domingo, 17 de fevereiro de 2008

Pego no carro e vou onde quero...

Seguro com firmeza no volante, que obedece cegamente às minhas ordens. Ao mesmo tempo posso escolher a música que me apetece ouvir, mudar um pouco a temperatura ambiente, limpar o pára-brisas para melhorar a visibilidade. Se não bastar acendo os máximos, ligo os faróis de nevoeiro... As mudanças entram a meu gosto, acelero, travo, e tudo corre às mil maravilhas.
Gosto tanto de conduzir que às vezes me engano a mim própria, e acho que estou a conduzir a minha própria vida.

(porque não vim equipada com faróis de nevoeiro? não estou capaz de ver um palmo à minha frente...)

pH

Há momentos em que os gestos parecem todos iguais, e todos vazios. Como uma mão que se estendeu e ficou sempre ali, patética, oferecida no final de um braço sem que a outra aparecesse para lhe compensar o esforço do movimento.
Foi preciso mexer músculos, o coração teve que bater umas quantas vezes, mais acelerado na perspectiva do encontro, mais acelerado ainda na percepção de que não haveria encontro. Gastaram-se açúcares, oxigénio, e em mil processos metabólicos escrupulosamente controlados criou-se um ácido qualquer, que talvez não tenha sido convenientemente eliminado.

Saia na próxima, por favor...

É incrível a facilidade com que o que julgávamos certo passa a ser uma grande estupidez, e aquilo que dávamos como totalmente errado pode começar a fazer algum sentido...

Verdade XVIII

Pior do querer e não poder fazer, é toda a gente achar que não se fez porque não se quis.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

We are alone, always...

P.S. I Love You

(daqui)

...but at least we are together in that.


(pior do que ir ver um filme de domingo à tarde ao cinema, é choramingar cena sim cena sim...)

Uma bússola, por favor!

Às vezes dou por mim a questionar-me se este esforço que tenho feito para me superar a mim própria trará algum fruto que se possa trincar sem sentir uma certa acidez.

Não é fácil, é uma estrada nova à minha frente, ou um caminho que já fiz, mas que vejo agora com outros olhos, e há buracos que tento evitar, e curvas mais apertadas que me fazem perder por momentos a aderência ao piso, mas tenho insistido.
Tenho insistido calmamente, com paciência, porque acredito quase cegamente que estou na direcção certa, mesmo não percebendo bem qual é o destino final.

E depois, por uma fracção de segundo, há um gesto, ou a falta dele, que me faz derrapar quase irremediavelmente.

Fecho então os olhos, respiro fundo uma só vez, devagar, e volto a pensar que vou ser capaz, que tenho que ser capaz.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Deus castiga!

E assim, porque afinal os vasos ruins também quebram às vezes, ou ficam pelo menos fanados (esta palavra parece-me particularmente adequada à situação...)(e mais: vem no dicionário), dei por mim a desejar com todas as minhas forças aquilo de que reclamo sempre: uma certa mãozinha a ver se tenho febre e a aconchegar-me a roupa da cama, e o copinho de limonada que nestas alturas fica na mesinha de cabeceira...

Frase do mês


(daqui)


Para onde quer que me vire sinto-me, literalmente, a pisar ovos.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O que me escapou...

"Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do sol não me constranja.
Numa taça de sombras estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja...

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso..."
David Mourão-Ferreira

ouvido de passagem #7

"não precisamos um do outro para viver, mas queremos estar juntos"

É este o segredo, não é?
O "queremos" em vez do "precisamos"....

(e como distinguir, às vezes, uma coisa da outra?...)

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Connecting People

As ligações entre as pessoas são uma coisa curiosa, no mínimo.

Às vezes quase parece haver um cabo ADSL (ou de outra espécie qualquer) a conectar-nos, e mesmo sem falar, sem ouvir, penso nisso e já tenho conhecimento de que aconteceu, ainda que de forma vaga.

Isto acontece-me raras vezes, com muito poucas pessoas, mas acontece de forma sólida, palpável.
E deixa-me intrigada, porque não tenho posso dizer que acredite em fenómenos paranormais, mas não tenho a certeza de que estes sejam normais...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Enjoy the ride!

Ei!
Viste hoje o sol lá em cima?

Quando saí senti-o, bem quente, na cabeça, nos ombros, nas costas...
Tenho andado tão absorvida, sempre a ver onde ponho os pés, e esqueço-me de gozar um pouco a paisagem. Tentei levantar a cara, mudar a estratégia de aquecimento...

Parece que funciona, é uma cena estranha, o tipo da esquerda anima-se mesmo.
Viste como houve outras pessoas a fazer o mesmo que eu?

É cedo, sim, eu sei.

Mas faz falta alguém diferente de mim, que só dou mau tempo, faz falta sacudir os ossos, não deixar que o bafio dos dias iguais tome conta de nós.
Se me deres a mão sentes o mesmo que eu, suponho, e a tua mão encaixa perfeita na minha.

Ei! Anda......

Os filmes



Ao que parece eu era a única alminha à face da terra a desconhecer que o filme era um musical. Já não ia muito motivada, o Johnny Depp não faz o meu género. Na verdade, estes filmes não fazem o meu género, por isso posso dizer que não saí muito satisfeita... Que me sirva de lição, a mim que tenho a mania de ir ver os filmes sem saber nada deles...




Este já é bem mais o meu género...
Apesar de tudo, saí com a sensação de que faltou qualquer coisa, não consegui envolver-me na história o suficiente para me emocionar com ela.

E penso que às vezes não é fácil saber o que é mais justo.
Será que as pessoas devem passar a vida atormentadas com as consequências de actos inconsequentes, mesmo que as mesmas sejam devastadoras?...

culinária #2

porque é que faço sempre comida a mais?...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

E apesar de tudo, há que continuar à procura

"Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha."
Eugénio de Andrade

a história da minha vida parte xis

continuo "desencontrada, como à espera do combóio na paragem do autocarro"
(Lá em baixo - Sérgio Godinho)

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Whoever saves one life saves the world entire

Schindler's List
(com 15 anos de atraso...)


(daqui)


Serviu-nos de lição? Não me parece.
Em todo o mundo continuamos a matar pessoas, individualmente e em massa, de forma gratuita.

É caso para dizer: eu, ninguém....

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

nunca mais chega o verão

sair correr areia fora mergulhar de repente na água gelada sentir o frio como um arrepio escorrer pelas costas abaixo enterrar os pés na areia rebolar nas ondas jogar coisas quase adormecer ao sol embrulhada numa toalha besuntar a cara com protector ouvir os risos das crianças e os gritos das gaivotas como canções de embalar ler ouvir música comer petiscos beber uma geladinha sair correr monte abaixo com as ervas a arranhar as pernas ter vontade de andar de bicicleta escorregar e rebolar na relva rir rir à gargalhada agarrada à barriga as lágrimas a cair pela cara abaixo de felicidade levantar pegar na mão no braço agarrar o abraço passar a mão em jeito despreocupado pelo cabelo pela cara beijar sorrir fechar os olhos nus para aguentar a luz do sol reflecti-la nos dentes que espreitam riso fora segurar um gelado besuntar a cara com ele rir mais correr cair cheirar o verão no ar rebolar no calor sair

como pode uma semana ser tanto e tão pouco ao mesmo tempo?

O serviço informativo não serve para nada: já esgotaram os Portishead e eu não sou detentora nem de um mísero bilhete...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

há coisas que não mudam....

muito gosto eu de umas teoriazinhas.....

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Quem não arrisca não petisca?

Ela disse, a meio da conversa: "sabes, o segredo para uma boa relação é manter sempre uma certa distância"

Claro que não podia deixar de ficar a pensar nisto, simplesmente porque me conheço.

E então lembrei-me daquela velha teoria da distância de segurança, que seria a distância mínima que duas pessoas conseguiriam tolerar sem se beijar ou se afastar, não conseguindo ficar só ali. (já não sei onde ouvi isto...)

É assim com algumas relações, quando o tipo da esquerda quer que continuemos a tentar aproximar-nos mais, atingimos a dita distância mínima, e aí só pode acontecer uma de duas coisas: ou se abrem as portas e se consegue a intimidade que se procurava, ou alguém afasta alguém e há um retrocesso até um novo (ou velho) ponto de conforto.

sábado, 26 de janeiro de 2008

O serviço público informa...

... aquilo que já toda a gente parece saber: os Cure também cá vêm, dia 8, Lisboa, Pavilhão Atlântico.

Acho curioso um concerto dos Cure, simplesmente porque não consigo deixar de pensar neles como uma banda do passado (com 31 anos não podem deixar de o ser, são mais velhos do que eu!), embora os ouça muitíssimo ainda...

Artificiais? Nós?

Há avanços da ciência que não deixam de me assustar: depois de criado um genoma artificial, a que distância estamos de criar indivíduos artificiais?

(não discutindo, ainda assim, os benefícios em termos de novas terapias que envolvam o genoma, onde muitas vezes residem os problemas...)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

culinária

que fizemos nós do tempo?

tirámos partido dele, como se fosse o ingrediente secreto de algum prato novo, recém-descoberto, ou abusámos?...

Placard #2

Depois de um ano, não posso dizer que o espectáculo que vi da Mayra Andrade me surpreendeu.
Continua simpática, simples, cativante... e com uma voz e uma presença em palco assombrosas. Os músicos continuam excelentes (porque acho difícil que pudessem ser melhores), e o tempo passa a correr por entre as músicas quentes, balançadas.



Achei-a apenas menos comunicativa, menos envolvida com o público.
E falhou o terceiro encore.... por isso vou ter que ir vê-la outra vez...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O serviço público informa...

... que os Portishead vão lançar um novo álbum, e que a digressão começa precisamente neste pedacinho de país à beira mar plantado.
Porto e Lisboa, 26 e 27 de Março.

Respirar fundo

Aos poucos o ar vai passando, vou conseguindo respirar.
Apesar de nem tudo ter corrido como era suposto, e de não ter resolvido um único dos problemas que me atormentam, a semana que passou foi positiva, cheia de gente, mais música em circunstâncias diferentes, mais leve um pouco.

Ponto Zero

"Eu tento ler-te em cada frase
Tens um mistério
Que eu não desvendo
Embora às vezes esteja quase

O teu silêncio mais parece
Um ponto final
Volto atrás, tento entender
Mas não sou capaz

Eu quero entrar no teu enredo
Mas tenho medo
De não conseguir passar
Do prefácio

Talvez me possas
Dar uma luz
Tudo o que eu peço é um sinal
Eu não quero o acesso
A todos os teus segredos
Mas só a alguns

Dá-me um indício
Mesmo contrário
"Contraditório"
Dá-me a palavra
Que eu vou procurá-la
Ao dicionário

Eu quero entrar no teu enredo
Mas tenho medo
De não conseguir passar
Do prefácio

Dá-me uma chance
É tudo o que eu quero
É muito mau
Ler um romance
Sem sair do ponto zero

Talvez me possas
Dar uma luz
Tudo o que eu peço é um sinal
Eu não quero o acesso
A todos os teus segredos
Mas só a alguns"
Clã - Ponto Zero
(Letra: Carlos Tê / Música: Hélder Gonçalves)

(daqui)

Placard



É sempre difícil tentar descrever um espectáculo, este que vi dos Clã não é excepção.
A energia que transmitem, principalmente a Manuela Azevedo, a simpatia, o cuidado que puseram nos adereços, as músicas poderosas... Foi brutalíssimo!

Só um ponto negativo: não é um espectáculo para se ver sentada, começo a ficar com bichos carpinteiros...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

não será difícil, os outros conseguem...

"Eu dou tudo quanto tenho
Não funciono a meio gás"
Clã, Tira a Teima



será que alguma vez vou conseguir explicar ao tipo da esquerda que as coisas não têm que ser sempre quentes ou frias, podem ser mornas?...
xiça!


(sim, estamos em fase colorida, a ver se isto arriba um pouco...)

Para sempre e para sítio nenhum

Acontece-me vezes sem conta, quando vou a algum sítio de carro, especialmente à noite e com boa música aos berros, ter vontade de esquecer o destino e continuar, como se não houvesse limites de espaço e de tempo e eu pudesse só conduzir, para sempre e para sítio nenhum.
Às vezes engano-me um pouco a mim própria e ignoro mesmo a saída, mas imponho regras: até à música tal, até à hora tal...

E sabe-me bem seguir, ouvir só a música e tentar não pensar em nada, em ninguém...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

É tarde demais?

Páro. Fecho os olhos. Respiro fundo.

Escorreguei hoje duas vezes, distraída à tua beira.
Quero esquecer-me de como se cai, de como a terra pára momentaneamente de girar e sinto a tua respiração perto, demasiado perto, a curva perfeita do teu peito, a força e a velocidade com que atravessas o espaço que nos separa.

Escorreguei hoje duas vezes...
Se me distraio sou capaz de cair, e não sei se não quero ou se não devo.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

talvez no meu caso se aplicasse um cardiologista

"If or when I do start going to an analyst, I hope to God he has the foresight to
let a dermatologist sit in on consultation. A hand specialist.
I have scars on my hands from touching certain people.
Once, in the park, when Franny was still in the carriage,
I put my hand on the downy pate of her head and left it there too long.
Another time, at Loew's Seventy-Second Street, with Zooey during a spooky movie.
He was about six or seven, and he went under the sear to avoid watching a
scary scene. I put my hand on his head.
Certain heads, certain colors and textures of human hair leave permanent
marks on me. Other things, too.
Charlotte once ran away from me, outside the studio, and I grabbed her
dress to stop her, to keep her near me.
A yellow cotton dress I loved because it was too long for her.
I still have a lemon-yellow mark on the palm of my right hand...."
Raise High the Roof Beam, Carpenters, J.D. Salinger

"Certas cabeças, certas cores, certos contactos com a pele humana deixam-me cicatrizes para sempre."

domingo, 13 de janeiro de 2008

as palavras proibidas

tenho sentido a tua falta...

sábado, 12 de janeiro de 2008

Lados errados

"Largaram-me a mil metros do chão
Largaram-me porque me agarrei
Numa alucinação de vida
Que me enchia o coração
E que agora vejo perdida
Num cair que já não sei

Largaram-me a mil metros do chão
Reparo o sol que se afasta no ar
Rasgo caminho onde o vento dormia
Adormeço sentidos no meu furacão
Enquanto sol anuncia o dia
Sinto o meu corpo, desamparado, deslizar...

Perdi-te do lado errado do coração
Mas és tu o meu chão...

Enquanto caía a terra rachou
E eu via a queda ainda mais funda
Ao meu lado passava tudo o que passei
Comigo a miragem que nada mudou
Do voo rasante que nem começou
Do tempo apressado que nem reparei


Sinto os meus gestos flutuar, devagar
No último segredo antes do ódio
À minha frente um filme de aves sem voz
Quando as ouvi resolvi gostar
Quando as senti fiquei a amar
Ter tentado subir ao cimo de nós

Amei-te do lado errado do coração
Mas és tu o meu chão...

Não sei ao que chamam lados do coração
Mas és tu o meu chão...
És tu o meu chão..."
Toranja, Lados Errados

Não ia postar aqui esta letra, mas o meu explorer (tenho que me dar ao trabalho de instalar outra coisinha...) recusa-se a tocar a música que pus ali do lado direito (lado errado?), por isso cá fica...

tanto mar*

Há lugares comuns que, ainda que o sejam, se destacam na minha vida.



Dei por mim ali parada, a sentir o vento gelado na cara, a ver os kites, as nuvens com o sol já ausente a perder-se no meio delas, e acima o céu, a lua nova....

Repeti para mim mesma que vou ser capaz, como um mantra: vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser capaz, vou ser .....................

Algumas coisas dependem de mim, mas não são urgentes (ou são-no, literalmente), outras não dependem, e são-no mais porque estão a colocar em risco estruturas que eu quero manter sólidas e que nos últimos dias sinto oscilar de forma assustadora.
Conseguirei ainda aprender, se nunca o consegui antes?

E ali de pé, senti uma certa calma, e por momentos achei que sim, que vou ser capaz.
A dor anginosa atenuou-se, e poderia ter ficado ali parada, indefinidamente, a repetir o mantra.

Mas a realidade chamou-me, e no regresso, foi, aos poucos voltando o desconforto à esquerda.

Mas o mantra continua: vou ser capaz, vou ser .....

*Chico Buarque

Defeito VII

Confundo constantemente os meus amigos com estranhos.

Tinha muito para escrever, mas...

Tenho duas mãos invisíveis a tentar desesperadamente espremer qualquer coisinha do meu cérebro, e, espanto!, não se aproveita nada...

Mas dói em dois sítios diferentes.
Mesmo.

(The National não ajuda, eu sei, mas ainda não consegui parar...)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O prognóstico é reservado.
Mas haverá esperança, doutor?

Olhando para trás percebo que sou, de facto, sozinha, e sou eu que o escolho, não adianta tentar culpar outros. (já o expliquei aqui, e aqui, e aqui, e aqui e talvez em outros sítios...)
Apenas há instantes em que me engano, e julgo ver gente ao meu lado.
Mas é ilusão: reservei o meu lugar, e todos os que estavam à volta, para que ninguém se possa sentar à minha beira. É tudo muito de passagem...
No fundo talvez seja compreensível, porque me escondo sempre na sombra.
Eu sou aquela que é incapaz de chamar, que não chora, que não grita nunca, que não pede e muito menos implora, e que jamais dá um estalo ou um pontapé, mesmo depois de levar três seguidos.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

E o pior cego é aquele que não quer ver

Sinto-me como um cego, às apalpadelas em terreno desconhecido, a tropeçar em tudo o que está pelo caminho.
Tento ser delicada mas não sei se é o suficiente para não partir tudo o que me rodeia.
Era a última coisa que queria...

(e na verdade não sei porque digo desconhecido, conheço-o demasiado bem, só não sei como o percorrer...)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Como acontece com o café

Sabendo que estás para chegar, não consigo ver-te, ainda que te olhe.
A distância comprime-se rapidamente nas conversas iniciais, banais, mas depois o tempo e o espaço avançam juntos, e a juntar-nos, pela primeira vez depois da última, que já nem sei quando foi.
É então que te olho, agora sem medo, mais demoradamente, e consigo vislumbrar-me nos teus olhos, como dantes, como se quatro anos inteiros não tivessem passado.
E nesse instante, olhos nos olhos, cresces dentro de mim, e a tua presença é forte e segura, porque nos vemos, finalmente, e sabemos quem fomos, de onde viemos, e sabemos quem somos, despidas de banalidades.

Pode ser apenas um instante, breve, mas enche-me e perdura... e é bom......

domingo, 6 de janeiro de 2008

Existem dois momentos que se tocam

Na proximidade dos outros encontro-me a mim própria com calma, sem pressas, sem dúvidas ou justificações, como qualquer coisa que existe simplesmente, que se limita a ser como é.

Mas à medida que o tempo avança, avassalador sobre o meu peito nu, desprotegido, sinto-o alimentar os pontos de interrogação que me crescem nos olhos marejados, e percebo que os momentos deixam de se tocar, primeiro por uns segundos apenas, mas aos poucos, à medida que cresce a confiança da dúvida demolidora, por mais uns minutos, e depois umas horas, e um dia, e dois... até que já não tenho olhos, só questões húmidas que não sei como esmagar.
Não com as minhas duas mãos.

Dói-me a distância de mim mesma, com o barulho da carne a ser rasgada, afastada devagar da outra carne, do osso... porque é a mesma distância que se ergue assombrosa e me separa dos outros.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Embriaga-te

"Devemos andar sempre bêbados.
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar.
Mas com quê?
Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto. Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, o tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são: "São horas de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar! Com vinho, com poesia, ou com a virtude.""
Charles Baudelaire

A meu gosto é com pessoas.

(Obrigada....)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Que é como quem diz: só pode melhorar
(ou então: bom ano!)

Lições aprendidas: não deixar um saco térmico cheio de comida fechado durante uma semana em cima da mesa da cozinha.
Acho inacreditável que os meus vizinhos não tenham pensado que eu morri.
(ok, não cheirava assim tão mal...)


Como se começa bem o ano: a limpar as borradas (para não dizer pior) que se fez no anterior.

Com a minha vida podre como está sá há uma solução: água quente, lixívia e sonasol verde (passo a publicidade). Depois de amanhã está nobo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

My Deamon



(como sempre que não há muito mais para fazer, ou há e falta a vontade...)

sábado, 29 de dezembro de 2007

Se me abraçares, não partas.

"Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.

Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –

o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.

Se me abraçares, não partas."
Maria do Rosário Pedreira

porque todos mudam, até a surda muda*
mas eu não

o balanço deste ano ficará para o ano que vem

* não sei de quem é esta linda frase, mas não é minha....

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Suspenso

Quando comecei a escrever o blog nem sabia bem o que era um blog, por isso não havia propriamente um projecto para as minhas lembranças.
Aos poucos este tornou-se o espaço onde fui deixando o que li e o que ouvi, e muito do que senti.
Ninguém vinha à minha procura, por isso ninguém se sentia defraudado por não me encontrar.
E eu escrevia livremente, porque sabia que mantinha uma versão pública, e ao mesmo tempo privada dos meus livrinhos.

Claro que, em última análise, as coisas escritas só ganham forma depois de lidas, e aí residia a principal vantagem de tudo isto: o que eu escrevia era lido e eu sabia-o, só não sabia por quem.
(e "quem" não sabia quem eu era...)

À medida que o tempo passou fui partilhando este espaço com as pessoas que achei que poderiam, de alguma forma, chegar mais perto através das minhas palavras. A algumas dei deliberadamente este endereço, outras descobriram-no por acaso ou porque o procuraram. Apenas num caso não ponderei a partilha, em todos os outros resisti muitas vezes à vontade que tinha de dizer que escrevia aqui, até finalmente não conseguir resistir mais.
E comecei, lentamente, a escrever de forma diferente, às vezes quase a disfarçar o que que queria dizer no meio de metáforas e palavras vagas que só eu seria (ou não) capaz de entender. E comecei também a esperar que me viessem ler, a presença de pessoas mais próximas não é algo de que me possa simplesmente abstrair na maior parte das vezes que escrevo. Às vezes isso faz diferença, outras vezes não faz. Mas a sensação que tenho ultimamente é que cada vez faz mais diferença.

Parar o blog não foi uma decisão repentina.
Já houve outras ameaças, e esta poderá ser só mais uma.

Não sei se consigo passar sem cá vir...

Mas há muito que não sinto a mesma leveza que sentia antes, quando publicava um post. Às vezes a sensação é exactamente a oposta, porque estou a pensar em como vai ser interpretado aquilo que escrevi...
Por isso, e enquanto algumas coisas não estiverem um pouco mais claras na minha cabeça, e no meu coração, fica esta nota suspensa.

O que acontecerá depois nem eu sei.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

ponto final



encerramos para obras/demolição (ainda em ponderação)
obrigada/desculpem

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

mais pontos (de situações?)

fazer as coisas contrariada torna tudo muito mais difícil. sei disto, mas não o consigo evitar, por isso me está a custar tanto.

trabalhar em coisas sem acreditar nelas é verdadeiramente improdutivo.

continuo a não saber gerir os meus sentimentos em relação às prioridades das vidas alheias. são alheias, por isso não tenho nada a ver com isso. se é assim simples, porque não é fácil de aplicar?

às vezes gostava mesmo de ser desligada. como não sou, irrito-me comigo própria por não conseguir ser, e com os outros apenas porque são alvo da minha ligação. (como se fosse uma coisa unidireccional...) (e às vezes parece ser, de facto.)

é quinta-feira à noite (ou será sexta, já?) e eu estou com um humor digno de domingo à noite. devia (seriamente) ponderar ficar...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

...

dei por mim a pensar que talvez lembre mais o dia em que partiram do que aquele em que chegaram... e depois percebi como é irónico (ou talvez não) que a data de uma partida seja a da outra chegada, e a da outra chegada outra partida...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A melhor juventude



Ter acabado hoje o filme quase parece de propósito, mas não foi...

Passaram três anos e sinto-me, pela primeira vez, longe.
Diz-se que há coisas das quais o tempo trata, mas o tempo tem formas estranhas de nos afastar...

E dou por mim a perguntar se cheguei a ver aquilo que tinhas para mostrar. Na minha visão romântica das coisas gosto de acreditar que sim, mas as rotinas de cada dia tornam-no difícil... Mas era isso, não era? Acreditar? Sempre? Se não foi o que fizeste... era isso?

Terias orgulho em mim? Saberias compreender-me?

Duvido.
Nos dias que passam não me orgulho das minhas escolhas, e vivo, apesar disso, presa a elas.

O tempo acalmou tudo, mas as dúvidas souberam resistir-lhe... as saudades que tenho tuas, vossas, também.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Burra, eu?

Na realidade (estou sempre a escrever isto...) cheguei à conclusão que não sou uma pessoa inteligente.
Se fosse não escrevia estas coisas no blog.
Não escrevia nada neste blog.

E ter noção disso e continuar não abona muito em meu favor...

Foi você que pediu para se apaixonar?

E entramos directamente na fase ácida da coisa.

Qual é o interesse de uma pessoa se apaixonar?
Sim, a vida parece mais colorida, mais musical, mais rica, mais sei lá o quê....
E sei lá o quê porque não sei.
Porque depois isso passa e fica só um vazio que já não cabe no espaço que o vazio anterior ocupava.

Preferia andar bem e ser eu bem outra vez, é só isso.

(e negarei até ao fim dos meus dias ter escrito este post...)

Enquanto ela não chegar, pelo menos...

Este é um velho hábito, que talvez o seja porque resulta...

Agarro-me a tudo à minha volta.
Preciso de me ocupar, de procurar pessoas, muitas pessoas, de fazer jantares, de ir a ensaios e a cafés, de me distrair da minha própria vida...

would you go along with someone like me?

"if i told you things i did before
told you how i used to be
would you go along with someone like me
if you knew my story word for word
had all of my history
would you go along with someone like me

i did before and had my share
it didn't lead nowhere
i would go along with someone like you
it doesn't matter what you did
who you were hanging with
we could stick around and see this night through

and we don't care about the young folks
talkin' bout the young style
and we don't care about the old folks
talkin' 'bout the old style too
and we don't care about their own faults
talkin' 'bout our own style
all we care 'bout is talking
talking only me and you

usually when things has gone this far
people tend to disappear
no-one will surprise me unless you do

i can tell there's something goin' on
hours seems to disappear
everyone is leaving i'm still with you

it doesn't matter what we do
where we are going to
we can stick around and see this night through

and we don't care about the young folks
talkin' bout the young style
and we don't care about the old folks
talkin' 'bout the old style too
and we don't care about their own faults
talkin' 'bout our own style
all we care 'bout is talking
talking only me and you"
Peter Bjorn and John, Young Folks

A velha história das calibrações....

"De nós, é ele o mais feliz, num certo sentido; não tem nenhuma ideia preconcebida do que deseja em troca do seu amor. Amar assim, sem premeditação, eis o que todas as pessoas deviam aprender(...)"
Lawrence Durrel, Justine (página 81, Olisseia)

Acredito que este é um dos caminhos para a felicidade.
Também acredito que existem mais.....

Dos exageros...

Não espero exageros em troca (acho até que não saberia geri-los, se fosse ao contrário) (o que também explica muita coisa...).

Na realidade sei que, estando em fase, bastam pequenos feedbacks para me manter a funcionar em alta rotação.

sábado, 17 de novembro de 2007

diários (ou quase) - parte x
[ou: a personagem principal da minha vida não sou eu :b]

"A viagem aproxima-se do fim, e, ao contrário do que costuma acontecer, não tenho sentimentos definidos em relação a isso.
Se por um lado tenho medo do regresso às rotinas e ao buraco negro em que me estava a fechar aos poucos, por outro tenho alguma vontade de voltar, quase uma impaciência, como se já não houvesse mais nada para ver aqui.

Sei que isso não é verdade: havia muito mais para ver aqui.
A questão é só a do costume: o que faz toda a diferença em tudo o que faço, vejo e sinto......


E neste sítio bonito, numa realidade tão distante da que vivo no dia-a-dia, as minhas considerações são as mesmas. E talvez isso, mais do que qualquer outra coisa, esteja errado.

Devia aproveitar esta água que se atira da montanha em queda livre para me lavar, deixar que o barulho ensurdecedor que faz ao ruir nas pedras me chegue pelos ouvidos à alma, sentir o seu cheiro vazio, insípido e límpido, e conduzi-lo pelas narinas, faringe, laringe, brônquios, bronquíolos, alvéolos, gás no sangue, oxigénio novo para o meu coração cansado, que bateu até ficar com a língua de fora só para que eu pudesse chegar hoje aqui, onde estou neste preciso instante: numa ponte de metal sobre uma cascata que desagua na grande mãe. De pé, mas sempre pouco segura nas minhas próprias pernas, dentro do meu próprio corpo, apesar do aspecto robusto que passo em pose atlética, de mochila às costas e botas de montanha."

03.11.2007

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

ou será ao contrário?

estou mais crescida, mas não estou maior

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Passa ave, passa...

"The World is a bridge, pass over it, but build no houses upon it. He, who hopes for a day, may hope for eternity: but the World endures but an hour."
Attrib. to Jesus Christ

... e ensina-me a passar!
Alberto Caeiro

(duas citações num só post, que espectáculo! nada como umas férias para alguma inspiração...)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Até já?

Pensei que ia ter tempo para mais qualquer coisa, mas não, claro que não.
Acho que já tive tempo para muita coisa, não me posso queixar...


E chegou, mais uma vez a altura de um "ritual" que se repete pela terceira vez...
Vou cair em frases feitas e vou dizer que vou à minha procura.
Não pelo destino, que talvez fosse propício a essas buscas espirituais, mas porque precisaria de ir à minha procura a qualquer sítio do mundo.

Por brincadeira digo que vou estar à minha espera no aeroporto, e até me ajudo a carregar a minha própria bagagem... Quem mais?

Mas espero voltar mais eu outra vez, mais calma e, acima de tudo, com mais disposição para tudo o que neste momento a exige na minha vida.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

"Somos responsáveis por aqueles que cativamos" *

Dei por mim a pensar nisto...
Ir à procura dos outros é uma responsabilidade. Não sei se responsabilidade é a palavra mais certa, dá um ar sisudo à coisa, mas a verdade é que é, de facto, sério.

E por achar que é sério, sempre que tento encontrar alguém, fico a pensar se estou a fazer bem, porque mais tarde posso não estar à altura do que procurei, ou o outro pode não estar à altura do que eu inventei...


*Antoine de Saint-Exupéry

Não me apetece

E não me apetece da mesma forma que não me apetece acordar, trabalhar, sair, ir ao café, ver gente, nem ir a lado nenhum.........

...e não percebo bem o que se está a passar...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O ausente

"Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente"
Sophia de Mello Breyner Andresen, Eis-me

Nada disto são queixas ou reclamações

São constatações.

É assim a vida...

(ao que alguém diria: "mais curta que comprida!")

Admiro o Blogger...




Depois do lixo que escrevo, ele ainda me diz que o meu post foi um sucesso...

Não há ninguém que consiga contar a minha história

De repente dei por mim a questionar-me se foi isso que mudou tudo.

Ao olhar à minha volta percebo que há, de facto, algo que não bate certo.

Não há ninguém que tenha estado ao meu lado todo este tempo, mas eu também não estive ao lado de ninguém...

E sim, falta-me a "minha pessoa", mas se à minha volta as pessoas têm pessoas e eu não tenho, o problema será de quem?
Meu, com toda a certeza.

E olho para mim, olhos nos olhos que me olham no espelho, e sei que este caminho não me leva a bom porto, mas não consigo escolher outro.
Porque não quero.
Porque vai contra os meus supostos princípios.
Porque arruína a minha estúpida e incoerente coerência.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Histórias de vidas

A Firmina e a Solange eram as melhores amigas no liceu. Conheciam-se, e às respectivas famílias, passavam horas ao telefone. A Solange queria ir para África e ter um dois cavalos, e a Firmina é que acabou médica (ou talvez não...). Um dia a Solange mudou de escola. Na eminência da separação, disse à Firmina que iam deixar de ser amigas. Que era assim que as coisas se passavam, e que não havia a mínima hipótese de outro rumo para aquela amizade. Não deu oportunidade à Firmina para lhe mostrar que as coisas podiam passar-se de outra forma. Mas avisou-a.

Passados dez anos a Firmina tinha uma outra amiga, a Carlota. Eram as melhores amigas. Conheciam-se e conheciam as respectivas famílias. Falavam muito porque queriam que a outra fosse a primeira a saber da mínima coisa que tivesse acontecido nesse dia, de um beijo mal dado, ou de como o Jesualdo dizia as coisas certas, ou de como o Joaquim não estava quando era mais preciso. Um dia a Firmina teve que mudar de cidade. A Carlota não a avisou que iam deixar de ser amigas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

verdade XVII

É tudo muito mais fácil quando não há nada a perder...

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Ninguém joga este jogo

Outras coisas deviam ter mudado.

Percebi que o medo não me impede de avançar, de abrir as portas, de jogar.
Tenho medo, sim, mas quando o tipo à esquerda assume o comando, torna-se difícil controlar as coisas.
E mesmo sabendo que não pode ser assim, que as regras pelas quais se regem todas as pessoas à minha volta não permitem que se jogue desta maneira, eu avanço. E à medida que avanço tiro a camisola, esqueço a pele, e exponho-me desprotegida.

Ninguém joga este jogo.

Até hoje só conheci um jogador, e desistiu no fim da primeira parte. A maioria não dura nem cinco minutos.

Eu sei disso.

Não percebo porque não páro.
Pelo menos a tempo de um empate...

Tinta branca

Na realidade algumas coisas mudaram nestes anos todos.
Hoje há coisas que prefiro não escrever, para não ter que me lembrar delas mais tarde.

domingo, 30 de setembro de 2007

Não sei nem para um título

Este blog tem mil e duzentos posts publicados, mil duzentos e noventa e dois no total, com este mais um, a somar em qualquer dos lados.
Houve uma altura em que eu não escrevia drafts (recuso-me a dizer rascunhos, e mesmo assim acabei de o fazer), e as palavras eram soltas, fluidas, escorregadias. Quando me apercebia já tinham saído e estavam de outra cor. Nessa altura não saíam só as palavras...

Agora não consigo fazê-las sair. Nem às palavras...
Sei que algumas nascem nos lábios, outras nos olhos, outras um pouco mais fundo, mas não sei como se fazem.

Não sei bem o que procuro, mas está a chegar a altura da viagem, e quando voltar o meu calendário estará novamente a zero.
Sem desculpas de um ano civil ou lectivo, ou qualquer outro.
Este não está a ser bom, talvez consiga ainda corrigi-lo um pouco.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

verdade XVI

Há pessoas que fazem parte de nós, como impressões digitais.

Jogos

Estão escondidos?
São vocês mesmos?

não se escondam demasiado...

...tenho medo de não vos conseguir encontrar...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

tss, tss

para mais, não sobrou nem uma fotografia...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

E, com sorte, sozinhos.

Era vermelho e redondo e agora está enterrado na areia, onde desabam as ondas do mar.

Fiquei triste, sim, por mais estúpido que me pareça ficar triste por uma coisa...
Mas as coisas são as memórias e as imagens, que aos poucos vão substituindo a forma original por outra, com um sentido que ultrapassa o plano físico e começa a entrar no emocional.

Por isso gostava dele, porque foi símbolo do meu verão.
E fico mais triste porque tenho a sensação de que foram enterrados juntos.

emocionalmente burra

sinto um certo orgulho nesta minha teimosa (e idiota) forma de estar na vida


um orgulho quase tão grande como a raiva que às vezes me enche por ser assim: estupidamente vulnerável a tantas coisas que não dependem de mim

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

afinal, o que se passa?

o tempo avança depressa, e se por momentos percebi onde estava a minha paz, de repente já não sei quais os passos que calquei para lá chegar

sei onde está, visualizo-a, mas não lhe toco

e enquanto escrevo isto percebo porquê: a minha paz e o meu equilíbrio eram gastos e cansados, e quis experimentar o lado de lá, independentemente das consequências

pensando assim percebo que valeu a pena arriscar, mesmo que o resultado não seja melhor que a equação que o precedia

mesmo que agora reclame, e sofra de olhos abertos e secos

por favor, onde se desliga?

há qualquer coisa de vulgar nesta inquietação que me impede de dormir

as minhas constantes interrogações, a minha vida permanentemente ligada à electricidade da companhia alheia

estou F-A-R-T-A

e agora?

há pessoas de quem gostamos muito que têm coisas de que não gostamos nada

as dificuldades surgem quando não nos conseguimos abstrair de nenhuma das duas coisas

[vazio]

"O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto
Todas as coisas serviram para nos ensinar
ardente perfeição da tua ausência"
Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 16 de setembro de 2007

mito, com tê

"Nem por um segundo largo a mão
da perfeição do teu desenho
e do teu gesto no meu...

foi como um sopro estranho...

...aconteceu..."
Toranja, Fogo e Noite

Há memórias passadas que voltam num segundo, e é impossível saber onde estavam guardadas, ou porque quiseram sentir de novo o ar fresco da noite.

Às vezes tenho saudades dos breves instantes em que se consumiu uma história que nunca chegou a ganhar a forma que têm as coisas reais.

sábado, 15 de setembro de 2007

Burra velha...

Em parte sei de onde vem esta sensação de que o chão me está sempre a fugir, por baixo dos pés: insisto em fazer caminhos que já conheço, e onde sei que acabo atolada até às orelhas....

Nem no meio nem nos extremos. Então onde?

Quando devia ser capaz de não escrever, escrevo o que não devo.


Quando devia relaxar as defesas elas erguem-se assombrosas sobre as minhas dúvidas: calo-me.

Esta máquina já não dá para mais...

O tempo passou, e eu não aprendi a gerir muitas destas coisas das relações entre as pessoas. Páro, ouço mais do que falo, tento observar... Mas escapa-me sempre a essência da questão.

Às vezes pergunto-me se é só uma questão de química.
Ou seja: podemos achar que certas pessoas são certas e investir nelas, e mesmo assim nunca conseguir chegar lá, ou deixá-las vir até nós. Não falo de nada em particular, mas de tudo em geral.... Se a dita química falhar, o investimento, por maior que seja, poderá falhar também?

E volto às minhas velhas questões e interrogações sobre a amizade, e sobre as relações entre duas pessoas, quaisquer que elas sejam...
Aprendi a não pedir mais, mesmo desejando-o, às vezes, com todas as minhas forças.
Só não percebo porque não aprendi a conquistar a paz que devia vir no mesmo pacote.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Pequena dúvida #4

se nos lembrarmos de alguém e esse alguém não souber que nos lembrámos, valeu a pena termo-nos lembrado?

verdade XV

esqueci-me

do que me faz bem

não sei se são grandes ou pequenas, mas há coisas simples que me deixam feliz

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

um grande silêncio azul

bom...
na verdade já devo ter dito praticamente tudo aqui

acho que é por isso que às vezes a única coisa que faz sentido é o silêncio...

Bom dia!

Pela primeira vez em muito tempo (talvez um mês, mais coisa menos coisa), dormi bem, toda a noite. Claro que abri os olhos uma hora antes de o despertador tocar, mas nem isso estragou a sensação de descanso que tinha ao acordar.

Já o disse aqui, mas é por este despertar, mais do que pelo sono, que gosto de dromir...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Pontos da situação

A vida é frágil, demasiado frágil, e demasiadas vezes brincamos com ela.


Tantas vezes me lamentei aqui da falta que me faziam (fazem) pessoas, e de como é triste sucumbirmos às rotinas, deixando passar dias, semanas, meses sem um telefonema, uma mensagem, um sinal qualquer...
Aos poucos sinto-me a embrutecer, a juntar-me à manada...


Como será percebermos, um dia, que não nos resta mais do que um ano, por exemplo? Seis meses? Divido-me entre duas hipóteses, ambas carimbadas pelo desequilíbrio emocional que a integração de semelhante verdade traria: ou se metem pés e mãos ao caminho, tentando aproveitar tudo, ou se desiste, ao perceber que já não é possível, porque o mundo era tão grande que nos comeu.
De fora, parece-me impossível continuar a vida como se nada estivesse para acontecer...


Não sei se sou demasiado ambiciosa em termos pessoais ou demasiado preguiçosa em todos os outros.


O verão aproxima-se do fim e este calor mortiço mantém-se, a comer-me por dentro, deixando-me mole, de olhos baços, sem força para tudo o que me faz falta.
Ao contrário do que sempre acontece, espero agora que o inverno seja mais agradável.
Tento acreditar que as férias que faltam me vão fazer abrir os olhos de vez, e voltar ao equilíbrio que procuro desde que te fiz aparecer.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

O que aí vem há-de chegar

Não tenho muito para dizer, e isso poderá (ou não) ser um bom sinal.
Os dias são lentos, as horas passadas comigo não se apressam, nem eu com elas.
Habituo-me de forma assustadoramente rápida a este vazio de contactos, e todo e qualquer movimento de contradição cresce em esforço.

Mas sabe-me bem esta paz: não penso, não vejo, não falo, não sinto.

Armazeno energia e tenho esperança de não estar a trabalhar em sentido negativo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

As férias devem ser assim?

Os dias passam devagar, e ao mesmo tempo depressa demais.
Acordamos quando abrimos os olhos, comemos porque o corpo o pede, amolecemos ao sol e ganhamos forma na água.
Arrastamo-nos para outros sítios por estradas poeirentas, paramos para fotografias e voamos nas músicas.

Ao fim da tarde tudo pára.

Bebe-se um copo, enrolam-se caracóis em palitos, e atira-se conversa ao ar, mas não se joga fora. Conseguimos que alguma chegue bem dentro.


Na simplicidade dos momentos partilhados reside qualquer coisa tranquila, de paz, que sem ter forma me enche por dentro...

domingo, 19 de agosto de 2007

O dia em que a noite se desprendeu do mar

A água era morna, a temperatura próxima à que se respirava cá fora, e as ondas rebentavam em dois sentidos opostos, anulando-se umas às outras.
Ao fundo, algures entre o mar e o céu, havia uma barra escura, e a noite crescia daí, em azuis, laranjas e violetas...

À esquerda havia um penhasco, e logo ao lado crescia a lua nova.

As estrelas começavam a polvilhar o céu, e eu entrei...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Ídolos?

Há pessoas para quem olhamos, definitivamente, para cima.

Hoje dei por mim a pensar que devia expressar a admiração que sinto, o quanto saio maior de algumas conversas, e como percebo que há caminhos que eu queria, para continuar a crescer, aprender a seguir.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Aproxima-se um tempo de mudanças

À medida que o tempo passa percebo que fugir não é solução.
Tenho notado no meu percurso de vida uma certa tendência para ir de encontro ao que mais me assusta. E é verdade que aos poucos os medos vão desaparecendo, diluem-se nos hábitos, dão lugar a outros.

Pela primeira vez em muito tempo achei que estava farta de preocurar sempre o que me faz mal, e fugi.
E de cada vez que dobro uma esquina percebo que os fantasma que quero evitar estão à espreita, avisando-me do perigo que corro se continuar a virar-lhes costas.

sábado, 4 de agosto de 2007

sinais

podia ter ido.

num dia lamento-me porque me faltam as pessoas, no outro desperdiço companhias raras e por isso preciosas

não sei se devo interpretar isto como mais um sinal de que algo não está a funcionar como era suposto.
não é da minha natureza ceder ao cansaço, à dor de cabeça, e às coisas que me fizeram ceder, em detrimento de bons momentos em boa companhia.

talvez seja bom não tentar interpretar nada.

não estou em paz.

amanhã é outro dia.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

ele há coisas...

já tenho os sapatos calçados e ainda não os paguei...

Falta quem me carregue as baterias

O dia esteve quente, como têm estado os dias desde que começou este verão tardio.
Para compensar um pouco, e aproveitar que há um rio à beira do qual está mais fresco, arrastei-me para fora de casa.

O caminho de regresso foi feito devagar, a ouvir a música sem a ouvir de facto, porque vinha a pensar que uma ou duas horas de contacto diário (quando o é...) com pessoas que falam, que têm vidas, que querem saber das minhas, não são suficientes.
A mim não me chegam.

E é por isso que este ano estou cansada, e preciso de sair daqui.
(e é isso que me tem feito pensar,ultimamente muito mais, se estou no caminho certo)