas a que o Blogger devia fechar

Amanhã tudo isto me vai parecer apenas tempo desperdiçado.
Hoje há um certo gozo masoquista (redundância?) em explorar a fundo os buracos negros que me esvaziam a alma.

Achei que pertencia aqui, um dia...

As palavras esgotaram-se, perdidas entre as irregularidades desta estrada que percorro já quase sem abrir os olhos, só virada para dentro.
Não choveu, mas não tive estrelas a guiar-me, e ao chegar a casa estava quente, como que à minha espera.
Atiro as coisas para os cantos provisórios em que moram, um pouco como eu, e abro estas janelas fechadas, que às vezes só servem para me engolir inteira.
Adio o início da semana como se isso a fizesse desaparecer, mas sei que só me estou a enganar. Então abro o peito para o que me espera e fecho os olhos com força, à espera do choque frontal.

Alguma vez vou encarar alguma coisa na minha vida como definitiva?
Alguma vez vou sentir que pertenço realmente a algum sítio?
Alguma vez vou sentir que pertenço realmente a alguém?

No pasa nada...

domingo, 15 de julho de 2007

Saldo positivo

De tanto me fazerem boa pessoa, talvez um dia eu acabe mesmo por me transformar numa.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Uns do tamanho dos outros

Foi então que se virou e disse, a sorrir um sorriso grande: "O que é bom nisto tudo é que ninguém tenta ser mais. Tentamos, isso sim, que os outros, os nossos outros, sejam mais. E com isso tornamo-nos maiores."

segunda-feira, 9 de julho de 2007

As chuvas vieram

Difícil que tivesse acontecido numa altura menos própria.
De certa forma estava à espera há já algum tempo, mas não pude nem sequer aproveitar para lavar a alma.....

E eu, que não tenho problemas, espalho-me ao comprido no chão.
E tenho dificuldade em levantar-me.

Conheço pessoas que têm problemas.
Problemas a sério, e não estes dramas caseiros que eu adoro representar para mim própria.
Essas pessoas têm problemas, mas nem por isso deixaram de rir, de cumprir os seus deveres, de ser inteiras mesmo que por dentro se sintam aos pedacinhos.

sábado, 7 de julho de 2007

if the devil is six, then god is seven?*

sábado, o sétimo dia
dia sete
mês sete
ano sete

desta vez não consegui manter-me acordada até às sete horas, sete minutos e sete segundos...

*pixies

DNA
(ou então: e se eu fosse dromir?)

fraquezas

não consigo deixar de achar curioso: o que a seduz nos outros é exactamente o que a mim me assusta...

Fast Car*

Poucas coisas me sabem tão bem como ir ao lado de algumas pessoas, depressa, a música aos berros a devorar o silêncio e a estrada...

Ter quase a sensação de não ir a lado nenhum, de não ter que chegar nunca mais....

*Tracy Chapman

Para que raio escrevo eu aqui???

Houve uma altura em que me parecia legítimo explicar tudo o que não era capaz de dizer ou fazer, e tudo o que, fazendo, não resultava propriamente de acordo com as minhas intenções, numa folha de papel, cheiinha a abarrotar de palavras azuis.

Hoje percebo que isso não faz sentido, já.
As coisas que não se fizeram ou que não se disseram e que tinham que ter sido ditas e feitas não cabem em cartas, tal como não cabem todos os nossos actos falhados.

Crescemos (crescemos?), assumimos os nossos erros, e se quisermos falar deles e retractar-nos devemos agir e falar, e não esconder-nos em letras.

Tropeçar

Percebi, ali sentada, que há coisas que não vão nunca ser diferentes.
Às vezes engano-me e penso que sim, mas aos poucos vou distinguindo que não adianta procurar outro caminho: os meus pés só conhecem as pedras desta estrada.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Continuo às voltas

Ultimamente sinto-me a escolher, de entre o que não me apetece fazer, aquilo que me parece menos penoso.
Sei que está a escapar ao entendimento das pessoas este meu comportamento.
Sei que, quando emergir, vou ter pena de não ter aproveitado outras coisas, outras pessoas, outras andanças.
Mas é sempre assim, faz parte do ciclo...

E sim, a falta de inspiração que aqui se lê também faz parte dessas voltas, quais quer que elas sejam.

Ou então era só mesmo a ressaca

Percebi que há vários indícios de ausência de normalidade.
Sempre fui mais feliz no verão, sozinha ou acompanhada.
Este verão, chuvoso e menos quente que os últimos está a parecer-me estranho.
E ontem, quando recusei um convite para ir à praia, percebi que não estou, de facto, em mim.

Countdown

Quando a máquina começa a mexer, sinto os sistemas de protecção começar a activar.
Brevemente atingem o nível máximo.

Começa então o processo de afastamento.

Não sei porque me lamento, não são os outros que me deixam: eu é que os deixo a eles.

(e como este há este e este)

insónia

"...poderá, portanto, dormir um pouco mais. Isto é o que costumam dizer o insones que não pregaram olho em toda a noite, mas que, pobres deles, julgam ser capazes de iludir o sono só porque lhe pedem um pouco mais, apenas um pouco mais, eles a quem nem um minuto de repouso lhes havia sido concedido."
José Saramago, As Intermintências da Morte (pag 187, Caminho)

quarta-feira, 4 de julho de 2007

como se fazem as pazes com o rock
(ou obrigada m.)



que me sirva de lição, para perceber que não posso continuar a render-me só ao que é imediato e fácil...

(talvez por isso não possa deixar de agradecer a quem me ajudou a pôr outra vez os pés neste caminho)

terça-feira, 3 de julho de 2007

o nada

queria
quero escrever

o tempo que se adia permanentemente a ele próprio nos pequenos gestos do dia-a-dia que não sabemos como concretizar fora da rotina

queria
quero uma vida

(bom, na realidade já tenho uma, só não sei é se estou a fazer dela o que devia)

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Viajar, viajar, viajar...

Tenho conhecido cidades e acumulado na alma o peso da vontade de regressar, para ficar dias, semanas, meses...
Vivê-las até ao tutano e só depois voltar a partir.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

frase(s) feita(s) da noite

nem sempre temos aquilo que mais gostamos
nem sempre encontramos aquilo que procuramos

Landing

O avião iniciou a descida e ao mesmo tempo sinto a caneta falhar.
Espero que dure o suficiente para poder escrever que também eu tento aterrar, tenho coisas para fazer, tarefas a cumprir.

24.06.2007

Protesto contra o Blogger em Português

eu não publico "mensagens": publico posts.



rais'coma!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Sou capaz do amor incondicional?

Sou.

E se acho que não devia ser incondicional faço só de conta que não é.
Escondo-o, modifico-o, espalmo-o com as mãos abertas, pesadas, como quem molda uma peça de barro antes de a meter no forno.

E sim, é bem possível que acabe por estalar, se não tiver sido bem trabalhado...

(mas o que raio é o amor incondicional???)

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Seja como for, há assuntos que é melhor não explorar

Seguindo a mesma linha, quando há erros, não são os dos outros que eu não perdoo: são os meus.

E também isso leva às distâncias.

domingo, 17 de junho de 2007

Não há mal, foi só uma jarra.

Às vezes dou por mim a olhar para a frente com medo, mas percebo porque acontece: não confio em mim.

E tudo o que se estragar estragar-se-á por causa disso.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Não era suposto ser ao contrário?

Não percebo porque a vida se torna cada vez mais difícil à medida que aprendemos mais com ela.

s.o.s.



Tenho um amigo que acha que devíamos começar a vida ao contrário: nascíamos velhinhos, com dificuldades e poucas capacidades e íamos melhorando a passos largos, com a vantagem de acabarmos sem sofrimento e sem conhecimento, num lugar quentinho, calmo, em paz...

Eu acho que concordo com ele.

O tipo que inventou isto não pensou bem nas coisas.
Ou será que temos mesmo que pagar os pecados todos do mundo?...

É muito difícil suportar o sofrimento das pessoas de quem gostamos.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

porque sim

"Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica..."
Vinicius de Moraes, Soneto do amigo

terça-feira, 12 de junho de 2007

Também para aqui me arrastei, que não me apetecia escrever.

Eu própria estou farta da minha conversa dos últimos tempos.
E nem é só da conversa: estou farta desta pessoa que não tem vontade de nada, que se arrasta para trabalhar, para escrever, para sair, para cantar e dançar, para estudar..........
Sinto a vida à minha frente, a levar-me por uma corda, quase (quase!) contra a minha vontade...

Xiça!


(é tempo de acordar....)

Apetecia-me queixar-me, mas vou evitar fazê-lo

Arrastar-me pelo dia, lutar contra o sono, contra as dormências, contra as ausências.
Arregaçar as mangas e dar início ao trabalho: se quero uma mudança tenho de ser eu a iniciá-la.
Adormecer em cima dos cotovelos em cima da mudança.
Arrastar-me pelas obrigações cívicas.
Não ver o Lost para continuar a trabalhar na mudança...
(melhor, assim rende mais!)

Tanto tempo?

Enquanto trocava o saco do aspirador, percebi que durou mais ou menos um quarto do tempo que é suposto aqui ficar.
Talvez um bocadinho mais....

Será que volto a comprar sacos de aspirador aqui?


(e isto leva-me ao que é, ao mesmo tempo, reconfortante e assustador...)

domingo, 10 de junho de 2007

Custa é esperar...

Algumas pessoas, vindo aqui, talvez fiquem um pouco tristes com a minha conversa dos últimos tempos.

Preferia, sinceramente, que não fosse assim, e talvez não seja um consolo, mas acho que não é pior graças a vocês.

Tudo isto são fases, tudo passa e tudo volta.

Sinto-me atrasada em relação à vida

Parece-me que ando a marcar passo, a empatar tempo para chegar onde quero...
Mas como estou a percorrer um caminho de horas, dias e anos, não os posso saltar, passar à frente, escolher simplesmente o fast forward...

terça-feira, 5 de junho de 2007

Les Poupées Russes


(roubada descaradamente à Joana)

Para achar a última é preciso abrir a primeira....

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Meio vazio/meio cheio

A minha vida processa-se em ciclos, nos quais fases melhores alternam com fases piores, que por sua vez alternam com fases melhores, e assim sucessivamente.
Suponho que não seja só a minha vida...

Desde Janeiro começou mais uma fase descendente, depois de um ano mais ou menos calmo.

Hoje, dentro do carro, a música aos berros teve pela primeira vez um efeito diferente. Senti uma certa paz, e pensei que enquanto os tiver por perto, e puder ir beber uma geladinha com tremoços e deitar conversa fora (porque nos sobra), está tudo bem.
E quase (quase...) não preciso de mais nada.

Preciso de manter os olhos bem abertos para conseguir ver sempre o copo meio cheio.

domingo, 3 de junho de 2007

Dos defeitos não tão pequenos assim

Há pessoas um pouco cansativas.
Consigo perceber porque sou uma delas.
Não consigo perceber porque não consigo mudar-me em tudo o que me fazia falta...

Discos pedidos...

"I wish I was a fisherman
tumbling on the seas
far away from dry land
and its bitter memories
casting out my sweet line
with abandonment and love
no ceiling bearing down on me
save the starry sky above
with Light in my head
and you in my arms

I wish I was the brakeman
on a hurtling, fevered train
crashing headlong into the heartland
like a cannon in the rain
with the beating of the sleepers
and the burning of the coal
counting the towns flashing by
in a night that's full of soul
with Light in my head
and you in my arms

I know I will be loosened
from the bonds that hold me fast
that the chains all hung around me
will fall away at last
and on that fine and fateful day
I will take me in my hands
I will ride on the train
I will be the fisherman
with Light in my head
and you in my arms"
Waterboys, Fisherman's Blues

Se me cantassem isto ao ouvido eu nem precisava de ter sono para dormir melhor....

quinta-feira, 31 de maio de 2007

E a sexta-feira é o dia mais alegre de toda a semana

Hoje é quarta.
Amanhã é quinta.
Depois de amanhã é sexta.

Na verdade, hoje é quase quinta, o que faz com que amanhã seja quase sexta.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Das distâncias #2

Há alturas em que dava tudo para poder esticar o braço e tocar algumas pessoas, para estar um pouco mais perto... mais à mão... para tudo e para nada.

(não é para isso que serve quem realmente importa?)

"Tive que vir para saber que não posso ficar...."

Em conversa com alguém que se encontra exactamente na mesma situação que eu soube, há dois dias, que a opinião era também a mesma...

Não deixa de ser curioso como nos sentimos mais seguros das nossas coisas quando são partilhadas...

Provavelmente

Aqui há dias pensei, pela primeira vez, que isto tudo poderá fazer algum sentido.

Houve uma altura em que tive que ir.
Sabia que o tempo aqui estava esgotado, e que a mudança era a única porta a abrir para que o futuro entrasse. Apesar disso, quando vi concretizada a minha partida, agarrei-me com todas as forças ao que gritava cada bocadinho de mim, despedaçada, porque ir embora era uma dor bruta, constante e pesada, que me esmagava o peito, que me sugava o pouco ar que conseguia respirar...
Não queria ir, mas sabia que era preciso: a eterna divisão...

Fui.

Metade do tempo que lá passei estive a sufocar, a afogar-me em mim própria, nas minhas memórias, na falta que tudo e todos faziam no meu dia-a-dia.
A outra metade foi passada a abrir os olhos e o coração, a pacificar, a acalmar.
A aprender pessoas novas e coisas velhas, tudo como bálsamos.

Para onde me virar, então, quando chegou a hora de decidir?
Não tive escolha possível, tive que voltar, e não me custou.

E hoje penso que tive que voltar só para perceber que talvez seja verdade: não acho que pertença aqui.

E quero ir, de novo, para onde não queria estar.

É minha vontade? É.
Quando lá chegar, vou achar que estava bem aqui?

terça-feira, 29 de maio de 2007

Eu não sinto

Enquanto escrevo isto penso que nem pensando em ti consigo chorar, já.
É normal, o tempo suaviza tudo, e essa ferida está menos aberta.

Se lesses isto talvez percebesses que todos atrofiamos, uns mais do que os outros.
E que todos temos um lado bom e um lado mau, que somos todos egoístas e mesquinhos de vez em quando, e que, ainda assim, podemos ser boas pessoas.
Que mesmo com os anos a passar, alguns de nós terão sempre atitudes catalogadas pelos outros como infantis e imaturas.
Que todos sofremos com a falta de alguém, que sentimos ciúmes mesmo quando estamos seguros, que duvidamos, e que perdemos, às vezes, a fé nos outros ou, mais grave, em nós próprios.
Ias perceber que ninguém sabe viver, apenas há pessoas que fingem melhor.

Talvez já soubesses tudo isto, ou se calhar não.
Sei que não te faria sentir melhor.
A mim não faz....
Sentir-te-ias menos sozinha?
Não sei...

Acontece-me às vezes, sonhar contigo

E, no sonho, vendo-te e ouvindo-te, não consigo acreditar que seja verdade.
Mesmo a sonhar há qualquer coisa que me impede de viver esse breve instante de proximidade como real.
No entanto, lembro-me perfeitamente de sentir um estilhaço no peito quando ouvi a tua voz.
A tua voz.....

Meu deus, como tenho saudades tuas.....

Não deixa de ser curioso que me tenhas aparecido exactamente quando senti que precisava de me libertar destas toxinas emocionais que me devoram por dentro, porque foi desde que foste embora que deixei de conseguir chorar.
Quando acordei estava já atrasada.
Apetecia-me continuar a dormir, para fazer de conta que estava contigo um pouco mais, mas havia o comboio...
Enquanto procurava alguma coisa para vestir encontrei uma das tuas t-shirts, vesti-a e, de vez em quando, ao longo do dia, passava a mão pelo tecido já gasto, como se te pudesse abraçar...

domingo, 27 de maio de 2007

Aos poucos vou percebendo porque insisto?

Depois de realizada a escolha, o desenrolar do tempo, como um novelo, mostra-me que estava certa, e que o investimento gigantesco que fiz para ir valeu a pena.
Não sei até que ponto isto é produtivo, porque sei que para a próxima vou sentir a mesmíssima dificuldade em dar o passo. Mesmo sabendo que o estar, depois, é fácil, e é bom.

Desliguei de tudo.
Isso é reconfortante e assustador ao mesmo tempo.

Reconfortante porque o permanecer ligada não cria nada de novo ou positivo.
Para que hei-de ausentar os olhos e o coração do meu corpo, se isso só traz dor?
É bom que fiquem juntos: já se conhecem.
Não se estranham...

Assustador porque me lembra o velho ditado que diz longe da vista...
E assim parece, quase, que nada importa e que tudo e todos são substituíveis.
Não somos todos?

Não sei porque insisto em tentar acreditar que não.
Sublinho o tentar, porque me agarro com todas as forças à ideia de que não somos, mas nem sempre consigo ter a certeza disso....

sábado, 26 de maio de 2007

O problema é que às vezes é mesmo preciso...

Mas depois é nisso que penso, em tudo o que tenho.
E penso que sou estúpida por achar que preciso de chorar quando tenho sorte.

Tanta sorte...

Lentamente

"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não
ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem
não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do
hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não
conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o
negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um
redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos
olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um
sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da
sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de
iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não
responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Morre lentamente..."
Pablo Neruda, Morre Lentamente


Às vezes é assim que me sinto: a morrer lentamente.
Mais triste do que não ter amigos, do que não ter companhia, do que não ler, ver e ouvir, é achar que nada disto é suficiente, é não ser capaz de ser feliz assim, é o medo, o eterno medo da solidão.
(Ou será já ela própria?)

Não há muito tempo perguntaram-me se eu era feliz e eu respondi que não era infeliz.
Foi uma boa forma de escapar à pergunta. Ou talvez não.
O não ser infeliz é quase ser feliz. Nestes últimos tempos a balança inclina-se perigosamente para o outro lado e eu vou ter que conseguir equilibrar tudo: os pratos, os pesos, a tristeza e os risos, o que foi bom e o que é mau.

Seria mais fácil se conseguisse simplesmente chorar...

A noite, sempre a noite...

O tempo está esquisito, não chove nem deixa de chover, o céu não está negro nem cinzento, não se vêem estrelas nem lua, nem nada que valha a pena, na realidade...

Vinha para casa, a música no rádio, a minha cabeça feita claras em castelo a desabar, e a dada altura vacilei. Não virei na rua certa e fiz de conta que voltava, que não era aqui que ficava, que não era aqui que estava...

Às vezes não sei para quem ando a fingir.
Talvez o mais grave seja eu saber, no fundo, que é para mim própria, não acredito que engane mais ninguém.

Sei o que devia fazer, mas não quero fazê-lo.
Sei onde devia estar, mas não quero estar.
Sei tanta coisa que não serve para nada, porque ando a fazer de conta que o caminho está seguro à minha frente, e não o tenho conseguido ver.
Na pressa de acertar o passo tropeço nos meus próprios pés, e ando cambaleante só para não cair.

Se calhar mais valia o contacto bruto com o chão, em vez desta moinha que se repete desde que adormeço até que acordo, e desde que acordo até que volto a adormecer, e que parece não querer deixar-me respirar em paz.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

La Môme



Não tive oportunidade para trocar impressões sobre isto, mas achei que algumas coisas são um pouco confusas, muitas pessoas que aparecem sem saber de onde e uma cronologia nem sempre fácil de seguir.
Apesar disso, se não conhecia muito de Edith Piaf, depois de ver o filme fiquei com vontade de conhecer.

Que vida.......

quinta-feira, 24 de maio de 2007

O meu combustível são as pessoas

Eu, que escolhi estar mais longe delas...
Eu, que passo a maior parte do dia sozinha...

Eu movo-me a gente.

(ouviram?!)

quarta-feira, 23 de maio de 2007

O diabo...

Curiosamente, seis meses depois, continuo a perguntar-me, sempre, sem excepções, porque continuo a obrigar-me a ir.
Às vezes, quando saio, percebo porquê.

Para compensar tudo o resto, hoje foi um desses dias.

terça-feira, 22 de maio de 2007

O melhor para o fim...

Há pessoas que me enchem de um carinho, de uma ternura inexplicáveis, de um amor sem limites...
E é um sentimento bom, seguro, pleno, que não precisa de correspondências a determinados níveis, nem de justificações.
Existe e pronto.

Tem de ser já...

A noite foi curta, e quando o despertador tocou o meu corpo emitiu sinais de alerta: é verdade que há dias em que devíamos ficar simplesmente a dormir, como se não houvesse vida além dos sonhos...
A custo saí do conforto em que estava, fui tomar banho e tomei o pequeno almoço, e acho que não devo ter aberto os olhos em nenhum momento.
Ao chegar à oficina percebi que não me apetecia estar ali, que preciso definitivamente de uma mudança, apesar de todas as coisas boas a que tenho direito por ser funcionária da empresa.
A manhã arrastou-se pesadíssima, e esperei ansiosa pela hora de almoço para poder voltar a casa, e ser reanimada por um café forte.
Mas a verdade é que não adiantou muito: arrastei-me novamente pela tarde fora.
No finzinho, mesmo, fui chamada pelos chefes: um bónus maior do que esperava pelos meus serviços e algumas mudanças anunciadas.
Fiquei contente, mas, tal como o café, não conseguiu reanimar-me...

Preciso, definitivamente, de uma mudança em vários sectores da minha vida.
Se fosse só um de cada vez seria, provavelmente, mais fácil, mas muitas coisas ao mesmo tempo sempre me baralharam.
Então respiro fundo e penso que tenho que encontrar a força que me está a escapar pelos pés de cada vez que vou correr.

E sei que a vou encontrar, e como sei disso o tempo custa mais a passar, porque era preciso que fosse já...

Não estou habituada a isto: tenho, ultimamente, dificuldade em pôr em prática as minhas tretas...

Baralhada?
Ligeiramente...

"a warning sign
i missed the good part then i realized
that i started looking and the bubble burst
i started looking for excuses

come on in
i've gotta tell you what a state i'm in
i've gotta tell you in my loudest tones
that i started looking for a warning sign

when the truth is
i miss you
yeah the truth is
that i miss you so

a warning sign
you came back to haunt me and i realized
that you were an island and i passed you by
when you were an island to discover

come on in
i've gotta tell you what a state i'm in
i've gotta tell you in my loudest tones
that i started looking for a warning sign

when the truth is
i miss you
yeah the truth is
that i miss you so

and i'm tired
i should not have let you go, oh

so i crawl back into your open arms
yes i crawl back into your open arms
and i crawl back into your open arms
yes i crawl back into your open arms"
coldplay, warning sign


Não sei o que tinha para dizer.
Sei que voltei a ter vontade de ouvir esta música em repeat mode, e as fases coldplay não costumam ser propriamente as melhores...

Também sei que sempre que tenho estas ressacas me lembro mais de ti.

E não era suposto...

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Amanhã, talvez...

E hoje sim, tenho novidades que não são novas.
Coisas para as quais olhei apenas de forma diferente.
Mas pesam-me os olhos, e o corpo pede descanso...

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Novidades???

Continuo com apetite, vi mais um episódio do Lost.

Fui correr.
Passei quase doze horas do meu dia contigo.

Pergunto-me para quê...

Dou por mim novamente à espera do golpe de misericórdia, e não faço a mais pequena ideia de onde irá cair desta vez.

terça-feira, 15 de maio de 2007

E novidades?

Troquei o blog pelo Lost: viciadíssima outra vez.
A preguiça domina em todos os campos: abandonei a corrida.
Acabou-se a falta de apetite e a capacidade para controlar o que sobrou: imparável a caminho dos 70? (deus ma libre...)

À medida que o tempo passou, a vontade de estar contigo foi caindo.
Se pensar nisso, não foi assim tanto tempo: ainda nem sequer passaram dois meses.
A mim tem-me parecido uma eternidade: os dias mais compridos do último ano.....

domingo, 13 de maio de 2007

Ah...

... e além disso, assim não me dói o domingo.

Não vale a pena afogar-me sozinha

E agora, que aqui fiquei, percebo que me soube bem.
Outras pessoas, outras conversas, outros dias e outras noites.
Quase como se fosse um sítio diferente daquele em que me tenho afundado nos últimos tempos...

Está na hora de olhar à volta, para cima e para baixo, perceber onde está a superfície e nadar para lá.

À procura de quê?


(daqui)

Parecemos cavalos cansados, em busca da própria sombra, e caramba! é tão raro cruzarmo-nos com ela...

quarta-feira, 9 de maio de 2007

O mais depressa possível, por favor

Já quase nem me lembro da vida antes de cá estar.
Habituei-me depressa às viagens, às noites cheias e aos dias largos, às pessoas que me faziam já falta, à cidade, à minha casa... A tudo, posso dizer.

E agora, que passou mais de um ano, sinto uma coisa que ainda não tinha experimentado em todo este tempo: sinto-me sozinha.

Vejo gente, procuro contrariar a falta de apetite para (quase) tudo e forço-me a ir, a ir sempre...

Já não sei estar assim, só quero que isto passe...

terça-feira, 8 de maio de 2007

on/off

Não sou, de certeza, a única pessoa do mundo a achar-se diferente de todas as outras.
E, apesar de saber isso, quanto mais o tempo passa mais eu me acho, de facto, diferente.

É quase como se me tivessem instalado uma célula fotoeléctrica que reage à presença alheia. Estou sempre atenta, sempre ligada, sempre alerta.
E ainda não descobri se é melhor ser ou deixar de ser assim.

O meu lado romântico (e nunca pensei admitir, sequer, ter um...) acha bonito este amor pelos outros, assim mesmo, exagerado, sem limites.
O meu instinto de sobrevivência diz-me que é ridícula uma pessoa que está sempre ligada às outras, que as respira, que as toca, que vive delas, com elas, para elas.

Sem os outros nada do que sou faz sentido, e às vezes sinto-me uma construção suspensa no vazio, sem alicerces que me suportem.

E a verdade é que gostava de ter um pouco de paz, de poder carregar no botão onde se desliga a tal célula, nem que fosse por uns minutinhos....

Até porque acabo sempre por concluir que não há correspondência ou valorização possível para esta estúpida maneira de estar e de ser.
Se ninguém está a aproveitá-la, esta luz toda é um desperdício de energia...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Porque nunca chega o que temos....

É característica, esta vontade de estar sempre como e onde não estou...
Agora, que passei a fronteira, dou por mim a desejar com todas as minhas forças voltar à segurança morninha em que estava antes destes passos...

Não estou arrependida, o que se passou devia ter-se passado, para evitar os famosos "ses".
Eu é que tinha que ter sabido educar melhor o monstro que alimentei...

domingo, 6 de maio de 2007

Pequena dúvida #3

Quando começamos a ter medo que acabe, é sinal que já acabou?

"Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces, ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Como no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta de haberla perdido.
Aunque ésta sea el último dolor que ella me causa,
y éstos los últimos versos que yo le escribo."
Pablo Neruda, Puedo Escribir Los Versos Más Tristes Esta Noche

memória

e agora fecho de novo os olhos...
queria esquecer-me do cheiro entranhado na pele, da pele entranhada no corpo, do corpo entranhado em mim.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

eu e a minha grande treta

digo que tudo está bem se me parece bem
encaro com calma as tempestades à minha volta e elas passam
aceito o que o destino me traz sem reclamar
gosto das pessoas que chegam e sofro quando as vejo partir, mas tento não o mostrar (que estupidez....)
se não posso mudar o que não me agrada, não penso mais nisso
se tenho dois caminhos e só posso escolher um, então vou sem olhar para trás
e se tiver que escolher entre o fazer e o não fazer, escolho não ficar a pensar em como poderia ter sido

estou pronta para escrever um livro de auto-ajuda, e devo ser a minha primeira leitora
(o que quer que isso signifique)

domingo, 29 de abril de 2007

esquissos

o meu coração é um livro velho
nas páginas amarrotadas escreve-se a tinta permanente
um caminho cheio, feito de pedras desalinhadas
onde caminham pessoas, muitas pessoas, gente
um caminho feito tantos destinos, tanta música sumarenta
um caminho que se ri risos vibrantes, jovens, coloridos

o meu coração é um mapa de papel vegetal
em cada estrada esboçam-se escolhas, e os dedos percorrem cada uma delas
devagar, como se fossem pele, quilómetros de ti para navegar

o meu coração é um banco de jardim
uma flor, relva e plátanos
tu chegas, sentas-te, encostas-te
abres o livro que trazes para ler
e é um livro velho, de páginas amarrotadas
onde desenhas mapas que te perdem de mim

em carne viva

há pessoas que se tatuam em nós, que nos marcam a pele e os músculo por baixo

no momento em que nos deixam, o barulho da carne a rasgar-se do osso materializa-se dor crua, fria, insuportável

c'est la vie...

À medida que o tempo passa noto uma dificuldade cada vez maior no regresso.
A tudo.
E não quero explorar este sentimento, continuo na ilusão de que as coisas se tornam mais reais depois de escritas...



De qualquer forma não há nada a fazer, é tal e qual como se descreve na imagem...

A caminho....

"Quando olho para a frente assusto-me.
Penso no que vivi, no que ouvi, no que senti, no que aprendi e no que sei, e percebo que os passos que me esperam são bem maiores do que as minhas pernas...
Falta-me ainda o mundo...
Inteiro."

25.04.2007

...e é uma vida boa...



se fechar os olhos consigo esquecer-me de quanto tempo passou e julgo que estive longe, muito longe uma vida inteira...

sábado, 21 de abril de 2007

Até já.

O saco está pronto, as sandes feitas, os mapas à mão e o carro preparado.
Tenho vontade de ir. Muita.
Por mim e por elas.

E se quero deixar-te para trás, ao mesmo tempo não quero, acho que ainda é cedo...
Mas não é.

E eu não tinha saudades desta luta interior.... Nenhumas.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

O tempo passa e eu escrevo novelas

De forma egoísta penso que estive.
Ri e tentei fazer rir, falei a sério quando foi preciso.
Ouvi muito.
Brinquei.

Toquei, mas não te consegui tocar.

Também de forma egoísta penso que podias ter sido feliz com isto, se tivesses tentado...
(e eu?)

sábado, 14 de abril de 2007

[suspiro] (mas devia gritar)

Não sei quem terá dito um dia que "no meio é que está a virtude".

É mentira.
É uma grande mentira.

Pior do que o amor e o ódio, do que o gelo e o fogo, do que as lágrimas de tristeza e de alegria, são a indiferença, o morno, a incapacidade de chorar...

Pequenas coisas que me confortam

Sobre o silêncio...

Falta o quase?

Tenho dificuldade em aceitar que se desperdice, assim, a vida que me enchia o peito.
Por incapacidade de sofrer, a alma materializa-se e tenta expulsar-te com uma tosse irritativa e irritante.
Quase, quase seca.....

Apneia

Esta é a hora vazia, em que tudo o que me cerca se reveste de todos os significados possíveis ao mesmo tempo.
Queria, agora mesmo, estar em todos os lugares onde não consegui estar mesmo estando.
Queria tocar as pessoas que deixei passar ao meu lado sem um gesto de fazes-me falta.

Queria não ter este coração velho do qual nem dona sou, é ele quem me possui inteira, quem me encerra lá dentro, quem me sufoca, quem me tira o ar que talvez não precise sequer de respirar.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Turn around...

Fui eu que quis, que procurei, que descobri o que já nem sequer julgava possível...

Agora nada é concreto, mas para mim começa a definir-se cada vez mais, e volta a sensação de desperdício.

Porque este novo fôlego, este ar que respirei e que tanto me custou juntar dentro dos pulmões, será expirado lentamente para o vazio onde tu estás de costas.
E por mais que estenda a mão e tente chegar com a ponta dos meus dedos esticados aos teus ombros seguros à minha frente, eles estão, estarão sempre a uns milímetros mais de distância.

terça-feira, 10 de abril de 2007

E se nunca mais.......

Mais uma vez às voltas com as palavras, que não chegam para o que eu sinto...

Não estar, não ver, não ouvir, não tocar... custa.
Primeiro porque mesmo perto não posso, depois porque quando não estou perto queria estar.
O tempo passa devagarinho, e se não te vir, se não souber nada teu, se não te ouvir, se não te sentir perto, começa então a desaparecer a urgência com que necessito de tudo isto. Os sentimentos suavizam-se, tornam-se quase amenos, como se fossem desaparecer a qualquer momento, e é fácil estar longe.
Muito mais fácil do que estar perto.

terça-feira, 3 de abril de 2007

a conjugação do verbo desperdiçar começa a ser a minha especialidade

e o desperdício não é a dor, nem a falta de letras

(é o que eu disse)

desperdícios #12

não há letras suficientes para escrever a dor de gostar de ti

(pronto, disse-o)

masoquismo

novela e Maria Bethania em repeat mode

Negativo

Começou a Primavera mas a chuva continua a cair e está um frio de neve.

À minha volta tudo se reveste de significados estranhos, como se de repente as cores se invertessem e apenas o cinzento continuasse cinzento.

O que foi bom não deixou de o ser, mas começa agora a adquirir formatos distintos daqueles que teve no início, e eu começo a não saber como gerir isto que fiz questão de criar.


Aos poucos o tempo vai-se fechando sobre nós, entre nós.

domingo, 1 de abril de 2007

toneladas

quando não cabe dentro do coração, a alma devia fazer dieta

quinta-feira, 29 de março de 2007

Porque gritam todos aquilo que eu não quero dizer?

Os olhos baços, embaciados, húmidos, brilhantes...
Os olhares vagos que vagueiam, que falam, que fogem, que sofrem, que riem...
As rugas, as sobrancelhas, as pálpebras...
Os risos e os meios sorrisos, os lábios mordidos, apertados...


O que há para dizer não é muito, mas é grande.

E há coisas que eu queria só minhas.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Frágil

"Não quero que se torne matéria palpável para não se partir", escrevi eu, não há muito tempo atrás...

E conhecendo-me, talvez devesse saber que não é seguro arriscar, o tipo da esquerda é demasiado activo.
Na verdade já tinha mostrado alguns sinais de impaciência...

E eu não sei se continua a ser cedo, ou se agora é tarde demais.

terça-feira, 27 de março de 2007

Conjugação*

Eu quis

Ele quis

Nós quisemos


*do Lat. conjugatione

s. f.,
junção;
ligação;

Gram.,
flexão dos verbos, por tempos, modos e pessoas;

segunda-feira, 26 de março de 2007

21 de Março

Quem sai à rua nestes dias pensa que o tempo retrocedeu.
Houve, realmente, um ameaço, uma amostra, um acenar, para de novo se retirar o sol, o céu azul, o calorzinho morno, confortável, bom...
Mas a hora não adiantou, voltou para trás, e o frio foi chamado, junto com as nuvens e a água a cair.

Apesar de tudo isto, se prestarmos um pouco mais de atenção, reparamos que a Primavera afinal já chegou.
Por causa dela chegou também a Poesia.

O Dia Mundial do Sono é para mim todos os dias, mas só o consigo festejar ao fim de semana...

Intimidade #2

"Que ninguém
hoje me diga nada.
Que ninguém venha abrir a minha mágoa,
esta dor sem nome
que eu desconheço donde vem
e o que me diz.
É mágoa.
Talvez seja um começo de amor.
Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao mundo.

Pode ser tudo isso, ou nada disso.
Mas não afirmo.
As palavras viriam revelar-me tudo.
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê."
Intimidade, Fernando Namora

sexta-feira, 23 de março de 2007

É uma casa...

Lembro-me de ir entrando e ir notando os cheiros a mudar, de me pôr descalça para sentir o meu chão debaixo dos pés, de passar as mãos pelas paredes pintadas...

É boa, muito boa esta noção do meu espaço.
E é bestial como este espaço se completa e torna pleno quando o partilho, quando serve para receber aqueles que me completam a mim.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Em cheio!

Não dormi particularmente bem.
Sonhei com trabalho, trabalho, trabalho...
Acordei tão tarde como tem sido costume.
Não houve tempo para a vitamina habitual a meio da manhã.
Há uma máquina pela qual tenho um ódio mortal. Nunca pensei sentir isto por uma coisa. Bom, antes por uma coisa...
Consegui duvidar da minha inteligência/capacidades de forma a ficar completamente desmoralizada.
Vi um gato em agonia e não consegui fazer nada. Quando voltei tinha desaparecido, terá, provavelmente, ido morrer a outro sítio.
Não tive tempo para preparar uma série de coisas que tenho que ter prontas: umas amanhã, outras no fim de semana.
Jantei a correr.
Consegui duvidar da minha inteligência/capacidades pela segunda vez, mas não fiquei completamente desmoralizada. Será esta a diferença entre trabalho e lazer?...
Agora vou dormir.

Amanhã será um dia melhor e terei mais ânimo para falar da Primavera...

terça-feira, 20 de março de 2007

Prontinho!

Já consegui escrever tantos posts este ano como no que passou.
Dou por encerrado este blog.
Até para o ano! (se Deus quiser!)

(brincadeirinha!)

segunda-feira, 19 de março de 2007

O meu papi é o melhor do mundo!

(e agora sei que já o disse!)

Gravíssimo!!!

Ando aqui tão entretida que só hoje, ao ver pela segunda vez que o La Force des Choses fez dois anos, me lembrei que o aniversário deste estaminé era por estas alturas...

Pois bem: no passado dia 7, ao contrário de todas as expectativas, arrastando-se ainda quando (quase) todos os que o acompanharam na altura da criação já morreram, este blog fez três anos.

Não sei se é motivo de celebração.

É, certamente, motivo de espanto...

Aqui continuam as minhas lembranças.
(não fosse eu uma agarrada e isto era tudo pó!)

Como queria substituir o vulgar não sei...

"Abro os braços ao infinito,
Abraçando-te na suavidade de
Uma tarde de domingo e sol
Cheio de música.
Como uma vaga de um doce
Calor quieto mergulho o meu
Coração nas tuas mãos firmes.
Assim adormeço ao luar
De uma esperança que brilha em
Cada noite escura, sob o olhar
Atento das estrelas.
E elas sim, vigiam o meu sono,
Para que um dia ao acordar os meus
Braços estejam finalmente fechados
Sobre a tua solidez, e não sobre a
Tua permanente ausência em mim.

Onde moras em cada grão de areia que cai a imitar o tempo?
Onde te escondes na frente de nuvens que tapam o céu de hoje?

Será que, sob o meu olhar atento a vigiar-te queres surgir, e na ânsia de achar não te encontro?"

04.02.1999


Às vezes tenho a sensação de que algumas coisas não mudaram nunca com o tempo que passou...

domingo, 18 de março de 2007

Virtuais, sim.

É tarde, como sempre.

Passo apressadamente os olhos pelos dias que passam depressa, e descubro que não sei para onde foram.
Excepto, talvez, dois ou três melhor aproveitados, que se guardaram em cds, porque cada vez há menos álbuns fotográficos.

A memória física, palpável, das coisas, está também a tornar-se virtual, como todas as outras.

Ultimamente apercebo-me de um fenómeno curioso: o tempo presente não existe. Há uma divisão arbitrária entre a semana e o fim dela. A semana passa como os dias de que falei há pouco. Procuram-se, então, os dias em que acaba, para que valha a pena. Valha o quê? A pena? Sim, para que valha a pena. Mas o quê? A pena. Não, valha a pena o quê? Valha a pena passar a semana depressa. Queremos que passe depressa para chegar ao fim. De qualquer forma dou por mim isolada nestas ilhas que são os fins de semana. E quando procuro uma nova ilha, um bocadinho mais à frente, falta muito, ainda, e falta tão pouco, porque começamos aos saltos no calendário e falta um mês, mas esse mês já está gasto, vejamos o próximo. Tenho um livre. Tu podes? Não, nesse não posso. Então e neste? Nesse não posso eu. E saltamos, continuamos a saltar. O tempo passa, passou, e não sei o que lhe fizemos.

Ao olhar para trás é tal e qual como já disse: espremeu-se qualquer coisinha.
Um concentrado de qualquer coisa maior, grande, gigante, especial, que preenche o vazio ocupado pelos outros dias vazios.

Guardam-se as memórias.

quarta-feira, 14 de março de 2007

...que fará quando acaba...

a reciprocidade já é tão efémera quando dura....

Que sei eu da vida? Das pessoas? De mim?

Às vezes, quando me perco nas minhas teorias sobre a vida, as pessoas, eu e as pessoas, as nossas relações, e as minhas emoções racionais, ando em círculos sobre mim própria, e as linhas desses círculos não se fecham nunca...

Acabo em contradições.

segunda-feira, 12 de março de 2007

O espaço entre nós existe?

Eu estou aqui.
Não sou um corpo estanque, sou antes uma permanente reacção com tudo à minha volta.
A todo o momento, neste equilíbrio entre o que sou e o que não sou eu, há trocas constantes, perco-me de mim e fundo-me no que me rodeia, que, por sua vez, se transforma no que eu sou.

E aí onde estás tu, mesmo que em alguns instantes ocupemos o mesmo exacto espaço, existe um processo idêntico, uma reacção que não pára nunca.
Tudo o que está à tua volta sem seres tu passa para ti, e tu vais perdendo pequeninos, ínfimos bocados do que te compõe.

Então existe este espaço entre nós, como separação entre o que sou eu e o que és tu,
como um espaço em que não estamos no preciso momento do agora. Mas ao mesmo tempo esse é o espaço em que nos fundimos e que se funde em nós. Nesse espaço somos partículas, matéria que flui, até chegarmos ao outro, até nós como plural, como singular.
E esse conjunto funciona como dinâmica de troca, de dar, receber, de tocar, de estar, de sentir, de ser o outro.
Um espaço onde o que é meu e o que é teu se tocam, se misturam perdendo identidade própria, passando a ser o que foi de um e de outro, sem que se saiba a que parte pertenceu o quê.

O mesmo espaço que nos separa é o espaço que nos une,que permite que passemos a ser o tal plural no singular, ou singular plural, ou......

domingo, 11 de março de 2007

teen #?

qual será o problema... o meu?
o que correu mal?
falhei quantas vezes? em quê?
mais que o normal? imperdoavelmente?
fui eu? foram eles?
porquê?.....