como pode uma semana ser tanto e tão pouco ao mesmo tempo?
O serviço informativo não serve para nada: já esgotaram os Portishead e eu não sou detentora nem de um mísero bilhete...
O serviço informativo não serve para nada: já esgotaram os Portishead e eu não sou detentora nem de um mísero bilhete...
postado por muska eram 19:04 0 na memória
muito gosto eu de umas teoriazinhas.....
postado por muska eram 00:34 0 na memória
Ela disse, a meio da conversa: "sabes, o segredo para uma boa relação é manter sempre uma certa distância"
Claro que não podia deixar de ficar a pensar nisto, simplesmente porque me conheço.
E então lembrei-me daquela velha teoria da distância de segurança, que seria a distância mínima que duas pessoas conseguiriam tolerar sem se beijar ou se afastar, não conseguindo ficar só ali. (já não sei onde ouvi isto...)
É assim com algumas relações, quando o tipo da esquerda quer que continuemos a tentar aproximar-nos mais, atingimos a dita distância mínima, e aí só pode acontecer uma de duas coisas: ou se abrem as portas e se consegue a intimidade que se procurava, ou alguém afasta alguém e há um retrocesso até um novo (ou velho) ponto de conforto.
postado por muska eram 23:54 0 na memória
... aquilo que já toda a gente parece saber: os Cure também cá vêm, dia 8, Lisboa, Pavilhão Atlântico.
Acho curioso um concerto dos Cure, simplesmente porque não consigo deixar de pensar neles como uma banda do passado (com 31 anos não podem deixar de o ser, são mais velhos do que eu!), embora os ouça muitíssimo ainda...
postado por muska eram 21:27 2 na memória
Há avanços da ciência que não deixam de me assustar: depois de criado um genoma artificial, a que distância estamos de criar indivíduos artificiais?
(não discutindo, ainda assim, os benefícios em termos de novas terapias que envolvam o genoma, onde muitas vezes residem os problemas...)
postado por muska eram 21:24 0 na memória
que fizemos nós do tempo?
tirámos partido dele, como se fosse o ingrediente secreto de algum prato novo, recém-descoberto, ou abusámos?...
postado por muska eram 23:04 0 na memória
Depois de um ano, não posso dizer que o espectáculo que vi da Mayra Andrade me surpreendeu.
Continua simpática, simples, cativante... e com uma voz e uma presença em palco assombrosas. Os músicos continuam excelentes (porque acho difícil que pudessem ser melhores), e o tempo passa a correr por entre as músicas quentes, balançadas.
postado por muska eram 22:34 0 na memória
... que os Portishead vão lançar um novo álbum, e que a digressão começa precisamente neste pedacinho de país à beira mar plantado.
Porto e Lisboa, 26 e 27 de Março.
postado por muska eram 23:54 0 na memória
Aos poucos o ar vai passando, vou conseguindo respirar.
Apesar de nem tudo ter corrido como era suposto, e de não ter resolvido um único dos problemas que me atormentam, a semana que passou foi positiva, cheia de gente, mais música em circunstâncias diferentes, mais leve um pouco.
postado por muska eram 23:44 0 na memória
"Eu tento ler-te em cada frase
Tens um mistério
Que eu não desvendo
Embora às vezes esteja quase
O teu silêncio mais parece
Um ponto final
Volto atrás, tento entender
Mas não sou capaz
Eu quero entrar no teu enredo
Mas tenho medo
De não conseguir passar
Do prefácio
Talvez me possas
Dar uma luz
Tudo o que eu peço é um sinal
Eu não quero o acesso
A todos os teus segredos
Mas só a alguns
Dá-me um indício
Mesmo contrário
"Contraditório"
Dá-me a palavra
Que eu vou procurá-la
Ao dicionário
Eu quero entrar no teu enredo
Mas tenho medo
De não conseguir passar
Do prefácio
Dá-me uma chance
É tudo o que eu quero
É muito mau
Ler um romance
Sem sair do ponto zero
Talvez me possas
Dar uma luz
Tudo o que eu peço é um sinal
Eu não quero o acesso
A todos os teus segredos
Mas só a alguns"
Clã - Ponto Zero
(Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves)
(daqui)
postado por muska eram 23:34 0 na memória
postado por muska eram 23:24 2 na memória
"Eu dou tudo quanto tenho
Não funciono a meio gás"
Clã, Tira a Teima
postado por muska eram 00:14 0 na memória
Acontece-me vezes sem conta, quando vou a algum sítio de carro, especialmente à noite e com boa música aos berros, ter vontade de esquecer o destino e continuar, como se não houvesse limites de espaço e de tempo e eu pudesse só conduzir, para sempre e para sítio nenhum.
Às vezes engano-me um pouco a mim própria e ignoro mesmo a saída, mas imponho regras: até à música tal, até à hora tal...
E sabe-me bem seguir, ouvir só a música e tentar não pensar em nada, em ninguém...
postado por muska eram 00:04 0 na memória
Páro. Fecho os olhos. Respiro fundo.
Escorreguei hoje duas vezes, distraída à tua beira.
Quero esquecer-me de como se cai, de como a terra pára momentaneamente de girar e sinto a tua respiração perto, demasiado perto, a curva perfeita do teu peito, a força e a velocidade com que atravessas o espaço que nos separa.
Escorreguei hoje duas vezes...
Se me distraio sou capaz de cair, e não sei se não quero ou se não devo.
postado por muska eram 21:14 0 na memória
"If or when I do start going to an analyst, I hope to God he has the foresight to
let a dermatologist sit in on consultation. A hand specialist.
I have scars on my hands from touching certain people.
Once, in the park, when Franny was still in the carriage,
I put my hand on the downy pate of her head and left it there too long.
Another time, at Loew's Seventy-Second Street, with Zooey during a spooky movie.
He was about six or seven, and he went under the sear to avoid watching a
scary scene. I put my hand on his head.
Certain heads, certain colors and textures of human hair leave permanent
marks on me. Other things, too.
Charlotte once ran away from me, outside the studio, and I grabbed her
dress to stop her, to keep her near me.
A yellow cotton dress I loved because it was too long for her.
I still have a lemon-yellow mark on the palm of my right hand...."
Raise High the Roof Beam, Carpenters, J.D. Salinger
"Certas cabeças, certas cores, certos contactos com a pele humana deixam-me cicatrizes para sempre."
postado por muska eram 23:04 0 na memória
"Largaram-me a mil metros do chão
Largaram-me porque me agarrei
Numa alucinação de vida
Que me enchia o coração
E que agora vejo perdida
Num cair que já não sei
Largaram-me a mil metros do chão
Reparo o sol que se afasta no ar
Rasgo caminho onde o vento dormia
Adormeço sentidos no meu furacão
Enquanto sol anuncia o dia
Sinto o meu corpo, desamparado, deslizar...
Perdi-te do lado errado do coração
Mas és tu o meu chão...
Enquanto caía a terra rachou
E eu via a queda ainda mais funda
Ao meu lado passava tudo o que passei
Comigo a miragem que nada mudou
Do voo rasante que nem começou
Do tempo apressado que nem reparei
Sinto os meus gestos flutuar, devagar
No último segredo antes do ódio
À minha frente um filme de aves sem voz
Quando as ouvi resolvi gostar
Quando as senti fiquei a amar
Ter tentado subir ao cimo de nós
Amei-te do lado errado do coração
Mas és tu o meu chão...
Não sei ao que chamam lados do coração
Mas és tu o meu chão...
És tu o meu chão..."
Toranja, Lados Errados
Não ia postar aqui esta letra, mas o meu explorer (tenho que me dar ao trabalho de instalar outra coisinha...) recusa-se a tocar a música que pus ali do lado direito (lado errado?), por isso cá fica...
postado por muska eram 21:44 0 na memória
Há lugares comuns que, ainda que o sejam, se destacam na minha vida.
postado por muska eram 19:44 0 na memória
Confundo constantemente os meus amigos com estranhos.
postado por muska eram 19:34 0 na memória
Tenho duas mãos invisíveis a tentar desesperadamente espremer qualquer coisinha do meu cérebro, e, espanto!, não se aproveita nada...
Mas dói em dois sítios diferentes.
Mesmo.
postado por muska eram 03:04 0 na memória
Olhando para trás percebo que sou, de facto, sozinha, e sou eu que o escolho, não adianta tentar culpar outros. (já o expliquei aqui, e aqui, e aqui, e aqui e talvez em outros sítios...)
Apenas há instantes em que me engano, e julgo ver gente ao meu lado.
Mas é ilusão: reservei o meu lugar, e todos os que estavam à volta, para que ninguém se possa sentar à minha beira. É tudo muito de passagem...
No fundo talvez seja compreensível, porque me escondo sempre na sombra.
Eu sou aquela que é incapaz de chamar, que não chora, que não grita nunca, que não pede e muito menos implora, e que jamais dá um estalo ou um pontapé, mesmo depois de levar três seguidos.
postado por muska eram 22:44 0 na memória
Sinto-me como um cego, às apalpadelas em terreno desconhecido, a tropeçar em tudo o que está pelo caminho.
Tento ser delicada mas não sei se é o suficiente para não partir tudo o que me rodeia.
Era a última coisa que queria...
(e na verdade não sei porque digo desconhecido, conheço-o demasiado bem, só não sei como o percorrer...)
postado por muska eram 21:04 0 na memória
Sabendo que estás para chegar, não consigo ver-te, ainda que te olhe.
A distância comprime-se rapidamente nas conversas iniciais, banais, mas depois o tempo e o espaço avançam juntos, e a juntar-nos, pela primeira vez depois da última, que já nem sei quando foi.
É então que te olho, agora sem medo, mais demoradamente, e consigo vislumbrar-me nos teus olhos, como dantes, como se quatro anos inteiros não tivessem passado.
E nesse instante, olhos nos olhos, cresces dentro de mim, e a tua presença é forte e segura, porque nos vemos, finalmente, e sabemos quem fomos, de onde viemos, e sabemos quem somos, despidas de banalidades.
Pode ser apenas um instante, breve, mas enche-me e perdura... e é bom......
postado por muska eram 22:34 0 na memória
Na proximidade dos outros encontro-me a mim própria com calma, sem pressas, sem dúvidas ou justificações, como qualquer coisa que existe simplesmente, que se limita a ser como é.
Mas à medida que o tempo avança, avassalador sobre o meu peito nu, desprotegido, sinto-o alimentar os pontos de interrogação que me crescem nos olhos marejados, e percebo que os momentos deixam de se tocar, primeiro por uns segundos apenas, mas aos poucos, à medida que cresce a confiança da dúvida demolidora, por mais uns minutos, e depois umas horas, e um dia, e dois... até que já não tenho olhos, só questões húmidas que não sei como esmagar.
Não com as minhas duas mãos.
Dói-me a distância de mim mesma, com o barulho da carne a ser rasgada, afastada devagar da outra carne, do osso... porque é a mesma distância que se ergue assombrosa e me separa dos outros.
postado por muska eram 23:54 0 na memória
"Devemos andar sempre bêbados.
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar.
Mas com quê?
Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto. Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, o tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são: "São horas de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar! Com vinho, com poesia, ou com a virtude.""
Charles Baudelaire
A meu gosto é com pessoas.
postado por muska eram 02:34 0 na memória
Lições aprendidas: não deixar um saco térmico cheio de comida fechado durante uma semana em cima da mesa da cozinha.
Acho inacreditável que os meus vizinhos não tenham pensado que eu morri.
(ok, não cheirava assim tão mal...)
Como se começa bem o ano: a limpar as borradas (para não dizer pior) que se fez no anterior.
Com a minha vida podre como está sá há uma solução: água quente, lixívia e sonasol verde (passo a publicidade). Depois de amanhã está nobo.
postado por muska eram 23:44 0 na memória
postado por muska eram 17:04 0 na memória
"Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –
o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas."
Maria do Rosário Pedreira
postado por muska eram 03:54 0 na memória
o balanço deste ano ficará para o ano que vem
* não sei de quem é esta linda frase, mas não é minha....
postado por muska eram 03:44 0 na memória
Quando comecei a escrever o blog nem sabia bem o que era um blog, por isso não havia propriamente um projecto para as minhas lembranças.
Aos poucos este tornou-se o espaço onde fui deixando o que li e o que ouvi, e muito do que senti.
Ninguém vinha à minha procura, por isso ninguém se sentia defraudado por não me encontrar.
E eu escrevia livremente, porque sabia que mantinha uma versão pública, e ao mesmo tempo privada dos meus livrinhos.
Claro que, em última análise, as coisas escritas só ganham forma depois de lidas, e aí residia a principal vantagem de tudo isto: o que eu escrevia era lido e eu sabia-o, só não sabia por quem.
(e "quem" não sabia quem eu era...)
À medida que o tempo passou fui partilhando este espaço com as pessoas que achei que poderiam, de alguma forma, chegar mais perto através das minhas palavras. A algumas dei deliberadamente este endereço, outras descobriram-no por acaso ou porque o procuraram. Apenas num caso não ponderei a partilha, em todos os outros resisti muitas vezes à vontade que tinha de dizer que escrevia aqui, até finalmente não conseguir resistir mais.
E comecei, lentamente, a escrever de forma diferente, às vezes quase a disfarçar o que que queria dizer no meio de metáforas e palavras vagas que só eu seria (ou não) capaz de entender. E comecei também a esperar que me viessem ler, a presença de pessoas mais próximas não é algo de que me possa simplesmente abstrair na maior parte das vezes que escrevo. Às vezes isso faz diferença, outras vezes não faz. Mas a sensação que tenho ultimamente é que cada vez faz mais diferença.
Parar o blog não foi uma decisão repentina.
Já houve outras ameaças, e esta poderá ser só mais uma.
Não sei se consigo passar sem cá vir...
Mas há muito que não sinto a mesma leveza que sentia antes, quando publicava um post. Às vezes a sensação é exactamente a oposta, porque estou a pensar em como vai ser interpretado aquilo que escrevi...
Por isso, e enquanto algumas coisas não estiverem um pouco mais claras na minha cabeça, e no meu coração, fica esta nota suspensa.
O que acontecerá depois nem eu sei.
postado por muska eram 23:04 0 na memória
encerramos para obras/demolição (ainda em ponderação)
obrigada/desculpem
postado por muska eram 18:14 0 na memória
fazer as coisas contrariada torna tudo muito mais difícil. sei disto, mas não o consigo evitar, por isso me está a custar tanto.
trabalhar em coisas sem acreditar nelas é verdadeiramente improdutivo.
continuo a não saber gerir os meus sentimentos em relação às prioridades das vidas alheias. são alheias, por isso não tenho nada a ver com isso. se é assim simples, porque não é fácil de aplicar?
às vezes gostava mesmo de ser desligada. como não sou, irrito-me comigo própria por não conseguir ser, e com os outros apenas porque são alvo da minha ligação. (como se fosse uma coisa unidireccional...) (e às vezes parece ser, de facto.)
é quinta-feira à noite (ou será sexta, já?) e eu estou com um humor digno de domingo à noite. devia (seriamente) ponderar ficar...
postado por muska eram 01:04 0 na memória
dei por mim a pensar que talvez lembre mais o dia em que partiram do que aquele em que chegaram... e depois percebi como é irónico (ou talvez não) que a data de uma partida seja a da outra chegada, e a da outra chegada outra partida...
postado por muska eram 23:34 0 na memória
postado por muska eram 23:54
Na realidade (estou sempre a escrever isto...) cheguei à conclusão que não sou uma pessoa inteligente.
Se fosse não escrevia estas coisas no blog.
Não escrevia nada neste blog.
E ter noção disso e continuar não abona muito em meu favor...
postado por muska eram 23:48 0 na memória
E entramos directamente na fase ácida da coisa.
Qual é o interesse de uma pessoa se apaixonar?
Sim, a vida parece mais colorida, mais musical, mais rica, mais sei lá o quê....
E sei lá o quê porque não sei.
Porque depois isso passa e fica só um vazio que já não cabe no espaço que o vazio anterior ocupava.
Preferia andar bem e ser eu bem outra vez, é só isso.
(e negarei até ao fim dos meus dias ter escrito este post...)
postado por muska eram 23:46 0 na memória
Este é um velho hábito, que talvez o seja porque resulta...
Agarro-me a tudo à minha volta.
Preciso de me ocupar, de procurar pessoas, muitas pessoas, de fazer jantares, de ir a ensaios e a cafés, de me distrair da minha própria vida...
postado por muska eram 23:44 0 na memória
"if i told you things i did before
told you how i used to be
would you go along with someone like me
if you knew my story word for word
had all of my history
would you go along with someone like me
i did before and had my share
it didn't lead nowhere
i would go along with someone like you
it doesn't matter what you did
who you were hanging with
we could stick around and see this night through
and we don't care about the young folks
talkin' bout the young style
and we don't care about the old folks
talkin' 'bout the old style too
and we don't care about their own faults
talkin' 'bout our own style
all we care 'bout is talking
talking only me and you
usually when things has gone this far
people tend to disappear
no-one will surprise me unless you do
i can tell there's something goin' on
hours seems to disappear
everyone is leaving i'm still with you
it doesn't matter what we do
where we are going to
we can stick around and see this night through
and we don't care about the young folks
talkin' bout the young style
and we don't care about the old folks
talkin' 'bout the old style too
and we don't care about their own faults
talkin' 'bout our own style
all we care 'bout is talking
talking only me and you"
Peter Bjorn and John, Young Folks
postado por muska eram 23:34 0 na memória
"De nós, é ele o mais feliz, num certo sentido; não tem nenhuma ideia preconcebida do que deseja em troca do seu amor. Amar assim, sem premeditação, eis o que todas as pessoas deviam aprender(...)"
Lawrence Durrel, Justine (página 81, Olisseia)
Acredito que este é um dos caminhos para a felicidade.
Também acredito que existem mais.....
postado por muska eram 00:34 0 na memória
Não espero exageros em troca (acho até que não saberia geri-los, se fosse ao contrário) (o que também explica muita coisa...).
Na realidade sei que, estando em fase, bastam pequenos feedbacks para me manter a funcionar em alta rotação.
postado por muska eram 00:24 0 na memória
"A viagem aproxima-se do fim, e, ao contrário do que costuma acontecer, não tenho sentimentos definidos em relação a isso.
Se por um lado tenho medo do regresso às rotinas e ao buraco negro em que me estava a fechar aos poucos, por outro tenho alguma vontade de voltar, quase uma impaciência, como se já não houvesse mais nada para ver aqui.
Sei que isso não é verdade: havia muito mais para ver aqui.
A questão é só a do costume: o que faz toda a diferença em tudo o que faço, vejo e sinto......
E neste sítio bonito, numa realidade tão distante da que vivo no dia-a-dia, as minhas considerações são as mesmas. E talvez isso, mais do que qualquer outra coisa, esteja errado.
Devia aproveitar esta água que se atira da montanha em queda livre para me lavar, deixar que o barulho ensurdecedor que faz ao ruir nas pedras me chegue pelos ouvidos à alma, sentir o seu cheiro vazio, insípido e límpido, e conduzi-lo pelas narinas, faringe, laringe, brônquios, bronquíolos, alvéolos, gás no sangue, oxigénio novo para o meu coração cansado, que bateu até ficar com a língua de fora só para que eu pudesse chegar hoje aqui, onde estou neste preciso instante: numa ponte de metal sobre uma cascata que desagua na grande mãe. De pé, mas sempre pouco segura nas minhas próprias pernas, dentro do meu próprio corpo, apesar do aspecto robusto que passo em pose atlética, de mochila às costas e botas de montanha."
postado por muska eram 02:34 0 na memória
estou mais crescida, mas não estou maior
postado por muska eram 23:34 0 na memória
"The World is a bridge, pass over it, but build no houses upon it. He, who hopes for a day, may hope for eternity: but the World endures but an hour."
Attrib. to Jesus Christ
... e ensina-me a passar!
Alberto Caeiro
(duas citações num só post, que espectáculo! nada como umas férias para alguma inspiração...)
postado por muska eram 22:34 0 na memória
Pensei que ia ter tempo para mais qualquer coisa, mas não, claro que não.
Acho que já tive tempo para muita coisa, não me posso queixar...
E chegou, mais uma vez a altura de um "ritual" que se repete pela terceira vez...
Vou cair em frases feitas e vou dizer que vou à minha procura.
Não pelo destino, que talvez fosse propício a essas buscas espirituais, mas porque precisaria de ir à minha procura a qualquer sítio do mundo.
Por brincadeira digo que vou estar à minha espera no aeroporto, e até me ajudo a carregar a minha própria bagagem... Quem mais?
Mas espero voltar mais eu outra vez, mais calma e, acima de tudo, com mais disposição para tudo o que neste momento a exige na minha vida.
postado por muska eram 18:04 0 na memória
Dei por mim a pensar nisto...
Ir à procura dos outros é uma responsabilidade. Não sei se responsabilidade é a palavra mais certa, dá um ar sisudo à coisa, mas a verdade é que é, de facto, sério.
E por achar que é sério, sempre que tento encontrar alguém, fico a pensar se estou a fazer bem, porque mais tarde posso não estar à altura do que procurei, ou o outro pode não estar à altura do que eu inventei...
*Antoine de Saint-Exupéry
postado por muska eram 23:54 2 na memória
E não me apetece da mesma forma que não me apetece acordar, trabalhar, sair, ir ao café, ver gente, nem ir a lado nenhum.........
...e não percebo bem o que se está a passar...
postado por muska eram 23:44 0 na memória
"Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face
Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio
Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente"
Sophia de Mello Breyner Andresen, Eis-me
postado por muska eram 00:24 0 na memória
São constatações.
É assim a vida...
(ao que alguém diria: "mais curta que comprida!")
postado por muska eram 00:14 0 na memória
De repente dei por mim a questionar-me se foi isso que mudou tudo.
Ao olhar à minha volta percebo que há, de facto, algo que não bate certo.
Não há ninguém que tenha estado ao meu lado todo este tempo, mas eu também não estive ao lado de ninguém...
E sim, falta-me a "minha pessoa", mas se à minha volta as pessoas têm pessoas e eu não tenho, o problema será de quem?
Meu, com toda a certeza.
E olho para mim, olhos nos olhos que me olham no espelho, e sei que este caminho não me leva a bom porto, mas não consigo escolher outro.
Porque não quero.
Porque vai contra os meus supostos princípios.
Porque arruína a minha estúpida e incoerente coerência.
postado por muska eram 00:04 0 na memória
A Firmina e a Solange eram as melhores amigas no liceu. Conheciam-se, e às respectivas famílias, passavam horas ao telefone. A Solange queria ir para África e ter um dois cavalos, e a Firmina é que acabou médica (ou talvez não...). Um dia a Solange mudou de escola. Na eminência da separação, disse à Firmina que iam deixar de ser amigas. Que era assim que as coisas se passavam, e que não havia a mínima hipótese de outro rumo para aquela amizade. Não deu oportunidade à Firmina para lhe mostrar que as coisas podiam passar-se de outra forma. Mas avisou-a.
Passados dez anos a Firmina tinha uma outra amiga, a Carlota. Eram as melhores amigas. Conheciam-se e conheciam as respectivas famílias. Falavam muito porque queriam que a outra fosse a primeira a saber da mínima coisa que tivesse acontecido nesse dia, de um beijo mal dado, ou de como o Jesualdo dizia as coisas certas, ou de como o Joaquim não estava quando era mais preciso. Um dia a Firmina teve que mudar de cidade. A Carlota não a avisou que iam deixar de ser amigas.
postado por muska eram 23:44 0 na memória
É tudo muito mais fácil quando não há nada a perder...
postado por muska eram 20:04 0 na memória
Outras coisas deviam ter mudado.
Percebi que o medo não me impede de avançar, de abrir as portas, de jogar.
Tenho medo, sim, mas quando o tipo à esquerda assume o comando, torna-se difícil controlar as coisas.
E mesmo sabendo que não pode ser assim, que as regras pelas quais se regem todas as pessoas à minha volta não permitem que se jogue desta maneira, eu avanço. E à medida que avanço tiro a camisola, esqueço a pele, e exponho-me desprotegida.
Ninguém joga este jogo.
Até hoje só conheci um jogador, e desistiu no fim da primeira parte. A maioria não dura nem cinco minutos.
Eu sei disso.
Não percebo porque não páro.
Pelo menos a tempo de um empate...
postado por muska eram 23:14 0 na memória
Na realidade algumas coisas mudaram nestes anos todos.
Hoje há coisas que prefiro não escrever, para não ter que me lembrar delas mais tarde.
postado por muska eram 23:14 0 na memória
Este blog tem mil e duzentos posts publicados, mil duzentos e noventa e dois no total, com este mais um, a somar em qualquer dos lados.
Houve uma altura em que eu não escrevia drafts (recuso-me a dizer rascunhos, e mesmo assim acabei de o fazer), e as palavras eram soltas, fluidas, escorregadias. Quando me apercebia já tinham saído e estavam de outra cor. Nessa altura não saíam só as palavras...
Agora não consigo fazê-las sair. Nem às palavras...
Sei que algumas nascem nos lábios, outras nos olhos, outras um pouco mais fundo, mas não sei como se fazem.
Não sei bem o que procuro, mas está a chegar a altura da viagem, e quando voltar o meu calendário estará novamente a zero.
Sem desculpas de um ano civil ou lectivo, ou qualquer outro.
Este não está a ser bom, talvez consiga ainda corrigi-lo um pouco.
postado por muska eram 03:04 0 na memória
Há pessoas que fazem parte de nós, como impressões digitais.
postado por muska eram 23:24 0 na memória
Estão escondidos?
São vocês mesmos?
não se escondam demasiado...
...tenho medo de não vos conseguir encontrar...
postado por muska eram 22:54 0 na memória
Era vermelho e redondo e agora está enterrado na areia, onde desabam as ondas do mar.
Fiquei triste, sim, por mais estúpido que me pareça ficar triste por uma coisa...
Mas as coisas são as memórias e as imagens, que aos poucos vão substituindo a forma original por outra, com um sentido que ultrapassa o plano físico e começa a entrar no emocional.
Por isso gostava dele, porque foi símbolo do meu verão.
E fico mais triste porque tenho a sensação de que foram enterrados juntos.
postado por muska eram 22:44 2 na memória
sinto um certo orgulho nesta minha teimosa (e idiota) forma de estar na vida
um orgulho quase tão grande como a raiva que às vezes me enche por ser assim: estupidamente vulnerável a tantas coisas que não dependem de mim
postado por muska eram 22:34 0 na memória
o tempo avança depressa, e se por momentos percebi onde estava a minha paz, de repente já não sei quais os passos que calquei para lá chegar
sei onde está, visualizo-a, mas não lhe toco
e enquanto escrevo isto percebo porquê: a minha paz e o meu equilíbrio eram gastos e cansados, e quis experimentar o lado de lá, independentemente das consequências
pensando assim percebo que valeu a pena arriscar, mesmo que o resultado não seja melhor que a equação que o precedia
mesmo que agora reclame, e sofra de olhos abertos e secos
postado por muska eram 23:04 0 na memória
há qualquer coisa de vulgar nesta inquietação que me impede de dormir
as minhas constantes interrogações, a minha vida permanentemente ligada à electricidade da companhia alheia
estou F-A-R-T-A
postado por muska eram 22:54 0 na memória
há pessoas de quem gostamos muito que têm coisas de que não gostamos nada
as dificuldades surgem quando não nos conseguimos abstrair de nenhuma das duas coisas
postado por muska eram 22:44 0 na memória
"O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto
Todas as coisas serviram para nos ensinar
ardente perfeição da tua ausência"
Sophia de Mello Breyner Andresen
postado por muska eram 22:34 0 na memória
"Nem por um segundo largo a mão
da perfeição do teu desenho
e do teu gesto no meu...
foi como um sopro estranho...
...aconteceu..."
Toranja, Fogo e Noite
Há memórias passadas que voltam num segundo, e é impossível saber onde estavam guardadas, ou porque quiseram sentir de novo o ar fresco da noite.
Às vezes tenho saudades dos breves instantes em que se consumiu uma história que nunca chegou a ganhar a forma que têm as coisas reais.
postado por muska eram 03:54 0 na memória
Em parte sei de onde vem esta sensação de que o chão me está sempre a fugir, por baixo dos pés: insisto em fazer caminhos que já conheço, e onde sei que acabo atolada até às orelhas....
postado por muska eram 14:34 0 na memória
Quando devia ser capaz de não escrever, escrevo o que não devo.
Quando devia relaxar as defesas elas erguem-se assombrosas sobre as minhas dúvidas: calo-me.
postado por muska eram 02:34 0 na memória
O tempo passou, e eu não aprendi a gerir muitas destas coisas das relações entre as pessoas. Páro, ouço mais do que falo, tento observar... Mas escapa-me sempre a essência da questão.
Às vezes pergunto-me se é só uma questão de química.
Ou seja: podemos achar que certas pessoas são certas e investir nelas, e mesmo assim nunca conseguir chegar lá, ou deixá-las vir até nós. Não falo de nada em particular, mas de tudo em geral.... Se a dita química falhar, o investimento, por maior que seja, poderá falhar também?
E volto às minhas velhas questões e interrogações sobre a amizade, e sobre as relações entre duas pessoas, quaisquer que elas sejam...
Aprendi a não pedir mais, mesmo desejando-o, às vezes, com todas as minhas forças.
Só não percebo porque não aprendi a conquistar a paz que devia vir no mesmo pacote.
postado por muska eram 02:04 0 na memória
se nos lembrarmos de alguém e esse alguém não souber que nos lembrámos, valeu a pena termo-nos lembrado?
postado por muska eram 20:34 0 na memória
não sei se são grandes ou pequenas, mas há coisas simples que me deixam feliz
postado por muska eram 00:34 0 na memória
bom...
na verdade já devo ter dito praticamente tudo aqui
acho que é por isso que às vezes a única coisa que faz sentido é o silêncio...
postado por muska eram 19:54 0 na memória
Pela primeira vez em muito tempo (talvez um mês, mais coisa menos coisa), dormi bem, toda a noite. Claro que abri os olhos uma hora antes de o despertador tocar, mas nem isso estragou a sensação de descanso que tinha ao acordar.
Já o disse aqui, mas é por este despertar, mais do que pelo sono, que gosto de dromir...
postado por muska eram 19:44 0 na memória
A vida é frágil, demasiado frágil, e demasiadas vezes brincamos com ela.
Tantas vezes me lamentei aqui da falta que me faziam (fazem) pessoas, e de como é triste sucumbirmos às rotinas, deixando passar dias, semanas, meses sem um telefonema, uma mensagem, um sinal qualquer...
Aos poucos sinto-me a embrutecer, a juntar-me à manada...
Como será percebermos, um dia, que não nos resta mais do que um ano, por exemplo? Seis meses? Divido-me entre duas hipóteses, ambas carimbadas pelo desequilíbrio emocional que a integração de semelhante verdade traria: ou se metem pés e mãos ao caminho, tentando aproveitar tudo, ou se desiste, ao perceber que já não é possível, porque o mundo era tão grande que nos comeu.
De fora, parece-me impossível continuar a vida como se nada estivesse para acontecer...
Não sei se sou demasiado ambiciosa em termos pessoais ou demasiado preguiçosa em todos os outros.
O verão aproxima-se do fim e este calor mortiço mantém-se, a comer-me por dentro, deixando-me mole, de olhos baços, sem força para tudo o que me faz falta.
Ao contrário do que sempre acontece, espero agora que o inverno seja mais agradável.
Tento acreditar que as férias que faltam me vão fazer abrir os olhos de vez, e voltar ao equilíbrio que procuro desde que te fiz aparecer.
postado por muska eram 17:14 0 na memória
Não tenho muito para dizer, e isso poderá (ou não) ser um bom sinal.
Os dias são lentos, as horas passadas comigo não se apressam, nem eu com elas.
Habituo-me de forma assustadoramente rápida a este vazio de contactos, e todo e qualquer movimento de contradição cresce em esforço.
Mas sabe-me bem esta paz: não penso, não vejo, não falo, não sinto.
Armazeno energia e tenho esperança de não estar a trabalhar em sentido negativo.
postado por muska eram 23:44 0 na memória
Os dias passam devagar, e ao mesmo tempo depressa demais.
Acordamos quando abrimos os olhos, comemos porque o corpo o pede, amolecemos ao sol e ganhamos forma na água.
Arrastamo-nos para outros sítios por estradas poeirentas, paramos para fotografias e voamos nas músicas.
Ao fim da tarde tudo pára.
Bebe-se um copo, enrolam-se caracóis em palitos, e atira-se conversa ao ar, mas não se joga fora. Conseguimos que alguma chegue bem dentro.
Na simplicidade dos momentos partilhados reside qualquer coisa tranquila, de paz, que sem ter forma me enche por dentro...
postado por muska eram 22:04 0 na memória
A água era morna, a temperatura próxima à que se respirava cá fora, e as ondas rebentavam em dois sentidos opostos, anulando-se umas às outras.
Ao fundo, algures entre o mar e o céu, havia uma barra escura, e a noite crescia daí, em azuis, laranjas e violetas...
À esquerda havia um penhasco, e logo ao lado crescia a lua nova.
As estrelas começavam a polvilhar o céu, e eu entrei...
postado por muska eram 02:24 0 na memória
Há pessoas para quem olhamos, definitivamente, para cima.
Hoje dei por mim a pensar que devia expressar a admiração que sinto, o quanto saio maior de algumas conversas, e como percebo que há caminhos que eu queria, para continuar a crescer, aprender a seguir.
postado por muska eram 00:24 2 na memória
À medida que o tempo passa percebo que fugir não é solução.
Tenho notado no meu percurso de vida uma certa tendência para ir de encontro ao que mais me assusta. E é verdade que aos poucos os medos vão desaparecendo, diluem-se nos hábitos, dão lugar a outros.
Pela primeira vez em muito tempo achei que estava farta de preocurar sempre o que me faz mal, e fugi.
E de cada vez que dobro uma esquina percebo que os fantasma que quero evitar estão à espreita, avisando-me do perigo que corro se continuar a virar-lhes costas.
postado por muska eram 23:44 0 na memória
podia ter ido.
num dia lamento-me porque me faltam as pessoas, no outro desperdiço companhias raras e por isso preciosas
não sei se devo interpretar isto como mais um sinal de que algo não está a funcionar como era suposto.
não é da minha natureza ceder ao cansaço, à dor de cabeça, e às coisas que me fizeram ceder, em detrimento de bons momentos em boa companhia.
talvez seja bom não tentar interpretar nada.
não estou em paz.
amanhã é outro dia.
postado por muska eram 00:24 0 na memória
já tenho os sapatos calçados e ainda não os paguei...
postado por muska eram 20:24 0 na memória
O dia esteve quente, como têm estado os dias desde que começou este verão tardio.
Para compensar um pouco, e aproveitar que há um rio à beira do qual está mais fresco, arrastei-me para fora de casa.
O caminho de regresso foi feito devagar, a ouvir a música sem a ouvir de facto, porque vinha a pensar que uma ou duas horas de contacto diário (quando o é...) com pessoas que falam, que têm vidas, que querem saber das minhas, não são suficientes.
A mim não me chegam.
E é por isso que este ano estou cansada, e preciso de sair daqui.
(e é isso que me tem feito pensar,ultimamente muito mais, se estou no caminho certo)
postado por muska eram 00:04 0 na memória
Tinha muito para dizer, mas perdi as palavras no meio das horas que foram passando.
postado por muska eram 23:44 0 na memória
Como eu própria já referi muitas vezes, não há nada como ter a cabeça e o corpo ocupados para manter o tipo da esquerda a trabalhar só para eles. Assim não se contrai mais do que o necessário, e, como tal, não dói.
Continuo a não gostar de despedidas. Esta não tem que ser definitiva, mas encaro-a como tal. Não consigo deixar de pensar que as pessoas fazem sempre toda a diferença, e por isso, apesar de alguns momentos menos bons, sinto que tive muita sorte. Fui, como se diz às vezes, "trazida nas palminhas"... Tentei, mas há coisas que não se conseguem agradecer.
E agora que chega ao fim a primeira e a maior de quatro etapas, percebo que, apesar de tudo, preciso de parar. Apanhar um pouco de sol, relaxar, e, se possível, respirar o mar...
postado por muska eram 23:14 0 na memória
postado por muska eram 23:04 2 na memória
nada melhor para ocupar a cabecinha e manter o inquilino anestesiado
postado por muska eram 02:34 0 na memória
Já não tenho idade para algumas coisas....
(e, ainda assim, pergunto-me se há idades próprias para determinadas coisas)
postado por muska eram 06:04 2 na memória
Tenho as mãos abertas, espalmadas nas teclas.
Penso, por momentos, que assim vou conseguir escrever, mas sei que é apenas temporário.
Nos meus ouvidos ecoam os Verdes Anos em repeat mode, e eu sei que há músicas que não se devem ouvir a determinadas horas, nem em determinados dias.
Tal como não se deviam cultivar letras.
À minha frente desfilam anos. Verdes, todos eles muito verdes, e eu sempre à espera de os ver ganhar um pouco de uma outra cor. Uma qualquer, não sei qual...
À minha frente desfilam todos os amigos que fui ganhando e aos poucos perdendo. E quando os vejo pegunto-lhes onde estão, mas os meus ouvidos surdos já não percebem o que dizem as suas vozes distantes. Canso-me de tentar segui-los para onde vão.
Desfilam à minha frente os rapazes de quem gostei, um ou dois homens que amei, também eles rapazes de quem gostei.
Desfilam as pessoas que me habitam hoje, e nesta escuridão de noite avançada, em que sozinha me debruço sobre um teclado negro, afagado com carinho e com as duas mãos, pergunto-me se estarão mesmo a desfilar. Se como todas as outras pessoas vão só estar por algum tempo na frente dos meus olhos, até que o tempo, a vida, as mudanças as levem de novo, ou se é tudo uma ilusão óptica e estarão cá ainda, amanhã quando eu abrir os olhos inchados.
Queria creditar que assim como já não se fazem amigos facilmente, também já não se vão perder assim, com dois dedos de treta.
Queria acreditar que no meio desta gente toda à minha volta, que de entre estas pessoas todas que me fizeram quem sou, que fazem a minha vida completa mesmo quando me faltam em bocadinhos apertados do meu peito, não preciso de me sentir sozinha.
Mas sei cá no fundo que algumas coisas estão já resolvidas porque não têm solução.
Vários dos caminhos que percorro terminam em becos sem saída, e eu, com paciência, volto atrás, e passo novamente os pés pelas pedras só para descobrir que vão dar aos mesmíssimos sítios.
E à medida que o tempo passa tenho mais dificuldade em acreditar, mas nem por isso paro. Continuo cega neste caminho, que faço apenas com a convicção de que tem de ser feito, sem saber já para onde me dirigia quando o tomei.
Mas isso interessa? Faz algum sentido? Marca alguma diferença?
Não. No fundo não.
É tarde, amanhã vou achar que não devia ter-me dado a estes trabalhos, mas não vou apagá-los.
E volta e meia chego a dizer que não consigo não criar expectativas, que todos à minha volta são, no mínimo, tão egoístas como eu própria sou, e que certos gestos não lhes cabem nas mãos, como se calhar também não cabem nas minhas, mesmo que olhando para elas as ache grandes.
Eu, que não desenho os gestos para isso, sinto um certo calor na alma quando alguém os reconhece e sabe quem são.
Mas as mãos são, às vezes, demasiado grandes.
Há quem as perceba assim, mas também essas noções são temporárias.
A partir de certa altura o que tinha graça por ser grande, diferente, torna-se cansativo e rotineiro como tudo o resto, e já ninguém lhe vai dar valor.
E tenho pena. Porque sei que em parte é isso que torna verdes os meus anos.
postado por muska eram 05:04 1 na memória
Às vezes engano-me e acho que os outros vão fazer aquilo que eu faria.
Porque haviam de o fazer? São os outros, não sou eu....
Ainda assim há pequenas coisas que ferem.
Não é muito, é só ligeiramente...
Se calhar um pouco como quem se corta com uma folha de papel.
Dói na altura, é irritante porque é estúpido, mas passa depressa.
As outras pessoas não têm obrigação de corresponder às expectativas que eu criei para elas, certo?...
postado por muska eram 01:44 4 na memória
Quem tudo quer, tudo perde.
postado por muska eram 00:14 0 na memória
Houve uma altura em que as palavras eram gravadas em preto e laranja num fundo verde.
Nessa altura era um pouco como deixar o vento encarregar-se de as espalhar, de as separar, de as fazer perder-se, e com elas as mensagens tristes, monótonas e repetitivas que tentavam passar. Aos poucos o fundo tornou-se cada vez mais azul céu, perdeu-se o laranja pôr-do-sol, e o vento soprou cada vez mais fraquinho. No máximo conseguia difundir um pouco essas palavras, com tudo o que isso traz de bom, porque liberta, e de mau, porque pesa nos que as ouvem.
Hoje divido-me entre a vontade de me perder nas letras, abandonar-lhes este vazio pesado que dói, e a consciência de que não serão só palavras ao vento....
Queria escrever tudo menos o que posso, ou devo, escrever.
postado por muska eram 23:54 0 na memória
Amanhã tudo isto me vai parecer apenas tempo desperdiçado.
Hoje há um certo gozo masoquista (redundância?) em explorar a fundo os buracos negros que me esvaziam a alma.
postado por muska eram 01:16 0 na memória
As palavras esgotaram-se, perdidas entre as irregularidades desta estrada que percorro já quase sem abrir os olhos, só virada para dentro.
Não choveu, mas não tive estrelas a guiar-me, e ao chegar a casa estava quente, como que à minha espera.
Atiro as coisas para os cantos provisórios em que moram, um pouco como eu, e abro estas janelas fechadas, que às vezes só servem para me engolir inteira.
Adio o início da semana como se isso a fizesse desaparecer, mas sei que só me estou a enganar. Então abro o peito para o que me espera e fecho os olhos com força, à espera do choque frontal.
Alguma vez vou encarar alguma coisa na minha vida como definitiva?
Alguma vez vou sentir que pertenço realmente a algum sítio?
Alguma vez vou sentir que pertenço realmente a alguém?
No pasa nada...
postado por muska eram 01:14 0 na memória
De tanto me fazerem boa pessoa, talvez um dia eu acabe mesmo por me transformar numa.
postado por muska eram 04:24 2 na memória
Foi então que se virou e disse, a sorrir um sorriso grande: "O que é bom nisto tudo é que ninguém tenta ser mais. Tentamos, isso sim, que os outros, os nossos outros, sejam mais. E com isso tornamo-nos maiores."
postado por muska eram 23:04 0 na memória
Difícil que tivesse acontecido numa altura menos própria.
De certa forma estava à espera há já algum tempo, mas não pude nem sequer aproveitar para lavar a alma.....
postado por muska eram 23:54 0 na memória
Conheço pessoas que têm problemas.
Problemas a sério, e não estes dramas caseiros que eu adoro representar para mim própria.
Essas pessoas têm problemas, mas nem por isso deixaram de rir, de cumprir os seus deveres, de ser inteiras mesmo que por dentro se sintam aos pedacinhos.
postado por muska eram 01:24 0 na memória
sábado, o sétimo dia
dia sete
mês sete
ano sete
desta vez não consegui manter-me acordada até às sete horas, sete minutos e sete segundos...
*pixies
postado por muska eram 21:24 0 na memória