Ah! E já me esquecia....
Quem tudo quer, tudo perde.
Quem tudo quer, tudo perde.
postado por muska eram 00:14 0 na memória
Houve uma altura em que as palavras eram gravadas em preto e laranja num fundo verde.
Nessa altura era um pouco como deixar o vento encarregar-se de as espalhar, de as separar, de as fazer perder-se, e com elas as mensagens tristes, monótonas e repetitivas que tentavam passar. Aos poucos o fundo tornou-se cada vez mais azul céu, perdeu-se o laranja pôr-do-sol, e o vento soprou cada vez mais fraquinho. No máximo conseguia difundir um pouco essas palavras, com tudo o que isso traz de bom, porque liberta, e de mau, porque pesa nos que as ouvem.
Hoje divido-me entre a vontade de me perder nas letras, abandonar-lhes este vazio pesado que dói, e a consciência de que não serão só palavras ao vento....
Queria escrever tudo menos o que posso, ou devo, escrever.
postado por muska eram 23:54 0 na memória
Amanhã tudo isto me vai parecer apenas tempo desperdiçado.
Hoje há um certo gozo masoquista (redundância?) em explorar a fundo os buracos negros que me esvaziam a alma.
postado por muska eram 01:16 0 na memória
As palavras esgotaram-se, perdidas entre as irregularidades desta estrada que percorro já quase sem abrir os olhos, só virada para dentro.
Não choveu, mas não tive estrelas a guiar-me, e ao chegar a casa estava quente, como que à minha espera.
Atiro as coisas para os cantos provisórios em que moram, um pouco como eu, e abro estas janelas fechadas, que às vezes só servem para me engolir inteira.
Adio o início da semana como se isso a fizesse desaparecer, mas sei que só me estou a enganar. Então abro o peito para o que me espera e fecho os olhos com força, à espera do choque frontal.
Alguma vez vou encarar alguma coisa na minha vida como definitiva?
Alguma vez vou sentir que pertenço realmente a algum sítio?
Alguma vez vou sentir que pertenço realmente a alguém?
No pasa nada...
postado por muska eram 01:14 0 na memória
De tanto me fazerem boa pessoa, talvez um dia eu acabe mesmo por me transformar numa.
postado por muska eram 04:24 2 na memória
Foi então que se virou e disse, a sorrir um sorriso grande: "O que é bom nisto tudo é que ninguém tenta ser mais. Tentamos, isso sim, que os outros, os nossos outros, sejam mais. E com isso tornamo-nos maiores."
postado por muska eram 23:04 0 na memória
Difícil que tivesse acontecido numa altura menos própria.
De certa forma estava à espera há já algum tempo, mas não pude nem sequer aproveitar para lavar a alma.....
postado por muska eram 23:54 0 na memória
Conheço pessoas que têm problemas.
Problemas a sério, e não estes dramas caseiros que eu adoro representar para mim própria.
Essas pessoas têm problemas, mas nem por isso deixaram de rir, de cumprir os seus deveres, de ser inteiras mesmo que por dentro se sintam aos pedacinhos.
postado por muska eram 01:24 0 na memória
sábado, o sétimo dia
dia sete
mês sete
ano sete
desta vez não consegui manter-me acordada até às sete horas, sete minutos e sete segundos...
*pixies
postado por muska eram 21:24 0 na memória
não consigo deixar de achar curioso: o que a seduz nos outros é exactamente o que a mim me assusta...
postado por muska eram 03:14 0 na memória
Poucas coisas me sabem tão bem como ir ao lado de algumas pessoas, depressa, a música aos berros a devorar o silêncio e a estrada...
Ter quase a sensação de não ir a lado nenhum, de não ter que chegar nunca mais....
*Tracy Chapman
postado por muska eram 03:04 0 na memória
Houve uma altura em que me parecia legítimo explicar tudo o que não era capaz de dizer ou fazer, e tudo o que, fazendo, não resultava propriamente de acordo com as minhas intenções, numa folha de papel, cheiinha a abarrotar de palavras azuis.
Hoje percebo que isso não faz sentido, já.
As coisas que não se fizeram ou que não se disseram e que tinham que ter sido ditas e feitas não cabem em cartas, tal como não cabem todos os nossos actos falhados.
Crescemos (crescemos?), assumimos os nossos erros, e se quisermos falar deles e retractar-nos devemos agir e falar, e não esconder-nos em letras.
postado por muska eram 02:54 0 na memória
Percebi, ali sentada, que há coisas que não vão nunca ser diferentes.
Às vezes engano-me e penso que sim, mas aos poucos vou distinguindo que não adianta procurar outro caminho: os meus pés só conhecem as pedras desta estrada.
postado por muska eram 02:44 0 na memória
Ultimamente sinto-me a escolher, de entre o que não me apetece fazer, aquilo que me parece menos penoso.
Sei que está a escapar ao entendimento das pessoas este meu comportamento.
Sei que, quando emergir, vou ter pena de não ter aproveitado outras coisas, outras pessoas, outras andanças.
Mas é sempre assim, faz parte do ciclo...
E sim, a falta de inspiração que aqui se lê também faz parte dessas voltas, quais quer que elas sejam.
postado por muska eram 23:54 0 na memória
Percebi que há vários indícios de ausência de normalidade.
Sempre fui mais feliz no verão, sozinha ou acompanhada.
Este verão, chuvoso e menos quente que os últimos está a parecer-me estranho.
E ontem, quando recusei um convite para ir à praia, percebi que não estou, de facto, em mim.
postado por muska eram 23:46 0 na memória
Quando a máquina começa a mexer, sinto os sistemas de protecção começar a activar.
Brevemente atingem o nível máximo.
Começa então o processo de afastamento.
Não sei porque me lamento, não são os outros que me deixam: eu é que os deixo a eles.
(e como este há este e este)
postado por muska eram 23:44 0 na memória
"...poderá, portanto, dormir um pouco mais. Isto é o que costumam dizer o insones que não pregaram olho em toda a noite, mas que, pobres deles, julgam ser capazes de iludir o sono só porque lhe pedem um pouco mais, apenas um pouco mais, eles a quem nem um minuto de repouso lhes havia sido concedido."
José Saramago, As Intermintências da Morte (pag 187, Caminho)
postado por muska eram 23:34 0 na memória
que me sirva de lição, para perceber que não posso continuar a render-me só ao que é imediato e fácil...
(talvez por isso não possa deixar de agradecer a quem me ajudou a pôr outra vez os pés neste caminho)
postado por muska eram 22:04 2 na memória
queria
quero escrever
o tempo que se adia permanentemente a ele próprio nos pequenos gestos do dia-a-dia que não sabemos como concretizar fora da rotina
queria
quero uma vida
(bom, na realidade já tenho uma, só não sei é se estou a fazer dela o que devia)
postado por muska eram 00:44 0 na memória