segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Como acontece com o café

Sabendo que estás para chegar, não consigo ver-te, ainda que te olhe.
A distância comprime-se rapidamente nas conversas iniciais, banais, mas depois o tempo e o espaço avançam juntos, e a juntar-nos, pela primeira vez depois da última, que já nem sei quando foi.
É então que te olho, agora sem medo, mais demoradamente, e consigo vislumbrar-me nos teus olhos, como dantes, como se quatro anos inteiros não tivessem passado.
E nesse instante, olhos nos olhos, cresces dentro de mim, e a tua presença é forte e segura, porque nos vemos, finalmente, e sabemos quem fomos, de onde viemos, e sabemos quem somos, despidas de banalidades.

Pode ser apenas um instante, breve, mas enche-me e perdura... e é bom......

domingo, 6 de janeiro de 2008

Existem dois momentos que se tocam

Na proximidade dos outros encontro-me a mim própria com calma, sem pressas, sem dúvidas ou justificações, como qualquer coisa que existe simplesmente, que se limita a ser como é.

Mas à medida que o tempo avança, avassalador sobre o meu peito nu, desprotegido, sinto-o alimentar os pontos de interrogação que me crescem nos olhos marejados, e percebo que os momentos deixam de se tocar, primeiro por uns segundos apenas, mas aos poucos, à medida que cresce a confiança da dúvida demolidora, por mais uns minutos, e depois umas horas, e um dia, e dois... até que já não tenho olhos, só questões húmidas que não sei como esmagar.
Não com as minhas duas mãos.

Dói-me a distância de mim mesma, com o barulho da carne a ser rasgada, afastada devagar da outra carne, do osso... porque é a mesma distância que se ergue assombrosa e me separa dos outros.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Embriaga-te

"Devemos andar sempre bêbados.
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar.
Mas com quê?
Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto. Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, o tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são: "São horas de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar! Com vinho, com poesia, ou com a virtude.""
Charles Baudelaire

A meu gosto é com pessoas.

(Obrigada....)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Que é como quem diz: só pode melhorar
(ou então: bom ano!)

Lições aprendidas: não deixar um saco térmico cheio de comida fechado durante uma semana em cima da mesa da cozinha.
Acho inacreditável que os meus vizinhos não tenham pensado que eu morri.
(ok, não cheirava assim tão mal...)


Como se começa bem o ano: a limpar as borradas (para não dizer pior) que se fez no anterior.

Com a minha vida podre como está sá há uma solução: água quente, lixívia e sonasol verde (passo a publicidade). Depois de amanhã está nobo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

My Deamon



(como sempre que não há muito mais para fazer, ou há e falta a vontade...)

sábado, 29 de dezembro de 2007

Se me abraçares, não partas.

"Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.

Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –

o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.

Se me abraçares, não partas."
Maria do Rosário Pedreira

porque todos mudam, até a surda muda*
mas eu não

o balanço deste ano ficará para o ano que vem

* não sei de quem é esta linda frase, mas não é minha....

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Suspenso

Quando comecei a escrever o blog nem sabia bem o que era um blog, por isso não havia propriamente um projecto para as minhas lembranças.
Aos poucos este tornou-se o espaço onde fui deixando o que li e o que ouvi, e muito do que senti.
Ninguém vinha à minha procura, por isso ninguém se sentia defraudado por não me encontrar.
E eu escrevia livremente, porque sabia que mantinha uma versão pública, e ao mesmo tempo privada dos meus livrinhos.

Claro que, em última análise, as coisas escritas só ganham forma depois de lidas, e aí residia a principal vantagem de tudo isto: o que eu escrevia era lido e eu sabia-o, só não sabia por quem.
(e "quem" não sabia quem eu era...)

À medida que o tempo passou fui partilhando este espaço com as pessoas que achei que poderiam, de alguma forma, chegar mais perto através das minhas palavras. A algumas dei deliberadamente este endereço, outras descobriram-no por acaso ou porque o procuraram. Apenas num caso não ponderei a partilha, em todos os outros resisti muitas vezes à vontade que tinha de dizer que escrevia aqui, até finalmente não conseguir resistir mais.
E comecei, lentamente, a escrever de forma diferente, às vezes quase a disfarçar o que que queria dizer no meio de metáforas e palavras vagas que só eu seria (ou não) capaz de entender. E comecei também a esperar que me viessem ler, a presença de pessoas mais próximas não é algo de que me possa simplesmente abstrair na maior parte das vezes que escrevo. Às vezes isso faz diferença, outras vezes não faz. Mas a sensação que tenho ultimamente é que cada vez faz mais diferença.

Parar o blog não foi uma decisão repentina.
Já houve outras ameaças, e esta poderá ser só mais uma.

Não sei se consigo passar sem cá vir...

Mas há muito que não sinto a mesma leveza que sentia antes, quando publicava um post. Às vezes a sensação é exactamente a oposta, porque estou a pensar em como vai ser interpretado aquilo que escrevi...
Por isso, e enquanto algumas coisas não estiverem um pouco mais claras na minha cabeça, e no meu coração, fica esta nota suspensa.

O que acontecerá depois nem eu sei.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

ponto final



encerramos para obras/demolição (ainda em ponderação)
obrigada/desculpem

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

mais pontos (de situações?)

fazer as coisas contrariada torna tudo muito mais difícil. sei disto, mas não o consigo evitar, por isso me está a custar tanto.

trabalhar em coisas sem acreditar nelas é verdadeiramente improdutivo.

continuo a não saber gerir os meus sentimentos em relação às prioridades das vidas alheias. são alheias, por isso não tenho nada a ver com isso. se é assim simples, porque não é fácil de aplicar?

às vezes gostava mesmo de ser desligada. como não sou, irrito-me comigo própria por não conseguir ser, e com os outros apenas porque são alvo da minha ligação. (como se fosse uma coisa unidireccional...) (e às vezes parece ser, de facto.)

é quinta-feira à noite (ou será sexta, já?) e eu estou com um humor digno de domingo à noite. devia (seriamente) ponderar ficar...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

...

dei por mim a pensar que talvez lembre mais o dia em que partiram do que aquele em que chegaram... e depois percebi como é irónico (ou talvez não) que a data de uma partida seja a da outra chegada, e a da outra chegada outra partida...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A melhor juventude



Ter acabado hoje o filme quase parece de propósito, mas não foi...

Passaram três anos e sinto-me, pela primeira vez, longe.
Diz-se que há coisas das quais o tempo trata, mas o tempo tem formas estranhas de nos afastar...

E dou por mim a perguntar se cheguei a ver aquilo que tinhas para mostrar. Na minha visão romântica das coisas gosto de acreditar que sim, mas as rotinas de cada dia tornam-no difícil... Mas era isso, não era? Acreditar? Sempre? Se não foi o que fizeste... era isso?

Terias orgulho em mim? Saberias compreender-me?

Duvido.
Nos dias que passam não me orgulho das minhas escolhas, e vivo, apesar disso, presa a elas.

O tempo acalmou tudo, mas as dúvidas souberam resistir-lhe... as saudades que tenho tuas, vossas, também.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Burra, eu?

Na realidade (estou sempre a escrever isto...) cheguei à conclusão que não sou uma pessoa inteligente.
Se fosse não escrevia estas coisas no blog.
Não escrevia nada neste blog.

E ter noção disso e continuar não abona muito em meu favor...

Foi você que pediu para se apaixonar?

E entramos directamente na fase ácida da coisa.

Qual é o interesse de uma pessoa se apaixonar?
Sim, a vida parece mais colorida, mais musical, mais rica, mais sei lá o quê....
E sei lá o quê porque não sei.
Porque depois isso passa e fica só um vazio que já não cabe no espaço que o vazio anterior ocupava.

Preferia andar bem e ser eu bem outra vez, é só isso.

(e negarei até ao fim dos meus dias ter escrito este post...)

Enquanto ela não chegar, pelo menos...

Este é um velho hábito, que talvez o seja porque resulta...

Agarro-me a tudo à minha volta.
Preciso de me ocupar, de procurar pessoas, muitas pessoas, de fazer jantares, de ir a ensaios e a cafés, de me distrair da minha própria vida...

would you go along with someone like me?

"if i told you things i did before
told you how i used to be
would you go along with someone like me
if you knew my story word for word
had all of my history
would you go along with someone like me

i did before and had my share
it didn't lead nowhere
i would go along with someone like you
it doesn't matter what you did
who you were hanging with
we could stick around and see this night through

and we don't care about the young folks
talkin' bout the young style
and we don't care about the old folks
talkin' 'bout the old style too
and we don't care about their own faults
talkin' 'bout our own style
all we care 'bout is talking
talking only me and you

usually when things has gone this far
people tend to disappear
no-one will surprise me unless you do

i can tell there's something goin' on
hours seems to disappear
everyone is leaving i'm still with you

it doesn't matter what we do
where we are going to
we can stick around and see this night through

and we don't care about the young folks
talkin' bout the young style
and we don't care about the old folks
talkin' 'bout the old style too
and we don't care about their own faults
talkin' 'bout our own style
all we care 'bout is talking
talking only me and you"
Peter Bjorn and John, Young Folks

A velha história das calibrações....

"De nós, é ele o mais feliz, num certo sentido; não tem nenhuma ideia preconcebida do que deseja em troca do seu amor. Amar assim, sem premeditação, eis o que todas as pessoas deviam aprender(...)"
Lawrence Durrel, Justine (página 81, Olisseia)

Acredito que este é um dos caminhos para a felicidade.
Também acredito que existem mais.....

Dos exageros...

Não espero exageros em troca (acho até que não saberia geri-los, se fosse ao contrário) (o que também explica muita coisa...).

Na realidade sei que, estando em fase, bastam pequenos feedbacks para me manter a funcionar em alta rotação.

sábado, 17 de novembro de 2007

diários (ou quase) - parte x
[ou: a personagem principal da minha vida não sou eu :b]

"A viagem aproxima-se do fim, e, ao contrário do que costuma acontecer, não tenho sentimentos definidos em relação a isso.
Se por um lado tenho medo do regresso às rotinas e ao buraco negro em que me estava a fechar aos poucos, por outro tenho alguma vontade de voltar, quase uma impaciência, como se já não houvesse mais nada para ver aqui.

Sei que isso não é verdade: havia muito mais para ver aqui.
A questão é só a do costume: o que faz toda a diferença em tudo o que faço, vejo e sinto......


E neste sítio bonito, numa realidade tão distante da que vivo no dia-a-dia, as minhas considerações são as mesmas. E talvez isso, mais do que qualquer outra coisa, esteja errado.

Devia aproveitar esta água que se atira da montanha em queda livre para me lavar, deixar que o barulho ensurdecedor que faz ao ruir nas pedras me chegue pelos ouvidos à alma, sentir o seu cheiro vazio, insípido e límpido, e conduzi-lo pelas narinas, faringe, laringe, brônquios, bronquíolos, alvéolos, gás no sangue, oxigénio novo para o meu coração cansado, que bateu até ficar com a língua de fora só para que eu pudesse chegar hoje aqui, onde estou neste preciso instante: numa ponte de metal sobre uma cascata que desagua na grande mãe. De pé, mas sempre pouco segura nas minhas próprias pernas, dentro do meu próprio corpo, apesar do aspecto robusto que passo em pose atlética, de mochila às costas e botas de montanha."

03.11.2007

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

ou será ao contrário?

estou mais crescida, mas não estou maior

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Passa ave, passa...

"The World is a bridge, pass over it, but build no houses upon it. He, who hopes for a day, may hope for eternity: but the World endures but an hour."
Attrib. to Jesus Christ

... e ensina-me a passar!
Alberto Caeiro

(duas citações num só post, que espectáculo! nada como umas férias para alguma inspiração...)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Até já?

Pensei que ia ter tempo para mais qualquer coisa, mas não, claro que não.
Acho que já tive tempo para muita coisa, não me posso queixar...


E chegou, mais uma vez a altura de um "ritual" que se repete pela terceira vez...
Vou cair em frases feitas e vou dizer que vou à minha procura.
Não pelo destino, que talvez fosse propício a essas buscas espirituais, mas porque precisaria de ir à minha procura a qualquer sítio do mundo.

Por brincadeira digo que vou estar à minha espera no aeroporto, e até me ajudo a carregar a minha própria bagagem... Quem mais?

Mas espero voltar mais eu outra vez, mais calma e, acima de tudo, com mais disposição para tudo o que neste momento a exige na minha vida.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

"Somos responsáveis por aqueles que cativamos" *

Dei por mim a pensar nisto...
Ir à procura dos outros é uma responsabilidade. Não sei se responsabilidade é a palavra mais certa, dá um ar sisudo à coisa, mas a verdade é que é, de facto, sério.

E por achar que é sério, sempre que tento encontrar alguém, fico a pensar se estou a fazer bem, porque mais tarde posso não estar à altura do que procurei, ou o outro pode não estar à altura do que eu inventei...


*Antoine de Saint-Exupéry

Não me apetece

E não me apetece da mesma forma que não me apetece acordar, trabalhar, sair, ir ao café, ver gente, nem ir a lado nenhum.........

...e não percebo bem o que se está a passar...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O ausente

"Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente"
Sophia de Mello Breyner Andresen, Eis-me

Nada disto são queixas ou reclamações

São constatações.

É assim a vida...

(ao que alguém diria: "mais curta que comprida!")

Admiro o Blogger...




Depois do lixo que escrevo, ele ainda me diz que o meu post foi um sucesso...

Não há ninguém que consiga contar a minha história

De repente dei por mim a questionar-me se foi isso que mudou tudo.

Ao olhar à minha volta percebo que há, de facto, algo que não bate certo.

Não há ninguém que tenha estado ao meu lado todo este tempo, mas eu também não estive ao lado de ninguém...

E sim, falta-me a "minha pessoa", mas se à minha volta as pessoas têm pessoas e eu não tenho, o problema será de quem?
Meu, com toda a certeza.

E olho para mim, olhos nos olhos que me olham no espelho, e sei que este caminho não me leva a bom porto, mas não consigo escolher outro.
Porque não quero.
Porque vai contra os meus supostos princípios.
Porque arruína a minha estúpida e incoerente coerência.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Histórias de vidas

A Firmina e a Solange eram as melhores amigas no liceu. Conheciam-se, e às respectivas famílias, passavam horas ao telefone. A Solange queria ir para África e ter um dois cavalos, e a Firmina é que acabou médica (ou talvez não...). Um dia a Solange mudou de escola. Na eminência da separação, disse à Firmina que iam deixar de ser amigas. Que era assim que as coisas se passavam, e que não havia a mínima hipótese de outro rumo para aquela amizade. Não deu oportunidade à Firmina para lhe mostrar que as coisas podiam passar-se de outra forma. Mas avisou-a.

Passados dez anos a Firmina tinha uma outra amiga, a Carlota. Eram as melhores amigas. Conheciam-se e conheciam as respectivas famílias. Falavam muito porque queriam que a outra fosse a primeira a saber da mínima coisa que tivesse acontecido nesse dia, de um beijo mal dado, ou de como o Jesualdo dizia as coisas certas, ou de como o Joaquim não estava quando era mais preciso. Um dia a Firmina teve que mudar de cidade. A Carlota não a avisou que iam deixar de ser amigas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

verdade XVII

É tudo muito mais fácil quando não há nada a perder...

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Ninguém joga este jogo

Outras coisas deviam ter mudado.

Percebi que o medo não me impede de avançar, de abrir as portas, de jogar.
Tenho medo, sim, mas quando o tipo à esquerda assume o comando, torna-se difícil controlar as coisas.
E mesmo sabendo que não pode ser assim, que as regras pelas quais se regem todas as pessoas à minha volta não permitem que se jogue desta maneira, eu avanço. E à medida que avanço tiro a camisola, esqueço a pele, e exponho-me desprotegida.

Ninguém joga este jogo.

Até hoje só conheci um jogador, e desistiu no fim da primeira parte. A maioria não dura nem cinco minutos.

Eu sei disso.

Não percebo porque não páro.
Pelo menos a tempo de um empate...

Tinta branca

Na realidade algumas coisas mudaram nestes anos todos.
Hoje há coisas que prefiro não escrever, para não ter que me lembrar delas mais tarde.

domingo, 30 de setembro de 2007

Não sei nem para um título

Este blog tem mil e duzentos posts publicados, mil duzentos e noventa e dois no total, com este mais um, a somar em qualquer dos lados.
Houve uma altura em que eu não escrevia drafts (recuso-me a dizer rascunhos, e mesmo assim acabei de o fazer), e as palavras eram soltas, fluidas, escorregadias. Quando me apercebia já tinham saído e estavam de outra cor. Nessa altura não saíam só as palavras...

Agora não consigo fazê-las sair. Nem às palavras...
Sei que algumas nascem nos lábios, outras nos olhos, outras um pouco mais fundo, mas não sei como se fazem.

Não sei bem o que procuro, mas está a chegar a altura da viagem, e quando voltar o meu calendário estará novamente a zero.
Sem desculpas de um ano civil ou lectivo, ou qualquer outro.
Este não está a ser bom, talvez consiga ainda corrigi-lo um pouco.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

verdade XVI

Há pessoas que fazem parte de nós, como impressões digitais.

Jogos

Estão escondidos?
São vocês mesmos?

não se escondam demasiado...

...tenho medo de não vos conseguir encontrar...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

tss, tss

para mais, não sobrou nem uma fotografia...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

E, com sorte, sozinhos.

Era vermelho e redondo e agora está enterrado na areia, onde desabam as ondas do mar.

Fiquei triste, sim, por mais estúpido que me pareça ficar triste por uma coisa...
Mas as coisas são as memórias e as imagens, que aos poucos vão substituindo a forma original por outra, com um sentido que ultrapassa o plano físico e começa a entrar no emocional.

Por isso gostava dele, porque foi símbolo do meu verão.
E fico mais triste porque tenho a sensação de que foram enterrados juntos.

emocionalmente burra

sinto um certo orgulho nesta minha teimosa (e idiota) forma de estar na vida


um orgulho quase tão grande como a raiva que às vezes me enche por ser assim: estupidamente vulnerável a tantas coisas que não dependem de mim

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

afinal, o que se passa?

o tempo avança depressa, e se por momentos percebi onde estava a minha paz, de repente já não sei quais os passos que calquei para lá chegar

sei onde está, visualizo-a, mas não lhe toco

e enquanto escrevo isto percebo porquê: a minha paz e o meu equilíbrio eram gastos e cansados, e quis experimentar o lado de lá, independentemente das consequências

pensando assim percebo que valeu a pena arriscar, mesmo que o resultado não seja melhor que a equação que o precedia

mesmo que agora reclame, e sofra de olhos abertos e secos

por favor, onde se desliga?

há qualquer coisa de vulgar nesta inquietação que me impede de dormir

as minhas constantes interrogações, a minha vida permanentemente ligada à electricidade da companhia alheia

estou F-A-R-T-A

e agora?

há pessoas de quem gostamos muito que têm coisas de que não gostamos nada

as dificuldades surgem quando não nos conseguimos abstrair de nenhuma das duas coisas

[vazio]

"O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto
Todas as coisas serviram para nos ensinar
ardente perfeição da tua ausência"
Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 16 de setembro de 2007

mito, com tê

"Nem por um segundo largo a mão
da perfeição do teu desenho
e do teu gesto no meu...

foi como um sopro estranho...

...aconteceu..."
Toranja, Fogo e Noite

Há memórias passadas que voltam num segundo, e é impossível saber onde estavam guardadas, ou porque quiseram sentir de novo o ar fresco da noite.

Às vezes tenho saudades dos breves instantes em que se consumiu uma história que nunca chegou a ganhar a forma que têm as coisas reais.

sábado, 15 de setembro de 2007

Burra velha...

Em parte sei de onde vem esta sensação de que o chão me está sempre a fugir, por baixo dos pés: insisto em fazer caminhos que já conheço, e onde sei que acabo atolada até às orelhas....

Nem no meio nem nos extremos. Então onde?

Quando devia ser capaz de não escrever, escrevo o que não devo.


Quando devia relaxar as defesas elas erguem-se assombrosas sobre as minhas dúvidas: calo-me.

Esta máquina já não dá para mais...

O tempo passou, e eu não aprendi a gerir muitas destas coisas das relações entre as pessoas. Páro, ouço mais do que falo, tento observar... Mas escapa-me sempre a essência da questão.

Às vezes pergunto-me se é só uma questão de química.
Ou seja: podemos achar que certas pessoas são certas e investir nelas, e mesmo assim nunca conseguir chegar lá, ou deixá-las vir até nós. Não falo de nada em particular, mas de tudo em geral.... Se a dita química falhar, o investimento, por maior que seja, poderá falhar também?

E volto às minhas velhas questões e interrogações sobre a amizade, e sobre as relações entre duas pessoas, quaisquer que elas sejam...
Aprendi a não pedir mais, mesmo desejando-o, às vezes, com todas as minhas forças.
Só não percebo porque não aprendi a conquistar a paz que devia vir no mesmo pacote.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Pequena dúvida #4

se nos lembrarmos de alguém e esse alguém não souber que nos lembrámos, valeu a pena termo-nos lembrado?

verdade XV

esqueci-me

do que me faz bem

não sei se são grandes ou pequenas, mas há coisas simples que me deixam feliz

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

um grande silêncio azul

bom...
na verdade já devo ter dito praticamente tudo aqui

acho que é por isso que às vezes a única coisa que faz sentido é o silêncio...

Bom dia!

Pela primeira vez em muito tempo (talvez um mês, mais coisa menos coisa), dormi bem, toda a noite. Claro que abri os olhos uma hora antes de o despertador tocar, mas nem isso estragou a sensação de descanso que tinha ao acordar.

Já o disse aqui, mas é por este despertar, mais do que pelo sono, que gosto de dromir...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Pontos da situação

A vida é frágil, demasiado frágil, e demasiadas vezes brincamos com ela.


Tantas vezes me lamentei aqui da falta que me faziam (fazem) pessoas, e de como é triste sucumbirmos às rotinas, deixando passar dias, semanas, meses sem um telefonema, uma mensagem, um sinal qualquer...
Aos poucos sinto-me a embrutecer, a juntar-me à manada...


Como será percebermos, um dia, que não nos resta mais do que um ano, por exemplo? Seis meses? Divido-me entre duas hipóteses, ambas carimbadas pelo desequilíbrio emocional que a integração de semelhante verdade traria: ou se metem pés e mãos ao caminho, tentando aproveitar tudo, ou se desiste, ao perceber que já não é possível, porque o mundo era tão grande que nos comeu.
De fora, parece-me impossível continuar a vida como se nada estivesse para acontecer...


Não sei se sou demasiado ambiciosa em termos pessoais ou demasiado preguiçosa em todos os outros.


O verão aproxima-se do fim e este calor mortiço mantém-se, a comer-me por dentro, deixando-me mole, de olhos baços, sem força para tudo o que me faz falta.
Ao contrário do que sempre acontece, espero agora que o inverno seja mais agradável.
Tento acreditar que as férias que faltam me vão fazer abrir os olhos de vez, e voltar ao equilíbrio que procuro desde que te fiz aparecer.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

O que aí vem há-de chegar

Não tenho muito para dizer, e isso poderá (ou não) ser um bom sinal.
Os dias são lentos, as horas passadas comigo não se apressam, nem eu com elas.
Habituo-me de forma assustadoramente rápida a este vazio de contactos, e todo e qualquer movimento de contradição cresce em esforço.

Mas sabe-me bem esta paz: não penso, não vejo, não falo, não sinto.

Armazeno energia e tenho esperança de não estar a trabalhar em sentido negativo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

As férias devem ser assim?

Os dias passam devagar, e ao mesmo tempo depressa demais.
Acordamos quando abrimos os olhos, comemos porque o corpo o pede, amolecemos ao sol e ganhamos forma na água.
Arrastamo-nos para outros sítios por estradas poeirentas, paramos para fotografias e voamos nas músicas.

Ao fim da tarde tudo pára.

Bebe-se um copo, enrolam-se caracóis em palitos, e atira-se conversa ao ar, mas não se joga fora. Conseguimos que alguma chegue bem dentro.


Na simplicidade dos momentos partilhados reside qualquer coisa tranquila, de paz, que sem ter forma me enche por dentro...

domingo, 19 de agosto de 2007

O dia em que a noite se desprendeu do mar

A água era morna, a temperatura próxima à que se respirava cá fora, e as ondas rebentavam em dois sentidos opostos, anulando-se umas às outras.
Ao fundo, algures entre o mar e o céu, havia uma barra escura, e a noite crescia daí, em azuis, laranjas e violetas...

À esquerda havia um penhasco, e logo ao lado crescia a lua nova.

As estrelas começavam a polvilhar o céu, e eu entrei...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Ídolos?

Há pessoas para quem olhamos, definitivamente, para cima.

Hoje dei por mim a pensar que devia expressar a admiração que sinto, o quanto saio maior de algumas conversas, e como percebo que há caminhos que eu queria, para continuar a crescer, aprender a seguir.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Aproxima-se um tempo de mudanças

À medida que o tempo passa percebo que fugir não é solução.
Tenho notado no meu percurso de vida uma certa tendência para ir de encontro ao que mais me assusta. E é verdade que aos poucos os medos vão desaparecendo, diluem-se nos hábitos, dão lugar a outros.

Pela primeira vez em muito tempo achei que estava farta de preocurar sempre o que me faz mal, e fugi.
E de cada vez que dobro uma esquina percebo que os fantasma que quero evitar estão à espreita, avisando-me do perigo que corro se continuar a virar-lhes costas.

sábado, 4 de agosto de 2007

sinais

podia ter ido.

num dia lamento-me porque me faltam as pessoas, no outro desperdiço companhias raras e por isso preciosas

não sei se devo interpretar isto como mais um sinal de que algo não está a funcionar como era suposto.
não é da minha natureza ceder ao cansaço, à dor de cabeça, e às coisas que me fizeram ceder, em detrimento de bons momentos em boa companhia.

talvez seja bom não tentar interpretar nada.

não estou em paz.

amanhã é outro dia.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

ele há coisas...

já tenho os sapatos calçados e ainda não os paguei...

Falta quem me carregue as baterias

O dia esteve quente, como têm estado os dias desde que começou este verão tardio.
Para compensar um pouco, e aproveitar que há um rio à beira do qual está mais fresco, arrastei-me para fora de casa.

O caminho de regresso foi feito devagar, a ouvir a música sem a ouvir de facto, porque vinha a pensar que uma ou duas horas de contacto diário (quando o é...) com pessoas que falam, que têm vidas, que querem saber das minhas, não são suficientes.
A mim não me chegam.

E é por isso que este ano estou cansada, e preciso de sair daqui.
(e é isso que me tem feito pensar,ultimamente muito mais, se estou no caminho certo)

terça-feira, 31 de julho de 2007

O mal de não escrever logo...

Tinha muito para dizer, mas perdi as palavras no meio das horas que foram passando.

Ponto da situação

Como eu própria já referi muitas vezes, não há nada como ter a cabeça e o corpo ocupados para manter o tipo da esquerda a trabalhar só para eles. Assim não se contrai mais do que o necessário, e, como tal, não dói.

Continuo a não gostar de despedidas. Esta não tem que ser definitiva, mas encaro-a como tal. Não consigo deixar de pensar que as pessoas fazem sempre toda a diferença, e por isso, apesar de alguns momentos menos bons, sinto que tive muita sorte. Fui, como se diz às vezes, "trazida nas palminhas"... Tentei, mas há coisas que não se conseguem agradecer.

E agora que chega ao fim a primeira e a maior de quatro etapas, percebo que, apesar de tudo, preciso de parar. Apanhar um pouco de sol, relaxar, e, se possível, respirar o mar...

À falta de melhor...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

trabalhar, trabalhar, trabalhar

nada melhor para ocupar a cabecinha e manter o inquilino anestesiado

domingo, 22 de julho de 2007

A caravana passa...

...e eu continuo aqui.

Bolas!

Já não tenho idade para algumas coisas....

(e, ainda assim, pergunto-me se há idades próprias para determinadas coisas)

Verdes anos

Tenho as mãos abertas, espalmadas nas teclas.
Penso, por momentos, que assim vou conseguir escrever, mas sei que é apenas temporário.

Nos meus ouvidos ecoam os Verdes Anos em repeat mode, e eu sei que há músicas que não se devem ouvir a determinadas horas, nem em determinados dias.
Tal como não se deviam cultivar letras.

À minha frente desfilam anos. Verdes, todos eles muito verdes, e eu sempre à espera de os ver ganhar um pouco de uma outra cor. Uma qualquer, não sei qual...
À minha frente desfilam todos os amigos que fui ganhando e aos poucos perdendo. E quando os vejo pegunto-lhes onde estão, mas os meus ouvidos surdos já não percebem o que dizem as suas vozes distantes. Canso-me de tentar segui-los para onde vão.
Desfilam à minha frente os rapazes de quem gostei, um ou dois homens que amei, também eles rapazes de quem gostei.
Desfilam as pessoas que me habitam hoje, e nesta escuridão de noite avançada, em que sozinha me debruço sobre um teclado negro, afagado com carinho e com as duas mãos, pergunto-me se estarão mesmo a desfilar. Se como todas as outras pessoas vão só estar por algum tempo na frente dos meus olhos, até que o tempo, a vida, as mudanças as levem de novo, ou se é tudo uma ilusão óptica e estarão cá ainda, amanhã quando eu abrir os olhos inchados.

Queria creditar que assim como já não se fazem amigos facilmente, também já não se vão perder assim, com dois dedos de treta.
Queria acreditar que no meio desta gente toda à minha volta, que de entre estas pessoas todas que me fizeram quem sou, que fazem a minha vida completa mesmo quando me faltam em bocadinhos apertados do meu peito, não preciso de me sentir sozinha.

Mas sei cá no fundo que algumas coisas estão já resolvidas porque não têm solução.
Vários dos caminhos que percorro terminam em becos sem saída, e eu, com paciência, volto atrás, e passo novamente os pés pelas pedras só para descobrir que vão dar aos mesmíssimos sítios.
E à medida que o tempo passa tenho mais dificuldade em acreditar, mas nem por isso paro. Continuo cega neste caminho, que faço apenas com a convicção de que tem de ser feito, sem saber já para onde me dirigia quando o tomei.

Mas isso interessa? Faz algum sentido? Marca alguma diferença?
Não. No fundo não.

É tarde, amanhã vou achar que não devia ter-me dado a estes trabalhos, mas não vou apagá-los.
E volta e meia chego a dizer que não consigo não criar expectativas, que todos à minha volta são, no mínimo, tão egoístas como eu própria sou, e que certos gestos não lhes cabem nas mãos, como se calhar também não cabem nas minhas, mesmo que olhando para elas as ache grandes.
Eu, que não desenho os gestos para isso, sinto um certo calor na alma quando alguém os reconhece e sabe quem são.
Mas as mãos são, às vezes, demasiado grandes.
Há quem as perceba assim, mas também essas noções são temporárias.
A partir de certa altura o que tinha graça por ser grande, diferente, torna-se cansativo e rotineiro como tudo o resto, e já ninguém lhe vai dar valor.
E tenho pena. Porque sei que em parte é isso que torna verdes os meus anos.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Nota 1/2

Às vezes engano-me e acho que os outros vão fazer aquilo que eu faria.
Porque haviam de o fazer? São os outros, não sou eu....
Ainda assim há pequenas coisas que ferem.
Não é muito, é só ligeiramente...
Se calhar um pouco como quem se corta com uma folha de papel.
Dói na altura, é irritante porque é estúpido, mas passa depressa.

As outras pessoas não têm obrigação de corresponder às expectativas que eu criei para elas, certo?...

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Ah! E já me esquecia....

Quem tudo quer, tudo perde.

(quem sabe, hoje chove outra vez....)

terça-feira, 17 de julho de 2007

Não só pelos outros, também por mim

Houve uma altura em que as palavras eram gravadas em preto e laranja num fundo verde.
Nessa altura era um pouco como deixar o vento encarregar-se de as espalhar, de as separar, de as fazer perder-se, e com elas as mensagens tristes, monótonas e repetitivas que tentavam passar. Aos poucos o fundo tornou-se cada vez mais azul céu, perdeu-se o laranja pôr-do-sol, e o vento soprou cada vez mais fraquinho. No máximo conseguia difundir um pouco essas palavras, com tudo o que isso traz de bom, porque liberta, e de mau, porque pesa nos que as ouvem.

Hoje divido-me entre a vontade de me perder nas letras, abandonar-lhes este vazio pesado que dói, e a consciência de que não serão só palavras ao vento....

Queria escrever tudo menos o que posso, ou devo, escrever.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

As horas a que o Blogger devia fechar

Amanhã tudo isto me vai parecer apenas tempo desperdiçado.
Hoje há um certo gozo masoquista (redundância?) em explorar a fundo os buracos negros que me esvaziam a alma.

Achei que pertencia aqui, um dia...

As palavras esgotaram-se, perdidas entre as irregularidades desta estrada que percorro já quase sem abrir os olhos, só virada para dentro.
Não choveu, mas não tive estrelas a guiar-me, e ao chegar a casa estava quente, como que à minha espera.
Atiro as coisas para os cantos provisórios em que moram, um pouco como eu, e abro estas janelas fechadas, que às vezes só servem para me engolir inteira.
Adio o início da semana como se isso a fizesse desaparecer, mas sei que só me estou a enganar. Então abro o peito para o que me espera e fecho os olhos com força, à espera do choque frontal.

Alguma vez vou encarar alguma coisa na minha vida como definitiva?
Alguma vez vou sentir que pertenço realmente a algum sítio?
Alguma vez vou sentir que pertenço realmente a alguém?

No pasa nada...

domingo, 15 de julho de 2007

Saldo positivo

De tanto me fazerem boa pessoa, talvez um dia eu acabe mesmo por me transformar numa.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Uns do tamanho dos outros

Foi então que se virou e disse, a sorrir um sorriso grande: "O que é bom nisto tudo é que ninguém tenta ser mais. Tentamos, isso sim, que os outros, os nossos outros, sejam mais. E com isso tornamo-nos maiores."

segunda-feira, 9 de julho de 2007

As chuvas vieram

Difícil que tivesse acontecido numa altura menos própria.
De certa forma estava à espera há já algum tempo, mas não pude nem sequer aproveitar para lavar a alma.....

E eu, que não tenho problemas, espalho-me ao comprido no chão.
E tenho dificuldade em levantar-me.

Conheço pessoas que têm problemas.
Problemas a sério, e não estes dramas caseiros que eu adoro representar para mim própria.
Essas pessoas têm problemas, mas nem por isso deixaram de rir, de cumprir os seus deveres, de ser inteiras mesmo que por dentro se sintam aos pedacinhos.

sábado, 7 de julho de 2007

if the devil is six, then god is seven?*

sábado, o sétimo dia
dia sete
mês sete
ano sete

desta vez não consegui manter-me acordada até às sete horas, sete minutos e sete segundos...

*pixies

DNA
(ou então: e se eu fosse dromir?)

fraquezas

não consigo deixar de achar curioso: o que a seduz nos outros é exactamente o que a mim me assusta...

Fast Car*

Poucas coisas me sabem tão bem como ir ao lado de algumas pessoas, depressa, a música aos berros a devorar o silêncio e a estrada...

Ter quase a sensação de não ir a lado nenhum, de não ter que chegar nunca mais....

*Tracy Chapman

Para que raio escrevo eu aqui???

Houve uma altura em que me parecia legítimo explicar tudo o que não era capaz de dizer ou fazer, e tudo o que, fazendo, não resultava propriamente de acordo com as minhas intenções, numa folha de papel, cheiinha a abarrotar de palavras azuis.

Hoje percebo que isso não faz sentido, já.
As coisas que não se fizeram ou que não se disseram e que tinham que ter sido ditas e feitas não cabem em cartas, tal como não cabem todos os nossos actos falhados.

Crescemos (crescemos?), assumimos os nossos erros, e se quisermos falar deles e retractar-nos devemos agir e falar, e não esconder-nos em letras.

Tropeçar

Percebi, ali sentada, que há coisas que não vão nunca ser diferentes.
Às vezes engano-me e penso que sim, mas aos poucos vou distinguindo que não adianta procurar outro caminho: os meus pés só conhecem as pedras desta estrada.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Continuo às voltas

Ultimamente sinto-me a escolher, de entre o que não me apetece fazer, aquilo que me parece menos penoso.
Sei que está a escapar ao entendimento das pessoas este meu comportamento.
Sei que, quando emergir, vou ter pena de não ter aproveitado outras coisas, outras pessoas, outras andanças.
Mas é sempre assim, faz parte do ciclo...

E sim, a falta de inspiração que aqui se lê também faz parte dessas voltas, quais quer que elas sejam.

Ou então era só mesmo a ressaca

Percebi que há vários indícios de ausência de normalidade.
Sempre fui mais feliz no verão, sozinha ou acompanhada.
Este verão, chuvoso e menos quente que os últimos está a parecer-me estranho.
E ontem, quando recusei um convite para ir à praia, percebi que não estou, de facto, em mim.

Countdown

Quando a máquina começa a mexer, sinto os sistemas de protecção começar a activar.
Brevemente atingem o nível máximo.

Começa então o processo de afastamento.

Não sei porque me lamento, não são os outros que me deixam: eu é que os deixo a eles.

(e como este há este e este)

insónia

"...poderá, portanto, dormir um pouco mais. Isto é o que costumam dizer o insones que não pregaram olho em toda a noite, mas que, pobres deles, julgam ser capazes de iludir o sono só porque lhe pedem um pouco mais, apenas um pouco mais, eles a quem nem um minuto de repouso lhes havia sido concedido."
José Saramago, As Intermintências da Morte (pag 187, Caminho)

quarta-feira, 4 de julho de 2007

como se fazem as pazes com o rock
(ou obrigada m.)



que me sirva de lição, para perceber que não posso continuar a render-me só ao que é imediato e fácil...

(talvez por isso não possa deixar de agradecer a quem me ajudou a pôr outra vez os pés neste caminho)

terça-feira, 3 de julho de 2007

o nada

queria
quero escrever

o tempo que se adia permanentemente a ele próprio nos pequenos gestos do dia-a-dia que não sabemos como concretizar fora da rotina

queria
quero uma vida

(bom, na realidade já tenho uma, só não sei é se estou a fazer dela o que devia)

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Viajar, viajar, viajar...

Tenho conhecido cidades e acumulado na alma o peso da vontade de regressar, para ficar dias, semanas, meses...
Vivê-las até ao tutano e só depois voltar a partir.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

frase(s) feita(s) da noite

nem sempre temos aquilo que mais gostamos
nem sempre encontramos aquilo que procuramos

Landing

O avião iniciou a descida e ao mesmo tempo sinto a caneta falhar.
Espero que dure o suficiente para poder escrever que também eu tento aterrar, tenho coisas para fazer, tarefas a cumprir.

24.06.2007

Protesto contra o Blogger em Português

eu não publico "mensagens": publico posts.



rais'coma!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Sou capaz do amor incondicional?

Sou.

E se acho que não devia ser incondicional faço só de conta que não é.
Escondo-o, modifico-o, espalmo-o com as mãos abertas, pesadas, como quem molda uma peça de barro antes de a meter no forno.

E sim, é bem possível que acabe por estalar, se não tiver sido bem trabalhado...

(mas o que raio é o amor incondicional???)

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Seja como for, há assuntos que é melhor não explorar

Seguindo a mesma linha, quando há erros, não são os dos outros que eu não perdoo: são os meus.

E também isso leva às distâncias.

domingo, 17 de junho de 2007

Não há mal, foi só uma jarra.

Às vezes dou por mim a olhar para a frente com medo, mas percebo porque acontece: não confio em mim.

E tudo o que se estragar estragar-se-á por causa disso.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Não era suposto ser ao contrário?

Não percebo porque a vida se torna cada vez mais difícil à medida que aprendemos mais com ela.

s.o.s.



Tenho um amigo que acha que devíamos começar a vida ao contrário: nascíamos velhinhos, com dificuldades e poucas capacidades e íamos melhorando a passos largos, com a vantagem de acabarmos sem sofrimento e sem conhecimento, num lugar quentinho, calmo, em paz...

Eu acho que concordo com ele.

O tipo que inventou isto não pensou bem nas coisas.
Ou será que temos mesmo que pagar os pecados todos do mundo?...

É muito difícil suportar o sofrimento das pessoas de quem gostamos.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

porque sim

"Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica..."
Vinicius de Moraes, Soneto do amigo

terça-feira, 12 de junho de 2007

Também para aqui me arrastei, que não me apetecia escrever.

Eu própria estou farta da minha conversa dos últimos tempos.
E nem é só da conversa: estou farta desta pessoa que não tem vontade de nada, que se arrasta para trabalhar, para escrever, para sair, para cantar e dançar, para estudar..........
Sinto a vida à minha frente, a levar-me por uma corda, quase (quase!) contra a minha vontade...

Xiça!


(é tempo de acordar....)

Apetecia-me queixar-me, mas vou evitar fazê-lo

Arrastar-me pelo dia, lutar contra o sono, contra as dormências, contra as ausências.
Arregaçar as mangas e dar início ao trabalho: se quero uma mudança tenho de ser eu a iniciá-la.
Adormecer em cima dos cotovelos em cima da mudança.
Arrastar-me pelas obrigações cívicas.
Não ver o Lost para continuar a trabalhar na mudança...
(melhor, assim rende mais!)